Expansão do crédito e estabilidade do investimento?

Do artigo do Armando Castelar (FGV-IBRE) hoje no Valor (clique aqui):

Nos últimos quinze anos aumentou muito a disponibilidade de financiamento a baixo custo pelo BNDES: de 1,0% do PIB em 1995 para 4,6% do PIB em 2010. Neste ano, a TJLP, descontada a inflação, foi zero. O impacto no investimento da alta na oferta e da queda no custo de recursos foi nulo: em 2010, a taxa de investimento (18,4% do PIB) foi igual à de 1995 (18,3% do PIB). Com isso, tudo que se conseguiu foi quintuplicar a razão entre os desembolsos do Banco e a taxa de investimento, de 5% em 1995 para 25% em 2010. Mudou a forma de financiamento, mas não o ritmo de inversão. A reação das empresas à maior disponibilidade de recursos baratos não foi investir.”

Sim, acho que isso é uma forma light do Armando levantar a seguinte hipótese: o crescimento do crédito público via BNDES deslocou (ou expulsou) os mecanismos privados de financiamento do investimento. E para onde foram esses recursos privados que antes financiavam o investimento? para financiar a dívida pública, afinal, alguém do setor privado precisa financiar o governo a uma taxa de juros mais elevada para que o governo possa financiar a um custo mais barato o próprio setor privado.

3 pensamentos sobre “Expansão do crédito e estabilidade do investimento?

  1. Daí a premente necessidade de que a taxa básica de juros, assim como a taxa de inflação (indexadores maiores dos papéis federais) caiam. E dessa forma, criar condições para que o setor privado assuma mais riscos.
    Em suma: rigor e controle fiscal combinados com o afrouxamentio da política monetária, buscando a formação de superavits primários.
    O objetivo do governo Dilma parece ir nessa direção, o que será ótimo para a sociedade.

    Um abraço

    • Sem dúvida será ótimo porque nós somos uma anomalia em questão de pagamentos de juros: 5,4% do PIB. O problema é que se exagerarmos na redução dos juros antes que a inflação seja controlada, isso poderá gerar um outro problema: mais inflação. Mas vamos esperar para ver e torcer para que o BACEN tome as decisões corretas e que o Tesouro Nacional cumpra com sua parte.

  2. A média internacional recente pelo que li é algo próximo a 1% do PIB. Mas essa média deve estar influenciada pelas taxas baixas devido à crise. Vou procurar uma estimativa melhor e te aviso. Quando falei de nossa anomalia estava comparando com a média internacional. Vou checar e prometo retorno.

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