O Dilema Fiscal e os Juros

Ontem convesei com Ribamar Oliveira que escreveu uma coluna interessante, como de praxe, no Valor Econômico. O problema da nossa conjuntura atual é mais ou menos o seguinte. O Brasil terá uma grande economia com juros, mas se gastarmos essa economia, como fizemos em 2009, a inflação volta e os juros voltam a subir quando a crise passar. No caso atual a inflação nem precisa voltar porque já está elevada – Alexandre Schwartzman puxa a orelha do Banco Central hoje na sua coluna no Valor.

Qual a opção que temos? Infleizmente, ser mais econômico hoje para aumentar a velocidade de redução da divida liquida do setor público e, assim, transformar a queda forçada dos juros em queda permanente. Isso vai acontecer? não sei, mas Ribamar explica bem  o debate. (clique aqui)

Infelizmente, no caso do Brasil, para chegarmos ao Céu teremos que passar pelo purgatório.

 

9 pensamentos sobre “O Dilema Fiscal e os Juros

  1. Muito bons os dois artigos. Aliás, Alexandre Schwartzman esteve ontem no Conta Corrente da Globo News e foi perguntado se o BC errou antes e acerta agora. O vídeo está no Blog Mão Visível.

    Mansueto

    Li outro dia notícia a respeito dos lucros do FGTS. Parte dele, não sei qual, advém de aplicações em LTF. Daí, eu lembrei do seu post “Para onde foi parte do meu dinheiro emprestado ao BNDES?”,de 08/11/2011.

    Hoje, li a notícia “Fundos de estatais terão de trocar LFTs
    Estatais darão início a troca de LFTs por títulos prefixados”
    Autor(es): Por Luciana Otoni e Marcelo Mota | De Brasília e do Rio
    Valor Econômico – 01/12/201

    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/1/fundos-de-estatais-terao-de-trocar-lfts/?searchterm=fgts

    Reparei isto:

    “Outros dois grandes fundos pertencem à Petrobras e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mas esses possuem resoluções específicas e NÃO terão que fazer a troca dos títulos pós-fixados. Os fundos extramercado obrigados a trocar LFTs por títulos prefixados possuem carteira total de R$ 64 bilhões em títulos federais. Desse montante, 96% são LFTs.”

    Resumo

    No seu post do BNDES a questão :

    “Se essa sobra de caixa estiver sendo utilizada para o pagamento de dividendos, isso é um evidente absurdo já que o banco, que precisa de empréstimos do Tesouro, estaria ao mesmo tempo aumentando o pagamento de dividendos ao Tesouro e, assim transformando uma divida em receita primária.”

    Na notícia do lucro do FGTS:

    “Em 2010, o lucro líquido oficial do FGTS foi de R$ 5,4 bilhões, mais de duas vezes os R$ 2,5 bilhões do ano anterior. Somando os R$ 4,1 bilhões que o governo usou para subsidiar a fundo perdido a construção de casa populares e os R$ 3,5 bilhões referente a correções de planos econômicos, o lucro real teria sido de R$ 13 bilhões.

    Esse montante representa mais que o triplo dos R$ 3,8 bilhões registrados pela Caixa Econômica Federal, gestora do FGTS.”

    Minha pergunta

    Essa receita “extra” do governo, conseguida com as transferências do Tesouro para o BNDES + a expropriação [esse é o nome, convenhamos] de parte substantiva dos lucros auferidos com os recursos do FGTS entram, e em que proporção, no caixa do governo para fazer recita primária? Se sim, é possível estimar quanto esses valores representam no conjunto?

    Abs.

  2. Olá Mansueto,
    Não seria mais adequado utilizar o conceito de dívida bruta do setor público ao invés de dívida líquida do setor público para mensurar o impacto que a redução da SELIC terá na conta de juros?
    Eu digo isso porque o conceito de DLSP produz algumas ilusões, por exemplo, o aumento de reservas internacionais sendo ativos do setor público reduz a DLSP porem não gera necessariamente o mesmo efeito na dívida bruta dada a diferença entre a remuneração dessas reservas internacionais e a remuneração dos títulos públicos que são emitidos para gerar o processo de esterilização!
    Inclusive, eu li recentemente um artigo do José Roberto Afonso que ele discute porque a conta de juros não tem diminuído na mesma intensidade que a redução da SELIC.
    Abraço!

    • Cristiano,

      você tem razão. O ideal é trabalhar com o conceito da Divida Bruta ou olhar os dois indicadores: Divida Bruta e Liquida. Ma se tivesse escolher um pensaria na divida bruta. Os dados de economia com juros e redução da DLSP foram repassados ao Ribamar pelo BACEN e, asism, acabei pensando também apenas na DLSP.

      Mas nesses anos de acumulação brutal de reservas e operações de credito direcionadas, aumentou a importancia da Divi Bruta. Mas mesmo quando olhamos apenas para DLSP, conseguimos captar esse efeito — a taxa de juros implicita fica menos sensivel às reduções da SELIC.

  3. Inclusive Mansueto eu vejo que o governo brasileiro deveria utilizar o conceito de dívida bruta para fazer comparações com o resto do mundo como a maioria dos outros países fazem. Em algumas declarações do Min. da Fazenda se percebe que ele utiliza convenientemente o conceito de dívida líquida em vez do conceito de dívida bruta exatamente porque a dívida líquida tem diminuído mais rapidamente que a dívida bruta. Eu percebo que as vezes o governo brasileiro compara a dívida líquida brasileira com a dívida bruta de outros países, o que é certamente errado! hehehehe! Abraço!

  4. Mansueto, por falar em inflação, gostaria de ler sua opinião sobre as novas ponderações para o IPCA. Acho natural o fato em si, mas os argumentos que ouvi me parecem um pouco estranhos…

    Abs

  5. Mansueto: necessário explicar que os juros de mercado (curva de juros de mercado) cederam primeiro (a selic acompanhou). Não foi a queda da selic que fez os juros cederem (foi o contrário). Como sempre o mercado financeiro antecipou-se (previu queda das atividades e os juros acompanharam). Em julho o DI 360 estava em 12,58% (a selic foi para 12,5%); em Ago. o DI 360 caiu para 11,22% (a selic foi para 12%); em out. o DI 360 caiu para 10,3% (a selic foi para 11,5%); em Nov. o DI 360 foi para 9,66% (a selic foi para 11%). Necessário ficar claro (principalmente para os “desenvolvimentistas”) que com uma conjuntura prospectiva ascendente (e inflação) uma queda da selic faria os juros de LP subirem (e os custos de captação das empresas e do TN idem). Não podemos deixar ficar parecendo que basta o BC baixar a selic que as taxas de juros (e os custos do TN) cederão (tem muito “desenvolvimentista” que escreve isto). O COPOM optou por uma política monetária preventiva na primeira queda da selic (mais arriscada) quando sempre atuou tempestivamente (foi uma mudança de critério). O Alex não concordou (seus argumentos são muito fortes). Sabemos que no futuro a selic deverá voltar a subir (ele tem razão neste ponto).

    CUSTO MÉDIO DA DPF (Fonte TN).
    Custo médio mensal Custo Médio 12 meses
    Dez./09 Dez. /10 SET./11 Dez./09 Dez./10 SET./11
    LFT Selic 8,66 10,66 11,90 9,96 9,78 11,50
    LTN pré (i venc.) 11,23 11,33 12,35 11,72 11,06 11,77
    NTN B IPCA 12,17 14,64 13,76 12,34 13,59 14,74
    NTN C IGPM 6,58 18,40 18,68 7,82 22,17 18,02
    NTN F pré (i sem.) 12,66 12,52 12,58 12,64 12,49 12,56
    DPF externa -0,72 -13,45 463,69 -13,01 6,42 17,91
    SELIC INADEQUADAMENTE BAIXA AUMENTA O CUSTO DA DÍVIDA PÚBLICA (VIDE CUSTOS IGPM).

  6. Acessei esses dias um site muito interessante que mostra o quanto pagamos em juros e se reduzíssemos para o que ele poderia ser usado.
    Uma excelente ferramente para ficarmos de olho nessa situação que o Brasil vem enfrentando.
    Vamos ficar de olho. Link do site: http://www.jurometro.com.br/

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