Investimento Público em 2012: não reduz custo Brasil.

“O Brasil está correndo com a agenda de concessões para tentar salvar o crescimento do próximo governo. Neste, não há mais tempo para reduzir o custo Brasil.”

Na semana passada falei com o jornalista Fernando Dantas do Estado de São Paulo sobre o comportamento do investimento público. Apesar do investimento ter começado a mostrar um crescimento mais forte no acumulado do ano até outubro, esse crescimento ocorreu nos ministérios da educação, saúde e defesa nacional, e no ministério das cidades se incluirmos o Minha Casa Minha Vida como faz o Tesouro Nacional.

OK, qual a surpresa? A surpresa é que, tradicionalmente, o crescimento do investimento público era puxado pelo ministério dos transportes em obras que supostamente teriam um impacto maior na redução do custo Brasil. Esse ministério sempre foi aquele de maior execução (pagamento) do investimento do orçamento da União.

Mesmo em 2011, quando o investimento do ministério dos transporte ficou, em valores nominais, muito próximo ao valor de 2010, cerca de R$ 12,9 bilhões, o ministério dos transporte investiu muito mais do que qualquer outro ministério; 63% a mais do que o ministério da defesa (R$ 7,9 bilhões) que foi o segundo de maior investimento, em 2011. Esse padrão mudou.

De janeiro a outubro de 2011, o investimento do ministério dos transportes (R$ 10,5 bilhões) havia sido o dobro do investimento do ministério da educação (R$ 5,3 bilhões) e ao do ministério da defesa (R$ 5,3 bilhões). Este ano até outubro, o investimento do ministério da educação (R$ 8,3 bilhões) ultrapassou o investimento do ministério dos transportes (R$ 8,1 bilhões).

Em resumo, o crescimento recente do investimento público puxado pelo ministério da educação e saúde pode ser importante para o nosso crescimento de longo-prazo, mas o tipo de investimento que reduz custo Brasil no curto e médio prazo é aquele executado pelo ministério do transporte que está com queda nominal de mais de R$ 2 bilhões. E os investimentos do ministério da defesa e do ministério das cidades não reduzem custo Brasil nem no curto nem no longo prazo.

Para não repetir aqui o que já conversei com o jornalista Fernando Dantas, sugiro a leitura da coluna (Saúde, educação e defesa lideram investimento público) no blog dele – clique aqui.

Cada vez mais fico convencido que a decisão do governo federal de retomar a agenda de concessões foi por necessidade e, dado o atraso nesse processo, o que vai prevalecer até o final do governo Dilma é muito mais o impacto na demanda desses novos investimentos do que o efeito desses investimentos na redução do custo Brasil.

Assim, o que o Brasil está tentando agora com a agenda de concessões é salvar o crescimento do próximo governo, porque o atual não conseguirá, em dois anos, ver o resultado econômico das novas obras de investimentos (na redução do custo dos diversos setores da economia).

7 pensamentos sobre “Investimento Público em 2012: não reduz custo Brasil.

  1. Em outras palavras: nao existe, simplesmente, nenhuma visao de desenvolvimento, nenhuma organizacao consciente, nenhum planejamento coordenado em qualquer uma, ou melhor, em todas e cada uma, das acoes do governo. Tudo e’ feito na base do improviso, dos impulsos do momento, da cessao a pressoes setoriais e de grupos de interesse.
    Em resumo: o governo parece nao ter rumo.

  2. E a oposição está perdida com a bandeira udenista nas mãos… (rs) Como se ela fosse eticamente melhor do que o PT… kkk!!!

    • Oh Rodrigo,

      O seu comentário soa como se todas as críticas contra o PT fossem de psdbistas. Eu tenho simpatias ideológicas com as políticas implementadas pelo FHC. Mas votei no Lula em 2002.

      Existe vida além da dicotomia PT / PSDB. Eu, por exemplo, acho os dois ruins.

      Acho que a sociedade civil pode criar um sistema político bem mais saudável do que este aí.

      Abraços

  3. Uma pergunta, o Ministério das Cidades está parado também? E temos alguma estimativa sobre os investimentos de infraestrutura de outras unidades da federação?

    Uma pergunta mais complicada: os outros elementos do custo Brasil que estao sendo atacados, em especial a energia, já nao dão um fôlego pra crecer mais agora?

    • O Min das Cidades teve um crescimento do investimento, sem o MCMV, de R$ 700 milhões – crescimento absoluto menor do que o Min da educação, defesa e saúde. Com o MCMV, o crescimento do investimento seria de R$ 6,1 bilhões, mas a construção de casas para famílias de baixa renda, embora seja meritório, não reduz custo Brasil. No caso das outras unidades da federação eles não tem o mesmo poder de fogo para investimento do governo federal,mas o investimento deve crescer com o novo programa de financiamento de bancos públicos para investimento dos estados. Mas da mesma forma que no governo federal, o efeito imediato será no lado da demanda e não na redução do custo Brasil que ficará para o próximo governo.

      No caso do custo da energia, acho que a redução das tarifas sem duvida ajuda, mas não resolverá o problema. O custo do transporte no Brasil continuará caro, o custo do gás continuará caro e não vejo espaço no curto prazo para redução significativa de carga tributária. Não quis dizer que o governo está parado, apenas que a agenda de investimento em infraestrutura está atrasada e esse tipo de investimento não se faz em 4 ou 6 meses. Assim, se tudo der certo, é muito possível que o custo menor decorrente de uma infraestrutura melhor só apareça no próximo e não mais nesse governo.

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