“Que país é este?” O que a CUT tem a ver com o mensalão?

Sei que o termo acima está batido, mas quanto leio que uma central sindical, a Central única dos Trabalhadores (CUT), que supostamente deveria se preocupar com as condições de trabalho dos seus afiliados diz que irá as ruas para defender os réus do mensalão de um suposto julgamento político deixa claro para mim que  essa central sindical confia muito pouco no funcionamento das instituições no Brasil.

O caso do mensalão será julgado na instância máxima do poder judiciário, o Supremo Tribunal federal (STF), e caberá a essa corte decidir quanto a culpabilidade ou não das pessoas acusadas. Os órgãos de imprensa têm todo o direito de cobrir o julgamento e todos os cidadãos o direito de achar “isso” ou “aquilo” dos réus e do julgamento.

Mas quando uma central sindical fala que vai as ruas em defesa dos réus do mensalão é totalmente sem propósito e tenta transformar um julgamento na mais alta corte do país em uma disputa política.

O que me pergunto é se a CUT faz isso por acreditar que de fato por trás de decisões do judiciário há influências políticas ou, dito de outra forma, por trás do funcionamento das instituições no Brasil há motivos políticos. Se isso for verdade,  talvez seja porque a central sindical conheça fatos que não são do conhecimento público.

Seria bom para a democracia que a CUT explicasse porque não confia na justiça brasileira ou mesmo porque acredita que alguns julgamentos são menos ou mais políticos. Qual seria o critério? Se o STF se deixa influenciar por pressões políticas e por passeatas, então o funcionamento da democracia, no Brasil, corre um grande perigo.

O ideal seria que a CUT pedisse desculpas a seus afilados ou que a central sindical se transformasse em partido político que, assim, poderia defender qualquer ideia por mais absurda que fosse pois, em uma democracia, partidos e pessoas têm o direito de expressar suas opiniões sem precisar “pedir desculpas” pelo que pensam.

8 pensamentos sobre ““Que país é este?” O que a CUT tem a ver com o mensalão?

  1. Hoje a FSP também traz um artigo de Vinicius Mota, “Geisel sem Golbery”, comparando o governo atual ao de Geisel, mas melhor seria a comparação com governos da ditadura nos quais Delfim Neto mandava e distribuía recursos generosos ao empresariado sem cobrar contrapartidas, sendo que agora, com o domínio absoluto da “sociedade de consumo de massa” e um movimento (na falta de palavra melhor) sindical como este, ditaduras são desnecessárias.

  2. Os movimentos de esquerda no Brasil não são democráticos. Se pudessem instaurariam por aqui uma “ditadura-combo”: câmara de gaz, controle de imprensa e culto à personalidade do ditador-mor.

  3. Na época o poder foi oferecido ao Zé Alencar (vice de Lula). Felizmente não aceitou e ajudou a salvar o governo Lula e a ainda nova demcracia brasileira. A derrubada do Lula teria sido pior para o país. Na verdade o Lula foi um presidente liberal-democrata (cumpriu bem sua missão). Mas deixar de punir o mensalão, agora já é desnecessário. Que se punam os culpados e se purifique os métodos de fazer política no país. Serão as punições que purificarão a democracia. A turma tem que passar a ter medo e vergonha de roubar. A honestidade tem que voltar a ser valorizada. A turma que chama os honestos de bobos tem que ter medo da punoição (pelo menos isto.).
    Há uns bons anos passados ouvi um senador falar: “de boas intenções as gavetas do senado estão lotadas. No senado só com valor acima de US$xxx, para que as coisas andem.” Com toda minha experiência e pragmatismo foi como um soco no estômago (sempre vi as coisas serem feitas em um nível mais sofisticado). Depois piorou: virou um mercado. Dizem que no mundo inteiro é assim. SEM PUNIÇÃO SÓ IRÁ PIORAR. AS DEMOCRACIAS VIVEM BEM COM BONS JUDICIÁRIOS. ENTÃO VAMOS PEDIR PATRIOTISMO A NOSSOS JULGADORES SUPREMOS.

  4. Essa é uma das consequências do aumento irresponsável e muito pouco fiscalizado do dinheiro que irriga essas Centrais e sindicatos. Como não prestam contas, não tem que correr atrás de dinheiro, não sabem o que é fiscalização, nem controle, tem tempo de sobra para agirem com essa desenvoltura.
    Seria de muito bom alvitre que a imprensa colocasse uma lupa nessas contas e mostrasse para os trabalhadores o valor dessa conta salgada.

  5. Dr. Mansueto,
    o pior é que nem o Ministério Público, nem os sindicalizados podem auditar as contas dessas centrais. eles não se sujeitam a nenhuma forma de controle externo. E movimentam bilhões de reais…
    Sds.,
    de MarceloF.

  6. Olha, nada justifica, numa Democracia, ameaças a qualquer um dos Poderes preceituados na Constituição. Menos ainda, pressões acompanhadas de ameaças de mobilizações “nas ruas”.
    Pois bem, falando claramente, por suposto, quem sair às ruas, não estará defendendo a Democracia.
    Poderá estar, ingenuamente, defendendo os métodos utilizados para desvios de recursos. E isso é crime. Ponto.

    O mesmo equívoco, é chamar o processo de “político”. Oras, quem investigou e denunciou os envolvidos foi a Polícia Federal, tão elogiada pelas inúmeras operações que fizera. Quem aceitou os indiciamentos foi a PGR. E quem vai julgar é o STF. Todo o rosário de preceitos democráticos estão ai.

    Antes, imprensa e CPMIs, deram as pistas do que estaria ocorrendo, os envolvidos passaram por Conselhos de Ética do Congresso. E os citados órgãos e poderes, construíram os processos que serão julgados.

    O julgamento político foi dado pelas CPMIs do Congresso e pelos Conselhos de Ética. Como poderia ser diferente numa casa política? Política, foi a reeleição de indiciados a cargos parlamentares. Como poderia ser diferente no ponto culminante de processo eleitoral?

    A diferença, é que votos não anistiam e não são salvo-conduto ou carta branca. Votos não anulam crimes. Ponto.

    Assim, pressionar o Judiciário não é condizente com a aceitação da Democracia. Afinal, será um julgamento aberto, com amplos direitos defesa, como não poderia deixar de ser.
    Movimentações de rua, tendendo a frear esse processo, são totalmente inócuas.

  7. Brasil

    As autoridades constituidas não fiscalizam, não denunciam,não punen, quase que a totalidade da população duvida do Ministério Publico,dos delegados,dos orgãos fiscalizadores etc, o apoio a pupulação é completamente nula e assim a população fica completamente desprotegida em deprimento de alguns espertos empresarios e ou mesmo autoridades publicas aTé mesmo as constituidas.

    cobrar de quem ?

    BRASIL, UM PAIS MARAVILHOSO, SÓ QUE !!!!……………………………………

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