O Crescimento do Brasil vs o Programa Brasil Maior

Esta semana, depois de uma troca de e-mails com amigo José Carlos Cavalcanti (UFPE), terminamos escrevendo um pequeno artigo questionando o que limita o crescimento do Brasil e o programa Brasil Maior. É um texto simples de cinco páginas que resolvemos circular.

Tentamos ser o mais claro possível para que não economistas entendam os argumentos do texto.  Destacamos quatro teses no artigo: (1) não há porque inovação ficar restrita a alguns setores; (2) o Brasil pode crescer incorporando tecnologias que já existem; (3) o maior gargalo ao crescimento do Brasil não é a baixa taxa de inovação, mas sim o baixo investimento em infraestrutura; e (4) não há como aumentar a produtividade da economia sem que se olhe para o setor de serviços e, aqui, investimento em educação é fundamental.

Achamos que os incentivos à inovação no âmbito do Programa Brasil Maior são positivos e necessários. Mas o Brasil não precisa modificar a estrutura produtiva para aumentar a sua taxa de crescimento. O desafio maior é aumentar a produtividade em todos os setores ao invés de modificar a composição da estrutura produtiva.

Leiam o texto aqui e comentários são bem vindos.

8 pensamentos sobre “O Crescimento do Brasil vs o Programa Brasil Maior

  1. O texto evidencia o que seria necessário que o governo fizesse, e o que ele NÃO está fazendo. Concordo com a maior parte das sugestões e argumentos do texto e iria até mais além na crítica ao que foi chamado de “Brasil Maior”, mas que na verdade vai ser um “Brasil Menor” no bolso dos brasileiros, pelas razões seguintes:
    Pelo teor das medidas anunciadas pelo governo, eu vi mais, muito mais, do mesmo: mais protecionismo, mais dinheiro para quem já é rico, mais subsídios que distorcem as regras do jogo, mais afastamento dos mercados internacionais, mais dirigismo, mais seletividade, enfim, mais das mesmas políticas de “stalinismo industrial” que vêm caracterizando o Brasil há muito tempo.
    Como vêem, não atribuo grande valor a essas medidas que o governo pretende que sejam eficientes para dar competitividade a setores da indústria que empregam muita gente. Não creio que essas medidas tenham condições de restabelecer a competitividade, inclusive porque não atuam sobre os fatores reais que destroem a competitividade das empresas brasileiras. Para fazer isso, o governo teria de anular-se a si mesmo, pois é ele o principal responsável pelo estado calamitoso de nossa economia.
    Sabem quando isso vai mudar?
    Em algum momento do futuro quando: a) o Brasil entrar em forte crise fiscal; b) a economia for abalada por séria crise de transções correntes; c) os empresários pararem de choramingar por proteção e por crédito subsuidiado; d) a população em geral para de pedir “políticas públicas”. Tudo isso cumulativamente, de preferência.
    Quando isso vai ocorrer?
    Aí vocês já estão querendo demais…
    Concluindo, eu diria que se o governo quisesse um Brasil verdadeiramente maior, ele anunciaria uma “Política de Serviços”, não uma política industrial, uma política inteiramente em linha com o que vai proposto neste artigo de vocês.
    Sabem por que o governo não faz isso?
    Porque a despeito de toda a aparente modernidade material do Brasil, o país, a começar pelos seus dirigentes e economistas de governo, é atrasado mentalmente. O atraso mental é que leva a esse stalinismo industrial, no qual se refestelam economistas “desenvolvimentistas” e industriais da FIESP.
    Acho que vai demorar para conseguirmos ultrapassar esse atraso mental.
    Paulo Roberto de Almeida
    Brasília – MRE/Uniceub

  2. Excelentes as colocações do artigo.
    Fico com uma dúvida, talvez um pouco em linha com o que o PRA falou acima sobre o empresariado brasileiro: se a questão é adoção de tecnologias já existentes, e não um “fomento à inovação”. isso significa que há dinheiro sobre a mesa, que o empresariado poderia estar adotando tecnologias que trazem maior produtividade, mas não o faz?
    Por que?
    Mentalidade estado-dependente? Falta de acesso a capital? Falta de visão?

  3. Acho que temos problemas de infraestrutura desde quando eu nascí, e concordo plenamente, o gargalo está na infraestrutura. Como vamos ser competitivos sem infraestrutura e educação? Impossível.

    Ótimo texto,

    Abcs,

  4. Gostaria de saber porque no Brasil o crescimento economico depende tanto do governo, como se apenas ele fosse o unico “alocador ineficiente de recursos”? Tenho certeza que criticar, dizer que tudo tah errado, eh muito mais fácil. Se a infraestrutura no Brasil eh ruim, porque que o setor privado não investe? Parece que todos nos ficamos parados esperando o governo fazer alguma coisa… dai quando ele faz, primeiro criticamos, depois esquecemos … e o que fazemos? Continuamos esperando o governo dá mais um passo. Acho que receita de bolo tem muita gente com uma, eh preciso aumentar investimento, o governo gasta muito, a tributação eh muito alta, a infraestrutura eh uma merda, a educação nao existe mais, estamos perdidos etc etc … Será que damos valor ao dinheiro que ganhamos? Será que nós somos individuos tão eficientes e compromissados com nosso dinheiro o quanto exigimos por ai?

    Eh como eu digo sempre a receita do bolo semore está disponível o difícil é preparar um bolo “bom”…..

  5. Thiago,
    O empresariado brasileiro nao investe em inovacao porque, por um lado, ele nao dispoe de tantos recursos proprios, tendo sido ja devidamente sugado pela maquina extratora do Estado. O dinheiro oferecido pelo Estado e’ para prjetos especificos, por outro lado, nao sendo facilmente atribuivel no caso de processos mais lentos e mais incertos como o de um setor de P&D trabalhando continuamente para conceber novos processos ou produtos para que o empresario possa sempre se colocar na ponta do mercado.
    Isso pode demorar muito, digamos 2 anos. Em seis meses, esse empresario pode ter a “solucao ideal” de competitividade que a importacao de caixa-preta (tecnologia) estrangeira lhe fornece: vem tudo prontinho e fica mais barato.

  6. Pergunto-me se o crédito imobiliário subsidiado não vai acabar uma hora dessas e então o que as pessoas vão fazer? Deixar de pagar e perder os imóveis como aconteceu nos EUA?

    Por que o Brasil esbanja em corrupção e gastos inúteis como todos os de cunho ‘social’ e não quebra? Qual é o nosso ‘timing’ até o apocalipse? É tudo uma questão de tempo…

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