Coisas que li e não entendi.

Nos últimos dias tenho lido declarações de pessoas do governo nos jornais que não consegui entender. Assim, vou colocar algumas dessas declarações aqui para que algum leitor possa decifrá-las.

1) Coluna da jornalista Claudia Safatle no Valor Econômico no dia 30/11/2012:

O Banco Central entrou no mercado de câmbio, porque 30 empresários vieram aqui e pediram isso à presidente”, explicou a fonte.

Quem falou que o Banco Central é, na prática, independente? Essa declaração em off mostra que o Planalto manda e o BACEN obedece.

2) Estado de São Paulo – 06/12/2012: “Dilma vê insensibilidade de tucanos”:

Reduzir o preço da energia é uma decisão da qual o governo federal não recuará, apesar de lamentar profundamente a imensa insensibilidade daqueles que não percebem a importância disso agora para garantir que o nosso País cresça de forma sustentável”; presidente Dilma durante encontro de empresários promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).”

Mas o novo marco regulatório do setor elétrico, como destacado pelo próprio governo, não dava essa direito de escolha às empresas? O correto seria que as empresas, que não optaram por renovar as concessões e terão que participar de novos leilões no futuro, fizessem a opção pelo modelo desejado pelo governo?

O que se espera de uma empresa com acionistas privados é sensibilidade ou lucro? Adoraria pagar para as montadoras “insensíveis” o preço que se paga por um carro nos EUA. Por que as montadoras não são sensíveis aos consumidores?

3)  Estado de São Paulo “Erro na previsão do PIB contraria Dilma” -01/12/2012:

Atravessamos uma crise internacional que está reduzindo o crescimento de todos os países, e 2012 foi o ano de preparação para o período de forte crescimento”, disse, ontem, um ministro.”

Um momento! O fato do Brasil só crescer mais do que o Paraguai na América Latina, em 2011 e 2012, não mostraria que há algo errado específico ao Brasil que atrapalha nosso crescimento? Por que o Chile, Peru, Colômbia e México crescerão à taxas muito superiores ao Brasil? 

4) Valor Econômico 04/12/2012: “Caixa considera crédito à J&F um bom negócio”.

A Caixa Econômica Federal considera adequadas as condições do financiamento no valor de R$ 500 milhões concedido à J&F Participações, holding que concentra os investimentos do grupo JBS. “A operação respeitou todas as boas práticas de mercado”, ressalta o vice-presidente de finanças do banco, Márcio Percival.

Vamos ver se eu entendi. O grupo JBS, no qual o BNDES é dono de 31% devido às bilionárias capitalizações e empréstimos que fez ao grupo, desde 2008, agora fez um lançamento de debêntures que foram, integralmente, adiquiridas pela CEF sem garantias e a uma taxa próxima à SELIC (DI) mais 1,8% ao ano? Sinceramente, é esse o tipo de operação que se espera de um banco público que deveria focar sua atuação na concessão de empréstimos imobiliários?

Difícil entender as declarações de autoridades do governo federal publicadas nos jornais.

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