PSI: quanto os bancos privados receberam do Tesouro Nacional?

Estou entre aqueles que criticaram a expansão do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), em 2010, e sua renovação, em 2011. Não tenho nada contra ao PSI na sua concepção inicial como medida de política anticíclica, mas o programa foi expandido após 2009, quando a economia já mostrava nítidos sinais de aquecimento.

Sim, a decisão de renovar e ampliar o PSI conta com o apoio de toda a classe empresarial e foi uma decisão do governo (o BNDES é apenas o agente do programa). Como se sabe, o Tesouro Nacional incorre em dois custos para viabilizar o PSI. Primeiro, há o custo financeiro representado pelo custo que o Tesouro paga para se endividar (SELIC) e repassar o recurso para o BNDES e/ou seus agentes financeiros (TJLP).

Segundo, há um custo orçamentário representado pelo custo de cobrir o serviço e o lucro dos bancos; pois a taxa de juros final para o tomador é fixada pelo governo e o Tesouro Nacional cobre o spread dos bancos (fixado em 3% aa), algo parecido com o que é feito nos subsídio aos empréstimos agrícolas via Banco do Brasil.

O que até hoje não conseguí descobrir foi o montante de recursos que o Tesouro Nacional repassou aos Bancos Privados no âmbito do PSI. Não deve ter sido pouca coisa, pois o spread dos bancos privados nas linhas de financiamentos às empresas, como mostra essa apresentação antiga da FIESP com valores de spread em 2009, são muito maiores que os spreads cobrados pelo BNDES que na época já estava em 1% ao ano. Como o spread do PSI é limitado a 3% ao ano é possível que os bancos privados tenham se beneficiado deste programa ao cobrar um spread muito maior do que aquele cobrado pelo BNDES.

Seria bom se na próxima prestação de contas das emissões de títulos públicos para empréstimos ao BNDES no âmbito do programa PSI, o Tesouro Nacional esclarecesse qual foi o montante de recursos repassados aos bancos privados e quanto foi pago ao BNDES pela sua remuneração como operador do programa. Por enquanto, não se sabe o volume de subsídio orçamentário deste programa a não ser uma entrevista dada pelo próprio Ministro da Fazenda, em julho de 2010, que falava em uma cifra próxima a R$ 5 bilhões ao ano.

Quanto os bancos privados receberam por real emprestado no âmbito desse programa? se o Tesouro Nacional não responder, poderia ser uma boa idéia fazer um requerimentro de informação provocado por algum Senador da República, seja da situação seja da oposição.

4 pensamentos sobre “PSI: quanto os bancos privados receberam do Tesouro Nacional?

  1. Pois bem, muito pertinente a questão levantada.Só queria fazer uma breve colocação, quanto a sugestão do pedido de informação que “seria” feita por um Senador da República:
    A oposição anda ocupada demais em se autodestruir e esquecida de sua função politica e institucional de se…opor!
    A situação anda satisfeita demais com as benesses oferecidas pelo poder…de modo que estamos “no mato sem cachorro”, para recorrer a um ditado popular.
    HELI ROBERTO DA SILVA – FORMIGA-MG
    Tec em Contabilidade

  2. Mansueto,

    É claro que sua provocação é figurativa. As oposições (pseudo) estão todas euforicamente se extinguindo: O dem já era.

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