Meritocracia: Ricardo Paes de Barros (PB)

Aqueles que acompanham este blog sabem que, raramente, trato aqui de coisas que tenham alguma relação com o IPEA para não confundir opiniões pessoais com assuntos institucionais. Hoje, vou abrir uma exceção merecida para falar de um economista, Ricardo Paes de Barros (conhecido como PB), que é do quadro do IPEA e está cedido à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), que é o Ministério ao qual o IPEA está vinculado.

Não sou amigo pessoal do PB e estive com ele umas poucas vezes. Mas ele é um daqueles raros economistas que tem o seu trabalho reconhecido por todos como de fundamental importância para a melhoria das politicas sociais no Brasil. É talvez o economista mais respeitado dos quadros do IPEA e um dos pesquisadores mais admirados do IPEA na academia. Não seria exagero afirmar que suas publicações contribuíram em muito para o bom nome do IPEA.

No entanto, apesar do seu currículo e pelo respeito natural que impõe nos economistas de dentro e de fora do IPEA, a impressão que tinha é que, nos últimos anos, ele estava demasiadamente “escondido” na sua sala no IPEA do Rio de Janeiro (O  IPEA tem apenas duas unidades: uma em Brasília e outra no Rio de Janeiro).  Assim, fiquei feliz quando li a notícia que reproduzo abaixo da coluna do Guilherme Barros na revista ISTOÉ Dinheiro:

“O economista Ricardo Paes de Barros, do Ipea, participou de uma reunião do governo, levado por Moreira Franco, e Dilma ficou muito impressionada com ele. Ela determinou que Barros integre o grupo ministerial que vai tratar da coordenação de ações da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social para elaboração de um programa integrado para atender à criança.”

É excelente para o Brasil ter uma pessoa como o PB envolvido diretamente nas discussões de programas de governo. Ponto para presidenta Dilma e para o Ministro Moreira Franco que valorizaram a meritocracia.

A propósito, leiam anexa a entrevista que o PB deu à revista Época, em dezembro de 2011, sobre pobreza e infância. Talvez, ele subestime um pouco o custo desses programas e questões de economia política na definição de prioridades (a politica do salário minimo “come” o espaço fiscal desses outros programas), mas o diagnóstico dele é claro e mostra o que devemos fazer para reduzir a pobreza.

10 pensamentos sobre “Meritocracia: Ricardo Paes de Barros (PB)

  1. Prezado Mansueto, confesso que não me empolguei lendo a entrevista do ilustre PB. O custo será mínimo, afirma ele; você acha que ele subestima um pouco o custo. Eu acho que o governo atual simplesmente não tem estofo para isso. Vamos acompanhar de perto. Com certeza ideias não faltarão para um empreendimento dessa envergadura.

  2. Meus caros,
    O que mais me assustou neste post é o relato sobre o assombro da Dilma com o PB. Concordo plenamente com o post. O PB é respeitadíssimo (tanto aqui quanto fora do Brasil) e é, há muito, o principal economista brasileiro em relação a políticas sociais. Não é assustador que a presidente, com um suposto perfil técnico, não soubesse disto de antemão e se surpreendesse? Mais, dado o perfil do PB, eu sempre acreditei que ele não tinha maior inserção no governo porque não quissesse, não porque não tinha sido convidado.
    Saudações

    • Prezado Claudio,

      Esse ponto que você levanta é realmente assustador, considerando que a presidente é uma economista que teria, supostamente, completado os créditos de matérias para mestrado e doutorado.

    • Prezados,

      Só para esclarecer esse ponto do suposto “recente” assombro da Dilma com o economista Ricardo Paes de Barros: na biografia da Presidenta, escrita pelo jornalista Ricardo Amaral (“A Vida Quer É Coragem”, página 246), há o relato de uma reunião com ele, solicitada pela Dilma, já durante a campanha de 2011. Ou seja, a reunião citada pela Revista IstoÉ Dinheiro certamente não foi o primeiro encontro entre a Presidenta e o economista, como faz parecer o relato do repórter.

  3. Essa política visando a criança não incentivaria a natalidade?
    A melhor forma de reduzir a pobreza não seria oferecendo emprego, veja, miséria poderia ser sinônimo de mão de obra barata, desde que eliminássemos os direitos trabalhistas.Essas pessoas fariam um serviço que não exige alta instrução, as próprias empresas se encarregariam de fornecer o treinamento necessário.
    Assim essas pessoas poderiam melhor pelo esforço próprio, o Estado pode sim ajudar, mas acredito que a melhor ajuda que ele pode dar é não atrapalhar, com essas políticas de ”proteção” aos pobres o que acaba resultando é desemprego.
    Você poderia sugerir algum estudo que trate dessas questões de redução de pobreza?

  4. Caros,
    Se a desigualdade tiver mesmo como um dos componentes a situação dessas crianças que vivem em famílias pobres; se de fato o momento mais adequado para mitigá-la é até os cinco anos de idade e se existem políticas públicas passíveis de integração, parece importante fazê-lo.
    De saída, tendo a acreditar que o custo da integração das políticas seja financiável pelos inúmeros programas existentes nos ministérios. Nem vou incluir estados e municípios.
    Além do orçamento público, existem possibilidades de parceria, muito pouco exploradas. Fico somente no exemplo do trabalho da Pastoral da Criança, para não me alongar.
    Independentemente da “qualidade” das políticas e da definição da condição de pobreza, que salvo engano, trata das pessoas que recebem até R$ 140 mensais e que flagrantemente mascara o quantitativo de pessoas que vivem em situação de pobreza absoluta no Brasil, acredito que passou da hora de fazer mais.
    O aumento da velocidade da redução da desigualdade no Brasil, que diga-se de passagem, ainda é muito alta, demandará soluções inovadoras, elaboradas de outra forma, por gente que entenda do assunto. A integração de políticas é uma delas, talvez a mais urgente. Por que isso ainda não foi feito? Difícil responder. O fato é que as experiências estão aqui mesmo, como o próprio PB citou.

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