Investimento público 1995 a 2011

Um dos maiores desafios ao crescimento econômico do Brasil é o aumento da taxa de investimento, em especial, o aumento do investimento público. É consenso entre analistas dentro e fora do governo que, apesar do crescimento da carga tributária de 25% do PIB para 36% do PIB de 1992 a 2011, o nível do investimento público no Brasil não aumentou de forma consistente e, recentemente, parece que batemos na barreira de 1,3% do PIB (investimento público em 2010).

Tentei fazer um histórico do investimento público do governo federal desde 1995 e chegeui ao gráfico seguinte. Os dados foram construidos da seguinte forma. De 1995 a 2000, utilizei os dados do investimento liquidado mais restos a pagar não processados pagos a partir dos Relatórios Resumidos da Execução Orçámentária (RRO) do Governo Federal. De 2001 a 2011 utilizei os dados do investimento pago do Siga Brasil e SIAFI. Trabalhei apenas com GND-4 e, assim, os dados são um pouco menores do que os dados oficiais que incluem inversões financeiras (GND-5). O resutado é aquele mostrado no gráfico abaixo.

Investimento Público do Governo Federal- 1995-2011 – % do PIB

OBS: exclui estatais. Elaboração: Mansueto Almeida

Desde a segunda metade dos anos 90, o investimento público aumentou muito pouco. Por exemplo, de 1997 a 2011, a arrecadação federal bruta aumentou 7 pontos do PIB; passou de 16,93% do PIB para 23,91% do PIB. Neste mesmo período o investimento público do governo federal passou de 0,94% do PIB para 1,01% do PIB.  Para onde foi então esse aumento de arrecadação federal? Eis a resposta: (i) crescimento do superávit primário = 2,6 pontos; (ii) crescimento das transferências para estados e municípios = 1,5 pontos; (iii) 1,8 pontos foi crescimento das despesas do INSS;  (iv) 1 ponto do PIB foi para gastos sociais; e (v) 0,12 do PIB foi crescimento da despesa com pessoal e investimento público.

A unica forma de aumentar o investimento público, sem aumentar mais ainda a carga tributária, é controlando o crescimento das despesas para que, ao longo dos anos, a despesa primária (% do PIB) seja reduzida e essa economia transformada em maior investimento público. É claro que o aumento das concessões para que o setor privado faça parte do investimento faz parte também da solução.

Não há porque o crescimento do gasto primário na próxima década ser equivalente ao da década anterior. É preciso agora o debate sair da questão da cobertura dos gastos sociais para a qualidade dos gastos. O problema é que todos os anos criamos novos programas com custo elevado e, assim, nunca esse esperado controle do crescimento do gasto primário se materializa.

7 pensamentos sobre “Investimento público 1995 a 2011

  1. Mansueto,
    Seria bacana se você mandasse as especificações desses gastos. Aonde que o governo gastou né?
    abs
    Rozenbaum

  2. Caro Mansueto, parabéns pelo artigo. O tema é um dos mais relevantes para o desenvolvimento do país.
    Gostaria que a vontade do governo em aumentar os investimentos públicos fosse além de controlar o aumento da despesa. Seria preciso reduzir as despesas administrativas, que é um custeio ruim, e que diferem qualitativamente dos custeios de cunho social: as despesas administrativas são mais fáceis de serem reduzidas, tais como a redução de cargos comissionados ocupados, otimização de material de consumo e redução do valor das empresas terceirizadas. Além disso, parte do custeio social poderia ser reduzida e transformada em investimento, mantendo a pertinência da área, mas tenho a impressão de que o custeio social parece eterno e crescente.
    Enfim, é só uma opinião mais do ponto de vista de gestão do que econômica.

    Abraços,

    Arthur,

  3. Mansueto,

    Grandes diferenças salariais internas aos três poderes e entre os mesmos não explicariam parte da questão? Algumas “carreiras de Estado” descolaram muito das demais categorias em rendimentos. Afinal, o poder de barganha dessas categorias prestigiadas explica algo? Isso é positivo para o bom funcionamento da máquina pública e da democracia?

    Cordialmente,

    Rodrigo

  4. Então por que o governo capitaliza tanto o BNDES? o indecente e imoral ‘bolsa empresário’ com juros subsidiados, suportados por todos os brasileiros que pagam impostos, também não é investimento público?

  5. Os investimentos assim como todos os gastos públicos podem ser divididos em produtuvos e improdutivos, necessários e desnecessários, fins e meio, etc. Construções de casa apesar de serem necessárias, inclusive melhoram a qualidade de vida, não são consideradas como investimentos produtivos. A construção de um anexo de fábrica para aumento ou melhoria da produção já é considerado investimento produtivo. Nada contra o MCMV e outros investimentos improdutivos mas necessários.

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