Acabou a Unanimidade do Cenário Cor de Rosa

Hoje, a A.C Pastore & Associados liberou seu mais novo relatório (para assinantes) e acabou com a unanimidade entre economistas que já foram diretores ou presidentes do Banco Central, como, por exemplo, Armínio Fraga (Gávea Investimentos) e Sérgio Werlang (Itaú/Unibanco). Pastore e sua equipe trabalharam com doze cenários e utilizaram até hipóteses conservadoras: (i) manutenção da meta cheia do primário; e (ii) não expansão do crédito público como aconteceu em 2008/2009.

As diferenças entre os vários cenários decorrem das sensibilidades estimadas do nível de atividade em relação à taxa de juros (potência da política  monetária),  cenários diferentes para expectativa de inflação e queda adicional no preço das commodities, se uma queda de mais 5% ou uma queda de mais 10%.

Pastore e equipe trabalham com doze cenários quase deixando implícito algo do tipo: “vou fazer de tudo para ver se consigo chegar ao cenário positivo de meus colegas” e, infelizmente, ele não consegue.  No cenário mais positivo, no qual a política monetária tem forte impacto sobre o nível de atividade, a queda no preço das commodities é de 10% e as expectativas de mercado convergem para o centro da meta de inflação, em 2012, mas a inflação volta a subir em 2013.

Nos demais cenários, o que prevalece é que, com intensidades diferentes, a recuperação da economia já começa no últimos trimestre de 2011, a inflação fica acima do centro da meta no próximo ano e o BACEN tem que começar um cenário de elevação da taxa de juros já em 2012, caso contrário, a inflação corre o risco de atingir o teto de meta (6,5%) em 2013.

Cenário nada animador de uma consultoria que tem umas das pessoas mais competentes do Brasil, o professor Affonso Celso Pastore, e que está no seletíssimo grupo de economistas que consegue a proeza de unir modelos teóricos abstratos com a realidade.  A boa notícia é que de fato, ano após ano, a taxa de juros real neutra no Brasil (aquela que iguala o PIB real ao PIB potencial) vem caindo e, segundo A.C Pastore & Associados, hoje está por volta de 5,5% a 6% ao ano.

Façam suas apostas porque, com esse relatório de hoje da A.C Pastore & Associados, a unanimidade de ex-diretores e ex-presidentes do Banco Central de que o Brasil estava entrando em um cenário positivo de baixa taxa de juros convergindo para taxa de juros internacional foi por água abaixo.

7 pensamentos sobre “Acabou a Unanimidade do Cenário Cor de Rosa

  1. Então deveria dar uma má notícia: Pastore um dos piores gestores do Banco central que o país teve. Você já tinha nascido naquela época?

    • Sim, já tinha nascido; mas como nasci em 1967, não participava do debate. Só que há uma grande diferença entre ser bom gestor e ser bom economista. Ele é um dos melhores economista que o Brasil tem e foi professor de vários economistas mais novos que fazem projeção.

      “Gestão” é outro departamento e conheço bem esse problema na pele. Não teria medo algum em colocar toda a minha poupança em um fundo que seguisse as orientações do professor Pastore.

  2. Nossa, e eu que sou de 1960…mas tudo bem, nos anos 60 eu só brincava (já de banco…rs…rs…)

    Quanto ao Pastore, ele é realmente muito bom, e usa bem os modelos…o problema é que a realidade insiste em ir muito além dos modelos…ou de nossa capacidade de modelagem na mesma velocidade em que a realidade muda…

    • Sim,

      tenho que concordar que nem sempre os modelos conseguem traduzir exatamente a realidade. Mas ninguém melhor do que o Pastore para tentar extrair o máximo desses modelos. Muitos amigos meus se perdem nos modelos.

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