FGV-RJ versus FGV-São Paulo

É claro que estou colocando o debate de forma simplista.

Mas dada a defesa do professor Bresser-Pereira ligado à FGV-SP do modelo Argentino, um bom contra ponto que continua atual é esta carta do IBRE (FGV-RJ), de dezembro de 2010, que explica em detalhes porque o modelo Argentino não serve para o Brasil.

Apesar do modelo Kirchner ter aumentado o crescimento do país, desvalorizado a taxa de câmbio e reduzido os juros reais, essa heterodoxia partiu de uma situação de economia fortemente desaquecida e elevada taxa de desemprego. Adicionalmente, esse modelo ocasionou taxas de inflação elevada e retirou a Argentina do mercado de crédito internacional.

Se o Brasil fosse imitar a Argentina, teríamos um claro retrocesso e aqui a inflação seria muito pior, pois estamos partindo de uma situação muito próxima de pleno emprego, o que levaria a um ciclo de inflação e desvalorizações nominais que nos lembraria em muito os anos 80. É isso que queremos?

Clique aqui e leia a carta do IBRE de dezembro de 2010. 

20 pensamentos sobre “FGV-RJ versus FGV-São Paulo

  1. Não… O prof. Bresser-Pereira apenas se posicionou favorável ao ato polêmico da presidenta Cristina de nacionalização da YPF. Só isso. Não vejo ele como um entusiasta do modelo argentino. Sinceramente, basta visitar Buenos Aires pare ver in loco o que é o kirchnerismo.

    Parece paranoia sua Mansueto. rsss…. Olha aqui um artigo interessante dele:

    http://www.joserobertoafonso.com.br/attachments/article/2499/Theoretical%20Framework%20Structuralist%20Macro-Final.pdf

    Cordialmente,

    • Não marcos. O que achei foi que no artigo da Folha de São Paulo me pareceu que o professor Bresser apoiava o modelo argentino. recebo a critica bem vinda e com prazer escreverei que o professor Bresser é contra o modelo Argentino. É isso mesmo?

  2. Declaração do Bresser: ” Mas o que vai acontecer com a Argentina devido à diminuição dos investimentos das empresas multinacionais? Não é isso um “mal maior”? É isso o que nos dizem todos os dias essas empresas, seus governos, seus economistas e seus jornalistas. Mas um país como a Argentina, que tem doença holandesa moderada (como a brasileira) não precisa, por definição, de capitais estrangeiros, ou seja, não precisa nem deve ter deficit em conta corrente; se tiver deficit é sinal que não neutralizou adequadamente a sobreapreciação crônica da moeda nacional que tem como uma das causas a doença holandesa.A melhor prova do que estou afirmando é a China, que cresce com enormes superavits em conta corrente. Mas a Argentina é também um bom exemplo. Desde que, em 2002, depreciou o câmbio e reestruturou a dívida externa, teve superavits em conta corrente. E, graças a esses superavits, ou seja, a esse câmbio competitivo, cresceu muito mais que o Brasil. Enquanto, entre 2003 e 2011 o PIB brasileiro cresceu 41%, o PIB argentino cresceu 96%.”
    COMENTO: a FGV-SP, por alguns de seus diretores e professores com maior presença na mídia, de fato, pensa diferente da turma da FGV-RIO. O Bresser de fato defende o modelo argentino.
    O tempo dirá se o crescimento argentino ou brasileiro, em dólar, é artificial. Em dólares crescemos muito mais, somos a nação da moda no mundo. São muitos anos de crescimento maior do poder de compra dos brasileiros e de melhoria de qualidade de vida.
    A AREGENTINA VIROU UM PAÍS BRASIL DEPENDENTE (é economia suplementar à nossa). Sem o Brasil vão para o buraco total, a indústria automobilística cai para menos da metade. Como um modelo destes pode ser bom? Um país que atrai zero de investimentos externos.
    O tempo dirá que país adotou o melhor modelo econômico. Para mim não existe dúvida nenhuma, a Argentina está virando um país de segunda.
    De fato quando os USA iniciarem o aumenjto da taxa básica nossa moeda deverá se desvalorizar, mas o que foi ganho ficará. Os investimentos e os ganhos de produção, de tecnologia, etc.
    Os interesses externos no Brasil são muito grandes, isto funciona como um colchão de proteção.
    Um país que reduziu a produção de petróleo, de gás, que tem falta de energia elétrica, que quebrou quase todas as concessionárias de serviço público, que reduziu o poder de compra do seu povo, de fato os argentinos empobresceram (e o PIB cresceu?). Como ter crescido mais que o Brasil? Aqui tudo cresceu de fato, o poder de compra, a qualidade vida, a produção de petróleo, a de energia, a de veículos (até importamos da Argentina para que eles não sumam do mapa). E olhe que não fizemos o dever de casa e devemos ter governos (municipáis, estaduais, união) tão corruptos quanto eles. O que salvou-nos foi o tripé e a lei de responsabilidade fiscal.
    Qual o motivo da REPSOL/YPF não ter investido o necessário? Preços artificiais, demagógicos. Se um quase monopólio privado é melhor do que um estatal? NÃO. OS DOIS SÃO NEGATIVOS. Mas se a Argentina vendeu negociando deveria comprar negociando, ter aberto uma nova empresa. Dar o cano não. Como vão pagar?
    E nós vamos investir em um país que não cumpre contratos? SÓ DOIDO QUE JOGA DINHEIRO FORA. Nem os argentinos confiam mais na Argentina.

  3. COMPLEMENTANDO: desvalorizar a moeda é igual a reduzir preços dos ativos, receber menos dólares por nossos produtos.
    Os dólares internados têm um poder de compra menor internamente (para as compras internas). As importações ficam mais baratas? Sim. também a de maquinários, de tecnologia, de mão de obra qualificada (prodição do pré sal, de navios e de plataformas). E a nossa indústria? A sem capacidade de concorrer terá que fechar ou adequar-se (o país como um todo não pode pagar o preço da defesa de uma minoria incapaz). A maioria é competente e conseguirá dequar-se (o que não pode é faltar crédito).

  4. Interessante a posição do marco aurélio garcia, pois o Brasil foi também lesado pela Bolívia que desapropriou as refinárias da Petrobras, em março de 2006, “indenizando” com US$ 100 milhões o investimento da US$ 2 bilhões, inclusive com o apoio de marco aurelio garcia. Lebra a capa da revista Veja: ‘um ponta-pé na trazeira do presidente’?

    • Antônio: eu não sou o Marco Aurélio Garcia do PT (nem conheço pessoalmente), penso diferente. A refinaria da Petrobrás na Bolívia foi comprada por ela por aproximadamente US$100 milhões (café pequeno para ela). O investimento grande foi no gasoduto que continua da mesma maneira.
      Mas a Bolívia perdeu o apetite da Petrobrás em investir lá.

  5. Mesmo sendo um economista de viés ortodoxo, como sou, o fato do Bresser ser um entusiasta do modelo argentino — aqui estou assumindo que ele esteja inclinado, mesmo não sendo o caso –, imagino que seja interessante para uma instituição ter um corpo docente plural. Isso auxilia no processo criativo e, em teoria, joga a favor da educação! Nem sempre é o caso, mas num mundo ideal é isso que, creio, devemos buscar.

    • Mas Guilherme então somos dois. Não tenho nada contra o professor Bresser-Pereira e respeito profissionais como ele que defende com convicção suas opiniões. O ambiente acadêmico é justamente isso: debate.

      O meu post não foi contra o professor Bresser, mas em relação as suas declarações recentes obre o caso da Argentina. Mas essa é a minha opinião pessoal.

      Mesmo na FGV-RJ e no IBRE os professores discordam, há debates. O mesmo caso na PUC. O que falta no Brasil é mais debate e não menos.

      Acho que é bom para o debate termos pessoas como o Bresser e o Afonso Celso Pastore escrevendo ativamente e participando do debate, mesmo que um fale o contrário do outro. É assim que aprendemos.

      O debate é bom e acho positivo que o professor Bresser-Pereira estimule o debate. Apenas não concordo com o que ele falou sobre o caso da Argentina.

      • Mansueto, concordo 110% contigo. Também discordo do posicionamento do Bresser (no meu entendimento a favor do modelo argentino). De maneira alguma entendi seu post como estando direcionando à pessoa Bresser. Li como você mesmo disse acima…em relação aos seus argumentos.
        Continue com os ótimos comentários! Parabéns!

  6. Pluralidade é um conceito bacana quando as diferenças de opinião tem um mínimo de sustentação teórica ou empírica. Aí sim nosso conhecimento evolui. Defender o discurso do Bresser em nome da pluralidade é um grande “overstatement” e um desserviço ao (precário) debate Economico no Brasil. O próprio Bresser se define um “Sociólogo do Desenvolvimento”, o que quer que isso signifique.

    Só no Brasil mesmo a gente respeita alguém que fala que o câmbio ideal é de R$ 2,60 (puro chute), e que é a microeconomia que precisa de macrofundamentos e não o contrário. Não vamos confundir “pluralidade” com vale-tudo. Em um país onde a ciência é levada a sério, um cara desses não teria espaço nem em jornal diário, quanto menos na academia.

    • Bem, saber se ele estaria (ou não) apto a fazer parte desse corpo docente dito plural, aí já tiro meu cavalinho da chuva. Eu teria que dar um passo atrás pra consolidar minha opinião. Deixo essa pra vocês. Mas é uma discussão que me merece ser levada adiante. Ou seja, deixando de lado nossas crenças, que tipo de pluralidade (refletida no corpo docente, obviamente) é aceitável tendo em vista os imensos desafios que o Brasil oferece?!

      Só repetindo algo que disse antes, NÃO simpatizo com as idéias (que tenho conhecimento) que o Bresser prega!

  7. Acho que o Bresser defende um aspecto do modelo argentino, e não todo o pacote populista-kirchnerista. Esse aspecto seria o câmbio desvalorizado, superávits comerciais, alguma defesa industrial suplementar. Além disso, ele defende uma sobretaxa sobre a exportação de commodities e um tanto de intervenção estatal na economia (o setor de petróleo é inegavelmente estratégico). Duvido que o prof. defenda os tabelamentos de preços e medidas similares que, essas sim, arruinaram vários setores na Argentina.

    Mansueto, a ideia de taxar as commodities me parece uma maneira interessante e proveitosa de 1) regular a entrada de dólares, 2) fazer pender a balança para a indústria, os serviços e a agricultura familiar, o que teria efeitos distributivos benéficos, entre outros. Imagino que o lado ruim seja a perda relativa de competitividade do agronegócio e da Vale (e um infarto da Kátia Abreu). O que acha da proposta?

    • Olha só. A maior entrada de dólares hoje não é para investimento em renda fixa, mas investimento direto e renda variável. Esses dois casos não me preocupam muito.

      No caso de impostos maiores sobre commodities, acho a ideia interessante quando se trata de petróleo e recursos minerais. Mas não imposto de exportação, que discrimina mercados, mas sim imposto maior sobre esses setores como hoje já se faz com o petróleo com a participação especial.

      Recursos finitos como petróleo e minério de ferro devem pagar mais impostos. Só não concordo com o imposto de exportação. Preferia algo como participação especial.

  8. Dionatan, o que tem haver alhos com bugalhos . . . só pode dar opinião quem acredita nas coisas da mesma maneira que você? Há problemas em um não-economista dar opinião sobre economia? Não é o que fazemos dando opinião sobre ciência política e outras coisas . . o fato de se considerar um sociólogo do desenvolvimento não descredencia o Bresser para o debate. O mesmo se pode dizer da declaração sobre micro-macrofundamentos, há gente de ambos os lados do muro (heterodoxos ou de formação convencional) fazendo declarações parecidas, posso citar o David Colander por exemplo seguido de mais uma dúzia de PHD`s em boas universidades que acha a atual forma de modelar microfundamentos uma bobagem. Certos ou errados (eles e o próprio Bresser) a questão é que idéias divergentes podem conviver e a teoria econômica esta longe de qualquer consenso teórico ou empírico que possa autorizar o confisco da carteirinha do Bresser.

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