Mil medidas para melhorar a indústria? Acredite, se quiser.

No seu Boletim de 9 de julho de 2012, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM) (clique aqui) afirma que “os Conselhos do Plano Brasil Maior aprovam mil medidas para manter a competitividade industrial”.

Será que o número de medidas importa ou o que importa é o seu efeito? Primeiro, acho impossível, conhecendo por dentro como funciona o governo, que se possa aprovar “mil medidas” em alguns meses ou anos. Essa conta deve contabilizar redução do IPI para automóveis e geladeiras como medidas diferentes e quem sabe contabilizar até a marca dos carros e das geladeiras.

Segundo, competitividade da indústria depende de quatros fatores: (1) produtividade; (2) custo dos insumos (produtividade e custo dos insumos determinam o custo unitário de produção); (3) capacidade de repassar aumento de custos para preços (o que está ligado à concorrência e grau de abertura da economia); e (4) impostos.  Os conselhos do plano Brasil Maior podem aprovar milhares medidas, mas o que importa é o efeito das medidas seja uma, duas ou  10.000 nos quatro fatores acima.

A SECOM faria um bom trabalho ao Brasil se passasse a tratar os brasileiros como adultos. Ao invés de escrever que mil medidas foram adotadas para manter a competitividade industrial (o que duvido), deveria mostrar o impacto dessas medidas na (i) redução da carga tributária da indústria; (2) redução do custo unitário do trabalho para indústria; (iii) aumento da produtividade da indústria e (iv) maior margem de proteção para indústria (bom para o produtor, mas ruim para o consumidor).

O Banco Central deve ler esses relatórios da SECOM e dar uma grande sorriso e pensar: “que a SECOM fale o que quiser, o BACEN com apenas uma medida, as ordens de compra e venda de moeda estrangeira, afeta toda a indústria e para isso nem precisa fazer propaganda”.

3 pensamentos sobre “Mil medidas para melhorar a indústria? Acredite, se quiser.

  1. Alguma das “mil medidas”, visaria PIB com crescimento anual maior do que a inflação? Assim, curto e grosso? Ou o destravamento do contencioso com a Argentina no âmbito do Mercosul? Ou aplicação de recursos em Educação, de verdade, que, com certeza, não exigiria “mil medidas”?

Os comentários estão desativados.