O debate recente da blogosfera sobre bolsa-família e violência

Decididamente, o mundo hoje é diferente.  Na minha época de criança nos anos  70, quando se encontrava uma cobra em casa, como aconteceu várias vezes no quintal da casa dos meus pais, simplesmente pegava-se uma vassoura e se matava a cobra, independentemente da mesma ser ou não venenosa.

Hoje, como mostrado no Bom dia Brasil sobre um caso aqui em Brasília, chama-se a polícia ambiental e moradores saem de casa e se refugiam em um hotel. Mundo diferente esse no qual o aparecimento de uma cobra de tamanho médio causa celeuma e o partido de esquerda no poder, que por anos criticou alianças espúrias, agora faz alianças “pragmáticas”.

Nesse mundo esquisito, vejo na blogosfera um debate sobre um trabalho do professor de economia João Manoel Pinho de Mello da PUC-RJ, um economista com um histórico de títulos e publicação invejável, e Reinaldo Azevedo, a quem admiro pelo raciocínio lógico, artigos bens escritos e papel relevante que tem em informar e estimular um bom debate.

Quem escreve sabe que cometer excessos, algumas vezes, é comum. E  quando se escreve em blog isso é ainda mais comum. Dito isso, tenho que confessar que os argumentos do Reinaldo Azevedo me parecem relevantes, o bolsa-família é um bom programa e pode ter tido efeito na redução da violência. Se teve, ótimo, mas é difícil alguém defender o bolsa-família como programa de combate à violência (e acho que os autores do trabalho não fazem isso).

Faço aqui, talvez de maneira irresponsável, três rápidas observações. Primeiro, ter título de doutor e publicar em periódicos respeitáveis o tornam um excelente acadêmico, mas isso não significa que você é mais (ou menos) inteligente que um não economista. Economistas brilhantes erram e não sabem resolver os problemas do mundo porque a teoria não explica o “como fazer”. Por exemplo, como criar boas instituições? Qual a sequência de um programa de reformas para melhorar os fundamentos que afetam o crescimento de longo-prazo?

Segundo, utilizar o argumento que “você não vai compreender porque não conhece econometria…” é tolice. Como também é tolice achar que estudos econométricos só podem ser contestados com outros estudos econométricos. Econometria depende de um série de hipóteses, qualidade dos dados, etc. Mesmo em estudos com grupos de controle,  apesar do meu fraco conhecimento em econometria, exige-se que fatores não observados não mudem a ponto de afetar para mais ou para menos a direção da variável que se quer estimar. Sim, é verdade que existem técnicas de dados em painel que tentam resolver esse problema. Mas a evidência econométrica é mais uma evidência e não, necessariamente, a evidência que vai solucionar, definitivamente, algum debate.

Terceiro, às vezes é muito difícil isolar o efeito de variáveis independentes sobre a variável dependente que se quer explicar. Sabe-se, por exemplo, que reformas microeconômicas que fortaleçam o direito de propriedade, aumentem a abertura da economia, estimulem à inovação, melhorem a qualidade do capital humano, etc. aumentam a produtividade e o crescimento da economia.

Mas é muito difícil medir o efeito isolado de uma determinada reforma no crescimento da economia, porque o efeito positivo de reformas microeconômicas pode não ser aditivo –  a relação entre as várias reformas (variáveis independentes) e crescimento pode ser difícil de estimar porque “as reformas” podem interagir de maneira extremamente complexa e não linear, tornando difícil isolar os efeitos individuais de cada reforma.

Há limites para econometria (apesar de ser um instrumental poderosíssimo) e nem tudo pode ser respondido pela econometria. Por exemplo, apesar de sabermos que boas instituições são relevantes para o crescimento de longo-prazo, economistas não têm a mínima idéia de como boas instituições são criadas. Quem fala isso é talvez um dos economistas mais respeitados da atualidade, Daron Acemoglu, neste campo :

In the academic world, the understanding on the importance of institutions has been reached as a result of a large body of theoretical and empirical work. In the policy world, it has been reached more painfully, as a result of a long stream of reforms around the world that failed mainly because they did not pay attention to institutions and governance issues. We now know better. And yet, what we know is only the tip of the iceberg. As academics, we can hope that we will be able to learn more in the years to come. Policymakers do not have this luxury, and must give policy advice on the basis of what we currently know.” (Governance, Growth, and Development Decision-making, The World Bank, 2008).

Apesar disso, já escutei de um amigo famoso e professor de uma conceituada instituição no Brasil (no eixo Rio-São Paulo) que o melhor mesmo seria ter uma ditadura e fazer as reformas de cima para baixo. Sim, esse meu amigo (que não é da PUC) tem todas as boas credenciais de formação e publicação de um economista top. Mas tem uma fé excessiva no poder dos economistas consertar o Brasil (e o mundo).

Já falei bastante. Não vou entrar nessa controvérsia porque, no meu caso, não conheço em detalhes a metodologia que o professor João Manoel Pinho de Mello utiliza e nem mesmo os estudos sobre violência. Por outro lado, as provocações do Reinaldo Azevedo foram boas e, no meu caso, vou continuar admirando os dois: o professor João Manoel Pinho de Mello e o Reinaldo Azevedo. E nesse debate, os dois lados se excederam, o professor e o jornalista.

Por fim, um amigo meu que é professor, estatístico com doutorado nos EUA e um excelente econometrista com vários artigos publicados no Brasil e lá fora escreveu em uma troca de e-mail que tivemos hoje o seguinte:

Acho que tudo isso mostra o quanto o uso de econometria deve ser usado com cuidado. Evidências econométricas são apenas mais uma peça de evidência (fraca, em muitos casos) sobre alguma pergunta mais geral. Acho que o ensinamento que tiramos desse episódio é que, por mais sofisticada a metodologia, os resultados devem sempre ter as devidas ressalvas. Além disso, focar na pergunta e suas consequência e não na técnica deve ser outro ponto de preocupação.”

59 pensamentos sobre “O debate recente da blogosfera sobre bolsa-família e violência

  1. Pingback: Polêmica – mais pontos « De Gustibus Non Est Disputandum

  2. [1]. “… um economista com um histórico de títulos e publicação invejável…” Encontrei aqui algo mais próximo do que eu poderia entender como “títulos e publicação” http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4769066Z5. O Currículo Lattes é mais enxuto ainda. Como “invejável” é muito pessoal, pensei que talvez um critério de aferição pudesse ajudar. Mais a mais, Reinaldo parece que não dá a mínima para isso. Seu ‘negócio’ é a argumentação e pelo postado no blog lá o Mello pareceu-me ‘picar-o-fumo’, como se diz em minha terra quando alguém enrola.

    [2]. Uma pergunta, Mansueto, “… os dois lados se excederam, o professor e o jornalista.” Novamente ‘excederam’ vc se refere às farpas que trocaram? Eu lera o Reinaldo e pareceu-me pontual na crítica ao Mello, sobretudo aqui: “Qual foi a objeção levantada por este desprezível ‘blogueiro’ — que não cai de boca no Sonho de Valsa — e que deixou o Ph.D. de Stanford tão furioso? A violência no Nordeste, com algumas exceções, cresceu, em vez de diminuir, nesse período. Na Bahia, em Salvador especialmente, assume contornos explosivos, dramáticos. Aí ele resolveu adotar o mesmo método de argumentação dos cientistas que faziam terrorismo com o aquecimento global: se ele não pode provar que está certo, pede, de modo enviesado, que eu prove que ele está errado. Mas não me furto, não! Desde logo, coloca-se uma questão evidente: por que o tal programa teria tido um impacto tão forte em São Paulo, mas não no Nordeste?”.

    • Isso me refiro as farpas que trocaram. O debate sobre o que causa aumento ou diminuição da violência é interessante e os pontos levantados por ambos são interessantes.

  3. Mansueto

    Eu aprendi a respeitá-lo e a admirá-lo como economista lendo os seus posts. Se hoje sou menos “burro” em economia isso devo bastante a você e a alguns outros blogueiros da economia.

    Concordo plenamente com as ponderações apresentadas no post. E, sem dúvida, avançaríamos muito mais nesse debate se as paixões fossem amenizadas em favor do conhecimento das coisas.

  4. mas que preguiça do reinaldo. ele só sabe brincar de agumentos ad hominem. não consigo ver nada de lógica na argumentação dele
    .
    .
    Exemplo:
    Sr Manuel
    .
    Sr. Reinaldo Azevedo,
    Escreve João Manoel Pinho de Mello, professor associado do Departamento de Economia da PUC-Rio e PhD em economia pela Stanford University (2005). Sou um dos autores do estudo sobre Bolsa Família e crime a respeito do qual você fez comentários em seu blog. Resolvi respondê-los. A maioria de meus comentários se refere à ciência do artigo supracitado e à “ciência” dos seus comentários. Mas confesso que alguns poucos refletem minha indignação com sua agressividade e sua arrogância. Peço perdão aos leitores interessados apenas na ciência da mensuração do efeito do Bolsa Família sobre o crime. Infelizmente receio que sejam poucos.

    Reinaldo:

    Ele começa me tratando de “Sr.” como quem diz: “Seu filho da mãe” na versão não publicável em blogs de família. Em seguida, tenta me intimidar com o seu currículo. Respeito competências e títulos, claro!, mas não me assustam. Uma bobagem é uma bobagem é uma bobagem, não importa o pedigree de quem a pronuncie. Todo o parágrafo, na verdade, vale por um “sabe com quem está falando?”. Agora sei. E daí? O Mané de Stanford não está habituado ao confronto de ideias e ao debate. Ao acusar a minha “agressividade e arrogância” — leiam o texto original e verão que não —, diz, humilde que é, que vai responder (eu poderia enroscar com a regência do verbo “responder” em seu texto tão douto, mas deixo pra lá…) com a ciência (sem aspas) para se contrapor à “ciência”, com aspas, do meu comentário. Logo, ele é um cientista pronto a humilhar este pobre leigo! Atenção para o que vem agora. A coisa começa a esquentar.

    • André,

      me desculpe. Mas o debate entre eles tem sim pontos importantes dos dois lados. Infelizmente, o debate se transformou em um punhado de ofensas pessoais entre os dois e ambos cometeram excessos.

      O João Manoel Pinho de Mello não é um “mané de Stanford” e o Reinaldo Azevedo não é um “blogueiro” que não pode opinar sobre um trabalho econométrico porque não tem um Ph.D. ou porque não usou econometria.

      Mas não vou entrar mais fundo neste assunto porque não vale a pena. O mais interessante seria discutir como reduzir a violência no Nordeste.

      • Mansueto! O “Mané de Stanford” pelo que entendi é uma referência ao nome do João Manuel, e que estudou em Stanford. Ainda que pareça e pode mesmo ter esta conotação jocosa, com a ideia pejorativa de que Mané é o mané da gíria, é também compreensível que seja tão somente Mané de Manuel.

  5. Concordo com a prudência e o caldo de galinha; só não concordo com a sua afirmação de que os economistas não têm a mínima idéia de como boas instituições são criadas. A história dos EUA mostra como; a história da Alemanha mostra como e muitos outros países também mostram como. O ponto é que sem a participação da chamada elite, nada feito. E quando ela comparece pode ser pela força contrária do populacho que a obriga a ceder, como ocorreu com a França. Por aqui, o problema é que as elites corromperam o poder político e tudo dominam para o seu próprio interesse. Quem disse isso? Douglass North.

    • Bom, respeito o seu ponto de vista, mas acho que discordamos. Por exemplo, os dois países que você cita são países muito diferentes do ponto de vista institucional. Os EUA é mais liberal com um carga tributária historicamente baixa (25% do PIB), foco em regulação, financiamento das firmas via mercado de capitais, pouco treinamento de mão-de-obra, presidencialismo com o predomínio de dois partidos políticos.

      A Alemanha tem um Estado muito mais intervencionista, carga tributária elevada (mais de 40% do PIB), financiamento para empresas via participação dos bancos diretamente nas empresas, pouca rotatividade no grupo de grandes empresas, elevado investimento em treinamento dos trabalhadores por meio de escolas vocacionais, participação dos trabalhadores (além dos banqueiros) no conselho de administração das empresas, inclusive com o direito a veto, sistema multipartidário e parlamentarismo.

      vamos agora olhar para o Brasil. Quem o Brasil deve imitar para ser um país desenvolvido? Alemanha ou EUA? o Brasil deve te apenas dois grandes partidos políticos como os EUA? o Brasil deve fomentar escolas vocacionais como faz a Alemanha?

      Duvido que a economia responda a essas questões, mas sou aberto a evidência. Me mostre a evidência que rapidamente troco de opinião. Pelo que já li inclusive do próprio Douglass North, ele fala da importância das regras formais, informais e enforcement da lei no desenvolvimento de países. Ele jamais sugere leis específicas e/ou regulação específica de direito de propriedade.

      Volto ao meu ponto. A economia não ensina como criar boas instituições até porque o conceito de “instituição boa e que funciona” não é a mesma em diferentes países. E há diversas trajetórias de melhoria institucional. Daron Acemoglu, por exemplo, no seu novo livro com o Joan Robinson cita como exemplo de sucesso nessa transição para a criação de boas instituições o caso do Brasil.

      Abs, Mansueto

  6. Mansueto, você escreveu muitas bobeiras nesse post. Sobre econometria, te sugiro fortemente ler algo sobre desenhos empíricos modernos para entender melhor o que os autores do trabalho que gerou a polêmica fazem. Uma boa leitura seria o “The Credibility Revolution in Empirical Economics” do Joshua Angrist e do Steven Pischke no Journal of Economic Perspectives, vol. 24(2), 2010. Depois da leitura (e de uma eventual lida no artigo do João Manoel Pinho de Mello e co-autores) você verá que nenhum dos pontos levantados pelo RA tem pé nem cabeça no contexto do estudo. Sobre teoria, é relativamente óbvio que “dar dinheiro para adolescentes ficarem na escola” (esse é o contexto do BF estudado no artigo) muda os retornos relativos de estudar e de largar a escola e ir para o crime. Isso mudará a escolha ocupacional dos indivíduos. A relevância empírica desse mecanismo dependerá fundamentalmente de sutilezas institucionais na implementação do programa e do número de indivíduos marginais (i.e., que tem suas escolhas afetadas pelo programa). Mas o mecanismo em si é quase que trivial do ponto de vista econômico e acredito que sua importância empírica deve ser estudada mesmo que os ‘policy makers’ tenham desconsiderado ele quando fizeram a política pública. Finalmente, sobre o Reinaldo Azevedo, ele poderia ter lido o artigo ou mesmo poderia ter ligado alguém que entende do tema e pergunta “é isso? faz sentido?”. Ninguém questiona o direito dele questionar o artigo depois de entendê-lo. Mas sem entendê-lo fica difícil. Só que ao invés de se informar, ele escolheu partir para a agressividade e gritaria. Está aí o problema desses “blogueiros” como RA, Fiúza, PHA e Nassif. Eles acham que quem grita mais alto ganha o debate. Acabam todos surdos (inclusive seus leitores).

    • Dois pontos. Primeiro, respeito a sua opinião de achar que eu escrevi bobagens. É claro que há pessoas muito mais qualificadas para falar sobre o assunto do que eu. Só não sei se você é uma delas.

      Antes de publicar esse post distribui para alguns amigos meus que entendem muito bem de econometria todos com doutorado e com textos publicados de econometria e nenhum deles achou que era bobagem. Mas vou repassar o seu e-mail para eles, para que eles saibam que você sabe mais econometria do que eles e como eles são idiotas – apesar deles serem respeitados e todos os anos apresentarem trabalhos na SBE.

      Segundo, o próprio Alexandre Schwartzman adverte que os pontos levantados por Reinaldo Azevedo são relevantes. Como bem falou o Alexandre que respeito muito:

      “O ponto que o Reinaldo levantou é relevante e deve ser considerado. Se o efeito do Bolsa Família na criminalidade é causal e generalizável (eu não estou convencido que seja um ou outro, e explico logo porque), então este programa teria contribuído para reduzir a criminalidade no Nordeste significativamente. Como sabemos que a criminalidade no Nordeste não caiu, então a divergência na criminalidade entre o Nordeste e São Paulo teria sido ainda maior do que observada – e isso reduz a plausibilidade das estimativas, pois aumenta ainda mais o puzzle do aumento da criminalidade no Nordeste. Na melhor das hipóteses, o fato que a criminalidade aumentou no resto do país sugere que o resultado não seja generalizável.”

      Será que não dá para ter um debate sem que se chame os outros de tolos ou idiotas? Em algum momento eu desqualifiquei o estudo do professor JMPM e co-autores?

      Agora falar que para discutir teses ou resultados é preciso entender econometria é arrogância como é arrogância tentar desqualificar o seu oponente utilizando o fato de se ter ou não Ph.D. Tenho certeza que o JMPM escreveu isso, inteligente como ele é, de cabeça pesada.

      Assim, nem vou considerar a sua provocação que, como já falei, tem todo o direito de achar que escrevi uma idiotice.

      • Mansueto, eu entendi errado ou você está ameaçando repassar meu email para alguns “doutos” na área e que publicam no congresso X para me intimidar porque eu escrevi que “você escreveu muitas bobeiras no seu post”? E mesmo assim diz que respeita minha opinião de achar isso? Ameaça agora é respeito? Espero sinceramente ter entendido errado o que você escreveu porque senão foi uma ameaça do pior tipo.

        Só para clarificar, não te ofendi em nenhuma linha no meu comentário. E, mesmo se eu tivesse, não justifica sua aparente ameaça. Disse que você falou bobeiras porque acho que você falou bobeiras. Precisa do qualificador “eu acho” em tudo agora? É meio óbvio que quando eu escrevo, escrevo a minha opinião, não?

        Eu apenas: i) sugeri que uma lida num texto sobre desenhos empíricos modernos (um texto muito legal inclusive e que dado sua qualificação sobre suas habilidades econemétricas supus que você desconhecia) seria útil para te ajudar a ver que os argumentos do RA não se sustentam; ii) argumentei que é mais ou menos óbvio que o mecanismo econômico que liga o BF para adolescentes e menos crime; iii) disse que o problema do RA não é ele não ter PhD em economia e sim não ter lido ou tentado entender o argumento do artigo.

        Até acho o ponto que você menciona do Alexandre Schwartzman é bom. Mas é um ponto principalmente de validade externa dos resultados do referido artigo. O RA não discutiu isso. Ele se referiu ao Nordeste para discutir a validade interna dos resultados.

        Voltando ao ponto inicial, espero ter entendido errado sua ameaça.

      • Parabéns Mansueto. Seu texto foi excelente, educado e corretíssimo. A econometria não é a nulidade que o Delfim Netto escreve nem a verdade suprema. É apenas mais uma ferramenta para análise econômica (ainda muito limitada, mas apaixonante). Como a estatística, pode ser bem ou mal utilizada. Apesar do autor ter distinguido correlação de causa, com toda boa vontade (gosto de ler econometria e fico torcendo para a ciência evoluir) é difícil aceitar o estudo como algo do mundo real. O BF aceita elogios e críticas, querer diminuí-lo ou engrandecê-lo, no momento, é desnecessário, já que sabemos que é medida transitória (pelo menos na forma atual). O assunto em discussão não é uma briga de títulos (tem muito doutor em economia que ainda adora o nacional-desenvolvimentismo e defende mais inflação), nem se a econometria é um método de estudo aceitável e correto, e sim se a conclusão é aceitável. Com toda boa vontade: NÃO É.
        Fica perto da briga entre a turma da psicanálise e da análise do comportamento. Um psicólogo e um psiquiatra que conheço (da turma da análise do comportamento) um dia utilizaram o seguinte argumento para desqualificar a psicanálise: como relacionar causa e efeito em um tratamento de quatro anos? Inúmeros fatores externos condicionam a análise.
        Um dia perguntei se a psicanálise poderia ser indicada para depressões menores? Responderam NÃO, pois pode piorar. Enfim consideram a psicanálise contra indicada para qualquer patologia. Só poderia ser utilizada para pacientes (eles falam clientes) sem patologia. A maior crítica é sobre o mal que a psicanálise pode fazer a autistas (e famílias) e psicóticos (e famílias). Não confundir psicanálise com psicoterapia. Para o autismo consideram um crime a não adoção pelas famílias de um terapeuta do comportamento (dizem que quanto mais cedo melhor. A econometria não é a psicanálise (não é ciência) nem uma ciência exata. É um método quantitativo (se bem utilizado excelente) utilizado para análise econômica.

      • Entendeu errado. O ponto foi simples. como deixei claro no próprio post, não entro em debate sobre econometria porque meu conhecimento é superficial. Assim, sempre que escrevo sobre o assunto converso com meus amigos do IPEA que entendem do assunto. Jamai ameaçaria alguém por discordar de mim ou de não gostar de algo eu escrevi. Isso é o ponto chave dos debates e algo saudável.

        Desculpe se passei a impressão errada. Peço desculpas novamente e, como já falei, você tem todo o direito de gostar e não gostar de alguma coisa que eu publique. Nenhum problema.

        Segundo, eu achei as criticas do RA sobre a relação violência e bolsa família interessantes. Mas isso não desqualifica o texto do pessoal da PUC que nem mesmo lí, mas os autores são extremamente competentes e, como você próprio falou, dominam o instrumental econométrico. Mas o debate passou a ser outro: (1) se existe a relação causal; e/ou (2) se essa relação poderia ser generalizada, o que em estudo desse tipo raramente são. Isso não desqualifica o estudo do pessoal da PUC.

        Terceiro, o debate entre RA e JMPM partiu para um tom de trocas de acusações pessoais. E os dois foram infelizes no uso de adjetivos pejorativos em relação ao outro. Simples assim. Várias pessoas que conversei que condenam a atitude do RA também acharam infeliz a resposta do JMPM que, a meu ver, usou e abusou da titularidade e do fato de publicar em periódicos respeitáveis. Não foi você. E tenho certeza que o JMPM fez isso de cabeça. Se fosse comigo eu poderia ter feito até pior.

        Mas agradeço a sugestão de leitura. Prometo que vou ler o texto indicado e tirar dúvidas, porque com certeza, vou ficar com muitas dúvidas. Mas fizeste bem em me indicar o texto. Agradeço e peço desculpas mais uma vez. Vou ter mais cuidado com as palavras.

        Abs,

      • Mansueto, mal entendido desfeito. Também te peço desculpas porque a primeira frase do meu primeiro comentário foi mais agressiva que deveria. Abs

  7. Ok quanto aos seu ponto de vista, mas se quer opinião de “econometristas”, por favor, não me venha com esses caras do mercado. Temos excelentes microeconometristas nos centros academicos brasileiros, muitos estudando efeitos do BF com base nos mais recentes avanços científicos disponíveis. Esse, definitivamente, não é o caso desse pessoal do mercado, embora existam alguns muito bons. Ocorre que as perguntas que o mercado faz não são as mesmas que a academia faz e, por essa razão, esse pessoal se “atrofia” (obviamente, não se trata de um problema de inteligencia de um ou de outro grupo).

    Sobre a tal polemica, entendo que se pode perfeitamente questionar se as hipóteses consideradas pelo João Manoel satisfazem as condições necessárias para que a inferência estatística seja válida. Não estou apto a discutir esse tipo de problema, mas creio pela formação dele e pelo alto nível do periódico ao qual ele submeteu seu artigo que a academia, em geral, deverá concordar com ele.

    No mais, é evidente que muitos dos questionamentos do “Sr. blogueiro” não estavam sob análise no artigo. Ainda, concordo com os comentários de alguns que ele – o “jornalista”, que, em geral, tem pouco ou nenhum conhecimento sobre teoria economia – deveria ter consultado pessoas com conhecimento técnico antes de sair “descendo a lenha” no artigo. Por exemplo, ele deveria entender a diferença entre correlação e causalidade.

    • Sim Fábio.

      tendo a concordar com você. Mas em blog não se precisa consultar fontes. Isso se faz normalmente em matérias de jornais. O cara tem um blog que, muitas vezes, tem um tom agressivo. Mas isso é blog que é diferente de jornalismo que tem que consultar as fontes antes de publicar.

      Quantas vezes nós blogueiros falamos mal de alguém (com frequência do governo) e não precisamos nos retratar? uma vez escutei de um diretor do Banco Central atual que ele detestava o blog de um certo economista que, muitas vezes, partia para ataques pessoais contra membros da equipe econômica.

      E dai? não é o blog do cara? ou agota precisamos de um código de ética para blogs. Com falei, concordo com 95% do que você falou e acho que esse debate se tornou um diálogo de surdos e mudos. Abs,

      • “Mas isso é blog que é diferente de jornalismo” Você esta redondamente equivocado. Nem todo blogueiro é jornalista, mas muitos jornalistas ( bons, sérios e competentes; os mais importantes do país) possuem sites ou blogs. Escrever em blog não desqualifica o jornalismo e nem o jornalista. Isso é preconceito e ignorância. O blog é apenas uma ferramenta de comunicação. São usados por blogueiros e também por jornalistas blogueiros. Reinaldo Azevedo é um dos mais respeitados e inteligêntes jornalistas do Brasil. E quem diz isso é sua audiência. O Blog de Reinaldo Azevedo possui 150.000 acessos por dia, sendo o mais acessado do país. Os blogueiros que não são jornalistas fazem parte da esgotosfera estatal.São os “jornalistas” chapa branca.

      • Respeito sua opinião. Mas quando falei que blog era diferente de jornalismo não foi diminuindo a importância dos blogs, comunidade da qual eu faço parte e sou algumas vezes xingado como você bem falou: “você não tem a capacidade lógica…”.

        meu ponto era simples. Todos as semanas falo com jornalistas e muitas vezes eles têm que checar algumas das minhas afirmações com o Tesouro Nacional, Banco central, etc. Ele sempre têm que ouvir a outra parte e as manchetes das matérias é determinada pelo editor do caderno.

        Blog não tem nada disso. É lago pessoal no que o seu autor decide o que vai publicar, como vai publicar e decide como será as chamadas do post. E pode falar o que quiser e ler quem quer. Foi apenas isso. Em nehum momento quis falar que um é menos ou mais importante do que o outro.

        Abs,

  8. Este debate Bolsa-Família com criminalização é super interessante e merece extrema atenção e cuidado.
    Não sou estudioso de crime nem possuo informações críticas a respeito dos dados ligando estes dois pólos, mas conheço uma pessoa que fez um trabalho ligando o investimento público em segurança pública, a distribuição do bolsa-família e a taxa de homicídios para Minas Gerais e ela não encontrou relação significante entre os pólos. Disse que pode ser uma defasagem da aplicação da Política de Segurança Pública e que daqui à alguns anos seria mais observável via instrumental econométrico.
    Não comentarei a respeito do trabalho em questão pois não o li, só para deixar comentado o pouco que sei a respeito, já que os comentários não contribuíram para o debate que eu acreditei que era o mais importante.

  9. Parabéns Mansueto. Sereno. equilibrado e sem estrelismo, comum aos
    blogueiros famosos. Você já pertence a essa categoria e nem por isso o sucesso lhe subiu à cabeça.

  10. Pingback: O que escreve o não menos respeitado economista Mansueto Almeida sobre a polêmica “Bolsa Família e queda da violência” | Giro Notícias

  11. Curiosa nessa discussão é a noção de que cientistas sociais ou economistas, particularmente estes últimos, tenham qualquer compreensão mais adequada de processos ou desenvolvimentos políticos e sociais. Aos economistas deve ser divertidíssima a leitura de “A Beautiful Mind”, de Sylvia Nasar, com o subtítulo The Story of Economic Genius, uma obra agradabilíssima de se ler e que defende, em palavras muito resumidas, a tese de que os grandes economistas nunca entenderam bem o mundo ao seu redor. No caso da discussão em questão é gritantemente óbvio que o ponto de partida dos autores do estudo da PUC é completamente equivocado. Simplesmente “achar” — e não se trata de outra coisa — que um programa social como o bolsa família, num universo restrito, leva a X% de queda de criminalidade beira ao ridículo, e à fraude acadêmica. Não concordo quando você afirma que os dois participantes centrais da discussão cometeram excessos. Acho que o tal do professor reage esperneando quando alguém mostra, impecavelmente, que a tese dele é, em bom português, furada. Não se pode colocar também o Reinando Azevedo na mesma categoria dos blogueiros ali citados — vários deles escribas de aluguel, alguns com uma extensa ficha de serviços dedicados sempre aos poderosos de plantão. Pode-se discordar intensamente do Azevedo e xingá-lo de qualquer coisa e ele terá de engolir isso. Mas não se pode colocá-lo na companhia de mercenários pagos para destruir reputações alheias. Essa diferença é importante num país, como o Brasil, que afunda rapidamente na Era da Mediocridade e na relativização de todo e qualquer príncípio de conduta política. O professor que se revelou atingido pela crítica demonstra uma parte do nosso “caráter nacional” que é triste: a confusão entre a crítica a idéias e a crítica pessoal. Divirta-se com a leitura da Nasar. Ela impõe aos economistas em particular, e à academia em geral, uma dose de humildade que é muito benéfica.

    Saudações

  12. PARABENS PELO BLOG,
    MAS APESAR DE TUDO HÁ ALGO QUE PASSOU DESPERCEBIDO: GRAÇAS AO IMBROGLIO CRIADO ENTRE AS PARTES É PERTINENTE AFIRMAR QUE A DIMENSÃO DO FATO SERVE COMO UM PODEROSO DIVULGADOR DE CONCEITOS E ELEMENTOS QUE ATÉ ENTÃO ESTAVAM RESTRITOS A ACADEMIA, OU SEJA, AS CIENCIAS SOCIAIS E OS METODOS A ELA APLICADOS NOS ESTUDOS CIENTIFICOS CERTAMENTE NUNCA FORAM TIVERAM TANTA REPERCUSSÃO ENTRE LEIGOS. BELO MARKETING.
    ABS

  13. Uma polêmica interessante, mas algo confusa, na qual se confundem dados da realidade — criminalidade ascendente ou declinante, subsídios sociais como BF — com elementos causais — uma coisa influenciou outra — e até aspectos metodológicos provavelmente abusados e torturados — a tal de econometria.
    Como tudo o que se falou foi num plano mais geral e genérico, várias afirmações são possíveis.
    Eu me proporia algo mais simples, tipo “whodoit?” dos romances policiais, ou seja, a quem beneficia o crime (no caso, uma bondade feita com o BF).
    Seria preciso, antes de elogiar ou qualificar de alguma forma o trabalho, verificar como e com quais objetivos ele foi feito.
    Se é uma análise puramente acadêmica, feita como exercício de econometria ou de qualquer outra vertente metodológica, em caráter autônomo, deveríamos julgar apenas a qualidade do trabalho, ponto.
    Se se trata de uma pesquisa encomendada, para avaliar, digamos assim, os efeitos do BF na violência e na criminalidade, seria preciso verificar quem encomendou.
    Minhas suspeitas, mas são apenas suspeitas, são de que se trata de trabalho dirigido. Assim, ele “provou” o que tinha de provar, para quem encomendou.
    Nesse caso, mas repito que são apenas suspeitas, se trata simplesmente de uma questão afeta à honestidade (ou falta de) dos autores.
    As simple as that…
    Como foi feita e quem teve a ideia desse trabalho?
    Pode se perguntar aos autores.
    Paulo Roberto de Almeida

    • PRA,
      Concordo fortemente que se um artigo é encomendado e chega no resultado que “tem que chegar”, isso não é ciencia, eh proselitismo, e afeta diretamente a idoneidade dos autores.
      Dito isso:
      Recomendo fortemente que voce de uma olhada no curriculo dos caras. Não posso falar pela Laura, que não conheço, mas o João e o Rodrigo são caras mais que sérios, com artigos relevantes e muito citados no meio acadêmico, inclusive sobre temas de economia política e violência.(disclaimer: sou aluno da PUC, então talvez não seja o mais isento para me manifestar, voce tem que confiar na minha boa-fé…)
      Ponho minha mão no fogo pela seriedade dos caras, até porque o artigo está em processo de revise and submit para uma publicação top 20, o que, se não o exime de críticas, mostra que não é uma “bobajada”, “estudozinho” ou “cascata” como afirma o RA.
      Enfim, sempre é relevante saber o financiamento por tras de um artigo (Banco Mundial, como o Joao afirma na replica), mas acho que conhecer o background dos autores e se eles tem outras publicações sérias e respeitadas pelo seus pares também é um bom indicacativo!

      abs!

      • Prezado Thiago
        Tirando as preliminares da discussão, onde ambos erraram, RA pq provocou e JM pq se descontrolou na resposta, no mérito, o resultado do estudo é errado, pois parte de uma premissa falsa, qual seja, que bandidos atuam nas redondezas onde moram, pedra angular do estudo.

        Minha avó não ter esse conhecimento ok, agora um estudioso do assunto fazer uma estudo querendo provar que a violência diminui 20%!!!!! por conta do BF, utilizando como prova com informação errada não dá.

        Podem ser excelentes acadêmicos, teóricos, qualquer coisa, mas, desconhecem completamente a realidade, o que torna o estudo, que pode ser um super estudo, furado, que não reflete a realidade fática, objetivo final do estudo, comprovar a realidade fática.

        sds

      • Henrique,
        Respeito sua opinião, mas levanto dois pontos:

        1) A hipótese de que os crimes cometidos POR JOVENS ocorrem perto da escola não é absurda. Ela pode estar incorreta, note, mas não é absurda. No paper, eles citam evidências disso em outros estudos: “US evidence supports this strategy, since it reveals a concentration of crimes committed by youth in periods immediately after school hours, when children/adolescents are still likely to be near the school (Snyder and Sickmund, 1999, Jacob and Lefgren, 2003, and Gottfredson and Soulé, 2005).”
        Pode-se discordar de que isso valha para o Brasil, por exemplo, mas dizer que eles “desconhecem completamente a realidade” não é exatamente producente.

        2) Com relação ao seu outro post, sobre o tráfico e roubo, acho que seu argumento falha em um ponto : nem todo lugar do Brasil é controlado pelo tráfico. Não conheço São Paulo de forma suficiente, mas no Rio há roubos em Botafogo, na Gávea, em Madureira, Cascadura e Niterói, locais que não são “controlados pelo tráfico”. Há roubos, escolas públicas e alunos com bolsa família – logo, é possível sim que alunos cometam crimes perto da escola, e que pudéssemos medir o efeito do BF analisando taxa de crimes num raio da escola

        Conheço muito pouco da literatura de crime, então não defendo a precisão do artigo. Estou é dizendo que eles não fazem hipóteses absurdas, descabidas ou mal-informadas.

      • Fico feliz com debate, divergências são saudáveis. Vamos lá.

        Usar como fundamentação para um estudo da criminalidade no Brasil um estudo feito para a realidade Americana é descabido, lá existem gangues, negros, brancos, hispanicos, latinos, turma da rua 7, aqui não, aqui o negócio é centralizado e organizado, fato notório, logo, não depende de prova e comprova que o estudo se fundamentou em premissas erradas, bem como, ratifica minha opinião de que os autores desconhecem a realidade do local objeto do estudo.

        Na segunda parte do seu texto, vc menciona locais não controlados pelo crime onde existem roubos, concordo plenamente, meu ponto é o oposto, locais controlados pelo tráfico são locais importantes financeiramente para o crime organizado, seja pela venda seja pela tranquilidade para refinar, a última coisas que os bandidos querem nestes locais é a polícia, acionada por conta de “roubo de galinha”, situação muito bem retratada num filme nacional, se não me engano Cidade de Deus, onde crianças são alvejadas nas mãos pq estão roubando dentro da comunidade.

        Pior do que vc, não conheço nada sobre literatura do crime, mas me considero uma pessoa bem informada, que busca conhecimento e coerente.

        Minha opinião é formada com base nos artigos objeto da contenda e na realidade conhecida de todos os brasileiros. Vc já deve ter ouvido falar que ladrão que rouba em local dominado toma tiro mão, se reincidente morre. O meu ponto de vista é fundamentado sobre fatos notórios, por isso acho absurdo medir o efeito do BF analisando taxa de crimes num raio da escola, não ser que esse raio seja muito grande, rs (sem ofensa só para descontrair)

        Atenciosamente
        muito pouco sobre literatura

      • Henrique,
        O seu argumento é que, em locais controlados pelo tráfico, bandido não rouba perto de onde mora/estuda, por ser reconhecido e poder sofrer punições do tráfico, correto?

        Então minha pergunta é: você acha que o controle do tráfico é tão presente assim, em todo local, pra que isso invalide o estudo? Na minha opinião, ao menos de conhecedor da realidade do RJ, não. Sem levar em conta os avanços dos ultimos anos com a politica de UPPS, mesmo antes o controle territorial do tráfico era restrito a determinadas regiões, não generalizado em toda parte.

        De qqr forma, seu ponto é empiricamente verificável: basta pegar os dados de SP, excluir as áreas que se possa considerar “controladas” pelo tráfico e verificar se o resultado se mantém. Uma boa extensão para o artigo.

        abs

      • Vamos lá

        Acredito que em São Paulo, salvo exceções dos “nóias” que roubam na loucura para financiar o vício (inconsequentes) o mercado do crime é 100% dominado, todo mundo sabe quem é quem e quem faz o que, inclusive a Polícia (banda podre dela), quem rouba também tem que contribuir, os que tentaram burlar o fisco do crime organizado se deram mal e serviram como alerta para os demais. Com relação ao Rio, não acho que isso seja válido, vcs tem mais de uma organização.

        Na hipótese da área não ser controlada existirá outro problema, ninguém roubará perto da sua casa ou escola, pq poderia ser reconhecido pela vítima, salvo “nóias”. Fato notório.

        Resumindo, em São Paulo, é impossível vincular a redução do crime com o programa BF, forçar nisso é distorcer os dados para chegar num resultado esperado, no meu ponto de vista, a pesquisa é furada e não deveria sequer se publicada num revista como material científico, pois, certamente será utilizada politicamente para vangloriar um programa que mantém o povo em letargia.

        Não tem nada a ver com o debate, mas vc sabia que pessoas, muitas pessoas, que recebem o benefício se recusam a ter a carteira assinada para não perdê-lo. Vc estuda economia, já imaginou o impacto financeiro disso?

        Tai, talvez alguém devesse estudar isso, quantificar isso, descobrirão que além de “bovinar” o povo, o BF ainda gera um prejuízo enorme para o Erário, sendo seu único benefício os votos gerados

        Abs

  14. Grato pela resposta. Acho que não estamos falando a mesma linguagem. Claro que economista não tem nada que falar sobre como se construir instituições. Isso é um problema político. O que quis dizer simplesmente é que instituições não seriam criadas a partir de gabinetes. É povo na rua, lutando por seus interesses. Mesmo isso não é suficiente. Por quê? Porque o dono do pedaço tem que consentir. Se uma elite não ama seu povo e se o povo não tem respeito por sua elite, dificilmente sairemos dessa confusão de ser pobre eternamente. Enfim, o que afirmo é que sem nos comprometermos efetivamente, nada será feito. Entendi seu ponto e vejo que é dificil a mudança: o mundo está repleto de leopardos!

  15. Caro Mansueto,
    Gostei do seu post. Mas, com a devida v^enia, depois de ter lido o vermelho-e-azul entre o RA a o JMPM eu discordo da afirma’c~ao de que os dois lados se excederam.

    O PhD the Stanford passa os 4 primeiros paragra’fos usando argumentos de autoridade, demonstrando uma certa obsse’c~ao por t’itulos. No restante da sua carta o JMPM trata o RA – e por tabela os sem PhD’s – com a condescend^encia apropriada para se tratar com um adolescente, n~ao outro adulto. Em seu primeiro post o RA n~ao foi nem a metade disso – e diga-se de passagem, ele teve a coragem de dar visibilidade a algu’em que discorda dele e n~ao foi l’a muito elegante. Eu n~ao esperaria que o RA tratasse o missivista com luvas de pelica nessas circunst^ancias, e acho justo que se julguem as circunst^ancias em que as coisas sejam feitas.

    abra’co

  16. Se na região nordeste ocorreu aumento de criminalidade e esta é a região onde o número de beneficiários do programa Bolsa Família existe em maior quantidade, Isso já é suficiente para provar que o Bolsa Família NÃO contrubuiu para diminuir a violência. Em São Paulo foi eficiência da polícia paulista que diminuiu e violência. Na Bahia ocorreu o contrário. Os índices são de guerra civil.

    • Na verdade, embora concorde com você, não é isso que o estudo dos professores da PUC fez. Há vários outros fatores podem ter contribuído para o aumento da violência no NE. E o estudo dos professores da PUC é específico de um período recente para São Paulo e não descarta a importância das outras politicas.

      A critica é que (1) mesmo que o trabalho dos professores seja restrito à cidade de São paulo, não é certo que o bolsa família tenha reduzido a violência; (2) não é possível generalizar os resultado, i.e assumir que a relação seja válida nem para o Estado de São paulo nem para o resto do Brasil.

      Nem tudo que vale para um caso específico tem que, necessariamente, valer para outros casos. Por exemplo, em um determinado estado que os funcionários públicos sejam mal treinados e pagos, o aumento dos salários e mais concursos públicos podem melhorar a qualidade dos servidores recrutados. Mas em outros estados cujos salários já sejam bons, aumentos de salários podem não ter efeito algum e, assim, não posso afirmar que aumento de salário levará a uma melhoria do serviço público. O que vale para um caso não necessariamente vale para outros casos.

      A crítica do Reinaldo foi além do estudo. O Reinado falou que todas as outras politicas do estado de são paulo e da prefeitura é que explicam a queda da criminalidade e, dado o que aconteceu no NE, há suspeitas que o bolsa-família seja muito pouco relevante (ou não tenha relevância alguma) para explicar a queda ou aumento de violência. Se o bolsa-família fosse importante, a violência no NE deverei ter caído.

      Como falei no post, achei uma provocação boa e relevante. Mas no texto do pessoal da PUC eles não afirmam que a relação bolsa-família/violência que eles tentam identificar seja válido para o resto do Brasil.

      E mesmo para o caso específico da CIDADE de São Paulo, os resultados deles não são necessariamente corretos como bem mostro post no blog do Alexandre Schwartzman replicado no blog do Reinaldo Azevedo.

  17. Se na região nordeste ocorreu aumento de criminalidade e esta é a região onde o número de beneficiários do programa Bolsa Família existe em maior quantidade, isso já é suficiente para provar que o Bolsa Família NÃO contribuiu para diminuir a violência. Em São Paulo foi a eficiência da polícia paulista que diminuiu e violência. Na Bahia ocorreu o contrário. Os índices são de guerra civil. Os fatos divulgados pelo próprio governo provam claramente que a teoria do professor João Manoel Pinho de Mello da PUC-RJ de que o Bolsa Família diminuiu a violência é sem fundamento. Não preciso ser economista para fazer tal dedução. Além disso a pesquisa não poderia usar São Paulo como padrão para todo Brasil. O Bolsa Família é usado de forma nacional.

  18. Nesse debate todo tem um erro de base, que é o de correlacionar fatos sem analisar as possíveis relações de causa e efeito entre eles. Como na clássica anedota do marciano que conclui que adoçante engorda, a partir do perfil (literalmente) dos usuários. Alguma dúvida de que o bolsa família diminui a probreza? A menos de discussões sobre a justiça e eficiência, dúvida nenhuma. Menos pobreza signiifca menos violência? Ah, essa é uma discussão muito antiga, quando começou nem o Reinaldo, nem o João Manuel, nem eu éramos nascidos. Até hoje, não convergiu.

    • Acho que é por ai.

      Apesar do bolsa-família ter tido efeito pequeno sobre a pobreza porque os valores do bolsa-familia são pequenos. Na verdade, pelo que já lí do Paes de Barros (IPEA), Serguei Soares (IPEA) e Fabio Veras (IPEA), o efeito salário mínimo foi mais importante para reduzir pobreza do que o bolsa-família – apesar do bolsa família ser mais eficiente na redução da desigualdade de renda: atinge os pobres e tem um custo bem menor do que o salário mínimo. Por favor me corrija se eu estiver errado.

      No mais, esse debate se transformou em um debate de surdos e mudos. O texto do pessoal da PUC não generaliza a relação causal bolsa-familia –> redução de violência. É um estudo específico à cidade de São Paulo.

      O que se pode questionar é que, mesmo no caso especifico de São Paulo, há dúvidas sobre a metodologia feitas pelo “O” anônimo do Blog do Alexandre Schwartzman. E a sugestão do teste do placebo (que não entendo nada) parece razoável.

      • Ola´, me parece que a BF diminui a miséria, mas perpetua a pobreza por não haver porta de saída. Os efeitos a longo prazo podem ser de aumento da violência uma vez que os miseráveis não tem nem energia necessária para praticá-la.

  19. Eu não entendo nada de economia , Reinaldo Azevedo deve entender um pouco mais do que eu, já João Manoel Pinho de Mello, PhD, deve entender muito, mas de lógica ele não entende nada, teria poupado seu currículo se o seu ego não falasse mais alto, bastaria publicar na tal revista americana, que lindo isto, que já atenderia suas necessidades de professor, que tem obrigação de publicar matérias científicas.

  20. Prezado Mansueto

    Não sou economista, mas entendo superficialmente de economia, e no debate entre RA e JM tenho as seguintes considerações:

    1. RA se excedeu já no primeiro texto, disse que o estudo era falho, mas o fez de tal forma que qualquer ser humano na pelo dos autores se sentisse ofendido;

    2. a reação do JM foi absurda, descontrolada, em resumo, pueril. Tentou dar uma carteirada para empurrar o estudo goela abaixo, no entanto, deu a carteirada na pessoa errada, numa pessoa mais inteligente que ele, senão mais inteligente, mais preparada, fico com o mais inteligente;

    3. não é preciso ser economista para entender economia, uma pessoa inteligente e que busque conhecimento tem plena capacidade de debater com economistas, afinal, a lógica vale para todas as áreas do conhecimento;

    4. no mérito, o arco foi construído sem a pedra angular, a pedra angular no caso em tela é que ninguém comete crime onde mora, pois, se descoberto (e será descoberto) será condenado, a morte se reincidente, pelo tribunal mais eficiente do País, o tribunal do crime organizado. Minha avó não saber disso ok, agora um estudioso do assunto, que bate no peito e diz quem autoridade por conta de seus títulos, não levar isso em consideração é um absurdo;

    5. o crime organizado não permite violência /roubos / etc… por uma questão de mercado, garantindo a segurança de seus consumidores, seu negócio fatura mais, e tráfico é mais lucrativo que roubo, simples assim, é uma prova real, um fato, que demonstra o poder do livre mercado onde não há intervenção estatal, se roubo desse mais dinheiro, roubariam mais e traficariam menos.

  21. Há uma questão de fundo que precede a polêmica e que, se respeitada, teria evitado a própria existência do artigo, ou ao menos a conclusão apresentada: a lógica elementar. Quando Pinho de Mello confrontou (ou formulou) a hipótese de que o bolsa família reduz a criminalidade, o que até faz sentido a priori, deveria ter feito uma observação dos dados gerais sobre as áreas cobertas pelo Bolsa Família. Se tivesse feito isto, teria a obrigação profissional de descartar esta hipótese, pois os dados gerais a desmentem. Teria assim que procurar o fator divergente, que explicasse a queda da violência em poucas regiões e o aumento em muitas regiões cobertas pelo Bolsa Família. Como não o fez, restam algumas explicações:
    1) Não lhe ocorreu ter este cuidado básico.
    2) Fez a constatação, mas a ignorou.
    3) Procurou uma exceção que permisse justificar sua hipótese.
    Nenhuma das alternativas é lá muito edificante, mas infelizmente não há uma justificativa lógica, que faça sentido, e que explique as conclusões apresentadas no artigo.

  22. os autores não conseguem fazer o mesmo estudo para o Estado de São Paulo, ao invés de distritos escolares na cidade de SP? Aí não haveria mais o problema relacionado onde acontece os crimes – a não ser que os sábios aqui achem que os criminosos viajam para outras cidades para cometer crimes.

  23. Meus caros,
    Três pontos adicionais nesta polêmica:
    1- Estatística (e Econometria é uma parte da estatística) é a ciência que busca extrair informações de dados. É imperfeita, tem problemas, é importante olhar os dados antes, etc. Mas análises no “olhão” são sempre piores que análises estatísticas. Temos que tomar cuidado com certo louvor à ignorância. Temos que tomar cuidado com resultados estatísticos, sim. Mas extrair informações de dados sem o uso da estatística não dá.
    2- Sobre olhar os dados antes de qualquer análise estatística, o atual exemplo é ótimo. Li os dois lados, sei da competência dos dois lados, tento a desqualificar estas críticas bobas vindas de quem não conhece estatística, tendi a concordar com o ponto do contrafactual (sobre o nordeste) levantado pelo João Manuel. Aí o RA colocou a série de taxas de criminalidade por estado (ou região metropolitana?) de 99 até hoje, São Paulo e estados nordestinos. Aí o bom senso não nos deixa continuar. A QUEDA EM SÃO PAULO É TÃO GRAND E COMEÇOU LÁ ATRÁS ENQUANTO O CRESCIMENTO NO NORDESTE TAMBÉM É ABSURDO (E COMEÇOU LÁ ATRÁS) Dadas as características do bolsa família (distribuição geográfica), É IMPOSSÍVEL QUE O PROGRAMA TENHA GERADO O EFEITO ESTIMADO!!!! Os autores (que são muito competentes) tem que suar muito para provar que não fizeram alguma bobagem.
    3- Programas de transferência de renda são tópico quente em nível mundial atualmente. Não precisamos de nenhuma motivação oculta para o estudo. Se alguém acha uma relação causal (utilizando técnica consistente) entre estes programs e diminuição de criminalidade consegue um artigo em um bom journal internacional. Por que usaram São Paulo? Porque existiam dados!!! E um pesquisador bem treinado, ao ver uma base de dados, imediatamente já identifica qual possível trabalho este poderia fazer. Como não existe motivação oculta, podemos confiar que os dados não foram torturados? na verdade, não (e não duvido da honestidade intelectual dos autores). Só são publicados testes que dão certo, infelizmente. Caso os autores concluissem pela inexist~encia de relação entre as duas variáveis analisadas, este paper não seria publicado. Ou seja, existe um viés complicado na academia.
    Saudações

  24. Mansueto,
    Parabéns pela serenidade no enfoque de uma questão e situação, gerada pelo estudo, bastante complexa.

    Os pontos levantados pelo RA e as respostas do autor do estudo, não podem ser interditados com base em títulos e conhecimentos de métodos ou formação ou pós-formação. Nem idolatrados ou renegados por qualquer motivo que seja.

    Acontece que, avaliando agora, o BF nunca foi tão discutido e esmiuçado como está ocorrendo. Antes, bastava falar em BF, que parecia estar a pobreza no Brasil eliminada. O Brasil passara a ser antes e depois do BF.
    Um Cristo Redentor alçando voo…

    O estudo e as contestações a ele, mostram que não é bem assim. E não há necessidade de ser titulado em econometria ou economia ou jornalismo para entender o que é pobreza. E para observar o que é sair da pobreza.
    Ou para entender que algumas conclusões possam ter algum tipo de viés.

    Os indicadores de criminalidade, em São Paulo, têm caído repetidamente, antes do BF e do Cristo de cimento voador. O site da Secretaria de Segurança mostra dados que permitem tal avaliação, mesmo sem ser um “torturador” de números.

    O que tem oscilado são certos tipos de crimes, que migram de método e de locais na Cidade. E parece, de autores também, dado que a polícia tem desarticulado várias quadrilhas rapidamente. Assim, ocorre com latrocínios, roubos, furtos, assaltos, agressões, receptação, tráfico de drogas, sequestros etc.

    E as novidades, como os “arrastões”, o fato do momento, sob a liderança de um jovem de 16 anos, por ironia do destino, diga-se.
    Seria maldade perguntar se o jovem citado e preso, estaria cadastrado no BF.

    Então, o que chama a atenção, é o fato de ter sido escolhido São Paulo para testar a capacidade do BF contra a criminalidade. Além da decantada capacidade de dividir a história como ocorrida antes e depois dele. Algo como “BF ac” e “BF dc”.

    As razões podem ser várias, talvez, a mais importante delas seja a profusão de dados propiciada pelas autoridades paulistas. Uma massa que pode ser trabalhada e sem muita necessidade de ficar caçando pedaços de papel em alguma repartição. Não raro, matérias jornalísticas têm criticado fortemente as ações policiais e a política de segurança do Estado, mesmo com indicadores cadentes.

    Dessa forma, deveria ser entendida como natural a crítica jornalística ao estudo. Da mesma forma que deveria ser natural pesquisador gerar pesquisas e estudos. E relevantes e polêmicas.

    Da junção livre, sem nenhum “controle social e democratizante”, da livre opinião, é bom que o debate continue. Afinal está-se debatendo algo que há cerca de 10 anos tem pautado a política social do governo, praticamente só recebendo mais loas do que análises. E as poucas análises recebendo poucas críticas.

    Agora não. A interdição diminuiu sobremaneira e aspectos interessantes estão surgindo. Caso não surjam interdições ao debate, muito mais deverá ser deslindado. E isso faz bem.

  25. Apenas uma suposição: o PT tem SP (o maior estado e a maior cidade do Brasil) como um enclave que não conseguiu conquistar (logo no local de sua origem e centro de comando. O centro da ditadura e do comando unificado petista). Mas dizem os entendidos que nem Jesus fez milagres em sua terra. Os economistas da PUC – Rio são agraciados com uma verba do Banco Mundial e fazem um estudo (mais para sociólogos do que para economistas) que dá suporte ao PT para aumentar a distribuição de BF (inclusive para jovens) para o estado mais rico do país (a maior renda total e per capta). A experiência tem demonstrado que onde o bolsa família impera impera também o PT. O RA deve ter entendido isto e caiu de pau. Como ele é declaradamente contra os petralhas (como denomina a turma do PT), enfurecido caiu de pau (tem todo o direito). Acredito que a turma de jovens e orgulhosos economistas da PUC -Rio (em tese com idéias liberais, monetaristas) não entendeu que estava dando bala de canhão para os petralhas (como denomina do RA).

  26. A despeito da polêmica em si e colocando a questão de um ponto de vista da análise dos valores, o que vocês acham sobre o que segue: quais são as reivindicações legítimas que um indivíduo pode fazer sobre a sociedade, sobre o governo? Vocês acham moral que indivíduos capazes e possivelmente produtivos devem ser tutelados, sustentados pelo estado?
    Quais vocês julgam ser as reivindicações legítimas?

    A minha resposta pessoal é: liberdade de ação que não prejudique aos outros, direito de propriedade e paz para viver.

  27. Apenas uma suposição: o PT tem SP (o maior estado e a maior cidade do Brasil) como um enclave que não conseguiu conquistar (logo no local de sua origem e centro de comando. O centro do comando unificado petista). Mas dizem os entendidos que nem Jesus fez milagres em sua terra. Os economistas da PUC – Rio são agraciados com uma verba do Banco Mundial e fazem um estudo (mais para sociólogos do que para economistas) que dá suporte ao PT para aumentar a distribuição do BF (inclusive para jovens) para o estado mais rico do país (a maior renda total e per capta). A experiência tem demonstrado que onde o bolsa família impera impera também o PT. O RA deve ter entendido isto e caiu de pau. Como ele é declaradamente contra os petralhas (como denomina a turma do PT), enfurecido caiu de pau (tem todo o direito). Acredito que a turma de jovens e orgulhosos economistas da PUC -Rio (em tese, liberais-monetaristas) não entendeu que estava dando bala de canhão para os petralhas (como denomina do RA).

  28. Muitos, inclusive o autor deste post, estão afirmando que o jornalista Reinaldo Azevedo “exagerou”, “provocou”, “se excedeu”. Como assim??? Por que questionam isso? Onde foi que Reinaldo ultrapassou os limites do debate saudável? Ora… isso me parece apenas o vício do “politicamente correto”, em que não se pode criticar ninguém e se prefere adotar a postura do “deixa disso”, a mesma postura que impede o enfretamento de muitos problemas no Brasil, inclusive o da impunidade. Vamos deixar de não-me-toques, ok?

    • E outra coisa: se alguém saiu da linha do “aceitável”, foi o tal Mané. O Reinaldo só fez se defender. Igualar a postura dos dois é um equívoco.

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