Um Adeus Doloroso e Cedo a Antônio Barros de Castro (professor da UFRJ)

Neste domingo à noite soube da triste notícia da morte do querido professor Antônio Barros de Castro. Ele morreu aos 73 anos de idade vítima de um acidente em sua casa. Uma morte prematura para um homem que não cansava de estudar, dialogar, debater, ensinar e se reinventar. Sim, o professor Castro não era daquelas pessoas que fazem opção por defender grandes teses sem ir a fundo nos assuntos ou mesmo de passar anos falando a mesma coisa como se o mundo não mudasse.

Ele era um ardente defensor de política industrial, mas não de qualquer política industrial. Era um estudioso e crítico do assunto e mudava de idéia à luz da evidência. Lembro-me que em um dos nossos encontros no IPEA, em 2010, ele falava que a China estava tornando produtos eletrônicos em simples commodities e que não mais adiantava ao Brasil tentar simplesmente produzir produtos de maior valor agregado, pois quando pensássemos em fazer isso a China já estaria fabricando esses produtos muito mais barato. Nesta ocasião sugeriu a mim e a outros presente nesta conversa que lêssemos o livro “Dragons at Your Door: How Chinese Cost Innovation Is Disrupting Global Competition”.

Em outra ocasião em que estivemos juntos, em Novembro de 2009 quando fui expositor em um seminário internacional na UFRJ coordenado pela sua esposa Ana Célia Castro e pela professora Eli Diniz, tivemos tempo para conversar longamente em um jantar sobre as criticas e preocupações que havia exposto neste seminário na UFRJ.

Cada vez que nos encontrávamos mais o admirava porque com seus mais de 70 anos ele tinha planos e uma lista de pesquisa que mais parecia de um jovem pesquisador. Era um homem que pensava o Brasil 24 horas por dia e estava disposto a defender suas teses e debater idéias com seu interlocutor. Estava empolgado com seus estudos sobre a China e quando falava de política industrial, ao contrário de muitos, não falava o óbvio.

Fica aqui o meu respeito, solidariedade com seus amigos e família, e saudades de um homem que sempre pensou o Brasil. Um grande pesquisador que nunca saiu do debate e que ainda tinha muito para contribuir com o desenvolvimento de nosso país.

2 pensamentos sobre “Um Adeus Doloroso e Cedo a Antônio Barros de Castro (professor da UFRJ)

  1. Fiquei muito triste com a morte do Professor Antônio Barros de Castro. Na década de 70, tive o privilégio de assistir palestras e de participar de vários seminários que o professor abrilhantava no extinto curso de mestrado em Desenvolvimento Agrícola da EIAP/FGV, ministrado em antigo prédio localizado no Horto Florestal do Rio de Janeiro. Em tal curso, fui aluno de sua esposa, a Professora Ana Castro.
    O professor morreu fazendo o que amava. Em uma tarde de domingo, estava pesquisando.
    Uma grade perda para o País.
    Silmar Pereira Rodrigues
    Brasília – DF

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