Interessante: até o professor Delfim critica os truques fiscais

Para aqueles que acham que apenas os críticos da equipe econômica condenam os truques fiscais e a contabilidade criativa deveriam ler o artigo de hoje no Valor do ex-ministro Delfim Netto (clique aqui). Abaixo reproduzo os três últimos parágrafos do artigo:

“…..É pena, portanto, que o governo perca credibilidade em troca de nada, como, por exemplo, estimular a contabilidade “criativa”, pois um superávit primário de 2% do PIB faz todo o serviço de que precisamos. A recente “quadrangulação” para cumprir o superávit primário foi uma deplorável operação de alquimia. A repetição desses “truques contábeis” está construindo uma relação incestuosa entre o Tesouro Nacional, a Petrobras, o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

Trata-se de uma sucessão de “espertezas” capazes de destruir o esforço de transparência que culminou na magnífica Lei de Responsabilidade Fiscal, duramente combatida pelo Partido dos Trabalhadores na sua fase de pré-entendimento da realidade nacional, mas que continua sob seu permanente ataque.

A quebra de seriedade da política econômica produzida por tais alquimias não tem qualquer efeito prático, mas tem custo devastador. Se repetida, vai acabar matando os próprios alquimistas pela inalação dos gases venenosos, que, todos sabemos, elas mesmas emitem…”

Alguns dos meus leitores falaram que foi uma opção legítima do governo fazer tais “alquimias”. OK, mas que fique claro que o custo disso será um aumento da desconfiança (desnecessária) em relação à política econômica. E as alquimias continuarão como abordarei em outro post. Por exemplo, já há um novo “truque”  sendo cuidadosamente planejado para o projeto de reforma tributária. Está lá escrito na proposta enviada ao Congresso, mas passou despercebida pela imprensa.

10 pensamentos sobre “Interessante: até o professor Delfim critica os truques fiscais

    • Mas o problema foi que ocorreu uma espécie de “encanto”. A partir de 2003, nada nem ninguém, com honrosas exceções de sempre, apresentava algo forte contra a linha governamental. Agora, 3 anos consecutivos de PIB menor que inflação depois e a perda de gás do voo do Cristo Redentor, acabaram por abrir as várias fragilidades. Estas encobertas por um discurso político “anestesiante” para muitos e temerário para quase todos que eram desencorajados a falar algo contra. No momento, parece, que o que será perseguido será a manutenção do poder em Brasília, em 2014 e não qualquer alteração possível na condução da economia. No máximo, alguma mudança de algum nome. O restante estará para após 2014.

    • Difícil crer nisso, ou seja, “num divisor de águas” em relação ao governo e suas políticas. Todo o apoio que poderia se chamar de visceral dado, pode ter o poder de anular uma eventual tentativa de dar uma guinada para a independência tardia.Isso porque fazia tempo que a política econômica não estava convencendo ninguém, exceto pela lábia.

  1. Esse Delfim…

    De fato, em se tratando de espertezas e alquimias Delfim fala de cátedra. Basta lembrar o que e como foi a atuação dele nos governos militares. As espertezas e alquimias daquela época estão vivas na minha memória. O preço que pagamos por elas também.

    • Pois é, paulo araújo. Não deve ser fácil, mesmo para os maiores acólitos, segurarem as pontas de crescimento anêmico, inflação elevada, perda de espaço da indústria e apagões constantes.

  2. Esses caras falavam que o que foi e está sendo feito na economia promoveria a ruptura com o padrão de baixo crescimento brasileiro eterno. Juros, câmbio, inflação, controle de preços, interferências erráticas… A brilhante gestão econômica brasileira, juntamente com nossos irmãos sulamericanos, dando aula do que não deve ser feito.
    Ainda espero ver o tão falado pragmatismo da presidente, defenestrando o ministro piadista, privatizando, focando na agenda micro, controlando gastos públicos e trazendo o BC para ancorar a inflação novamente.

    • Fernando A. o foco passa a ser 2014. O resto deve ir da forma como está. Exceto se surgir oposição mais forte em dois anos. O a crise na economia venha a causar alguma ruptura séria na base de apoio parlamentar.

  3. Caros Mansueto e colegas,

    Sobre a questão da credibilidade, achei particularmente interessante a reação sobre a fala do Ministro da Energia sobre a possibilidade de apagão. Ele jurou, mas ninguém acreditou.

    Credibilidade é difícil de construir e fácil de perder. Acho que agora o próprio governo já percebeu a falta que faz.

    Abraços

  4. “Por exemplo, já há um novo “truque” sendo cuidadosamente planejado para o projeto de reforma tributária. Está lá escrito na proposta enviada ao Congresso, mas passou despercebida pela imprensa.”

    Mansueto, você chegou a escrever sobre esse novo truque?

Os comentários estão desativados.