Como anda o ajuste Fiscal de 2011?

Fiz na semana passada uma nota rápida sobre o ajuste fiscal deste ano para mostrar que: (1) infelizmente, o governo não conseguiu economizar o que esperava com despesas obrigatórias; e (2) no caso das despesas discricionárias a tesoura caiu sobre o investimento público e não sobre o custeio como já era esperado.

Já disse isso milhares de vezes, mas não custa repetir. No Brasil, não há como fazer ajuste fiscal rigoroso, no curto prazo, que não seja cortando o investimento público. Foi assim em 1999, em 2003, e novamente em 2011. É muito difícil cortar despesas de custeio e muitas dessas despesas crescem automaticamente com o crescimento do PIB e da arrecadação como é o caso das despesas com educação e saúde.

Assim, o que nos salvou este ano não foi a economia do lado da despesa, mas a surpreendente arrecadação inesperada de R$ 44 bilhões. Até outubro, a receita cresceu 20%, uma taxa muito acima do crescimento do PIB. Sérgio Lamucci do Valor Econômico (clique aqui) fez uma boa matéria ontem sobre a nota que fiz  e o editorial principal do Estado de São Paulo de hoje faz também uma competente análise desse debate (clique aqui). Quem quiser ler a nota (muito simples) pode clicar aqui.