Balanço de 2012 e as perspectivas de 2013.

O jornal o Estado de São Paulo na sua edição deste domingo, 23 de dezembro de 2012, convidou dez economistas para fazer o balanço de 2012 e perspectivas de 2013. Segue abaixo a introdução dos artigos escrita pelo jornalista Fernando Dantas e a lista de todos os artigos com o link de cada um deles no sitio do Estado de São Paulo.

Estado de São Paulo – Economia – 23 de dezembro de 2012

Artigos de balanço de 2012 e perspectivas para 2013 mostram interpretações divergentes sobre a desaceleração dos dois últimos anos

Fernando Dantas / RIO

O baixo crescimento brasileiro, já pelo segundo ano seguido, é a preocupação dominante da maioria dos articulistas convidados pelo ‘Estado’ para escrever sobre o balanço de 2012 e as perspectivas de 2013. Nas próximas páginas, ficarão claras as diferenças de interpretação da desaceleração por membros do governo, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho ,e de críticos da política econômica, como os economistas Affonso Celso Pastore, José Roberto Mendonça de Barros e Gustavo Franco.

Para o governo, o País vive um momento de transição, durante o qual a adaptação a um novo regime macroeconômico de juros ineditamente baixos e câmbio mais desvalorizado provocou uma provisória refreada na atividade econômica.

Mantega acredita que 2012 foi o ano de “implantação de reformas estruturais profundas”: além de câmbio e juros, ele menciona a redução da carga tributária de diversas empresas e setores. Estas mudanças, para o ministro, consolidam “as bases para um crescimento econômico de longo prazo”.

Coutinho, em denso e longo artigo, vê o Brasil numa trajetória de superação dos desequilíbrios do crescimento, que serão corrigidos pela redução dos custos de produção (já em curso), aceleração do crescimento da produtividade e elevação das taxas de investimento e de poupança.

Já Pastore vê os ambiciosos objetivos de crescimento e de investimento do início do governo da presidente Dilma Rousseff sendo frustrados pela falta de um plano de reformas. O economista aponta que o equívoco do governo é o de achar que “bastaria estimular o consumo e forçar a queda da taxa real de juros para chegar ao objetivo desejado”. Ele lembra também que a desvalorização do real pode afetar negativamente os investimentos, historicamente dependentes da importação de máquinas no Brasil.

Mendonça de Barros bate na teclados problemas de competitividade, como “impostos complexos, muitas vezes antieconômicos e elevados”, “deterioração da infraestrutura” e “mão de obra pouco treinada”. Pedro Passos, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), defende políticas industriais focadas na produtividade e na inovação.

Gustavo Franco nota que a confiança que falta para investir não se cria com hiperativismo do governo, que, na sua visão, faz melhor quando “orienta, cuida do estádio e do gramado e não se mete a cobrar escanteio”.

Na área fiscal, o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que, nas últimas décadas, com gastos crescendo sempre acima do PIB, a responsabilidade fiscal é refém do aumento da carga tributária. Almeida prevê dificuldades para se chegar em 2013 a um superávit primário de 2% a 2,5% do PIB, inferior à meta de 3,1%.

Mais amena é a visão sobre o Brasil de economistas de grande prestígio internacional, como Mohamed El-Erian, gestor do Pimco, maior fundo de investimentos do mundo, e Jim O’Neill, presidente da gestora de recursos do Goldman Sachs.

Numa candente defesa da importância dos Brics, termo por ele criado que inclui Brasil, Rússia, Índia e China, O’Neill recomenda ao governo brasileiro evitar a sobrevalorização do real e reforçar a produtividade dos setores não relacionados a commodities.

Já El Erian pede às autoridades brasileiras reformas e uma política fiscal mais ágil, mas vê boas oportunidades para as empresas do País em 2013. Barry Eichengreen, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, explica por que o nível de crescimento de países emergentes como o Brasil será decisivo para definir se haverá ou não guerra cambial em 2013.

Lista dos Artigos (com link para página do Estado de São Paulo):

1) Juros baixos, câmbio depreciado e crescimento medíocre – Affonso Celso Pastore

2) A URV do crescimento – Gustavo Franco

3) Política fiscal: o desafio para 2013 – Mansueto Almeida

4) Consolidando o crescimento de longo prazo – Guido Mantega

5) A crise industrial e o baixo crescimento econômico – Pedro Passos

6) Lições de um ano de baixo crescimento – José Roberto Mendonça de Barros

7) O poder atual dos ‘Brics’ e dos ‘Próximos 11’- Jim O’Neill

8) Desafios e oportunidades do crescimento desequilibrado – Luciano Coutinho

9) Uma visão da complexa economia global em 2013 – Mohamed El-Erian

10) 2013, o ano das guerras cambiais? Barry Eichengreen

3 pensamentos sobre “Balanço de 2012 e as perspectivas de 2013.

  1. Excelente seu artigo, Mansueto. Você realmente se destaca na ala oposicionista tanto nesse fascículo do jornal como no debate em geral. (acho a comparação do G. Franco com o momento da estabilização pouco explicativa; o Pastore me pareceu paradoxal ao afirmar que o governo ouve demais o setor privado, mas insiste em antagonizar o mesmo). Sua abordagem pelo aspecto orçamentário me parece muito mais fundamental- e original- para encontrar as limitações da trajetória atual.

    Achei notável também como o Jim O’Neil credita toda desaceleração ao momento de doença holandesa. O que acha?

    • Caro, Thors obrigado. Sabes que também não entendi a posição do Jim O’Neil. Às vezes tenho a impressão que ele insiste em mostrar o potencial dos BRICs por ter sido ele que cunhou o nome. Mas não concordo com ele desse diagnóstico de doença holandesa.

      Me surpreendeu também a afirmação dele de que: “Acredito que o Brasil provavelmente crescerá perto de 4% em 2013, e eu não descartaria um crescimento maior (um padrão volátil similar foi registrado na década passada).”

      Ele pode até está certo, mas se isso acontecer tenho medo do que acontecerá com a inflação em 2013. E acho que ele tem uma visão excessivamente otimista dos BRICs.

  2. Pingback: Anônimo

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