Por que no Brasil Lemann precisa do BNDES?

Ontem conversei com o jornalista Fernando Dantas do Estado de São Paulo sobre a nova aquisição da 3G capital da multinacional americana de alimentos Heinz. Este é mais um capítulo ha história fabulosa dos empresários  Jorge Paulo Lemann, Marcelo Telles e Carlos Sicupira e de todo o grupo da 3G capital.

Esse é o tipo de agressividade que devemos esperar de capitalista legítimos e atuando em um sistema capitalista competitivo. Como falei para o Fernando:

“.…as operações internacionais, e especialmente nos Estados Unidos, de Lemann, Telles e Sicupira colocam em evidência virtudes que não são nada típicas dos grupos empresariais brasileiros e latino-americanos. O economista nota que os três investidores atuam de uma forma totalmente desvinculada do modelo de empresa familiar tão comum na região“.

Mas no Brasil a coisa funciona um pouco diferente. Aqui, como o BNDES está disponivel para emprestar recursos baratos, mesmo os nossos melhores capitalistas recorrem ao dinheiro público. Na verdade, todos os grandes capitalistas brasileiros fazem isso e o erro não é deles.

Leiam a coluna que está muito boa e o Fernando Dantas consegue sempre escrever de forma clara e didática. Clique aqui para ler a coluna no blog do Fernando Dantas.

6 pensamentos sobre “Por que no Brasil Lemann precisa do BNDES?

  1. “Foi uma expansão brutal do BNDES, e, quando a gente vê esses
    financiamentos a capitalistas que absolutamente não precisam deste
    dinheiro, fica claro que boa parte desta expansão não era necessária”,
    critica Almeida.

    Pegando um pouco o gancho do artigo, teria sido bem melhor o governo ter colocado sua parte no capital da Petrobrás do que utilizar o endividamento público para capitalizar e emprestar em demasia ao setor privado que teria encontrado recursos públicos para investir.

  2. Por que no Brasil os magnatas precisam do BNDES?
    Nao precisam, justamente. Eles poderiam, tranquilamente, se abastecer no mercado de creditos privado, nacional (mas custa mais) ou internacional (mais em conta).
    Mas a razão e’ simples: o BNDES e’ um sorvedouro de recursos do Tesouro (ou seja, de toda a populacao), especialmente dos trabalhadores (FGTS, FAT), e depois precisa sair por ai dando dinheiro para capitalistas abastados e megaempresas apenas para justificar sua existencia. As simple as that…

    Uma distorcao completa, claro, só existente num pais anormal como o Brasil, no qual companheiros supostamente amigos do povo arrancam dinheiro do povo para dar a ricacos.
    Esse é o Brasil, um stalinismo para os ricos…
    Paulo Roberto de Almeida

  3. Mansueto,
    A atuação do BNDES decorre da insuficiência do mercado privado de crédito de longo prazo, ou este não se desenvolve devido à atuação do BNDES?

    Na minha opinião, o melhor para o Brasil seria fechar esse banco urgentemente, mas sei que isso é puro irrealismo e que não avança o debate. Queria muito de saber sua opinião sobre os seguintes pontos:

    1. Qual o retorno para a sociedade decorrente da atuação do BNDES?
    2. Os empréstimos do BNDES são substitutos ou complementares ao financiamento privado?
    3. A concessão de subsídios pelo BNDES ao investimento privado encontra amparo na boa teoria econômica?
    4. O custo dos subsídios supera os benefícios da externalidade positiva gerada pelos empréstimos?
    5. O BNDES é a única alternativa de crédito de longo prazo e o aumento de seus desembolsos é necessário para alavancar o investimento no país?
    6. Diante da superação de muitas falhas de mercado vigentes quando da criação do BNDES em 1952, esse banco não deveria ter perdido importância relativa no conjunto do mercado de crédito nacional, restringindo sua atuação ao financiamento de investimentos geradores de grandes externalidades?

    Faço todas essas perguntas porque não entendo a natureza da besta.

  4. Edinailton, de suas questões, destaco as de números 4 e 6.
    Ótimas para uma pesquisa sobre os empréstimos de fomento do banco e os “retornos socialmente exigidos”.
    Se os empreendimentos demandantes não tiverem este foco, o banco:
    – não deveria emprestar;
    – o banco deveria apenas emprestar a empreendimentos que estejam projetando no limite da tecnologia de ponta e na falta disso,
    – o banco deveria ser simplesmente instinto.

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