Intervenção do Estado na Economia

Hoje à noite, dia 13 de fevereiro de 2013 às 21:30, vou estar junto com o economista Newton Marques no programa de entrevista/debate do jornalista  Alexandre Garcia da Globo News debatendo a intervenção do estado brasileiro na economia.

Quem se interessar pelo tema e estiver cansado do carnaval, pode ser uma boa alternativa para uma quarta-feira à noite. Há ainda a alternativa de assisti-lo na internet. Depois coloco o link aqui.

11 pensamentos sobre “Intervenção do Estado na Economia

  1. Mansueto,
    Qual seria o tamanho ideal (em termos de carga tributária em relação ao PIB) do estado brasileiro?
    Hoje o estado (com “e” minúsculo mesmo) é obeso e doente?
    Que tipo de cirurgia temos à nossa disposição para reduzir o excesso de tecido adiposo do estado?
    Abraços,
    Manuel.

    • Não existe uma resposta clara para isso. Isso é um debate político. O que podemos afirmar com certeza é que, para o nosso nível de renda per capita,temos uma elevada carga tributária, perto da média da OCED e uma oferta de serviços muito aquém dos países da OCDE.

      O que acho interessante é que tenhamos muito claro a estrutura da despesa do Brasil para que possamos fazer um bom debate de o que e como cortar. Nas minhas simulações, por exemplo, não há como a despesa primária (% do PIB) diminuir nos próximos dez anos com a manutenção da regra de reajuste atual do salário mínimo. E isso independe do crescimento do PIB, já que o se o PIB passa a crescer mais rápido o reajuste do salário mínimo também passa a ser maior. Para cada R$ 1 de aumento do salário mínimo temos um impacto líquido na despesa primária (isso é dado oficial que está na LDO) de R$ 306 milhões.

      Ou seja, não será fácil reduzir carga tributária mas é um debate que temos que começar e reduzir despesa não significa cortar o valor nominal do gasto de um ano para outro, basta controlar a velocidade de crescimento do gasto.

  2. assistirei com certeza, eu sou contra a interferência do estado na economia e principalmente um estado cada vez mais autoritário e fascista como o nosso.

  3. Caro Mansueto,

    Achei meio por acaso um working paper seu com o Ben Schneider sobre a evolução da politica industrial durante os governos do PT. Honestamente, não me lembrava da fase “neo-schumpeteriana”. O que me surpreende e que este tipo de ideias tinham sido abandonadas de forma tao completa, aparentemente. Se bem vc menciona algumas das causas, gostaria saber mais para entender essa falta de continuidade. Parece que tudo depende de pessoas especificas e alianças muito locais que, quando desaparecem, são substituídas em pleno; uma falta muito grande de institucionalização das politicas e das ideias envolvidas no processo de decisão. Um novo contexto político, com um padrão de poder e alianças novas e ideias novas, aparentemente leva a politicas completamente diferentes que não constroem acima do preexistente.

    Estou participando de um projeto de pesquisa sobre a Petrobras e chama muito a atenção que tal vez estejam acontecendo aqui tb dinâmicas semelhantes na utilizacao da empresa como ferramenta de politica econômica (e de sustentação da coalizão de governo, por assim dizer).

    Abracos,
    Luis Enrique.

    • Talvez você esteja com a versão inicial, pois terminamos este paper apenas agora no final do ano e será publicado como capítulo de um livro do Banco Mundial sobre política industrial agora em abril ou maio. Mas uma das teses que defendemos no paper é isso mesmo – no Brasil, se faz “política industrial” para reforçar o que já sabemos fazer e já somos competitivos.

      Bom, eu não se assinaria embaixo do que fala os Neo-schumpterianos” pois para eles a única forma da economia crescer de forma sustentável é se ocorrer uma mudança radical na estrutura de produção da economia. Eu não seria tão radical assim. Mas o fato é que nossa política industrial está muito longe dessa e o que fazemos é muito mais focado no curto prazo e do ponto de vista político muito mais atrativo – agrada a todos os setores.

      Eu estou escrevendo com o Ben e um aluno dele também um texto sobre Petrobras e BNDES. Estamos perto de terminar. Assim que a primeira versão ficar pronta te envio e que bom saber que você está estudando a Petrobras. É sim um caso interessante e complexo, porque como você falou parte do que chamamos de política industrial via Petrobras não é na verdade política industrial. Por exemplo, o pessoal da Petrobras é contra a construção das três refinarias no NE mas eles não conseguem convencer o governo do contrário. Este caso específico seria muito mais uma agenda política do que política industrial.

      Vamos depois continuar o papo. Abs, Mansueto

      • E uma versão de julho de 2012 que achei no site do MRE. Apreciaria muito poder ler a versão mais recente, se assim fosse possível; igualmente o texto sobre a Petrobras.

        Vc menciona no paper quatro grandes tipos de politica industrial. A grosso modo, passamos do neo-schumpeterianismo a uma forma incompleta de promoção setorial. De um tipo a outro in toto, sem, por exemplo, experimentar com um grupo de politicas mais complexo, ou mais “hibrido”, que tente construir acima do pre-existente mas que, ao mesmo tempo, promova a inovação. E ha tb pouco cuidado com a regulação, e, ate onde eu sei, quase nada de promoção de clusters. Um mix de politicas muito único, que, me parece, ao final de contas, promove o tipo de capitalismo hierárquico que o Ben Schneider descreve.

        Concordo plenamente que a politica industrial esta sendo desenvolvida com um foco mais no curto prazo e guiada mais por motivações e imperativos políticos do que outra coisa. Isto se pode ver claramente, acredito, em muitas das politicas desenvolvidas com e ao redor da Petrobras nos últimos anos, sendo, como você menciona, as refinarias, Abreu e Lima em particular, um exemplo disso. Ha muito de “lulismo” misturado com gestão da base aliada, ao meu ver, na construção dessa refinaria.

        No mesmo sentido, chama a atenção tb a incoerência entre estas politicas de curto prazo e os objetivos e politicas a longo prazo (por exemplo, e dito brevemente, os múltiplos custos impostos a empresa vs. os requerimentos de investimento implícitos no novo marco regulatório).

        Continuamos o papo quando vc quiser. Sempre um prazer. Abraços, Luis Enrique.

  4. Mansueto, gostaria de saber se o tesouro tem por lei, poder discricionário sobre o FGTS. A pergunta advém da contabilidade “madoffiana” para fechamento das contas. Li que, em detrimento ao fundo, deixou de repassar os subsídios do MCMV e embolsou os 10% que as empresas pagam por demissão sem justa causa. Tamanho do cheque? R$7,2 bi.

    Abs

    • Não tem. O FGTS tem um conselho curador que aprova as regras de aplicação do Fundo e os subsídios que o fundo vai cobrir (que não pode ultrapassar metade do rendimento da carteira) de alguns programas.

      O que você leu é verdade, mas o Tesouro está com uma dívida junto ao FGTS. Ou seja, ele tem obrigação de pagar o que deve ao FGTS referente a parte dos subsídios do MCMV e o não repasse dos 10%. Uma parte dos subsídios do MCMV é bancado pelo FGTS e foi aprovado pelo Conselho Curador que, supostamente, seria independente do governo. Mas não é.

      Abs,

Os comentários estão desativados.