O Problema da Indústria

Acho que o gráfico abaixo do texto do economista Jorge Arbache sintetiza bem o dilema pelo qual passa a indústria brasileira. Vale a pena ler o texto completo no qual o autor investiga de que forma  as mudanças demográficas em curso no Brasil podem impactar nossa competitividade e a disponibilidade de mão-de-obra (clique aqui).

Nas palavras do próprio Jorge quanto ao gráfico abaixo: “A Figura 9 mostra o custo médio da hora trabalhada na manufatura em países emergentes em 2002 e 2008 e a sua taxa de crescimento. Observa-se que, primeiro, em 2008, o custo da hora trabalhada no Brasil já era comparável ao da Polônia e Taiwan, países com capital humano muito superior ao do Brasil e que, segundo, os salários em dólar cresceram muito mais rapidamente no Brasil do que nos demais países. De fato, em apenas seis anos o custo da hora trabalhada em dólar aumentou 174%. O custo do trabalho no Brasil não apenas é substancialmente maior do que na China, mas o hiato aumentou no período, o que ajuda a explicar porque esse país vem inundando o Brasil com as suas manufaturas.

Dado que não se consegue aumentar rapidamente a produtividade da mão-de-obra, o que fazer para que a indústria no Brasil fique mais competitiva? mais subsídios? mais proteção? maior desvalorização do Real ? uma combinação dessas políticas? aumentar tributos do setor agrícola e de commoditties? ou simplesmente aceitar que a indústria vai perder participação no PIB e nas exportações?

Um pensamento sobre “O Problema da Indústria

  1. Morei nos EUA por alguns anos. Meus filhos e minha primeira esposa todos moram lá. Tinha uma pequena empresa. Pois bem, estou no Brasil e moro no Nordeste. Aqui tinha também uma pequena empresa. Tinha, fechei.

    Quando, ainda que sem cuidados e aparatos precisos, comparo as duas épocas e as duas empresas e o fundo (o ambiente tributário) percebo claramente que o custo-Brasil é uma loucura.

    Eu entendo a razão pelas quais os Chineses podem e devem inundar o mercado brasileiro.

    O que fazer para que a indústria fique mais competitiva? Bem, acho que poderíamos fazer uma análise sim, essa criteriosa, da ‘herança maldita’ de Getúlio Vargas, da CLT, do Judiciário (TRT) e não menos, esse paternalismo estúpido da cultura brasileira numa área (indústria) onde é exatamente isso que não deve nunca existir.

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