Empreendedorismo e crescimento local

Não conhecia o site dessa revista – City Journal – que traz muitos artigos interessantes. Cheguei a esta publicação por indicação do blog The Drunkeynesian para um artigo do Luigi Zingales sobre o declínio da meritocracia. Este artigo é muito bom, mas escrevo aqui para indicar três outros artigos do economista e professor de Harvard Edward Glaeser.

O ponto chave desses três artigos do Glaeser é debater porque algumas cidades tiveram sucesso em se reinventar várias vezes, como é o caso de New York, e porque outras como Detroit amargam há anos uma decadência longa e consistente, apesar de várias tentativas de o governo reinventar essa cidade.

No artigo mais recente (clique aqui), Glaeser mostra a importância do empreendedorismo para a  economia americana e destaca que, de 1996 a 2008, as novas empresas criaram liquidamente 2,9 milhões de empregos a cada ano; enquanto as demais empresas (com exceção de dois anos) destruíam postos de trabalho. O ponto de Glaeser é simples e direto: um ambiente que estimule a abertura de novos negócios tem o poder de criar uma legião de empreendedores que, eventualmente, conseguirão descobrir novos negócios e sair da crise. O governo não teria esse poder de reinventar cidades porque, em geral, escolhe salvar indústrias decadentes à qualquer custo. O texto é rico de exemplos e de fácil leitura, mas está em inglês.

Nos outros dois textos (start up city and the reinventive city), Glaeser foca na história da cidade New York e como a cidade superou diversas crises econômicas. No período mais recente, por exemplo,  antes de ser um pólo de firmas no  mercado financeiro, New York era um pólo de empresas de têxtil e confecções. No entanto, no final dos anos 60 essa atividade entrou em crise e, de 1968 a 1975, a cidade perdeu 400.000 empregos industriais. O boom do mercado financeiro foi um movimento não planejado e que prosperou (talvez demais) e reinventou a cidade. Com a crise atual, novas atividades surgirão embora ninguém saiba qual ou quais atividades.

Na análise de Glaeser uma coisa é certa: não é o governo que vai descobrir essas novas atividades nem tão pouco as grandes empresas. E o caso de Detroit é o exemplo de que nem sempre “salvar a indústria” é a coisa certa. Segundo o economista, as várias tentativas de o governo socorrer a indústria automobilística desde os anos 70, ao invés de trazer prosperidade para a cidade, ajudou a matar o pouco de empreendedorismo que ainda existia. A cidade que já teve perto de 2 milhões de habitante, em 1950, hoje tem 750.000 e continua em decadência.