Entrevista à AE Broadcast-2

12:00 MANSUETO ALMEIDA: GOVERNO TERÁ DIFICULDADE PARA CUMPRIR A META DE SUPERÁVIT PRIMÁRIO ESTE ANO

Brasília, 23/07/2012 – O governo terá dificuldade para cumprir a meta cheia de superávit primário das contas do setor público este ano, segundo o economista Mansueto Almeida. Em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, Mansueto afirmou que o cenário fiscal está muito incerto porque as projeções para arrecadação de receitas administradas estão caindo. “Quando a receita administrada começa a cair e o governo fica dependente de receitas não administradas, o cenário fiscal fica muito incerto, inclusive porque as estatais, com a economia crescendo menos, terão seu lucro afetado. Então, não é muito claro porque o governo espera uma receita tão grande de dividendos”, disse Mansueto, ao comentar o último relatório bimestral de receitas e despesas do Orçamento, divulgado na sexta-feira passada.

No relatório, a projeção de receitas administradas para 2012 já está R$ 23 bilhões inferior ao estimado no início do ano. Por outro lado, o governo elevou de R$ 23,5 bilhões para R$ 26,5 bilhões a projeção de receitas com o pagamento de dividendos. Segundo Mansueto, a tendência para a receita é ter um crescimento muito menor que o esperado, porque os dados de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ainda estão muito ruins. “O cenário para cumprir a meta de superávit cheio ficou mais incerto”, disse.

Para o economista, o governo pode ainda tirar uma “carta da manga” para cumprir a meta, como fez em 2009 e 2010, mas essa possibilidade é bem mais difícil hoje. “Uma coisa é tirar carta da manga em 2012 e outra tirar carta da manga como em 2009 e 2010. Lá atrás, quando o governo precisou de receita chegou a vender crédito a receber da Eletrobrás para o BNDES. Esse tipo de truque o mercado já conhece”, afirmou. “Se tiver esse tipo de truque vai pegar muito mal”, ponderou. (Beatriz Abreu; Adriana Fernandes e Eduardo Cucolo )

Ouça a entrevista: AE Broadcast Ao Vivo

12:12 MANSUETO: GOVERNO DEMOROU A ABRAÇAR AGENDA DE CONCESSÕES

Brasília, 23/07/2012 – O economista Mansueto Almeida, especialista em contas públicas, afirmou que o governo “dormiu no ponto” e só agora começou a abraçar a agenda de definição de marcos regulatórios e concessões para viabilizar o investimento do setor privado em infraestrutura. Em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, Mansueto disse que a grande aposta do governo para destravar os investimentos foi o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas que isso se mostrou insuficiente.

“O investimento do Orçamento da União é pequeno. Mesmo quando o governo quer investir, ele não consegue, não tem controle sobre a velocidade do investimento”, disse. O economista acrescentou que a decisão do Tesouro Nacional de contabilizar o programa Minha Casa Minha Vida como investimento é equivocada do ponto de vista fiscal. “Nem o governo, no SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal),
considera o Minha Casa como investimento. Não entendi o porquê dessa mudança.”

Além das concessões, Mansueto avalia que o governo continuará a utilizar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como canal para viabilizar investimentos. (Beatriz Abreu, Adriana Fernandes e Eduardo Cucolo).

Ouça a entrevista: AE Broadcast Ao Vivo