Sugestão de leitura

Sugiro a leitura dos dois artigos anexos a este post. Um deles é o artigo do economista Afonso Celso Pastore do ultimo domingo no jornal o Estado de São Paulo (clique aqui) no qual mostra de forma clara e simples que o “problema da indústria” decorre do modelo macroeconômico em vigor: demanda em expansão com baixo desemprego, significa que o setor que mais cresce é aquele que consegue repassar aumento de custos para preços: o setor de serviços.

Como o setor de serviços é mão-de-obra intensivo, temos a combinação de desemprego em queda com a produção industrial em queda.  Quanto maior a expansão do consumo, maior será a demanda por serviços, emprego e salários no setor de serviços. Com os salários em alta e a produtividade estagnada, a indústria não consegue “tirar” trabalhadores do setor de serviços e, assim, não aumenta a produção e a importação de manufaturados cresce.

E se aumentássemos a desvalorização do real? Só ajudaria a indústria se a desvalorização permitisse o aumento de preços dos produtos industriais e que esse aumento de preços não fosse repassado para os salários.  Dito de outra forma, para desvalorização do real ajudar a indústria, o salário real tem que cair. Mas como o salário real vai cair se, com o mercado de trabalho aquecido (graças ao setor de serviços), o salário real cresce acima da inflação?

O segundo texto anexo (em inglês – clique aqui) é um artigo de hoje no Financial Times com o título sugestivo, “Brazil: after the carnival”.  O texto faz uma boa discussão dos nossos problemas atuais. Acho que essa frase do Ilan Goldfajn do Itaú resume bem nosso dilema: “We want to consume like US consumers, we want to have the public services of the Europeans but we want to grow like an emerging market, so something has to give”. A matéria está muito boa e faz um bom resumo do nosso suposto “modelo de crescimento” e das falhas desse modelo.