Consumo, Poupança e Crescimento

Sempre tenho medo quando o governo toma para si a tarefa de determinar a taxa de crescimento da economia. Acho que em uma economia com elevada taxa desemprego, o governo pode sim adotar vários medidas de estímulos para favorecer o crescimento no curto-prazo, mas acho difícil que o governo possa fixar “metas de crescimento”.

No curto-prazo, em uma economia com elevada taxas de desemprego, o governo pode adotar medidas de desoneração tributária, redução dos juros, redução dos compulsórios, etc. que estimulam o nível de atividade, apesar da defasagem dessas medidas muitas vezes frustrarem o crescimento anual do PIB que se espera. Mas o crescimento no curto-prazo volta.

Dito isso, o nosso problema de crescimento no Brasil não tem muito a ver com o curto-prazo (estamos com uma taxa de desemprego de 6%). Nosso problema de crescimento  está relacionado à nossa baixa taxa de poupança que, ao contrário de outros países, não acompanha o crescimento.

Os gráficos abaixo mostram o crescimento da poupança doméstica (% do PIB) na Coreia do Sul e China (dois países que adotaram política industrial) e Chile (um país que seguiu o receituário mais liberal). Nesses países, independentemente da estratégia de crescimento, ao longo dos anos de crescimento, a poupança cresceu e depois estabilizou-se em um patamar elevado – perto de 30% do PIB (Coreia e Chile) e acima de 50% do PIB na China.

Poupança Doméstica (% do PIB) – Coreia do Sul – 1960-2010

Poupança Doméstica (% do PIB) – China – 1970-2010

Poupança Doméstica (% do PIB) – Chile – 1960-2010

Fonte: World Bank Development Indicators.

E o Brasil? Bom, aqui o nosso grande problema, como já falei, é que os surtos de crescimento não são acompanhados pelo crescimento da poupança. O gráfico abaixo construído a partir da mesma base de dados do Banco Mundial dos anteriores mostra que o comportamento da taxa de poupança doméstica no Brasil é diferente dos países acima. Mesmo quando crescemos mais rápido, não aumentamos nossa capacidade de financiar o nosso desenvolvimento com recursos próprios.

A nossa taxa de poupança doméstica é menos de 20% do PIB; baixa para um país como o Brasil ainda mais quando se leva em conta que temos uma das mais elavadas cargas tributária entre os países em desenvolvimento.

Poupança Doméstica (% do PIB) – Brasil – 1960-2010

Na mesma linha, Afonso Celso Pastore, Maria Cristina Pinotti e Terence de Almeida Pagano (2010) mostraram que, de 1994 a 2010, quando se retira a variação dos estoques do cálculo do PIB, a correlação entre poupança doméstica/PIB e Investimento/PIB no Brasil é negativa. Ou seja, ao contrário dos outros países, a poupança doméstica não se eleva com o crescimento da taxa de investimento e ainda chega a cair.

Mas por que? A carta do IBRE anexa de agosto de 2011 sugere algumas respostas (clique aqui). É possível que essa situação piore, pois o nosso bônus demográfico, aquela situação na qual a população economicamente ativa cresce mais rápido que a população com mais de 60 anos de idade, está terminando. Assim, a razão  de dependência (população com mais de 60 anos em relação à população economicamente ativa) irá aumentar e haverá, ceteris paribus, redução de poupança doméstica.

Em um país com essa dinâmica, para crescermos mais rápido, precisamos da ajuda do resto do mundo (poupança externa), como já vem acontecendo, o que significa ter um câmbio valorizado. E qualquer tentativa do governo barrar esse processo na marra, via proteção e desvalorizações forçadas da taxa de câmbio, vai significar mais inflação, que é uma forma de criar poupança forçada ex post.

Em resumo, ser quisermos crescer mais rápido só nos restam duas opções.  Aumentar a poupança doméstica, em especial a poupança pública e/ou continuar contando com a ajuda do resto do mundo: usar poupança externa (déficit em conta-corrente), o que levará à continuidade do déficit na balança comercial da indústria de transformação, como já vem acontecendo, e a uma taxa de câmbio (R$/US$) mais valorizada.

É claro que ainda resta a opção, não recomendável, de aumentar a poupança via inflação – que reduz o poder de compra e diminui o consumo. Mas ao invés de “brincar” novamente com a inflação, seria mais sensato encararmos nossos problemas e aceitar que, se quisermo continuar com o modelo de expansão do crescimento via consumo, vamos precisar tratar muito bem os estrangeiros pois serão eles que irão nos financiar. E se quisermos quebrar nossa dependência externa, então não poderemos mais continuar com a expansão do consumo como observado nos últimos anos.

O que o governo vai fazer? seja o que for, a estratégia de crescer puxado pelo consumo funcionou muito bem no Brasil de 2004, com uma taxa de desemprego de 12%, mas deixou de funcionar no Brasil de 2011/2012, com taxa de desemprego de 6%.

25 pensamentos sobre “Consumo, Poupança e Crescimento

  1. É isso mesmo. Nesses últimos anos o crescimento brasileiro determinado pelo consumo. O Krugman está dizendo para os países aceitarem um pouco mais de inflação para ajudar o crescimento. Mas alguns brasileiros não entenderam de qual país ele está falando. A Alemanha tem que aceitar um pouco de inflação para equilibrar o câmbio real entre os membros do Euro. Ainda, Krugman está pensando nos EUA, que já não tem condições de usar política monetária, já que os juros são praticamente zero, ele pensa que aceitando inflação para ter juros reais negativo. O que considero não ser uma alternativa correta. Agora, usar as ideias do Krugman para o Brasil é uma insanidade. Estamos em “pleno emprego”, a demanda agregada aquecida, e o governo querendo baixar juros!!! Isso só em um resultado, inflação. O governo deveria pensar em aumentar a poupança pública, cortando gastos, e não tentar baixar juros no “grito”.

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  3. como se pode aumentar a poupança interna, se todos estão endividados – qual seria a saida pra isso ?

    na teoria, tudo deveria levar a inflação – mas fato é que ela parece ok hoje e pode ser favorecida pelo caos na Europa. Acha que ela reaparece ?

    abs

    • O governo poderia dar o exemplo.
      Cortando ao menos uns vinte ministérios e secretarias, ou até mais.
      Cancelar projetos improdutivos e esquecer sonhos mirabolantes e gastadores como transposição do Rio São Francisco e trem-bala.
      E a ousadia de mandar a Copa2104 e as Olimpíadas 2016, para outro país.
      Só ai, seria uma economia e tanto.
      E um efeito demonstração bastante forte para a sociedade com um todo.
      Todo mundo entenderia que o governo estaria imbuído de parcimônia e tenderia a fazer o mesmo.

      • Já, porém, acrescentando que depois da divulgação do IBC-Br, pouco favorável, parece que a presidente quer expandir mais do que ter parcimônia.
        Poderia ser entendida, tal atitude, como temerária, dada a situação externa.

  4. Prezado Mansueto.

    Se planejador público fosse, optaria pelo caminho da elevação da poupança pública, ou no melhor portugues, profundos cortes de gastos desde já. É o caminho mais difícil,porém o mais salutar. Contar com a “boa vontade” estrangeira pode ser arriscado, ainda mais em momentos que precedem ou em que eclodem crises como essa ou outras. Quando o bônus demográfico se exaurir, forçosamente, se o governo persistir com essa despoupança, terá que aumentar as taxas de juros para cobrir os intermináveis déficits previdenciários que advirão. Assim, maiores taxas de juros, mais desemprego, menor crescimento, um ciclo de nenhuma prosperidade.
    A saída não é política, é técnica e cabe aos políticos pensar no país e não apenas em si mesmos.

  5. Mansueto,

    S –> I ou I –> S? No caso de um país que parte para a arrancada do crescimento com desenvolvimento precisa-se avaliar qual a relação externa da economia, dependência tecnológica ou não. A taxa de poupança sempre foi alta na Coreia do Sul ou mesmo na China?

    Os desequilíbrios na China são enormes…

    http://www.economonitor.com/blog/2012/05/revisiting-predictions-for-china/

    No caso do Brasil, historicamente a concentração de renda, ainda elevadíssima quando comparada internacionalmente, e a ânsia pela cópia dos padrões de consumo dos países mais adiantados fizeram com que tivéssemos que passar por diversas crises no balanço de pagamentos. Tal fato dificultou o processo de formação da poupança doméstica. Para os mais pobres, não é preciso ir além da constatação de que poupança é renda menos consumo.

    Bem, vejamos mais… Estou consultando o site do Bacen e li que o nosso passivo externo líquido chegou a casa dos US$762 bi em março/2012, sendo que os ativos de reserva somam US$365 bi. Hummm… Já imaginou se o contágio da crise na eurozona bate aqui?

    A questão da inflação é, nesse contexto, movida por fatores internacionais. Se “ela” crescer novamente no mundo, como sugere Krugman para os EUA e a eurozona, então o Brasil não pode pretender ser uma ilha…

    http://www.washingtonpost.com/opinions/battle-of-the-beards-paul-krugman-vs-ben-bernanke/2012/05/06/gIQAbwsY6T_story.html

    Cordialmente,

    • Mas, com o Q1, Q2 e Q3 e talvez Q4. E mais os grandes volumes do BCE, precisa pedir mais um pouco de inflação? O problema no Brasil é que, a poupança é baixa e o cidadão está sendo estimulado a consumir mais. Não dá para entender como sendo a melhor coisa a ser feita. Por exemplo, a Grécia iria gastar mais o quê?

  6. Mansueto,

    Como sempre, excelente post. Porém, gostaria de acrescentar algo. A estratégia de desenvolvimento por aumento de demanda se esgotou. Você citou o desemprego, mas há outros fatores. Por exemplo, mercado de crédito. O crédito PF ex-imobiliário se expandiu bastante, possibilitando suavização do consumo etc etc. Isso aumentou bastante a demanda. Porém, como já discutimos, o crédito PF ex-imobiliário está batendo no teto. Ou seja, a estratégia está se esgotando não apenas pelo desemprego, mas também pelo mercado de crédito. Outro exemplo de esgotamento diz respeito ao setor externo. Quando os preços de commodities foram pra Lua (desmentindo Prebisch) puxados pela demanda chinesa, tivemos uma “folga” externa. Porém, já consumimos essa folga. Para continuarmos o mesmo padrão de crescimento, precisaríamos que os preços de commodities subissem ainda mais. E bastante. Coisa que dificilmente ocorrerá.

    Ou seja, modelo esgotado. O que o governo quer? O que o governo faz? Só pensa em mandar as pessoas comprarem automóveis. Pergunto: É essa a estratégia de desenvolvimento/industrialização? Assim que estamos “chutando a escada”? Difícil…

  7. Parabéns pela qualidade do texto (ótimo). O Brasil sempre utilizou poupança externa para complementar a insufuciência da doméstica. O custo disto são os pagamentosa de juros e de dividendos (altos).
    Crescimento sustentado sem estabilidade monetária não existe. Existe uma tapeação de curto prazo que leva à estagflação.
    O Brasil tem que fazer as reformas necessárias e conhecidas de todos até por brazialinistas: política, relação capital x trabalho, tributária, previdenciária (a que foi feita é tapeação). Outra opção (na minha opinião impossível de se conseguir) seria melhorar a qualidade dos gastos públicos (considerando o percentual alto em relação ao PIB). Quarenta de gastos públicos em relação ao PIB com qualidade sofrível não é caminho para se conseguir desenvolvimento e melhoria de qualidade de vida (não escrevi crescimento).
    Como É MUITO DIFÍCIL (QUASE IMPOSSÍVEL) reduzir os gastos públicos o caminho é a MELHORIA DA QUALIDADE DOS MESMOS. Não estou falando de acabar com a corrupção (impossível), mas de colocá-la em um nível aceitável (a volta da corrupção em um nível mais alto e elgante. A turma voltar a ter vergonha de ser desonesto.). UM CAMINHO? PUNIR O LADO QUE RECEBE O DINHEIRO (o outro lado poderá denunciar sem medo. Outro caminho é querer continuar com tudo como está.).
    Quando O Krugman fala em inflação ele se refere a sair do nível de 1 a 2% para 3 a 5% (mesmo assim por um tempo). A política monetária sozinha não consegue fazer crescimento em um momento de crise (desvalorizações de ativos). Foi M. Friedman quem aconselhou não deixar cair a quantidade de moeda (mas aumentar excessivamente não resolve e trará problema para a hora da saída da crise). Um conjunto de medidas devem ser tomadas: a) evitar crise bancária (salvar a incompetência e usura ou ganância excessiva. É duro mas tem de ser feito); b) aumentar gastos públicos de qualidade (os produtivos); c) aumentar a renda dos mais pobres (diretamente ou através de benefícios). Aumente a renda dos aposentados do INSS (que recebem até 3 sm) por uns 3 meses, da turma da bolsa família (por uns 6 meses). Aumente benfícios diretos (saúde educação etc.).

    • Os gastos governamentais que deveriam ser “produtivos”, estão desacelerados ou até equivocados. Uma carcaça de petroleiro inaugurada como a redenção da indústria naval brasileira, mostra bem isso.
      A transposição do Rio Francisco também. A paralisação de obras em usinas por problemas de salários entre as empreiteiras e seus funcionários. não dá para considerar que seja assim um caminho válido.

  8. Poupança pública, hum … ok mas isso me cheira a pensar e esperar na solução vinda do governo. MAis uma vez. E a poupança das famílias, por que seria tão baixa no Brasil? Traço cultural? Propensão a gastar tudo o que se ganha? É isso? Ou há outros fatores? Será que a nossa cultura nos condena a juros altos mesmo?

    Mas como se mexe na cultura de um povo?

    Gosto de pensar que essa baixa poupança é um dos componentes da baixa produtividade do trabalhador brasileiro. Se olharmos a produtividade não como a razão entre o valor produzido sobre remuneração, mas sim o valor produzido sobre o valor consumido. O excedente volta como poupança para ativar a produção

    • Poderia, nos últimos quase nove anos, investir mais em Educação do que em propaganda da Educação. Talvez, hoje, tivéssemos já uma grande proporção de pré e adolescentes com outras mentalidades. Muito diferente do “tchú tchá” e “ai se eu ti pego” atual.
      Um problema que dá para perceber em muitos casos é uma falta de noção do que seria produtividade de nossos jovens trabalhadores. E do seria poupança e investimento. a palavra da moda é consumo.

      • É isso ai. Esse modelo está com prazo de validade próximo e quero ver se a equipe econômica terá coragem de mudar o mix de politicas e “preparar o palco” para a mudança da regra de reajuste do salário mínimo.

    • Bom, qualquer que seja a solução – poupança das familias ou poupança pública- os dois casos passam pelo governo. Parte da nossa baixa poupança privada das familias decorre da ampla rede de beneficios sociais que montamos. Reformar esse sistema depende de inciativas do governo.

      E no caso de poupança pública, essa é a única modalidade que o governo tem “total” controle.

  9. Comenta-se muito sobre a insuficiência da poupança brasileira. Mas será este o ponto chave? Atualmente parece existir a falta de interesse em investir pela baixa perspectiva de retorno no segmento industrial que sempre foi o setor que mais exigiu investimentos. O BNDES tem linhas de crédito não utilizadas, as empresas cotadas na Bolsa tem caixas/aplicações financeiras elevadas, não existe falta de IED e o investimento patina.

    • Bons pontos Paulo. Mas precisamos separar questões de curto e longo-prazo. Essa falta de ânimo do empresário para investir devido ao agravamento da crise pode ser combatida com politicas de estimulo de curto-prazo. Mas o problema de crescimento sustentavel do Brasil não tem a ver com insuficiência de demanda, mas sim com fatores do lado da oferta.

      O que acho é que o governo olha excessivamente para o curto prazo e pouco para o crescimento de longo-prazo e, neste segundo caso, aumentar a taxa de investimento (público e privada) é fundamental. Se falta ânimo ao empresário, o governo pode tentar reativa a economia com aumento do investimento público, mas no longo prazo não vamos escapar de uma nova onde de reformas.

  10. Paulo: excesso de monetização é diferente de poupança (investimento). Considerando PIB = C + I + G + E – M e poupança = investimento (na fotografia, em um momento), acreditando em limite de crescimento por fatores de produção (recursos naturais, capital, trabalho e tecnologia), em PIB potencial, em segurança institucional (jurídica, relações capital x trabalho, política), acreditando ainda que consumo é função da expectativa de renda e de vida (a previdência influencia o consumo e a poupança), que o investimento é função de expectativas de lucros (SEGURANÇA, PREVISIBILIDADE) e que isto ocorre quando as previsões são seguras de que existirá consumo (expectativas), e que no Brasil, grande parte dos empreendimentos são estrangeiros, que somos parte do mundo em crise, lógico que também participamos parcialmente desta desaceleração (recessão?).
    Não podemos desconhecer a insegurança que o MF (GM) passa para todos (ele passa instabilidade, é inseguro, pensa errado e passa isto). O BC também deixou de ser de confiança. Só os mais crédulos acreditam no compromisso deste BC com o poder de compra da moeda (é o pior que poderiam ter feito).
    Poder de compra = tamanho de mercado e este é igual a investimentos, Com este MF e este BC trabalhando para reduzir o poder de compra de todos = reduzir o tamanho do mercado, claro que teremos redução de investimentos (esta turma cedeu aos interesses dos lucros de minorias contra o poder de compra de todos). Se não fizessem nada o Real iria se desvalorizar por causa da crise mundial, como trabalharam para desvalorizar deu no que deu.
    Enquanto funcionou o bom senso (e cheiro de certo e errado) do Lula a turma prejudicava menos (o Meirelles segurou a peteca muito tempo). Esta turma “desenvolvimentista” que defende até a Argentina passa insegurnça e reduz a previsibilidade = redução de investimentos.

    • Realmente, a percepção é de que o BC também, parece, aceitar um nível de inflação acima do produto. Será que estão atundo numa meta de crescimento ou seria numa meta de juros?

      • Boa pergunta. A minha percepção é que o centro da meta se tornou uma meta secundária e enquanto a inflação ficar abaixo de 6% ao ano as coisas vão bem. Além da maldição da renda média (ficarmos presos na categioria de renda média) temos ainda a maldição de ficarmos presos em uma meta de inflação que, apesar de não ser explosiva, não é uma meta baixa.

    • De fato você está correto. As receitas judiciais não deveriam entrar no calculo do superávit porque não são receitas correntes. Mas elas entram. Ei li notas sobre isso – dívida escondida- mas não sei de nenhum estudo recente detalhado sobre o assunto.

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