Qual a lógica de produção de IPADs no Brasil?

Tinha prometido que não iria entrar neste debate. Mas confesso que já fiz de tudo para entender a fixação das autoridades governamentais para trazer a produção de IPADs para o Brasil e até agora não entendi e, sinceramente, gostaria de entender. Isso seria possível se alguém do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Ministério da Indústria e Comércio (MDIC) e/ou do BNDES se dispusesse a colocar no papel qual a estratégia de atrair a Foxconn para o Brasil e o que o país ganha com isso que não seja a simples montagem de produtos eletrônicos.

A ideia é interessante: o governo dá incentivos e traz para o Brasil a montagem de um produto que, supostamente, envolve elevado conteúdo tecnológico, elevado valor adicionado e cuja produção poderia até servir de plataforma de exportação para outros países da América Latina.

É impossível não fazer um paralelo disso com os objetivos da Lei de Informática: (i) aumento da densidade da cadeia produtiva e da densidade tecnológica do setor de TICs no Brasil, (ii) aumento das parcerias entre universidades e institutos de pesquisa; (iii) aumento da competitividade das empresas brasileiras e maior inserção no mercado internacional, etc. O que de fato se conseguiu com a Lei de Informática?

Segundo avaliação oficial desta lei concluída recentemente e infelizmente não divulgada (mas apresentação em power point está disponível na internet), os autores do estudo contratado pelo MCT ao CGEE mostraram que: a Lei de Informática proporcionou aumento da produção local e do número de empregos gerados; proporcionou aumento da capacidade de inovação com densidade científica e tecnológica relativamente baixa; não teve impacto substantivo na inserção global, não estimulou a entrada em serviços e em segmentos de hardware de maior valor agregado, e a Lei focou no incentivo a produção com efeitos limitados na criação de valor.

Em resumo, a avaliação recente da Lei de Informática mostra que tivemos sucesso em atrair a montagem de produtos, mas isso aumentou ou déficit comercial já que a especialização em montagem envolve importação de componentes como é o caso dos celulares, que são montados aqui com peças importadas. O total de importação sobre o faturamento dos produtos incentivados pela Lei de Informática, por exemplo, passou de 20%, em 2002 e 2003, para cerca de 60%, em 2009.

Ao que parece, a Lei de Informática teve sim alguns efeitos positivos, mas o que se destacou foi muito mais a produção com uso crescente de insumos importados do que o aumento da inovação, agregação de valor e inserção global. Sinceramente, não vejo nada muito diferente na ênfase excessiva que tem sido dada na montagem de IPADs no Brasil pela Foxconn.

Alguns esperam que a Foxconn, ao produzir IPADs no Brasil, empregue mão-de-obra qualificada (engenheiros) e traga fornecedores de insumos, o que levaria a transferência de tecnologia para empresas domésticas que poderiam entrar na lista de fornecedores da Foxconn. Isso faz sentido? Infelizmente, essa expectativa pelo que sei não tem respaldo nem com o modus operandi da Foxconn e nem tão pouco com a organização da cadeia global de um produto como o IPAD.

Em primeiro lugar, a Foxconn opera com fábricas de grande escala, algumas com mais de 400.000 trabalhadores que são verdadeiras fábricas em forma de cidades. Embora a Foxconn seja uma empresa de Taiwan, fez elevados investimentos para montar os IPADs, IPhones e Ipods na China porque tanto a carga tributária (mesmo de 20% do PIB) quanto o custo da mão-de-obra (em dólar) na China são baixos. O Brasil não passa neste teste e, assim, a única forma de sermos competitivos no âmbito global na montagem desses produtos seria com MUITOS incentivos fiscais e financeiros de todos os tipo que se possa imaginar e, por que não, com uma montanha de recursos do BNDES para facilitar a atração da Foxconn.

Segundo, já foi fartamente documentado por quem estudou o assunto que “agregação de valor” não tem absolutamente nada a ver com o “local da produção” e o melhor exemplo disto é justamente o modelo de negócios da Apple e a produção de IPOD (clique aqui), IPHONE e IPAD. Kenneth L. Kraemer, Greg Linden, e Jason Dedrick (clique aqui) estudaram a formação de valor na produção desses produtos e mostraram de forma inequívoca que o valor adicionado na China que produz esses aparelhos é pequeno e que os EUA, que não produzem um único IPAD mas controlam o design, o software e a marca, é quem mais ganha em cada IPAD produzido. O gráfico do texto dos autores acima não deixa dúvidas.

Divisão de Valor da Produção do IPAD – 2010

Fonte: Kenneth L. Kraemer, Greg Linden, e Jason Dedrick (2011)

Do valor total de US$ 499 de um IPAD de 16 GB WI-FI, em 2010, os EUA ficavam com 32% do valor, US$ 162, sendo US$ 150 (30%) da Apple e US$ 12 (2%) de firmas americanas fornecedoras da Apple. O equivalente a US$ 154 (31%) do valor do IPAD era custo dos insumos (produtos) utilizados na sua fabricação. O ganho da China na fabricação de cada IPAD era US$ 8 (1,6%), o valor da mão-de-obra empregada na fabricação dos IPADs e parte dos US$ 27 (5%) do lucro dos fabricantes de componentes cuja nacionalidade não foi identificada.

Quem de fato agrega valor ao IPAD é a Apple. Do valor final do IPAD de US$ 499, o preço de atacado para a Apple é de US$ 424. Desse total, se retiramos o valor dos insumos materiais utilizados no processo de produção (US$ 154) tem-se um valor adicionado de US$ 270 do qual US$ 150 (56% do valor adicionado) termina em Cupertino no Vale do Silício na sede da Apple.

É claro que os cálculos acima do texto do Kraemer et. Al (2011) não tiram em nada o mérito do fundador da Foxconn, Terry Gou,  e da sua espetacular história com a Foxconn. Terry Gou construiu um império com mais de um milhão de trabalhadores e se tornou o homem mais rico de Taiwan a partir de um empréstimo de US$ 7.500 que conseguiu com a sua mãe aos 23 anos de idade. A Foxconn consegui ao longo de sua história despontar não apenas como um grande fornecedor da Apple, mas também de empresas como IBM, HP, DELL e Nokia. É sem dúvida um excelente caso de sucesso para os cursos de administração de empresas como é também a história do Wal-Mart e seu modelo de negócios que revolucionou o varejo e a produção de vários produtos industriais e agrícolas.

Do ponto de vista de política industrial, no entanto, não é tão claro o ganho para o Brasil na produção, ou melhor, na montagem de IPADs graças a incentivos fiscais e financeiros, junto com recursos do BNDES que serão utilizados para viabilizar a ampliação das operações da Foxconn aqui. O que questiono não é o ganho privado para a empresa, mas o benefício social que justificaria a aplicação de recursos dos contribuintes em uma empresa privada.

O melhor seria, talvez, turbinar o funcionamento de fundos de venture capital, uma indústria ainda pequena no Brasil, para fomentar um pouco de Steve Jobs que existe em muitos jovens que, devido a todas espécies de dificuldades para se iniciar um novo empreendimento no Brasil, terminam fazendo concurso público ou indo trabalhar em instituições financeiras.

É claro que do ponto de vista estritamente político, trazer uma empresa como a Foxconn para o Brasil é ganho líquido e certo para os políticos envolvidos no processo: o benefício da entrada de uma grande empresa é sempre acompanhada do aumento de contratações de mão-de-obra, investimentos fixo, etc. e, assim, o benefício é imediato. Os custos para sociedade decorrente do incentivos fiscais e financeiros não são divulgados e só ficam claros ao longo do tempo. É por isso que políticos continuam a fazer uso da guerra fiscal como instrumento de promoção do desenvolvimento local, regional e nacional, independentemente do país e da filiação partidária.

Seria bom para o debate que o governo divulgasse um estudo completo dos custos e benefícios de incentivar com recursos públicos a expansão da Foxconn no Brasil, ao invés de simplesmente falar que “vamos produzir o IPADs”. Se for para produzir o IPAD como a China faz e ficar com apenas US$ 8 do valor adicionado, confesso que não acho isso uma boa estratégia. E há motivos de sobra para se preocupar quando se olha para os resultados da Lei de Informática, que mostra que tivemos “sucesso” para internalizar parte da produção de equipamentos de telecomunicação, mas falhamos na criação de empresas globalmente competitivas.

Fica aqui o desafio para que nós pobres mortais tenhamos acesso a algum estudo de custo e benefício da utilização de recursos públicos para a produção de IPADs no Brasil. Apenas aqueles que estão envolvidos diretamente nas conversas com a Foxconn teriam condições de fazer esse estudo, ou seja, MCT, MDIC e/ou BNDES.

13 pensamentos sobre “Qual a lógica de produção de IPADs no Brasil?

  1. Prezado Mansueto,

    O melhor que o Governo pode fazer para desenvolver um setor de alta tecnologia no Brasil é investir em educação, principalmente em matérias básicas como matemática e ciências desde a tenra idade.

    Qualquer outra tentativa de mascarar essa realidade sob o discurso populista de gerar empregos de alto nível, ser plataforma de exportação de produtos para a América Latina, entre outras coisas, apenas disfarça a triste realidade de verdadeira razão de que enquanto não investirmos pesadamente em educação em todos os níveis, estamos condenados a ser exportadores de matérias primas e de produtos manufaturados de baixo a médio valor agregado e importadores de produtos de alto valor agregado.

    Toda essa discussão sobre a validade da Lei de Informática e subsídios governamentais para determinados setores, apenas fortalece a ingerência do Governo na iniciativa privada, fomenta o clientelismo e alimenta um casta de burocratas que precisa escolher favoritos para deles mais tarde se beneficiar.

    O que mudou em 25 anos de Lei de Informática? Nada. Que lições dela tiramos para estarmos agora incorrendo nos mesmos erros? Nenhuma.

    Por sinal, com o desempenho que nossos alunos (mesmo os de escolas particulares!) apresentam nos testes internacionais na comparação com países como China, Índia e Rússia (só para citar os BRICs) dificilmente reverteremos esse quadro nos próximos 25 anos.

    No Brasil, infelizmente, a história se perpetua como farsa.

    • Mansueto, veja essa matéria no Valor de hoje, que reforça o seu argumento de que a margem para os fabricantes de tablets e notebooks é mínima. Abraço. Marcos Mendes

      Na era do iPad, Quanta luta para lucrar
      Por Bruce Einhorn | Bloomberg Businessweek

      Ampliar imagemJeff Bezos, da Amazon: menor margem de lucro tira a pressão dos fabricantes, mas novo modelo de 10 polegadas poderá ir para a Foxconn, rival da Quanta.
      A boa notícia para Barry Lam: sua empresa Quanta Computer, sediada em Taiwan, é a maior fabricante terceirizada de laptops. Ela produz aparelhos para Hewlett-Packard, Lenovo, Sony e outras grandes marcas. A má notícia: ele ainda depende da área dos laptops. O problema, em poucas palavras, são os tablets. O sucesso estrondoso do iPad da Apple desencadeou o aparecimento de uma grande quantidade de aparelhos concorrentes que corroeram as vendas dos PCs, segundo a empresa de pesquisa IDC. Lam, que fundou a Quanta em 1988, desqualifica a maioria dos tablets, que considera imitações do iPad. “Nós só trabalhamos com clientes que têm um modelo de negócios exclusivo”, diz ele.

      A grande aposta de Lam no mercado de tablets é o Kindle Fire, da Amazon.com, que foi lançado na segunda-feira, por US$ 199. A Quanta está fabricando o aparelho e deverá entregar ao menos 5 milhões deles no último trimestre de 2011, segundo o analista Steven Tseng, da Samsung Securities. Lam não quis comentar sobre seu relacionamento com a Amazon devido a acordos de confidencialidade. “Pelo que você leu sobre o Kindle Fire na imprensa”, diz ele, “o modelo de negócios é muito eficiente”. A Quanta também fabrica o PlayBook para a Research In Motion (RIM), diz Tseng.

      A fabricação de tablets poderá se revelar um negócio de maiores margens para a Quanta do que a de laptops. Nesse setor, onde há muito pouco que diferencie um laptop da HP de um da Dell ou da Lenovo, os clientes da Quanta se concentraram ao máximo em extrair as menores frações de lucros das empresas que lhes prestam serviços. Essa pressão sobre as margens tornou decisivo para a Quanta produzir o maior volume possível de aparelhos. “Tudo girava em torno dos volumes”, diz Tseng. “No passado, não havia problema em ser espremido, porque os volumes cresciam. Mas não crescem mais.”

      Gigante na produção de computadores portáteis, Quanta aposta nos tablets que custarão US$ 199
      A Amazon não está tentando ganhar muito dinheiro com o aparelho. Seu principal executivo, Jeff Bezos, calcula que seu tablet, que tem uma tela de 7 polegadas, será um aparelho de compras de mão que estimulará os consumidores a comprar mais música, blusões e tudo o mais da Amazon. A visão de Bezos tira parte da pressão dos ombros da Quanta, diz Alberto Moel, analista-sênior de Hong Kong da Sanford C. Bernstein. Se você é Barry Lam, “os caras dos PCs vêm para cima de você como um enxame”, diz ele. “Cada dólar que extraem da Quanta é um dólar a mais nos seus lucros. No caso da Amazon, o estímulo para obter o preço mais enxuto não é tão alto porque ela pode ganhar seu dinheiro de outras maneiras.” Moel estima que a Quanta tenha uma margem de lucros bruta de 4,6% sobre o Kindle Fire, comparada a 3,2% com laptops. “Isso pode ser um bom impulsionador dos lucros para a Quanta”, diz Moel. A Bernstein prevê que os lucros crescerão 21% este ano, para US$ 765 milhões, sobre US$ 37 bilhões em vendas.

      Há limites aos benefícios que o novo tablet da Amazon pode trazer para a Quanta, no entanto. A Amazon já está se preparando para mais um modelo do Kindle Fire, desta vez com uma tela de 10 polegadas, mas esse negócio será destinado à Foxconn, concorrente da Quanta, segundo a Samsung Securities e a Bernstein. Para a Quanta, a receita anual gerada pelo tablet da Amazon poderá alcançar até US$ 2 bilhões até 2015, segundo Moel, da Bernstein. Isso não representará, no entanto, mais do que 8% da receita da Quanta.

      Daí a necessidade, para Lam, de estudar suas alternativas. Ele fala entusiasmado da computação na nuvem e se apressou, mais do que outras fabricantes de Taiwan, em atender à crescente demanda por servidores e aparelhos de armazenagem de clientes como Amazon, Facebook e Google. No passado, as empresas compravam seus servidores de marcas de maior destaque, como a Dell ou a HP, mas Lam argumenta que elas podem ter o mesmo resultado ao adquirir servidores de preço mais baixo da Quanta. Esses clientes “não se importam com a marca, não precisam da assistência técnica pós-venda e não querem despesa com equipe de vendas”, diz Lam. Com os servidores, a Quanta contabiliza margens brutas de mais de 10%.

      Mesmo assim, a empresa provavelmente não fabricará enormes volumes de tablets ou de servidores sem marca como no caso de laptops. Isso está empurrando Lam de volta para os braços de seu primeiro amor. Ele tem esperanças de que os ultrabooks – uma nova categoria de laptops superdelgados, que visam se assemelhar ao fino MacBook Air da Apple – terão grande sucesso junto aos consumidores. Grandes fabricantes de PCs, como a Acer, lançarão no mercado seus primeiros ultrabooks este ano e pretendem estrear muitos mais no ano que vem. Apesar da ascensão do iPad e de suas muitas imitações, Lam recusa insinuações de que a era do laptop tenha acabado. “Não, não. Ainda temos uma demanda muito sólida”, afirma ele. “O laptop é um instrumento de trabalho. O tablet nada mais é do que uma tela para exibição de conteúdo.” (Tradução de Rachel Warszawski)

  2. Pingback: Mansueto explica o fetiche da mercadoria do governo « De Gustibus Non Est Disputandum

  3. Não perca seu tempo procurando lógica nas ações desse governo, que é marcado por fetiches: fetiche industrial, fetiche do câmbio, fetiche de conselho de segurança da ONU… Fetiches não têm explicação racional.

  4. Mansueto
    Não existe nenhuma lógica que você possa detectar na ação do governo, ou mais exatamente da presidente.
    Ela apenas ganhou, comprou ou obteve de alguma forma um iPad, se encantou pela coisa, e decidiu, impressionisticamente, que o Brasil PRECISAVA ter aquilo, Quer por que quer, como seu antigo chefe e mentor.
    Ou seja, trata-se de uma espécie de vergonha do atraso, e de obsessão com o lado falso da modernidade industrial.
    NUNCA houve, nem JAMAIS haverá qualquer cálculo racional do governo, em qualquer área sobre a formação de custos e a repartição dos retornos em torno da fabricação de iPads no Brasil. Simplesmente a presidente decidiu que TÍNHAMOS de ter essa oitava maravilha da Apple e assim tudo o que o governo estava fazendo como cálculos era como distribuir os benefícios e prebendas com dinheiro oficial, sempre com sua obsessão de agregação local de valor, que é a mesma motivação que esteve na origem da recente medida do IPI automotivo e de outras medidas de política industrial desse governo e do anterior. Primitivismo econômico no mais alto grau…
    Você certamente se lembra das aventuras em torno de “um computador por criança”, que deveria custa 100 dólares e que obviamente só pode sair pelo triplo disso, depois de muitos abatimentos e favorecimentos ultra-setoriais aos privilegiados de sempre, de uma administração que só trabalha nesse estilo.
    Em outras palavras, não se trata de análise econômica que se revela necessária, e sim de análise psicológica, e eu até diria psicanalitica, ou talvez mesmo psiquiátrica.
    O primitivismo econômico que está por trás desse tipo de voluntarismo econômico é totalmente compatível com o perfil psicológico de quem esquentou algumas cadeiras numa Faculdade de Economia de terceira linha mas que nunca aprendeu realmente nada de economia. Na verdade, revela a esquizofrenia econômica do partido no poder, que vai continuar assim indefinidamente.
    Em outros termos, concordo inteiramente com o Dionatan: não existe nada, absolutamente nada de racional nessa obsessão de uma pessoa que contamina todo um governo.
    Admitindo-se que seus subordinados possuam ainda menor racionalidade econômica do que a chefe, inclusive um ministro que fraudou seu título de PhD — numa das mais vergonhosas ações de qualquer universidade, em qualquer tempo e lugar — não se pode pretender nenhum debate, já não digo racional, apenas de bom-senso, em pessoas que nunca tiveram nenhum,
    Espero não ter sido muito cáustico…
    Paulo Roberto de Almeida

  5. Essa coisa que as autoridades dizem sobre “valor agregado” é apenas um clichê para sair bem na foto, especialmente o mega-ultra-abissal incompetente ministro da Ciência e Tecnologia. Ora, basta ver qual é a quantidade de registro de patentes internacionais anual do Brasil em relação aos seus concorrentes diretos, China e Índia, por exemplo, para não dizer dos EUA que ainda são os líderes. Mesmo que enviemos nossos alunos para fazer pós-graduação no exterior, incentivemos o desenvolvimento de novos produtos e processos de produção, esses coitados vão sofrer e se dar mal se resolverem abrir uma empresa para comercializar seus produtos. Vão esbarrar em legislações tributária e trabalhista anacrônicas que impõem custos de transação altíssimos, mentalidade tacanha da maior parte das autoridades e agentes públicos que vêem o empresário como pária, exploradores da sociedade, e pior, MUITA, mas MUITA corrupção!!!! Se Steve Jobs fosse brasileiro, certamente, ele teria desistido no início e teria virado funcionário público.

  6. Ainda acho que a solução é via mercado. Com um pequeno empurrãozinho.

    Podemos, jocosamente, dividir o mercado de trabalho especializado em duas grandes categorias. A Turma da Saliva e a Turma do Calo.

    Já faz tempo que percebo a predominância da Turma da Saliva. E parte da responsabilidade por isso, acredite se quiser, é da nossa Gloriosa Revolução de Março. Que ocorreu num 1º de Abril.

    Subjugados que fomos por admiradores da Turma do Calo sobreveio a reação da Turma da Saliva. Nossa cultura de eterno colonizado nunca permitiu reconhecer a importância das ciências exatas. Só das ciências humanas. Nessa ótica enviesada, químico com mão cheia de manchas, físico com guarda pó rasgado e engenheiro com sapato cheio de barro é trabalhador braçal.

    Trabalho digno é aquele que você não se suja. O resto é pobre.

    Bom mesmo é usar terno e viver da boca, da saliva. Não colocar mão em maçaneta. Ser servido por garçom. Jamais carregar uma mala. A não ser as Louis Vouiton.

    Me faz lembrar da musica A Banca do Distinto de Billy Blanco.

    Não fala com pobre
    Não dá mão à preto
    Não carrega embrulho
    Pra que tanta pose, doutor
    Pra que esse orgulho

    Educar numa universidade um integrante da Turma da Saliva é muito mais barato do que um da Turma do Calo. A infraestrutura básica é Giz e Cuspe.

    Mas … aparentemente já está sobrando advogado e economista e faltando engenheiro e médico.

    E vai faltar mais. Esse é o empurrãozinho necessário. Muito investimento em áreas com alta demanda por formação técnica. Essa nova demanda deve causar alguma reação no mercado da educação. E se a tal da Mão Invisível do Mercado não se mexer, mais uns empurrõezinhos do governo podem ajudar.

    Não é o seu caso aqui nesse seu blog. E nem nesse post.

    Mas hoje em dia nada é mais parecido com coluna de astrologia do que uma coluna de economia.

    As decisões não são racionais. São políticas. Só políticas. De política partidária. E nisso todos nossos dirigentes desde a redemocratização são iguais.

    Quem cansou fui eu.

  7. Pingback: Foxconn em Maringá: novas questões e o papel da universidade | Paraná Blogs

  8. Gente burra e incompetente nunca produziu nada de útil em lugar algum.
    Por aqui é o fim da picada, acham que tudo pode ser feito por decreto, eliminar a pobreza sem melhorar a educação não melhora a renda, nem a produtividade, por tanto a pobreza tende a aumentar;universidade para todos porem sem professores qualificados nem tempo integral nos estudos produzira muitos Drs. inservíveis do tipo que nunca lerem nada. Agora a presidenta querer fazer inovação tecnológica por decreto e o mesmo que fazer omeletes sem ovos, nada se produz ou se cria por aqui a não ser demagogia.
    A história de pretender produzir para atender Latino-Americana é mais outra idiotize com o custo brasil, a qualidade jamais competirá com ninguém até por escala de produção dos outros, mais ainda tem gente que acha que seremos uma potencia, até a água doce abundante está toda contaminada.

  9. Pingback: Por que os Iphones não são fabricados nos EUA? « Blog do Mansueto Almeida

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