O que alimenta meu pessimismo…..

O Brasil, ao contrário do que alguns pensam, vive um momento muito bom desde 2004. Fomos abençoados por um boom de commodities que nos permitiu aumentar o consumo e investimento, reduzir a pobreza e desigualdade de renda graças aos investimentos em educação, desde a década de 1990, junto com políticas sociais (super) ativas, etc.

As reformas institucionais do governo FHC foram importantes. Alguém consegue imaginar como seria o boom de commodities sem limite de endividamento dos estados e com os bancos estaduais ainda em funcionamento? Com certeza, os estados já teriam feito várias rodovias de primeiro mundo, trens bala, centros de convenções de primeiro mundo, etc. Obras grandes são bonitas, trazem a (falsa) impressão de modernidade e ainda deixam vários empreiteiros felizes.

Criança na escola, educação de qualidade e esgoto embaixo da terra é bom, mas não tem o glamour político da inauguração de uma grande obra com Plácido Domingo cantando em uma festa de mais R$ 3 milhões porque ele é “o cantor preferido da presidente Dilma”, como falou o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB) (clique aqui).

O Brasil teve sorte de, antes do boom de commodities, ter passado por várias crises que nos forçou a adotar várias reformas institucionais. Sem as crises acho que seria difícil ter conseguido o consenso político para adotar reformas tão profundas e rápidas que adotamos ao longo dos dois mandatos do presidente FHC. Reformas estas que foram tão boas que o governo do PT, apesar de criticá-las, as manteve.

O mais impressionante foi que, no início do governo Lula, o governo pediu, corretamente, ajuda de economistas que não eram ligados ao PT, Marcos Lisboa, Joaquim Levy, Murilo Portugal, por exemplo. Os dois primeiros anos do governo Lula foram essenciais para que o governo passasse confiança para o mercado e se distanciasse do seu histórico irresponsável de repudiar dívidas.

Com a crise do mensalão, com a casa arrumada e com o boom de commodities, pessoas que pensam o longo-prazo deixaram de ser prioridade. Assim, foi possível chamar a pessoas “boas” para formar a nova equipe econômica, uma equipe que pensa, excessivamente, no curto–prazo e acredita que os maiores problemas do Brasil são juros elevados e perda da participação da indústria no PIB.

Desde então a política econômica tem tomado cada vez mais um aspecto que não me agrada: saiu a agenda institucional e entrou a agenda dos homens (ou mulheres) de coragem. O prioritário passou a ser gritar com os bancos, gritar com as operadoras de telecomunicações (e voltar atrás), dar incentivos e gritar com as montadoras, ajudar os governadores com planos que os tornam mais dependentes da boa vontade do palácio do planalto, fazer concessões ao menor preço possível e depois fazer aditivos contratuais (nem sempre de forma transparente), etc.

A agenda institucional deixou de ser prioridade porque o que interessa é um “bom governo”, pessoas de coragem e independentes são importantes e não instituições. Posso estar exagerando? Sim, é claro que posso estar e estou exagerando para deixar minha tese clara. Tenho a impressão que o Brasil está atrás de heróis e em um país que os problemas são resolvidos por heróis cabe ao Congresso Nacional um papel coadjuvante – brigar por cargos, brigar pela execução de emendas, fazer CPI e aprovar medidas provisórias.

E como se tudo isso não fosse suficiente, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) agora quer conversar com o ex-presidente Lula sobre a permanência ou não do técnico da Seleção Brasileira (clique aqui). A CBF sabe que para continuar com suas políticas pouco transparentes (que inevitavelmente geram corrupção) precisa de um bom relacionamento com o governo. Imaginem se o governo começa a soltar os cachorros para cima da CBF e passa a exigir maior transparência na estrutura de receita e despesa dessa entidade?

Não gosto, tenho medo e acho ruim para o Brasil o culto a pessoas com coragem. Já tivemos um presidente com “aquilo roxo” que acabou muito mal. E nossa vizinha Argentina com a sua tradição de escolher heróis ligados ao movimento Peronista levou a uma involução institucional daquele país.

Sou otimista por natureza, mas o que alimenta meu pessimismo é esse culto a personalidades que hoje vejo no Brasil. Isso nunca acaba bem. O melhor é fortalecermos as nossas instituições, mesmo que isso seja menos glamoroso do que um show com Plácido Domingo.

28 pensamentos sobre “O que alimenta meu pessimismo…..

  1. Reblogged this on Núria Saldanhae comentado:
    Texto esclarecedor do Mansueto sobre o bom momento da economia brasileira!

    “O Brasil, ao contrário do que alguns pensam, vive um momento muito bom desde 2004. Fomos abençoados por um boom de commodities que nos permitiu aumentar o consumo e investimento, reduzir a pobreza e desigualdade de renda graças aos investimentos em educação, desde a década de 1990, junto com políticas sociais (super) ativas, etc…”

  2. “Os dois primeiros anos do governo Lula foram essenciais para que o governo passasse confiança para o mercado e se distanciasse do seu histórico irresponsável de repudiar dívidas. Com a crise do mensalão, com a casa arrumada e com o boom de commodities, pessoas que pensam no longo-prazo deixaram de ser prioridade.” (Mansueto).

    Eu reescreveria assim:

    “Os dois primeiros anos do governo Lula foram essenciais para que o governo pudesse adaptar todos os discursos do PT e de seu onisciente criador e mantenedor, Lula, e garantisse que que o mercado acreditasse que ele e o PT eram sérios. Com a impossibilidade de esconder aquilo que era a razão de ser do petismo e lulismo — a tomada do poder e nele permanecer — o mensalão foi apenas a descoberta dessa tentativa de ‘patrimonialização’ do Estado.”

    Lula é a eterna encarnação do Sebastianismo.

  3. Mansueto, confesso que nunca tinha me chamado a atenção esse aspecto de culto a personalidade como algo preocupante no cenário brasileiro. Claro que tivemos recentemente um presidente bem Padim Ciço, mas isso melhorou um pouco. Acho que você deve estar pensado em coisas do mundo da economia, planejamento e quejandos. Será? Não sei avaliar. O que é certo é que esse comportamento não é nada novo, faz parte da cultura brasileira, certo apeego ao Sebastianismo como lembrou o colega acima. Pensem em Getúlio. E Juscelino. Pode estar em um momento de acirramento, mas novo não é.

    • Alexandre,

      tens toda razão quando afirma que isso não é novo. Mas eu na minha ingenuidade havia pensado que estávamos mudando depois do episódio do Color lá no início da década de 90.

      E agora acho que o culto à personalidade desde o governo Lula teve um novo crescimento e as pessoas esperam que os problemas sejam decididos por um governo mais ativo do que por instituições que funcionem.

      Ou seja, se eu vou ter ou não acesso a um serviço de telefonia celular de qualidade ou pagar juros próximos aos internacionais vai depender de quem estar sentado na cadeira de presidente da República. O papel da ANATEL e do BACEN (e CADE) seriam secundários.

      Posso ter exagerado como falei, mas a intenção era justamente mostrar essa excessiva dependência de pessoas e não no papel das instituições.

  4. No caso do sebastianismo, não foi bem assim no período 1995/2002, por exemplo.

    Iniciou-se no período 2003/2010. Agora, considerando de 2003 a 2011/2012, é o período da tutela, do voluntarismo, da vassalagem. A lembrança de feudalismo não é despropositada. Se falar em tótem, também não seria errado.

    Da erradicação da fome na África a líder do G20, demonstra o fracasso de uma politica externa sem razão de ser. Até com ecos belicosos, como o de desafiar o tratado TNP e apoiar o Irã no caso de enriquecimento de urânio.

    A estarmos, desde 2004, num bom momento, não dá para concordar.
    As taxas do PIB não foram “o milagre do crescimento”, a Educação piorou, a infraestrutura não evoluiu, a inovação não existe. Foi o período do discurso ufanista e auto-glorificador.

    O Brasil nunca saiu da crise de 2007/2008. Seus desdobramentos continuaram a afetar a realidade, enquanto o discurso oficial era de “marola” , a fantasia mor do período. E de críticas “ao Bush” e de planejar medidas no âmbito do Brics para salvar a Europa, isso já mais recentemente.
    Nisso tudo fica muito difícil entender como ainda fala-se em investimentos da ordem de R$ 133,00 bilhões, sem explicar as origens de tanto dinheiro.

    Sim, há razões para pessimismo.

    • Mas Dawran, mesmo com todos os fatores de piora que você elencou, tivemos um crescimento médio do PIB de 2004-2010 acima de 4% ao ano e ganhos de 30% de termos de troca. Foi uma conjuntura EXTREMAMENTE favorável e muita gente ganhou dinheiro e tando o consumo quanto o investimento cresceram.

      A razão para o meu pessimismo é não termo avançado como deveríamos diante de uma conjuntura externa, que mesmo com a crise, foi favorável ao Brasil.

      • Meus caros,
        Mas espera aí, tivemos um ganho de 30% nos termos de troca devido a fatores externos e transitórios e conseguimos crescer 4% sem fazer nenhuma mudança estrutural decente (que permitisse ao país crescer uma vez que os ventos internacionais mudem)?
        Desculpem-me, mas isto é motivo para um extremo pessimismo. Parece-me que os resultados obtidos foram exclusivamente fruto de fatores externos fortuitos e transitórios. Internamente, o país piorou!!! Ou seja, não só não aproveitamos esta chance (que não vai se repetir) como fizemos um retrocesso. Não dá para defender que isto possa gerar algum otimismo.
        Por fim, nosso quadro econômico hoje, sui generis, é o retrato acabado do petismo. Por um lado, temos pleno emprego de nossos fatores (não ocorria há muito tempo) e, por outro, ninguém acreditando na sustentabilidade disto (taxas de investimento ínfimas com crescimento anêmico do produto). E uma equipe econômica perdida dando estímulos temporários para a demanda. Inacreditável!!!

      • Mansueto, concordo plenamente com a constatação de que não logramos avançar, efetivamente, tendo uma conjuntura externa favorável.
        Naquele momento, parece correto dizer, aproveitou-se para gerar fantasias de potência prestes a consolidar-se, do que trabalhar efetivamente para transformar o Brasil num País melhor. Preocupou-se mais com protagonismos no âmbito do “Brics”, do G-20, sem resultados palpáveis. O G-20 continua sendo EUA/China + 18. O Mercosul patina, a Unasul e outros organismos multilaterais, mais preocupados em excluir os EUA e o Canadá do Continente, do que serem formas efetivas de união aduaneira e bloco de comércio e defesa do continente, veem Chile, México, Peru e Colômbia, fechando um bloco de livre comércio, sem amarras ideológicas arcaicas
        Outra forma de olhar, é de crer-se que um crescimento médio de 4% a.a., com tantos contingentes internos a serem incorporados na economia formal, foi baixo. Em alguns Estados, cresceu muito o número de motos, o que parece ter redundando em aumento da procriação de jegues. O que teria motivado a pretensão de exportar muares para corte, para a China.
        A Educação e a inovação, por exemplo, ficaram praticamente à míngua. Exceto a facilitação da entrada de jovens nas Universidades Públicas. Aspecto que agora, estaria prestes a ser consolidado com a reserva de vagas com base em critérios de renda e dentro deste, raça, cor, etnia.
        A não ser que tenhamos só gênios adentrando por tal sistema, pode-se estar atrasando o País em mais uns 30 anos. Não por culpa de quem aproveite essa janela de oportunidade, mas, pelo fato de o primeiro e o segundo grau serem muito fracos.
        As fragilidades aparecem agora com mais ênfase, na passagem do cargo, quando muito do que fora alardeado como pronto no período anterior está, um ano e meio depois, sendo coberto por pacotes e medidas pontuais que parecem desconectados de um projeto estruturado.
        E o Brasil não consta mais como um gigante de pedra levantando-se e andando ou com o Cristo Redentor levantando voo.
        A bola da vez, citam, seria o México.
        Assim Mansueto, os temores são, praticamente, assemelhados. Grato.

  5. Tenho um amigo, que encontrou muitos anos atrás, o “homi do saco roxo” em um voo. Depois de um ouvir as grandiloquências dele, meu amigo falou: “perdemos a maior janela de oportunidade da história com o Sr.!” Eu discordo e digo a ele que, gostaria de dizer a mesma coisa a um sujeito um pouco mais contemporâneo e que tinha tudo para derivar tudo isso que está ai, mas, assim como o “homi do saco roxo”, esse individuo tem um transtorno de carácter violento! Antonio Palloci é nome dele! Porque não vai ser o “playboy das alterosas” junto do “chico buarque de pernambuco” que vai mudar isso tudo aí!

  6. Mansueto, também estou preocupado com o desrespeito às instituições e o culto a um personagem, especialmente quando a figura em questão não demonstra apreço pela coisa correta,honesta, ou seja, não apresenta responsabilidade ou preocupação com a coisa pública, diz e faz o que bem entende a favor da companheirada, e o povo batendo palmas, isto é muito perigoso para o nosso País. Exemplo: mensalão, aloprados, afastamento de um canditato a Presidente(Ciro Gomes-PSB), montagem de palanques em vários Estados, QUANTO CUSTA ESTE PROGRAMA DE PODER ? derrama de dinheiro sem a devida vontade ou capacidade de fiscalização para eleger Dilma(PT), tentativa de suborno a membros do STF(Gilmar Mendes), apoio do Maluf, como diz Erundina, qual o custo? e o Itaquerão sairia sem a interferência dele ?

    Perdemos o melhor bonde da história de alavancar o nosso País, pelos demandos do Lulopetismo

  7. Mansueto, vc tem razão! O Brasil não consegue se livrar dessa tendência nefasta de sempre procurar por um “pai dos pobres” ou uma “mãe do pac”. Vai nela uma característica da mentalidade coletiva do brasileiro (lato sensu) de preferir uma relação de submissão a um governante supostamente iluminado que, de maneira voluntariosa, irá prover a todos, especialmente os menos favorecidos. Dessa forma, a construção de instituições sólidas que limitam o voluntarismo do governante de plantão não fez parte da agenda política dos últimos 10 anos do PT no poder, que tem um forte ranço autoritário e dirigista. O próprio Lula na presidência, quando pode, trabalhou para solapar as instituições, para cooptar adversários, se apropriando de conquistas alheias e aparelhando a burocracia do estado com seus apaniguados. Do ponto de vista político, o PT no poder é um obstáculo para alcançarmos a nossa maturidade democrática, que tem como um de seus pilares possuir instituições sólidas e independentes de ingerências políticas dos donos do poder, fundamentais para o desenvolvimento de qualquer nação.

  8. Infelizmente o conceito de “Salvador da Patria” está arraigado na mente do brasileiro. Acho que isso ficou até mais forte nos últimos anos.

  9. Mansueto, acho que sua crítica deve ser temperada por um elemento diferenciador elementar dos dois governos. Enxugar o governo é um objetivo relativamente fácil de se planejar e avançar. Inclui no máximo a tarefa ativa de criar um ambiente bom para os negócios privados como agências reguladoras, leis, etc (o que, convenhamos, também não foi feito de forma tão elogiável). Outra coisa é buscar ativamente um desenvolvimento com papel ativo do Estado, e em especial após um período de desmonte da sua capacidade logística e gerencial. Leio por aí que o Geipot, agora recriado, ajudava muito a compor projetos de transporte com execução mais fácil (não sei dizer o quanto), discute-se inclusive a ausência de capacidade técnica para licitar no Estadão de hoje.

    Ideologias a parte, olhando objetivamente a aposta de FHC foi no enxugamento do Estado: menos concursos, congelamento de salários, extinção de departamentos, venda de empresas. Afora vencer resistências parlamentares e judiciais, isso é algo que se faz com relativa tranquilidade: chama-se alguns bancos de investimento e consultoria, organiza-se uma venda, no caso das privatizações. O resto se faz por decreto.

    O governo Lula buscou outra orientação, e teve que inventar mecanismos de desenvolvimento. Alguns se mostraram valiosos, como as transferências sociais. A maior parte falhou. Mas o que pode ser visto como despreparo, visão de curto prazo e falta de planejamento pode ser um tateamento pragmático. Me lembro da história da demissão do Cristóvão Buarque em 2004 (pelo telefone). Lula estava insatisfeito com a administração bacharelesca, com Paulo Freire demais e planilhas de menos, e o trocou pela equipe Genro-Haddad, com certeza mais produtiva. Na economia, há uma grande renovação da discilplina, as respostas estão mais complicadas que o antigo Estado=ruim.

    • Thor,

      Como sempre respeito sua opinião e gosto de um bom debate. Mas eu não esperaria que as agências reguladoras funcionassem bem nos anos iniciais. mas a tendência era que, ao longo do tempo, melhorássemos a independência e funcionamento dessas agências algo que para mim não é certo.

      Tanto para enxugar governo quanto para aumentar governo precisa de bom planejamento. E acho que neste ponto os dois governos falharam, mas na minha opinião pelo menos o governo FHC levou à frente várias reformas institucionais impopulares. Ao contrário da avaliação da população, para mim o segundo governo FHC foi muito melhor que o primeiro. Apesar do segundo mandato ele ser mal avaliado.

      Governo Lula fez muitas coisas boas, mas desde 2006 vem surfando no que a equipe do Palloci fez, nas reformas de FHC e em uma conjuntura externa favorável que aumentou nossas exportações (preço e quantidade) de commodities.

      Os sinais contraditórios são muitos. Como explicar a troca troca de ministros no inicio do governo Dilma porque todos estavam envolvidos em casos suspeitos: Min dos Transporte, Min do trabalho, Min das Cidades, Min. dos Esportes, VALEC, DNIT? todos eles vinham do governo Lula.

      Tenho a impressão que o ex-presidente Lula se confiava tanto na sua excepcional aprovação que não ligou muito para o assunto. Ao contrário do governo FHC, gostei mais do Lula do primeiro mandato do que do Lula do segundo.

      Para onde estamos caminhando? não sei. Mas é possível que esteja ocorrendo o que você chama de “tateamento pragmático”. Mas para isso é preciso que o governo aprenda e que a sociedade cobre o governo por resultados. Com a oposição tão desorganizada, há muito pouco debate do contraditório.

      Vamos ver depois das eleições como isso vai de desenrolar….

  10. Venho deste modo apresentar-lhe o meu novo projecto. Trata-se de um novo blog que pretende fazer uma análise clara e concisa sobre a actualidade nacional e internacional.
    Este projecto surgiu no seguimento do término da minha licenciatura na Faculdade de Economia do Porto (FEP). Sempre me interessei bastante pelas questões macroeconómicas, mas entendi que só após a minha licenciatura estaria preparado para abordar estas questões com o rigor que se lhe exige. Gosto de fazer análises credíveis e baseadas sempre em estatísticas credíveis, como irá reparar ao visitar o blog.

    PS: o link do blog é http://ecoseconomia.blogspot.pt/

    • Muito bom professor Ricardo. Parabéns pela iniciativa. Me interesso muito por análises da economia portuguesa e vou com certeza ler o seu blog. Grande abraço, Mansueto

  11. “a aposta de FHC foi no enxugamento do Estado”. Nã-nã-nã. Aposta de FHC foi tentar validar a aritmética, tipo 1+1=2, nas contas públicas, tampando ralos e fazendo escolhas difíceis.
    Se ele tivesse na presidência durante o boom das commodities, após algum trouxa-pragmático ter feito o serviço sujo, ele se tornaria também um semi-deus, também teria implementado programas sociais de amplo alcance, expandido os gastos públicos e emprestaria seu nome para praças do interior.
    Sem a possibilidade de um contrafactual, gostaria de saber se FHC seria mais vaidoso que Lula; se, como bom intelectual, lutaria para não se tornar um Getúlio ou Peron, um super-herói que avaliza roubalheiras e tenta culpar a imprensa e as “elites” quando é pego.
    Fernando A.

  12. Em geral se esquece que as reformas encampadas nos governos FHC foram no sentido de tirar o país da UTI, num tempo de déficit em conta corrente, reservas baixas e dívidas dos estados federalizadas, num cenário externo adverso (crises internacionais) e o fator interno de uma oposição que sistematicamente lutava para sabotar as ações do governo. FHC fez escolhas impopulares que custaram o poder ao PSDB. Acertou em algumas escolhas e errou em outras, como todo governo, mas tinha claro uma direção a seguir: fortalecimento das instituições e menos estado onde mais estado não é necessário.

    Nos governos petistas a direção foi outra sim, retomar o papel do estado com uma agenda estatizante e dirigista, como estratégia de fortalecimento do partido como ente que controla a sociedade, visando a manutenção do poder com base na figura personalista de um demiurgo, onde o aparelhamento do estado e o solapamento das instituições foram a tônica. Esse é o ponto.

    Quanto ao “tateamento pragmático”, eufemismo para falta de um projeto estratégico de nação, chamaria de “gestão espasmódica”, que associa ações reativas desconexas, conforme as demandas dos grupos de maior poder de pressão, a um certo desespero que aparece quando não se sabe o que fazer. Ora, repetir o mesmo remédio de estímulo à demanda para bombar o PIB num cenário de alto endividamento das famílias e crescente inadimplência, como foi feito neste ano de 2012, é de uma bisonhice atroz!

    • Pois é, a crise dá forçosamente um norte, na crise tomamos decisões, vamos ao médico, procuramos identificar o que fazer sob pena de ver uma situação precária se tornar desesperadora. Alguns na crise procuram também curandeiros. Mas na fase boa, procuramos informações sobre boas estações de ski, bons vinhos etc. Eu sempre refuto a ideologia como motor do governo FHC, como bem citou Tertuliano as reformas foram fruto de “médicos” olhando o quão precária estava nossa economia, cortar e vender era a saída ou então iríamos apelar para os curandeiros. Os erros também aconteceram em profusão como era de se esperar.
      FHC pegou todo downside do ciclo e o PT o upside do ciclo. “A invenção de mecanismos de crescimento” do governo Lula nada mais era que gastos públicos durante a alta do ciclo, gestão old school. Ou alguém viu algo de diferente?
      A gestão acontece mesmo na base do “tateamento”, que dá a idéia de curto prazo, sempre ao alcance da mão. O “pragmático” na política tem uma definição diferente da do meu dicionário, então poderia também descrever bem os passos do governo.
      Fernando A.

      • Logicamente, o período FHC e o Plano Real, não foram de demarragem. O Plano Real, não foi um programa de demarragem. Foi realizado num momento em que a estabilização, depois de miríades de medidas ortodoxas, heterodoxas, que geraram um verdadeiro buraco nas finanças públicas, era preceito fundamental. E depois, no período 2003/2010, assistimos à “propaganda do Brasil Grande” revivida. Agora, de 2011 até hoje, estamos vendo a inflação acima do PIB ser rotulada, pelo responsável pela Autoridade Monetária, de “fundamentos estáveis”.
        Oras, como pode inflação correr acima do PIB em 2011 e quase concretizado para 2012 e 2013, ser considerado fruto de “fundamentos estáveis”?
        E exatamente por quem deveria ter, por mandado, a estabilização da moeda?

  13. Mansueto: parabéns mais uma vez. Ótimo texto. O risco de um heró,i super homem (o caçador de marajás foi um dos nossos exemplo), é de fato assustador (o herói passa a acreditar que é de fato super homem e vira ditador). O Joaquim Barbosa se fosse candidato a presidente, neste momernto, seria eleito (o risco de um ditador que se considera honesto é pior do que um populista demagogo. Com este a vida fica mais fácil. O que se considera santo pode virar um um carrasco. Salazar é um exemplo.).

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