Entrevista à AE Broadcast-4

12:31 MANSUETO: NÃO CUMPRIR META É MAIS ARRISCADO EM 2013 COM RETOMADA DO CRESCIMENTO

Brasília, 23/07/2012 – O especialista em contas públicas Mansueto Almeida avaliou, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, que não cumprir a meta cheia de superávit primário das contas do setor público seria mais complicado em 2013, quando se espera retomada do crescimento da economia. Segundo ele, para este ano o problema de não cumprimento da meta seria menor, se o governo conseguisse aumentar os investimentos.

“Se o governo fizer este ano uma meta de 2,9% ou 2,7%, não seria nenhum desastre, mas se isso decorresse de aumento de investimento público. Teria um superávit primário um pouco menor em ano de demanda fraca”, argumentou. O problema, destacou o economista, é que o governo não está conseguindo aumento do investimento público na velocidade. “O risco que se tem é levar esse problema para 2013. Você aumenta muito o gasto e reduz o primário em 2013”, disse.

Mansueto enfatizou que, a partir do segundo semestre deste ano, a economia mostrará retomada. “Teremos retomada com mercado de trabalho bom. Isso pode significar mais inflação”, disse. O economista destacou ainda que grande parte das desonerações tributárias leva tempo para gerar efeito. As medidas tomadas no primeiro semestre tiveram impacto pequeno.

Na sua avaliação, o espaço para desoneração é pequeno. “A não ser que a partir de 2013 o governo trabalhe com uma meta de primário menor. Se a taxa de juros caiu a um nível além do que o mercado esperava, significa que precisa de um superávit primário menor para ter mesma trajetória de redução da dívida pública. Mas tem muita incerteza em relação à queda dos juros. Sabemos que ela vai ser muito menor do que era até 2011, mas não tão baixa quanto agora”, ponderou. Segundo ele, ao mesmo tempo em que há espaço para reduzir o superávit primário e a dívida líquida, por outro lado o governo estaria atrapalhando o trabalho do Banco Central de ter mais espaço para reduzir os juros. “Se eu fosse o gestor, eu iria tentar cumprir a meta de primário cheia”, disse.

Mansueto avaliou ainda que a situação fiscal não estaria tão complicada se a queda do superávit primário decorresse de aumento do investimento público, que pode ser administrado. “Mas o surpreendente este ano, como ocorreu em 2009, é que grande parte do aumento do gasto público é em cima do gasto de custeio, do gasto permanente”, ponderou. O governo, acrescentou ele, não tem espaço para fazer grandes desonerações este ano nem em 2013. “ A estrutura de gasto no Brasil está montada para uma economia que arrecada muito e gasta muito. Se a arrecadação não cresce muito rápida, o governo tem problema para cumprir a meta de primário”.

(Beatriz Abreu, Adriana Fernandes – e Eduardo Cucolo)

12:37 MANSUETO: MEDIDAS DE ESTÍMULO SÃO PONTUAIS E NÃO MELHORAM COMPETITIVIDADE

Brasília, 23/07/2012 – O economista Mansueto Almeida, especialista em contas públicas, afirmou que as medidas de estímulo econômico anunciadas pelo governo neste ano são pontuais e não devem contribuir para melhorar a competitividade do País no longo prazo.

Em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, Mansueto afirmou que o governo deveria reagir à crise atual controlando o gasto, elevando o investimento público e avançando na agenda de concessões de infraestrutura.

“Todas as medidas que o governo tem tomado são temporárias. O empresário não está preocupado com o que vai acontecer em três meses, mas com quatro ou cinco anos”, afirmou.

“As medidas são muito pontuais e quando você olha no longo prazo você não vê consistência. Com as medidas de hoje, não consigo ver a indústria do Brasil mais fortalecida daqui a dois ou três anos. As desonerações deveriam ser mais uniformes.”

(Beatriz Abreu, Adriana Fernandes – e Eduardo Cucolo)