Mais sobre a Argentina….

The Drunkeynesian fez um excelente post sobre a questão do crescimento da Argentina e a falsificação dos dados de inflação (clique aqui) – vale a pena ler os comentários ao post. Ao que parece e ao contrário do que eu esperava, eles não falsificam o dado do deflator do PIB. Assim, o crescimento argentino foi maior do que o do Brasil no período recente, desde 2002, apesar de ter um problema de base – Argentina estava se recuperando de um brutal recessão.

No prazo mais longo, de 1980 a 2011, o crescimento da Argentina é exatamente igual ao do Brasil 2,8. E no debate que se seguiu ao post do The Drunkeynesian, que continua mais sóbrio do que nunca, o “Anônimo” falou que:

“….Um imaginário país A tem carga tributária de 29% do PIB, taxa de investimento de 24%, juros reais negativos e está na 113a posição no ranking mundial de facilidade de negócios.

Um outro imaginário país B tem carga tributária de 36% do PIB, taxa de investimento de 18%, os maiores juros reais do mundo, e está na 126a posição no mesmo ranking acima. Para completar, a força de trabalho do país B tem em media 2 anos a menos de escolaridade que a do país A.

Seria alguma surpresa (ou subversão) se este imaginário país A estivesse crescendo mais rapidamente que o país B?…..”

Neste exemplo, é claro, país A seria a Argentina e país B seria o Brasil. Mais uma vez, a Argentina era para ser hoje um país de padrão de vida Europeu, mas ao longo de décadas depois da segunda guerra mundial com uma sucessão de governos populistas, os argentinos conseguiram acabar com o seu progresso.

6 pensamentos sobre “Mais sobre a Argentina….

  1. A Argentina tinha uma carga tributária muito menor do que a do Brasil (a diferença reduziu), falta de crédito externo ( e de investimentos) e foi beneficiada pelos aumentos dos preços das commodities. A falta de crédito impediu déficits fiscais e externos (o certo que fizeram foi forçado ou por acaso). A qualidade dos gastos públicos é que píorou. Outro retrocesso foi o de reprimir preços. Sabemos que inflação é ruim e que inflação reprimida é pior ainda. O PIB argentino está com um crescimento sustentado ou artificial? Se correçoes de preços forem feitas (e sabemos que terão que ser feitas em algum momento) o PIB continuará crescendo ou passarão por um longo período de desaceleração ou recessão? A falta de investimentos (inclusive externos, que sobram para o Brasil) está fazendo vários fatores de produção (capital) faltatarem (energia, etc.). A opção argentina está sendo o Brasil (investimentos e mercado). Mais de 40% de sua produção automobilística era exportada para cá. Virou um país Brasil dependente (o esforço para conseguir isto não foi fácil, foi muito grande). E o Bresser aconselhou ao Brasil a imitar a política econômica Argentina.
    Existe uma grande diferença entre PIB em moeda nacional e em dólar. Em poder de compra o Brasil cresceu muito mais do que a Argentina (com sistema de câmbio flutuante). Traduzindo: os brasileiros ficaram menos pobres do que os argentinos (a elite ficou muito mais rica). O QUE VALE DE FATO É PODER DE COMPRA E QUALIDADE VIDA. NISTO O BRASIL GANHOU E AINDA GANHA LONGE DA ARGENTINA (a melhoria).
    O de bom que a Argentina tem é o que eles não podem fazer errado: a parte fiscal (falta de crédito) e o setor externo beneficiadso pelos preços das commodities.

  2. Mansueto, honrado pela menção, muito obrigado.

    Marco, o problema do PIB em dólares é que, para pegar a comparação em valores de hoje, estamos pegando um país com o câmbio mais valorizado dos últimos 20 anos (Brasil) contra um país com câmbio desvalorizado. Quando isso se normalizar (OK, pode levar anos), a comparação é muito menos favorável ao Brasil. De qualquer maneira, o fato da política econômica na Argentina ser ruim não implica que a do Brasil é boa – acertamos em uma porção de coisas que eles erram, mas nem tudo por aqui é feito do melhor jeito para quem tem pretensão de crescer de forma mais acelerada.

    • Tens toda razão. Na verdade, fizemos muita coisa errada, mas pelo menos na margem, o Brasil de 1985 até 2005 adotou uma série de reformas institucionais importantes que melhorou o nosso potencial de crescimento.

      Se melhorarmos o marco regulatório, vai chover dinheiro para infraestrutura aqui e o risco Brasil já despencou. No caso da Argentina, para mim é claro que o país passa por uma espécie de retrocesso institucional e que isso vai prejudicar o crescimento do país ao longo dos próximos anos.

      No mais, concordo 100% com sua observação sobre o Brasil.

    • Concordo com as suas observações. Concordo também com as observações abaixo do Mansueto. Mas mesmo assim a Argentina errou muito mais. Lembro que a vida só dá uma safra (qualidade vida perdida é não vivida). PODER DE COMPRA = QUALIDADE DE VIDA = TAMANHO DE MERCADO = ATRAÇÃO DE PRODUTORES (MAIS PIB). Acredito que brasileiros não morrerão mais no México. O sacrifício exigido dos argentinos na minha opinião não é o mais correto (nem os artificialismos).
      O Brasil pelo menos manteve o tripé (pelo menos nas declarações da presidente). O nosso câmbio é flutuante (na verdade o governo trabalha para evitar valorizações.), OS PREÇOS SÃO LIVRES, OS CONTRATOS SÃO CUMPRIDOS, o balanço comercial é positivo, as exportações batendo recordes (inclusive de manufaturados), apesar dos pesares (reformas não feitas, sistema político que dificulta governabilidade, mas está garantindo a democracia). Já pensou se fizéssemos um pouquinho mais de acerto? Olha que tentaram atrapalhar (só não conseguiram).

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