Time Brasil continua na terceira divisão

Qual seria sua reação se o seu time continuasse na terceira divisão? E se fosse o seu país?

Hoje, arrumando arquivos antigos no computador, me deparei com uma apresentação do economista chefe do Itaú-Unibanco, Ilan Goldfajn, do dia 16 de fevereiro de 2006 em São Paulo. Como todos sabem, Ilan é um excelente economista que dispensa apresentação.

Em 2006, ele arriscou que o Brasil estava na transição da 3a para 2a divisão na comparação internacional de inflação. Passados seis anos, pena que nosso time “Brasil”não fez essa transição. Não sei se foi culpa da presidência do clube, do “treinador” e da “comissão técnica”, ou dos jogadores.

Nesta mesma apresentação Ilan falava que “seria bom garantir a conquista da inflação em torno de 4.5%, antes de continuar o processo desinflacionário”. O problema é que hoje até garantir 4,5% ficou extremamente difícil. Passados seis anos, com poucas modificações, a apresentação parece que foi feita hoje.

Por exemplo, quando fala das razões para elevada taxa de juros real no Brasil, Ilan destaca três fatores:  (i) ajuste fiscal incompleto: gastos públicos crescentes; (ii) sucessão de choques negativos dificultam a convergência para taxa de juros reais de equilíbrio; e (iii) recente expansão de crédito.

E ai, o que falta ao nosso time? o problema é com a direção do time, com o técnico ou com os jogadores?

6 pensamentos sobre “Time Brasil continua na terceira divisão

  1. A verdade, para responder diretamente à questão colocada neste post, é que os dirigentes do Brasil – presidentes, e técnicos da área fiscal e monetária — mantiveram o país na terceira divisão, ao não colocarem metas progressivamente mais baixas para o centro da inflação, sobretudo quando isso era factível e necessário, no período anterior à crise.
    Agora se escudam na crise para não mover a meta central, que ficou congelada há seis anos. Na verdade, se deslocou para cima, pois estão mirando no teto, não no centro.
    Bando de espoliadores da riqueza individual dos brasileiros: todo anos eles roubam 5 a 6% da renda pessoal ao manter essa meta…
    Paulo Roberto de Almeida

  2. Mansueto,

    Afinal, a posição intelectual do analista é indiferente às apostas que o mesmo faz no mercado? Essa foi apenas uma das questões levantadas após a queda do Lehman Brothers, em 2008. Bem, as causalidades na economia podem ser outras dependendo da perspectiva teórica que se adota.

    Há um texto interessante do Pérsio Arida chamado “A história do pensamento econômico como teoria e retórica”, publicado no livro de mesmo nome e editado pela 34.

    Cordialmente,

    Rodrigo

    • Talvez uma forma de fazer ajuste das contas públicas via inflação. O governo, com inflação crescente, receberia à vista, em moeda de maior poder de compra. E pagaria a prazo, com moeda de menor poder compra.
      Com inflação crescente, também, os salários nominais tenderiam a perder valor. E em termos reais, os aumentos nominais ao funcionalismo tenderiam a reduzir-se a longo do tempo?

  3. O Ilan é um dos expoentes dos economistas brasileiros atuais (bom senso com boa técnica). Mais uma vez provou estar certo.
    Da mesma maneira que não existe meia gravidez não existe meia inflação. Manter a inflação em 4,5% tem provado ser insustentável. O resultado é o vai e vem, assim como o crescimento.
    A meta de 4,5% seria o meio do caminho. Crescimento sustentado exige PREVISIBILIDADE e isto só se consegue com ESTABILIDADE (isto só com inflação entre 1 e 3%). A inflação entre 1 e 3% é uma condição necessária para o crescimento sustentado mas não suficiente. O percentual dos gastos públicos sobre o PIB, a qualidade destes e uma relação aceitável Investimentos / gastos públicos.
    “Para retirar um estado do mais baixo nível de pobreza e elevá-lo à riqueza bastam três coisas: a paz, impostos módicos e uma boa administração da justiça. O resto virá por conseqüência.” Adam Smith, 21 anos antes de publicar A Riqueza das Nações.

  4. A questão é séria. Porém, sem perder a piada, daria para supor que o que falto ao time é olhar para seu jogo e esquecer a arquibancada e as caneladas dos outros times.
    Se esquecer da arquibancada, da qual só quer ouvir palmas, já seria um bom começo para começar a largar de só fazer firulas.

    Se esquecer de inventar caneladas dos outros times, verá que as goleadas que aquelas sofreram podem estar arrefecendo, estariam perdendo de menos e até empatando. Ou seja, estão acertando o meio campo e a defesa só parte para o ataque “na boa”.

    O intrigante é que, depois de 1967, com o cr$ novo, miríades de medidas, até o R$. Depois, a inflação parece vem passando de inimigo público nº 1, a uma velha senhora sempre bem-vinda para um chá da tarde.
    Time que joga assim, pode ser rebaixado.

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