Professor, o que o governo pode fazer para promover o crescimento?- 1

Quem acompanha a literatura econômica pode ter certeza de uma coisa. Apesar do progresso na área de desenvolvimento econômico nas últimas três décadas e do maior conhecimento que hoje se tem sobre o que funciona e o que não funciona, os grandes economistas que estudam o assunto não conseguem ainda concordar no que fazer.

Assim, como esperar que governos consigam avançar no fomento ao desenvolvimento se nem mesmo os melhores acadêmicos conseguem chegar a um consenso mínimo do que deve ser feito?

Vamos ver como algumas das estrelas da ciência econômica e formadores de opinião na área de desenvolvimento econômico responderiam a pergunta acima.

1) Jeffrey Sachs (Columbia University)

Os países são pobres porque estão mergulhados em uma armadilha da pobreza – investem pouco em educação porque  o retorno do capital humano é baixo. E o retorno do capital humano é baixo porque falta oportunidade de emprego. Tudo isso leva a um circulo vicioso (baixo retorno do capital e baixos incentivos à educação e inovação)  que poderia ser quebrado com a ajuda externa de organismos internacionais e países desenvolvidos.

O problema de combater a pobreza e do estímulo ao crescimento seria resolvido com um “Big Push” – depois pensamos em incentivos. Instituições seriam secundárias e poderiam ser criadas ao longo do processo de crescimento, uma vez que a “armadilha da pobreza” seja quebrada. A pobreza existe porque a comunidade internacional aplica “pouco” dinheiro para combatê-la. Programas como as metas de desenvolvimento do milênio são bons e precisamos aumentar o compromisso com esse tipo de política.

2) William Easterly (New York University e ex-Banco Mundial)

Os homens brancos vivem com um sentimento de culpa pela pobreza do mundo. Assim, eles tentam planejar como resolver os problemas dos pobres e dos países pobres, mas fazem um bocado de tolices ao tentar “planejar o desenvolvimento” e distorcem incentivos. No final, ditadores de países pobres recebem dinheiro da comunidade internacional, ficam mais ricos e a distribuição de redes para proteger crianças do mosquito transmissor da malária terminam como rede de pescar no barco de algum pescador no mar.

A solução é reduzir os programas internacionais de combate à pobreza, aprimorar incentivos de mercados em cada país e avançar na abertura comercial para que cada país possa usufruir das vantagens comparativas. Crescimento é um processo complexo e não há receita única. Os burocratas mais atrapalham do que ajudam e Jeffrey Sachs é um grande utopista que deveria criticar a politica de proteção comercial e de subbsídos dos EUA ao invés de “ajudar os pobres”.

O que devemos fazer para ajudar os mais pobres é incentivar abertura comercial,  aprimorar os mecanimos de mercado e defender o término dos subsídio agrícolas dos EUA e da União Européia. A forma de combater pobreza é por meio do livro comércio com a inclusão de produtores de países pobres que hoje são prejudicados pelos subsídiso de países ricos. Essa é a única forma de combater a pobreza de forma sustentável: “more trade and less aid“.

3) Daron Acemoglu (MIT) e James Robinson (Harvard)

Professor Daron Acemoglu (MIT)

O que determina o crescimento de um país no longo-prazo são as instituições. Os países sabem exatamente o que fazer e o que não fazer, mas adotam politicas extrativas (e não inclusivas) porque há uma elite que se beneficia do crescimento concentrado (ou mesmo da falta dele). O governo não pode fazer muita coisa porque “o governo” faz parte desse equilíbrio, que é um equilíbrio estável – instituições politicas e econômicas extrativas se reforçam mutuamente e levam a um equilíbrio dinâmico estável.

Professor James Robinson

Como então os países fogem da armadilha de estar preso a um equilíbrio ruim: instituições extrativas, políticos corruptos, baixo incentivo à inovação, etc.? não há receita de bolo. Há janelas de oportunidades, como recentemente ocorreu com a primavera árabe, que trazem para o cenário político novos atores que podem alterar a correlação de forças em uma sociedade, dando inicio à formação de instituições políticas e econômicas mais inclusivas. O Brasil seria um bom exemplo dessa dinâmica de criar instituicões inclusivas  não por uma revolução, mas de forma mais gradual com os avanços que o país logrou desde o fim do regime militar (isso está livro deles why nations fail).

Crescimento de longo-prazo é um processo demorado e boas instituições não serão criadas de fora para dentro. Por mais bem intencionado que seja Jeffrey Sachs, tudo o que ele propõe é “wishful thinking” e não entendeu nada do que escrevemos no nosso livro “why nations fail”.

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