O Leilão do Trem Bala Fracassou: e agora?

Ninguém se interessou em apresentar proposta no leilão de hoje para a construção do Trem Bala. Não houve surpresa já que qualquer pessoa de bom senso e com um mínimo trânsito a pessoas que conhecem o projeto e eventuais interessados já sabia que isso iria acontecer. Os motivos principais do fracasso do leilão foram dois: o preço do projeto e o risco assumido pelo setor privado.

As principais construtoras do Brasil estimaram que o custo do projeto não seria inferior a R$ 50 bilhões, enquanto o governo revisou a proposta para R$ 38 bilhões depois de passar meses falando em um projeto de R$ 33 bilhões. No caso do risco, o setor privado achou insuficientes as garantias oferecidas pelo setor público e não estav disposto a colocar o seu suado dinheirinho em um projeto de risco tão elevado.

Mas se esse resultado do leilão já era esperado, restam então duas explicações para o mesmo não ter sido adiado. Primeiro, uma saída honrosa. O governo mostra que tentou, mas que não houve interessado e, assim, coloca o projeto na prateleira para data futura. Segundo, o governo faz uma revisão no preço do projeto ou aumenta ainda mais a parcela de recursos públicos como “a única forma de viabilizar um projeto que é essencial para a modernização e crescimento do Brasil”.

Espero que o governo faça opção por uma saída honrosa e até aproveite a oportunidade para criticar as empreiteiras. Insistir neste projeto no momento atual no qual há uma nítida dificuldade para fazer projetos infinitamente mais simples como a simples construção de uma pista de pouso em um aeroporto é uma verdadeira miopia e dispersão de esforços.

 É justamente a teimosia de levar adiante um projeto como o Trem Bala que mostra o quanto o Brasil ainda é subdesenvolvido e a mania de grandeza que ainda assola o nosso país.

5 pensamentos sobre “O Leilão do Trem Bala Fracassou: e agora?

  1. O seu comentário é realista. Não carece de nenhuma observação ulterior. Mostra a natureza do subdesenvolvimento brasileiro. Indica que o futuro da República, enquanto ‘res’ + ‘publica’ permanecerá nada alterado do que almejaria ser.

  2. Caro Amigo,
    Este Governo precisava de justificar o que eles as grandes empreiteiras do pais queriam, que as estatais como Eletrobras, Correios, Vale e etc teriam de se unir num consórcio e favor dos “interesses nacionais” já que a inciativa privada não teve esse cunho, para então depois subcontratar estas mesmas empreiteiras para construir o projeto que antes não era viável. Tudo com a finalidade de sangrar o erário publico o mais forte possível. Como tudo neste pais, muito combinado, nada por acaso apesar das aparencias….

  3. Mansueto

    Quanto se pagou pelo o relatório da consultoria inglesa Halcrow Group que estimou o custo do TAV inicialmente em US$ 33 bilhões?

  4. Semana passada desembarquei em Cumbica vindo da Europa. Minhas malas – como as de muitos outros passageiros – não apareciam na esteira. A explicação do atarantado rapaz que colocava as malas na esteira é que ela não comporta todas as malas de um voo; portanto, para incluir as malas restantes, era necessário que os primeiros passageiros retirassem as suas. Mas esses passageiros estavam fazendo compras no Free Shop. Então o sistema de som do aeroporto começou a chamar os passageiros que faziam compras para que retirassem suas malas. Instalou-se a balbúrdia. Alguns brigavam com os funcionários do aeroporto, outros indignavam-se com os passageiros que não retiravam sua bagagem, enquanto os que tentavam retirar suas malas precisavam atravessar um muro humano de pessoas que esperavam a sua vez.

    Resultado: depois de um voo de onze horas, gastei mais duas horas para retirar minha bagagem e mais uma hora e meia para chegar ao meu destino em São Paulo, já que Cumbica não tem trem nem metrô e o sistema de escoamento é precário, baseado apenas em táxis e ônibus. O mesmo acontece no Rio de Janeiro. Num voo prolongado como o meu, esse tempo adicional desperdiçado não é tão relevante, mas e em um trajeto curto?

    Conto tudo isso porque parece que a pergunta fundamental não está sendo feita. Se essa proposta insensata se materializar, onde começará e onde terminará o trem-bala? Certamente será em algum subúrbio distante de São Paulo e Rio, já que seria impraticável desapropriar uma larga faixa de trânsito até o centro dessas cidades. Portanto, às três ou quatro horas do percurso, deve-se somar pelo menos uma a duas horas de trânsito em cada ponta. É improvável que sobre dinheiro (ou disposição) para investir em metrô ou outro transporte rápido até essas estações.

    Pergunto: salvo para satisfazer a curiosidade com a nova tecnologia, quem se disporia a tomar o trem-bala para fazer o percurso Rio-São Paulo? Será que os possíveis passageiros não continuariam optando pelos confortáveis ônibus convencionais, caso não tivessem pressa (ou preferissem pagar menos pela viagem), ou pela Ponte Aérea, que funciona razoavelmente bem e está cada vez mais barata?

  5. Os projetos megalos do PT são um crime contra o País. A copa do mundo e as olimpíadas, o trem bala, sem falar dos caças franceses (ainda no forno) são um despropósito face aos recursos do país. O trem bala não existe nos EUA, pois acham ser este um gasto desnecessário para transportar pessoas. Na França ele é sustentado pelo turismo e… dinheiro público. Idem na Alemanha. Os investimentos projetados irão pressionar o orçamento sem nenhum retorno para o PIB do país. A operação do trem bala é inviável economicamente. Quem irá pagar R$ 250,00 (ponha mais R$100,00 de subsídio estatal) para ir ao RJ se de avião paga R$70,00? Temos tráfico para justificar o trem bala?
    Estes enormes investimentos (que não trarão retorno para o país) levarão o Brasil à falência.

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