Banqueiros, Otimismo e Política Econômica.

Recentemente, em uma discussão na qual participei, discutíamos as inconsistências do modelo de crescimento atual. Quando todos se perguntavam como as autoridades econômicas não viam as contradições claras do nossos modelo de (baixo) crescimento alguns lembraram que a razão seria a forte ideologia desenvolvimentista da equipe econômica, que insiste em acreditar que o problema do baixo crescimento da economia brasileira seria a falta de demanda.

Bastaria uma ajudazinha do governo para expansão da demanda agregada e uma bronca da presidente nos empresários que entraríamos em um circulo virtuoso de crescimento da demanda e investimento.  O fato de o Brasil ser hoje um país caro e que a valorização do câmbio é o resultado do modelo que aí está (baixa poupança doméstica) e não a sua causa passaria despercebido pela “ideologia” da equipe econômica. Mas isso é verdade?

Possivelmente sim, mas há outro fator que ajuda a explicar a cegueira de alguns membros da equipe econômica que são as sucessivas declarações otimistas de grandes empresários do setor financeiro, os banqueiros. Quanto mais se progride na estrutura hierárquica dos bancos, mais comum são as declarações públicas de otimismo. Agora se os banqueiros estão operando ou falando a verdade não tenho a mínima idéia, mas vou partir do pressuposto que estão falando a verdade.

Estou exagerando? Acho que não e vamos olhar alguns exemplos de três entrevistas recentes do vice presidente do Itaú-Unibanco, Sérgio Werlang, no dia 20 de janeiro de 2012 ao Valor Econômico (clique aqui); do Presidente do Itaú-Unibanco, Roberto Setúbal, ao Estado de São Paulo no dia 28 de janeiro de 2012 (clique aqui), e do Presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, ao Correio Braziliense no dia 29 de janeiro de 2012 (clique aqui).

O que esses altos executivos do setor financeiro afirmam?

(1) O vice-presidente do Itaú-Unibanco, Sérgio Werlang, afirma textualmente que “O Banco Central acertou ao começar o ciclo de redução dos juros em agosto e ainda tem espaço derrubar a Selic até 9% ao ano….”. Vai mais além e diz que a súbita mudança de curso da política monetária, em agosto de 2011 pelo Banco Central, foi ousada, mas bem feita e correta.

Quando perguntado sobre o regime de metas, o vice-presidente do Itaú-Unibanco afrma: “…. O regime de metas tem que conviver com diferentes estruturas de bancos centrais. Ele tem que conviver com bancos centrais com um tipo de preferência para convergência diferente de outro. O arcabouço continua funcionando. Tudo isso está sendo guiado pelo longo prazo. O BC continua a fazer as reuniões do Copom, a meta de inflação como balizador das ações, justificando-as com base na meta.”

Para Werlang, a economia este ano cresce perto de 3,5% e a inflação ficaria entre 5% e 5,5%. A meu ver, nas circunstâncias de baixo crescimento na Europa e EUA esse é um cenário bastante positivo ainda mais que estamos partindo de uma taxa de desemprego abaixo de 6%.

(2) O Presidente do Itaú-Unibanco, Roberto Setúbal, é ainda mais otimista do que o seu vice-presidente. Quando perguntado pelos jornalistas o que acha do governo Dilma o executivo não economiza elogios: “Gosto de tudo o que tenho visto. Na política econômica, como mencionei, essa colaboração maior da política fiscal. Acho que é muito bem-vinda. O difícil nisso é que a política monetária faz um efeito mais rápido do que a política fiscal. A política fiscal exige persistência maior, paciência maior. E precisa de dois, três anos, para ir trazendo resultados mais consistentes. Então é importante perseverar nesse caminho.”

Quando perguntado sobre os maiores desafios do Brasil o presidente do Itaú-Unibanco destaca dois desafios: aumento do investimento em infraestrutura, no curto-prazo, e educação no longo-prazo. Mas ele lembra que “..na infraestrutura, o Brasil está evoluindo, e telecomunicações e energia estão bem. Mas é preciso investir mais em infraestrutura e criar condições para isso.”

Há desafios a serem enfrentados? Há, mas novamente o cenário parece ser mais positivo do que negativo. Em nenhum momento há, por exemplo, menção a tão famosa lista de reformas: trabalhista, previdenciária, tributária e redução do gasto. O desafio no curto-prazo é investimento em infraestrutura diretamente pelo governo ou por meio de concessões.

Não há menção também ao mix (errado?) da política econômica ou à leniência do Banco Central com a inflação. Em geral, as coisas vão bem e se aumentarmos o investimento e controlarmos a inflação o cenário traçado pelo presidente do Itaú é bastante otimista.

(3) Por fim, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, é tão otimista quanto os demais executivos de mercado citados acima. Fala, por exemplo, que “….A opção pela modernização da sociedade brasileira é um processo. A sociedade está vigilante e sabe separar o que serve e o que não serve para evitar retrocessos. O governo é preparado e as instituições funcionam. Num ambiente de democracia plena, as condições de avanço são maiores.”

Quando alertado pelo repórter sobre os riscos deste ano o presidente do Bradesco responde: “No que depende do Brasil, seguimos o rumo apontado pelo governo da presidenta Dilma, que tem sabido liderar o enfrentamento contra os efeitos da crise. Não é um caminho suave, em linha reta. Mas nos saímos bem e não estamos sucumbindo às incertezas dos países centrais. …… O Brasil, como fica? Vai ficar bem, se fortalecendo, crescendo e investindo. Será uma janela importante para quando a economia global voltar a crescer. Aí teremos de estar prontos e competitivos para assumir um novo padrão de participação na economia global.

E ao responder a outra pergunta o presidente do Bradesco é ainda mais otimista: “Entre 2004 e 2010, o Brasil cresceu a uma média anual de 4,4%. E vem crescendo agora pelo fenômeno do ingresso de milhões de novos consumidores no mercado e também pela entrada de investimentos, atraídos pelos projetos de infraestrutura e modernização. O horizonte se esticou, estamos falando de projetos para 2014 e 2016, com a Copa e as Olimpíadas. Entendo que o plano de voo ganhou um novo alcance. Há polêmicas, mas convenhamos que não se pode brigar com fatos. O país avança.

Dadas essas declarações tão otimistas de banqueiros com um tom de aprovação do governo e de sua política econômica, quem seria míope neste caso? Os desenvolvimentistas da área econômica ou os banqueiros que parecem compartilhar do otimismo dos desenvolvimentistas? Eis uma pergunta incômoda para o mercado financeiro responder.

11 pensamentos sobre “Banqueiros, Otimismo e Política Econômica.

  1. A relação é simbiótica, creio. A política de juros, por exemplo, desde que devidamente “sinalizada”, é muito boa para lucro de bancos, já que os juros em queda marcam boa parte da carteira de ativos para cima. E a política econômica depende da aprovação dos banqueiros para, de algum jeito, se legitimar.

    Engraçado é o Werlang, “pai do sistema de metas”, endossar a política monetária atual. Conveniências vencem convicções com facilidade por aqui.

  2. É isso ai Drunkeynesian. E você que está no mercado sabe dessas coisas melhor do que eu. Gostei do termo “relação simbiótica”.

  3. A análise dos banqueiros é até correta. Mas não é completa.
    Faltam as reformas: trabalhista (relações capital x trabalho livrar-se do modelo fascista, inclusive do imposto sindical obrigatório, para os empregados e empregadores. um câncer para a sociedade.); previdenciária; tributária (relações entre estados, guerra fiscal e desburocratizar. Reduzir? Impossível a curto prazo); a política; teto salarial no governo e aposentadorias. Como fazer? Nova constituinte com a condição de que constituintes não poderão ocupar cargos públicos eletivos por 10 anos ou mais. TCU: um quarto poder independente e profissionalizado (tipo judiciário).
    Temos que reconhecer que muito já foi feito: a lei de responsabilidade fiscal, a política monetária correta, o tripé (só o câmbio flutuante é um avanço de economias de primeiro mundo). A queda consistente e substancial dos juros de mercado (im para os economistas) é uma prova dos avanços.
    UM GRANDE DEFEITO: ainda somos escravos dos oligopólios (inclusive dos bancos, vide spreads), as agências não avançaram quase nada (está se provando quase um erro), a aceitação do protecionismo e dos cartórios econômicos pela sociedade (um cancro difícil de aceitar e entender – vide preços internos), a pouca defesa da concorrência e dos consumidores pela mídia (a maioria dos economistas ainda considera a importação um mal – a sociedade acompanha). Importar faz bem para a sociedade.
    E o Blog do Mansueto: um bem para o país. parabéns.

  4. Bem, para manter o bom humor de tudo que foi lido, seria o caso de perguntar onde é o aeroporto mais próximo e o destino mais próximo.

    Porém, como não há alternativas e a maioria deve ficar por aqui mesmo, difícil é entender ser só otimismo.
    Como dá para ser tão otimista um setor que é fiel depositário do dinheiro de todos?
    Confiar na estabilidade com base na liderança, pelo que deu a entender, numa fala sobre a presidente, quando em menos de um ano 11 ministros deixaram o posto por aspectos de irregularidades? E agora, o governo está emparedado pela própria base de apoio parlamentar?

    Isso afeta a economia? Pode ser que não, uma vez que parece tautológico que todos aceitam inflação correndo acima do PIB como uma coisa normal. Tudo bem o PIB a 3,5% e a inflação entre 5% e 5,5%, para 2012…Já passamos por PIB de 2,7% e inflação de 6,5%, em 2011, então, melhoramos…Oras, na realidade está-se numa situação de instabilidade econômica e política.

    Só que, não faz tanto tempo assim, isso derrubava a popularidade de presidentes e governos, obrigava cortes de zeros da moeda, exigia planos de impacto, sequestro de agregados monetários, congelamento de preços e salários, convocação de milhões de fiscais, busca de bois no pasto, listas de produtos cujos preços eram definidos por conselho governamental (CIP), racionamento de gasolina etc.

    Agora, não. Ao que parece, a cegueira era de todos que antes tentavam, acirradamente, achar uma forma de desinflacionar a economia e a partir dai, crescer com estabilidade.
    Porém, parece, foi achada uma forma, otimista, de inflacionar a economia e não crescer na instabilidade.

  5. Mansueto,

    Gostaria de adicionar um fator a essa sua análise. Comparando o governo Lula e Dilma com os predecessores, vemos que a capacidade de se passar legislações que alterem substancialmente a produção, a distribuição de riqueza e a produtividade foram sendo progressivamente engessadas. Collor conseguiu confiscar a poupança pública, Itamar teve o ambicioso plano Real, FHC as inúmeras reformas e privatizações. É como se o fim da situação catastrófica anterior fizesse aumentar em muito o custo de reformas institucionais. E nesses últimos dias, chegamos na apoteose: o Funpresp, bastante consensual, está parado, nem se fala mais no pré-sal, etc.

    Frente a esse panorama desolador (combinado com a crise), restaria manter o carro andando (até porque há imperativos políticos, reeleição, etc). Tenho certeza que a equipe econômica adoraria passar várias reformas- vemos elas tramitarem aos montes. Mas nunca as vemos serem aprovadas. O otimismo nesse caso é inevitável: quem no lugar do Mantega apareceria na TV com previsões apocalípticas, cenários perturbadores.

    • Thor Ribeiro, comungo com alguns de seus pontos.

      Os predecessores, parece, tinham gana de resolver, cada um com sua visão e maneiras e equipes, o problema da inflação e do crescimento.

      Desde 1967, menos 3 zeros no cr$, implementado como moeda nacional em 1942, passou a ser o cruzeiro novo, foram miríades de programas de impacto, planos econômicos, confiscos, congelamentos de preços e salários, racionamentos, correção monetária integral, correção monetária parcial etc.

      Até 1994, onde parece, o ponto foi encontrado e deu para estabilizar primeiro, para estabelecer como crescer com estabilidade e com contas públicas fora do terreno desconhecido das AROs e dos empréstimos para e de bancos estaduais.
      Deu para descobrir que não era todo mundo maluco no Brasil. De repente, dava para separar o que era principal, correção monetária e juro. Um batom,deixou de custar três frangos congelados, célebre capa de uma revista, bem antes do Plano Real.

      Hoje, parece, de 2003 para a frente, as autoridades podem ter acreditado em alguma fantasia de potência emergente. Assim, perderam a gana de resolver problemas e assim, não enxergam problemas, exceto os dos outros.

      Perderam a gana de reunir pessoas para discutir o que fazer, como e quando. Parece que nem o que fazer sabem explicitar, exceto contar glórias de uma pretensa hegemonia mundial.

      Um grande país hegemônico, que cresce menos do que todos, tem muito a aprender com todos, mas se promove como motor e palmatória do mundo.

      Malgrado a crise política e a necessidade de definições críticas na economia, o País está morno.

      Exceto pelos interlocutores, em mesas imensas, deixando, talvez, de falar o que deveriam ao menos por dever de profissão. Também pode ser que não falem pela quantidade de participantes. Do primeiro ao último a falar, demandaria muito mais do que algumas poucas horas.

  6. Vamos ser absolutamente claros, focalizando as atitudes gerais, ou seja, genéricas, dos principais agentes da economia brasileira. Chamemos esses personagens, relevantes cada qual em sua esfera, de capitalista agrário, industrial urbano e banqueiro, simplesmente.
    O capitalista agrário tem condições relativas de ser otimista nas circunstâncias atuais: demanda externa sustentada (ainda que possivelmente mais lenta, mas o crescimento da população certamente vai assegurar os mercados para os seus produtos) e vai continuar ganhando bem — inclusive bem mais em valor do que em volume — enquanto os grandes tomadores mundiais (digamos China, por exemplo) continuarem pressionando para cima os preços das suas commodities (o que também se aplica no caso dos minerais, e possivelmente para os combustíveis fósseis, também, mas estes deveriam servir, em princípio, para o próprio crescimento brasileiro.
    Os industriais são uns chorões, mas eles talvez tenham motivos para serem infelizes: o chamado custo Brasil, o câmbio e a China vem destruindo nichos inteiros de mercado, e eles precisam se ajustar a essas realidades, se não quiserem simplesmente desaparecer do cenário. Mas, se formos observar bem as razões, ou origens, de suas agruras, elas não estão na China, ou muito parcialmente (mas isso vale para o mundo todo, e não tem a ver com o Brasil especificamente) e tem alguma coisa a ver com o câmbio, mas o câmbio, como todos os demais fatores que infernizam a vida dos nossos protecionistas da Avenida Paulista, têm a ver com condições “made in Brazil”. Ou seja, a origem dos problemas dos industriais tem um nome, e esse nome é “governo brasileiro”. Não há nenhuma dúvida quanto a isso.
    Passemos então aos nossos simpáticos banqueiros. Eles são, por definição e por princípio, hipócritas assumidos, por profissão, e em qualquer país. Eles são, sempre foram, sempre serão aliados de príncipes, de reis, enfim, de quem quer que esteja no poder. Eles são sócios do poder, e vivem dessa intimidade, ou eu diria até dessa promiscuidade.
    Os banqueiros brasileiros, então, têm muito mais motivos para serem, além de hipócritas e mentirosos, oportunistas e sócios da espoliação tributária estatal. No caso do Brasil, eles sempre foram gigolôs dos juros do governo, e gostam de sê-lo, vivem disso, pois é muito melhor depender do governo (que também depende deles) do que sair por aí, pelo mercado, disputando clientes, vendendo cartões de crédito, tentando avaliar financiamentos de industriais suspeitos e indivíduos mais suspeitos ainda. Suspeitos não de roubalheira, mas de inadimplência eventual, com todas essas dificuldades para fazer negócios e pagar juros no Brasil que enfrentam os cidadãos e os empresários. Ser empresário do setor não financeiro é muito difícil no Brasil, se trata de um ato heróico, ou talvez temerário. Melhor ser pastor de igreja, traficante, servidor público, político, corrupto oficial ou… banqueiro.
    O banqueiro, justamente, vive dessa promiscuidade com o governo. Como vamos querer que eles, por qualquer motivo que seja, façam alertas, se preocupem publicamente, recomendem outras políticas? Jamais!
    Qualquer que seja essa política, sólida ou maluca, o banqueiro sempre terá palavras elogiosas, e dirá que o governo está certo, inclusive porque, em qualquer circunstância, faça chuva ou sol, dê certo ou não, o banqueiro sempre ganha, com juros baixos ou altos, pois sabe que o governo, e os particulares, sempre requisitarão seus serviços.
    Não nos enganemos: os banqueiros são hipócritas, mentirosos, oportunistas, promíscuos, por definição. Essa é a profissão deles. Eles precisam ser assim para ganhar dinheiro. E isso desde a Idade Média, na Itália.
    O Brasil, para varia, exacerbou os traços desse tipo-ideal muito pouco weberiano.
    Paulo Roberto de Almeida

  7. Prezado Mansueto,

    Sou leitor assíduo do seu blog e não posso me furtar de comentar este (estapafúrdio) post. Culpar os bancos pela miopia do equipe econômica, meus Deus… Você também é daqueles que acham que todos os problemas se resumem aos bancos e que banqueiros comem criancinha? Outra pergunta, são apenas os empresários do setor financeiro que são otimistas ou são todos os empresários que dão declarações otimistas? Então porque você pegou apenas os banqueiros, fazendo chacota das declarações e descontextualizando-as?
    Todo mundo sempre só fala dos bancos – inclusive muitas vezes com informações mentirosas. Por exemplo, que o setor bancário é o setor mais lucrativo da economia – argumento este desmentido pelos fatos/estatísticas. Concentração de mercado é outro exemplo. Ninguém menciona que há setores com uma concentração bem mais elevada, como 70%. E muito menos que outros países (inclusive os EUA pós crise) tem uma concentração similar a brasileira.
    Enfim, humildemente, terminando dizendo que o seu post foi infeliz – especialmente ao restringir (como outros economistas de analise bem mais medíocre) o problema ao setor bancário. Sinceramente, não esperava isso de você. Como você colocou, seu blog (com todo o mérito) vai atingir 300.000 acessos e, portanto, não cabe mais posts incompletos e maniqueístas.
    Cordialmente e sempre aberto ao debate,
    Fernando

    • Fernando,

      mas quem disse que eu culpo os bancos? talvez eu tenha me expressado de forma equivocada. Primeiro, não tenho absolutamente nada contras os bancos ou contra o setor financeiro, inclusive tenho vários amigos trabalhando em bancos, muito dos quais mais inteligentes e melhor preparados do que eu.

      Segundo, converso com muitas pessoas do setor financeiro e sempre fico impressionado com o conhecimento dessas pessoas. Os analistas financeiros tem conhecimento de detalhes e por isso que confio nos bancos para aplicar meu dinheiro.

      O tema do meu post não tem absolutamente nada a ver com criticas aos bancos ou ao setor financeiro. O que queria destacar é que fiquei impressionado com o pessimismo de alguns analistas de bancos quanto ao comportamento da economia quando não leio isso nos relatórios de conjuntura dos bancos nem tão pouco escuto isso dos diretores e presidentes dos bancos no Brasil que estão razoavelmente otimistas. Eu inclusive mais concordo do que discordo da analise otimista sobre o Brasil no curto-prazo.

      Não tive a intenção de fazer chacota. Se dei essa impressão, peço desculpas. Os empresários do setor industriais estão pessimistas e acham que o mundo vai acabar. Os empresários do setor de serviços e agricultura estão otimistas e com razão falam bem do governo. As declarações que leio dos banqueiros são otimistas; mas o que escuto dos analistas de bancos é um cenário mais para pessimista.

      Novamente, não tenho nada contra bancos, não acredito nem aqui nem no resto do mundo em complô do setor financeiro e admiro a competência das pessoas do sistema financeiro. Novamente, as pessoas que conheço do setor financeiro são pessoas extremamente técnicas e bem preparadas.

      O que quis destacar no blog é que alguns grandes amigos meus do setor financeiro estavam criticando a equipe econômica por ser míope,quando, na média, essa equipe e governo estão sendo aprovados pela sociedade (já falei publicamente que discordo deles). Nessas circunstâncias, acho difícil mudanças radicais, como o BACEN passar a perseguir a meta de 4,5% a todo custo, a não ser com um piora substancial da conjuntura econômica. Mesmo não concordando com muitas coisas que a equipe econômica faz, acho complicado atirar pedras neles, levando em conta que esta equipe participa de um governo de elevado índice de aprovação e que a classe alta, nédia e baixa mais elogia do que critica o mix de politicas.

      Desculpe se dei a impressão de estar atacando os banqueiros. Sinceramente, não tive essa intenção. Ao contrário, o que os executivos dos bancos estão falando vai ao encontro do que a sociedade está falando e radicalmente diferente do pessimismo da indústria. É justamente por isso que me espantei com o tom pessimista dos meus amigos analistas econômicos de bancos, os quais respeito muito.

      Por fim, obrigado por me escrever e me alertar sobre o tom maniqueísta do post. Vou ter mais cuidado daqui para frente.

      • Nao acho que as entrevistas de pessoas do alto escalão bancário necessariamente reflitam a opinião verdadeira dessas pessoas. Numa canetada, o governo pode prejudicar os acionistas dos bancos em bilhões de R$. Na Argentina, quem reclama do governo vai a bancarrota. No Brasil, ainda há ALGUM espaço para criticas. Mas é melhor tomar cuidado com o que se fala, a presidente e seu politburo podem revidar! Quem já trabalhou em banco sabe que nao se pode criticar o governo abertamente sem restrições. Como esse governo tem um viés autoritário claro, as restrições sao redobradas. No caso dos altos executivos, quadrupliadas! Parabéns pelo blog. Nao achei o tom do artigo maniqueista, talvez ingênuo. Lembra do que aconteceu com o alexandre schwartzman? Ou com o agnelli que só quiz defender o acionista? O buraco é mais embaixo…

  8. Mansueto,

    Entendi sua análise, sobre a discrepância entre as análises dos funcionários e as opiniões de seus líderes.

    Porém, na minha humilde opinião, e até por já ter trabalhado em banco, posso te afirmar que, se um dia um banqueiro começar a falar que a coisa está ruim, e pode ficar pior, muitas pessoas irão analisar melhor os riscos que correm, e daí para uma corrida aos bancos a distância pode ser bem pequena…

    É o tal dos risco sistêmico. Se aparecem declarações de incerteza sobre quem guarda seu dinheiro, muitos preferem fugir daquele banco do que analisar a realidade com mais cuidado… Ou seja, é mais um item para análise via finanças comportamentais do que macroeconomia. Abraços!

Os comentários estão desativados.