A bronca de Jim Rogers

Na ultima quinta-feira, dia 28 de março, o investidor americano Jim Rogers deu uma entrevista à agência de notícias Broadcast na qual ele soltou o verbo sobre a dificuldade de investir no Brasil.

Segue abaixo o que foi publicado na entrevista do investidor à jornalista Luciana Antonello Xavier. Talvez seja exagero, mas mostra o mal humor do mercado financeiro internacional com o Brasil no momento.

Broadcast – Que saída o Brasil tem para conseguir um bom desempenho econômico? O que nossa presidente pode fazer? 

Rogers – Bem, ela poderia parar de impedir capital novo de entrar no País. Aquela senhora que governa o País está promovendo guerra cambial, tornando impossível investir no Brasil, tornando ilegal para os estrangeiros investirem no País. Ela coloca obstáculos para chineses e coreanos, aqueles que são grandes ‘clientes’ do Brasil. Ela tem que tornar o País mais acessível! Ela tem que parar com o controle da moeda. Ela não está ajudando o Brasil, está prejudicando. Deveria haver uma abertura maior do País, uma abertura maior para o capital. Desse modo, o Brasil poderia ser um dos grandes países do mundo. Mas esta senhora é uma das muitas pessoas que têm impedido que o Brasil seja uma das principais economias do mundo.

Broadcast – O senhor não tem dinheiro no Brasil? 

Rogers – Não, não tenho dinheiro no Brasil. Eu tive, mas não tenho agora. Já houve tempos de se investir no Brasil. Mas quando você tem alguém que é contra expertise, contra capital, que ataca seus parceiros, alguém com esse tipo de atitude, então não dá para investir no Brasil. Mas se isso mudar, voltarei a colocar meu dinheiro lá.

15 pensamentos sobre “A bronca de Jim Rogers

  1. Guerra cambial? Não entendi bem. Quem está controlando a moeda rigidamente é a Suíça, quem está despejando moeda no mercado interno que vaza para os demais países são Estados Unidos e Japão.
    Outro ponto: quais são os obstáculos para chineses e coreanos investirem no Brasil? É bem provável que China e Coréia tenham mais obstáculos em receber empresas brasileiras que o contrário.
    É bom lembrar que IED tem batido recorde histórico em nosso País.
    A crítica foi desfocada e ficou incompreensível porque não tocou em nenhum ponto correto dos nossos entraves ao investimento nacional e estrangeiro. Parece que o Jim ou está mal informado ou misturou as bolas e não conseguiu se expressar direito.

    • Sabes que também não entendi bem. O Brasil tem feito intervenções no mercado cambial, mas não qualificaria isso de uma guerra cambial. Acho que os controles de entrada de capital sejam excessivos e o aumento de impostos de importação exagerado, mas claro que o investidor está radicalizando. Nos somes criança pequena comparando com o que os outros países do BRICS, por exemplo, fazem.

    • Ele pode estar operando. Mas é espantoso esse mau humor crescente do setor financeiro e parte do setor real com o Brasil. Agora uma boa pergunta é saber porque os jornais gostam de escutar esses megainvestidores.

  2. De todo modo, a economia brasileira não anda lá essas coisas. Mas, parece, não estar fechando portas e queimando pontes.
    Ao menos, não todas as pontes.
    O que salta aos olhos é um gerenciamento malfeito, no geral. E o abandono dos fatores de estabilidade. Projeções recentes já colocam a inflação acima do ponto superior do intervalo de metas. E o crescimento (PIB) em torno da metade desse indicador. O que, caso venha a concretizar, não seria exagero falar em perigo de estagflação.
    Não parece que o que foi dito seja “apenas” um mau humor.
    Segundo informado por meios de comunicação, não haveria restrições tão fortes à entrada de capital externo. Nem tampouco falta de ajuda a investidores internos em dificuldades.

  3. Caro Mansueto, hoje o Brasil está melhor, pois tem mais saídas além de Galeão e Cumbica, como dizia Roberto Campos. A outra possibilidade é o liberalismo econômico (usando as palavras desse grande economista e gestor de política econômica).
    Concordo muito com vários pensamentos de Roberto Campos, mas com certeza não sou tão liberal. Acho que a mão de mercado é, de longe, mais eficiente que a mão do governo em quase todas as situações. Porém, acho que o capital estrangeiro pode trazer problemas, em certas situações.
    A entrada de capital estrangeiro mostra a insuficiência de poupança interna (privada e, sobretudo, pública), mas essa entrada pode acabar financiando consumo ao invés de investimento através do deslocando poupança doméstica, além de apreciar o câmbio (aqui tem o problema da causalidade também). Queria ver um estudo sobre essa possibilidade para ver a metodologia, pois estou pensando em faze algo para o Brasil nesse sentido.
    Grande abraço! Luciano

  4. O especulador já saiu do Brasil faz tempo, ao primeiro sinal de ingerência. Basta ver o valor de nossas ações e o gráfico do Ibovespa frente ao DOW JONES, índices cada vez mais descolados um do outro, com vantagem para o segundo. O que parece estar se falando de novidade, e nisso o Mansueto mostrou-se neutro como deveria, é o ANIMUS dos investidores mundiais para trazerem aportes de capital produtivo ao Brasil. Jornais econômicos noticiam a todos os dias adiamentos de investimentos e a indústria instalada colocando pé no freio ou aguardando sua vez de colher seu quinhão na Caixinha de Bondades tributárias a que se resumiu nossa Política Industrial.

  5. Para sisalama:
    O IED no Brasil bateu recorde histórico em 2.011 e caiu um pouquinho em 2.012, mas foi superior a US$ 60bi nos dois anos. Este ano, até 26 de março, a Bolsa recebeu líquido R$ 7,5 bilhões. O investidor não está saindo do Brasil, está vindo para cá. A nota triste é que o IED não está aumentando o investimento total do País porque provavelmente os estrangeiros estão adquirindo empresas nacionais e não aumentando a capacidade de expansão de suas atuais ou novas empresas. Quanto aos investimento em Bolsa, o estrangeiro está trazendo muito dinheiro para cá, só que não aplica em certas empresas do índice, aplica mais em boas empresas dentro e fora do índice. O índice Bovespa cai porque grandes empresas problemáticas tem muito peso tais como Petrobrás, Vale, OGX, siderúrgicas, elétricas e outras. Eliminando-as do índice o mesmo tem um desempenho anual brilhante.

    • Pelos dados oficiais do Banco Central, replicados pelo MDIC (http://www.mdic.gov.br/sistemas_web/renai/conteudo/index/item/129), o IED caiu bastante de 2008 para 2009 (de US$ 43 bi para US$ 30 bi, ou 30% a menos).
      Os dados mais recentes são de estudos da UNCTAD (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/01/130123_unctad_df.shtml), mas ainda não fechados oficialmente pelo BC.
      De qualquer forma, o desastre que dona Dilma promoveu no setor elétrico é apenas um dos exemplos da intervenção descabida que assusta, com toda a razão, investidores.
      O investimento de estrangeiros na Bovespa não está tão bom assim, não (http://www.investmax.com.br/iM/content.asp?contentid=567).
      Entre o exagero do Jim Rogers (esperado, dado que ele está defendendo o lado dele, o que não necessariamente é bom, nem tampouco ruim) e o exagero intervencionista do governo da gerente desastrada da dona Dilma, o Brasil segue em “stand-by” aos olhos dos investidores – tanto locais quanto estrangeiros.

    • Uma boa parte do IDE recente no Brasil é na realidade investimento de portfólio disfarçado por motivos tributários – como de se esperar depois que o governo impõe controles de capitais.

      Quanto ao Ibovespa, anda de lado e para baixo porque investidores -domésticos e internacionais- finalmente aceitaram a realidade que somos governados por intervencionistas, alguns dos quais de inteligência que pode se qualificar como fronteiriça.

      Para mim, o ponto da virada foi a nova lei regulando o setor do petróleo. Qualquer observador com inteligência acima do razoável pode constatar que nossos governantes eram ou imbecis ou explicitamente contra o desenvolvimento do pré-sal (fico com a primeira possibilidade).

  6. Caro,

    Acho que você deveria trocar o termo investidor pelo especulador. Olhe a definição que Graham coloca que acho mais apropriada.

    Sendo ele um especulador, e não achando a opinião dele relevante, acho melhor desconsiderar.

    A pergunta que coloco e quem no mundo não esta controlando de alguma forma o câmbio?

  7. Acima de tudo, esta é a crítica formulaica típica de alguns investidores internacionais – restrições ao capital estrangeiro (em imóveis rurais que seja) são necessariamente ruins, qualquer intervenção nos fluxos de capital estrangeiro é um disparate, etc. Ela não tem valor de análise, mas de sinalização – é sinal de raiva.

    O relatório de novembro de 2012 do Fundo Verde do Stuhlberger (http://tinyurl.com/br3ape, v. pág. 13) sugere uma explicação para a raiva.

    Para os investidores internacionais que apostaram em empresas expostas à regulação estatal (e.g., Petrobras, Eletrobras, etc.) , a gestão Dilma destruiu valor, enquanto setores ligados ao consumo (e.g., Ambev, Multiplan, Natura, etc.)) estão em níveis recordes de avaliação. Perante seus próprios investidores, gestores como Jim Rogers precisam encontrar culpados. A explicação de que eles escolheram os setores errados, ou mesmo as companhias erradas nos setores certos (e.g. Petrobras em lugar da Ultrapar), não bastaria. É preciso enfatizar a quebra de confiança (que teria motivado o investimento original).

    Uma análise isenta perguntaria se esta confiança teria sido bem-fundada. Afinal, os prazos de concessão da Eletrobras eram conhecidos do público. A primazia de outros objetivos além do lucro na gestão da Petrobras, igualmente. Mas esta seria uma conversa potencialmente constrangedora para um gestor. É sempre melhor voltar à discussão caricata fundada em chavões.

  8. Jim Rogers não é especulador. Pelo contrário, é um investidor de extremo longo prazo. Como exemplo, ele está bearish nos EUA há muitos anos (e bullish na China) porque acreditava, e acredita, que a situação de longo prazo dos EUA é insustentável e a da China é mais promissora.

    Há cerca de quinze anos ele fez (e continua a fazer) uma grande aposta em commodities para o longo prazo e estourou de ganhar dinheiro – é difícil vê-lo fazer investimentos com horizonte menor que 10 anos.

    Jim Rogers inclusive define a si próprio como o investidor de pior timing do mundo.

    Se esse cara está criticando o Brasil, é porque ele acha que o Brasil, salvo mudanças drásticas, vai ter problemas por muito tempo. Se ele está certo ou errado é outra discussão, mas cravar que qualquer opinião bear é coisa de especulador é tantar tapar o Sol com a peneira.

    Nas últimas décadas Jim Rogers fez prognósticos de longo prazo para muitas nações, e acertou mais do que errou.

    Além disso, qualquer análise de resultados históricos internacionais tende a demonstrar que as decisões do governo brasileiro são realmente prejudiciais para ações no médio/longo prazo – não é novidade o que Jim Rogers está dizendo – mesmo no Brasil Stuhlberger vem “metendo o pau” sob diferentes perspectivas já há algum tempo.

    E, finalmente, Jim Rogers não tem investidores. O único active management que ele faz é do próprio dinheiro, como o Soros (ele ficou rico justamente como sócio do Soros na primeira década do Quantum Fund).

    Enfim, se vocês acham que o Brasil está ótimo, defendam esta posição. Atacar as pessoas em vez dos argumentos não os faz desaparecer.

    Particularmente, se eu quiser insegurança jurídica, prefiro investir em um lugar acelerado (China) ou muito barato (Rússia). Caro e bagunçado me parece uma proposição pouco atraente…

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