Novas Medidas de Política Industrial

Neste último domingo, o jornal estado de São Paulo trouxe reportagem de algumas novas medidas em estudo pelo governo para complementar o Plano Brasil Maior, a política industrial que teve início em agosto de 2011. A ideia (clique aqui) seria isentar de importação uma série de componentes e máquinas que seriam utilizados na produção de produtos de elevado conteúdo tecnológico: semicondutores, TV digital, telecomunicações e computadores pessoais.

Esse estratégia (na minha visão) parte do pressuposto de que há algum benefício do tipo learning-by-doing em fabricar produtos de elevado conteúdo tecnológico, o que não é necessariamente verdade. Pode ocorrer ou não. Onde está o estudo com essas hipóteses? Por que é mais importante para o Brasil fabricar computadores pessoais do que, por exemplo, máquinas pesadas para indústria extrativa?

Acho que, cada vez mais, a  preocupação do governo parece ser em internalizar cadeias de produção de produtos de elevado conteúdo tecnológico, o que não faz muito sentido se o objetivo for a simples montagem desses produtos no Brasil.  O Brasil é um país caro e, assim, acho difícil que estratégias do tipo “vamos montar Ipads no Brasil” sejam bem sucedidas.

Se queremos apostar na indústria, talvez seja o caso de apostar naquelas cadeias produtivas que de alguma forma estão ligadas as nossas vantagens comparativas (como os setores fornecedores da indústria de petróleo e gás, máquinas e insumos para agricultura e insumos para indústria extrativa mineral). O excelente artigo do economista José Roberto Mendonça de Barros sobre a competividade da agricultura brasileira neste domingo no Estadão vai nesta direção (clique aqui).

E para terminar, a ex-assessora do presidente Obama, Christina Romer, publicou um excelente artigo neste domingo no “The New York Times” (clique aqui) no qual a economista questiona os motivos que justificariam os EUA adotarem uma política industrial. O artigo está bom e muitos dos argumentos e contra-argumentos sobre a necessidade de uma política industrial poderiam ser igualmente aplicados a outros países.

5 pensamentos sobre “Novas Medidas de Política Industrial

  1. Que este debate ainda esteja sendo discutido no Brasil é deprimente. Somente idiotas clínicos podem achar boa a idéia de internalizar a produção de Ipads e similares no Brasil, sabendo de nossa história com o protecionismo e a lei de reserva de informática. Mas esse é o nosso destino: ser governados por idiotas clínicos… a realidade, Mansueto, é que nós somos cidadãos de um país de quinta categoria, quem escolhe ser brasileiro (sim, é uma escolha, porque migrar é uma opção) merece apanhar mesmo. País de merda.

  2. Pouquíssimos comentários nesse tema. É uma pena, mas não chega a ser surpresa. Parece que existe largo consenso em nossas terras sobre o inquestionável mérito de se ter política industrial. No máximo alguns acharão que certas políticas são menos certas do que outras. Eu já sou mais radical, e se me permitem a dupla citação, quando ouço falar de política industrial tenho vontade de sacar o meu … deixa prá lá. Há muitas maneiras de o governo propiciar melhoria no cenário industrial, só fazendo as coisas que lhe competem: zelando pela segurança em geral, baixando os custos de transação, criando um clima de confiança nas leis, criando infraestrutura comum, reduzindo gastos e baixando impostos. Já a tal Política Industrial diz respeito a subsídios, tratamento desigual, privilégios a uns em detrimento de outros, na suposição de que uma casta de sábios possa, a partir do planalto central e baseada em critérios políticos, tomar decisões socialmente melhores do que as advindas da busca do melhor lucro por agentes privados autônomos.

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