Entrevista do professor Edmar Bacha sobre desindustrialização

Segue abaixo o link para uma excelente entrevista de 30 minutos do professor Bacha para TV UNIVESP sobre o livro “O Futuro da Indústria no Brasil” organizado pelo professor Edmar Bacha e Mônica de Bolle.

A entrevista está muito boa e a repórter deixa o professor desenvolver com calma o seu raciocínio. Além disso, a jornalista Mônica Teixeira faz boas perguntas, o que facilita bastante o desenrolar da entrevista. Vale a pena assistir. É uma aula de graça sobre indústria, comércio internacional e crescimento, independentemente de você concordar ou não com as ideias do professor.

Na entrevista, o professor Bacha desenvolve uma tese que não está no livro mas que resulta de suas reflexões sobre o tema. O que fazer para “salvar a indústria”: (1) reduzir conteúdo local e liberar importações, (2) reduzir gasto público para, em seguida, reduzir carga tributária, (3) fazer acordos comerciais para aumentar exportações e importações. A consequência desse plano seria uma taxa de câmbio mais desvalorizada. Mas isso seria um plano de uma década, não um plano para 2 ou 3 anos e começaria pela agenda fiscal (Ele desenvolveu esse argumento em artigo recente no VALOR – clique aqui).

O professor não detalha a sua proposta para a reforma fiscal. Ele sugere uma regra de bolso: crescimento do gasto público (real) passa a ser metade do crescimento do PIB real. Isso é mais complicado do que parece, mas está lançado o desafio.

5 pensamentos sobre “Entrevista do professor Edmar Bacha sobre desindustrialização

  1. Mansueto, em geral você tem mostrado preocupação com a condição fiscal no Brasil. O Gustavo Franco escreveu esses dias na mesma direção, que o governo estaria fazendo barbeiragens e tal. Mas, fora a contabilidade criativa e questões sobre a qualidade do gasto, com a relação divida/pib num patamar razoavelmente baixa a situação não seria tranquila? Tenho visto muita gente analisando a coisa nessa direção.

  2. Monsueto, o problema da competição da indústria brasileira perante aos mercados globais não é novidade. O economista Antonio Castro, recentemente falecido, já abordou esse problema em diversos artigos e entrevistas , inclusive para o próprio governo. Você , como economista do Ipea, deve saber disso. Os programas de transferência de renda sempre tiveram prioridade devido aos dividendos políticos. O grande problema do governo é a gestão pública desses programas. O resto, como se dizia antigamente, é folclore.

  3. Pingback: Desindustrialização: mais fontes | Gabriel Rega

Os comentários estão desativados.