Novos Esclarecimentos sobre a Repartição de Lucros do BNDES

Bom, vários funcionários do BNDES, gentilmente, me escreveram alertando o seguinte em relação à participação dos funcionários no lucro e resultado do banco. O comentário “esclarecendo” foi talvez o mais claro de todos e reproduzo abaixo com alguma edição.

Primeiro, o BNDES vinha pagando aos seus funcionários abaixo do teto de 3 salários por exigência do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (DEST). Ou seja, ao longo dos últimos anos, os funcionários poderiam ter ganho 3 salários por ano, mas não ganharam. Este redutor vinha sendo de 10%, ao longo dos últimos anos. Ou seja: o pagamento vinha sendo de, no máximo, 2,7 salários.

Segundo, em 2010, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, conseguiu aprovar, pela primeira vez, o pagamento do limite máximo, o que impactou fortemente o montante do valor desembolsado a título de PL.

Terceiro, outro efeito importante, que explica o aumento expressivo, é o aumento do número de funcionários do Banco. No início do governo Lula, o BNDES tinha pouco menos de 2 mil funcionários, e este número permaneceu razoavelmente estável por algum tempo. No entanto, ao longo dos últimos anos, ele cresceu cerca de 50% em relação àquele patamar inicial. Adicionalmente, o presidente Luciano Coutinho criou inúmeras Áreas e Departamentos NOVOS, o que deu margem também à criação de dezenas de novos CARGOS em comissão. Como os valores dessas comissões representam um percentual expressivo do salário-base, os novos comissionamentos também impactaram fortemente o valor do desembolso referente à PLR.

Quarto, o PLR dos funcionários do BNDES não está relacionado ao lucro do banco. Assim, mesmo que o lucro tivesse sido de R$ 500 milhões, ao invés de R$ 9 bilhões, o PLR dos funcionários teriam sido o mesmo.

Todas as explicações acima foram enviadas por funcionários do BNDES a este blog e esclarecem a questão do forte ao aumento do PLR de 2008 a 2010. Vou modificar a nota técnica que fiz incorporando as explicações acima.

O que gostaria de saber é se alguém discorda da outra tese da nota: que o BNDES lucra com o diferencial de juros com os títulos que fica em carteira até que os títulos sejam emprestados e que esse lucro termina aumentando, artificialmente, o pagamento de dividendos ao Tesouro Nacional. Alguem discorda disso? por que?

36 pensamentos sobre “Novos Esclarecimentos sobre a Repartição de Lucros do BNDES

  1. Esses números não dizem muita coisa, na verdade, já que a composição exposta pelo blog é apenas um chute.

    Minha sugestão seria que fosse melhor explorada a rubrica “aplicações em títulos e valores mobiliários”já que, historicamente, os maiores lucros do BNDES sempre vem de suas participações acionárias. No ano da crise, muito se investiu em empresas quebradas que, hoje, geraram altos retornos para a instituição. De nada, vale seu argumento se não apresenta essa rubrica de forma detalhada.

    • O meu ponto é relação à anomalia do diferencial de juros que fica com o BNDES. As notas do balanço do banco mostram que o retorno com a carteira de títulos públicos passou de R$ 800 milhões para R$ 5,9 bilhões de 2008 a 2010. Isso não influenciou em nada o lucro do banco? Isso não é chute. Os dados são números do balanço e a carteira do BNDES em títulos públicos aumentou fortemente de 2008 a 2010.

  2. Mansuetto,

    A rubrica que você observa se deve a venda de títulos e não a valorização destes. Repare que o total de ativos em títulos públicos caiu de 35B para 25B. Se você observar a rubrica “Despesas com operações de repasses e instrumento híbrido de capital e dívida” verá um prejuízo de 12B, o que torna as operações com títulos públicos deficitárias e não lucrativas

    Um diferencial de juros hipotético de 4% (+/-11% de face – +/- 7% de TJLP) geraria no máximo 1B de lucro, considerando os ativos atuais, e ainda se não houvesse custo associado operacional. Isto se os ativos ficassem em posse do banco por um ano completo, o que não é verdade.

    Como o colega acima explicou, a grande fonte de lucro do banco são as participações em renda variável . Cito texto do próprio site do BNDES:

    “Os principais fatores que contribuíram para o desempenho do BNDES em 2010 foram: a Receita com Reversão para Risco de Crédito, de R$ 2,9 bilhões; o crescimento do Resultado com Participações Societárias em R$ 2,2 bilhões (54,4%); e a expansão do Produto Bruto de Intermediação Financeira em R$ 1,2 bilhão (20,9%).” (fonte: http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Relacao_Com_Investidores/Desempenho/#lucro2010)

    Apenas para reiterar, a associação do lucro inflado com a PLR dos empregados foi bastante infeliz. Soa como uma apropriação indevida e desmerece o trabalho realizado na casa. Não acho adequada, assim como não pretendo pesquisar quantos artigos relevantes o IPEA publica por servidor e relacionar com seu salário.

    Ressalto que o banco tem diminuído o peso de sua folha com a aposentadoria dos empregados com maiores salários (PDV) o que fez o salário médio do empregado diminuir nos últimos anos. Note-se ainda que a quase totalidade dos cargos comissionados é preenchida por empregados de carreira do próprio banco. Apenas alguns assessores e diretores são externos.

    Antes que alguém insinue, sou concursado de 2009 e não vínculos comissionados com o banco, apenas gratidão e admiração por esta instituição.

    Forte abraço.
    F

    • Caro F.

      como já falei não tenho nenhum problema com os salários do BNDES e já retifiquei a nota. Reitero mais uma vez que as explicações dadas por vocês funcionários foram mais esclarecedoras do que o que consta no balanço, que não explica o forte crescimento do PLR de 2008 a 2010.

      Quanto aos títulos públicos, confesso que continuo com dúvidas. O banco não deve ter despesa operacional alguma com essas operações, pois já recebe os títulos (que rendem SELIC) do Tesouro. Segundo, o valor médio que fica no balanço do banco ao longo do ano é maior que a posição de balanço no final do ano; ou seja, o BNDES se apropria do diferencial entre SELIC e TJLP sobre um estoque até maior do que aquele que aparece na posição de estoque no final do ano.

      E como explicar o forte crescimento do “resultado com títulos públicos” que está nas Nota Explicativa 26.2 pp.90-91 do Balanço de 2010 e Nota Explicativa 25.2 do Balanço de 2009, pp. 74-75? O seu ponto é que dos R$ 5,9 bilhões de 2010, isso é fluxo do resultado com aplicações em títulos públicos, uma parcela significativa foi despesa operacional?

      Por fim, você há de concordar comigo que, o correto, seria que a divida do BNDES junto ao Tesouro fosse corrigida por TJLP apenas a partir do momento em que os recursos fossem efetivamente, desembolsados pelos programas do banco, certo? você concorda?

      • Mansuetto,

        Não parece que o estoque dos títulos seja muito maior, mesmo olhando as demonstrações intermediarias. Você tem algum dado concreto ? Não sou desta área, então não posso fazer tal afirmação/defesa. Títulos públicos não são o objetivo do banco, se são comprados provavelmente é pq algumas operações foram amortizadas e não havia previsão no fluxo de caixa para liberação imediata. O que fazer com o dinheiro ? Deixar no caixa ? Devolver ao tesouro para pegar de volta no outro mês ?

        O resultado com títulos públicos foi explicado. O banco vendeu sua posição de 35b para 25b, comprou 2,5 e teve algum tipo de despesa operacional que não esta descrita na nota. Mas o resultado parece ser efetivamente proveniente de desinvestimento, não valorização. Errei ?

        Entendo o seu argumento, mas ele parte de uma premissa difícil de atingir que é a realização de desembolsos imediatamente posteriores a captação. Os desembolsos são fluidos ao longo do ano e apresentam também alguma sazonalidade. Não é possível pedir aporte do tesouro toda semana, mas há desembolsos todos os dias. O efeito final, de um aparente lucro inflado, é nulo para o tesouro visto q ele é o único acionista, pois os dividendos são pagos exclusivamente a ele. Considero que já tenha sido esclarecido que a PR é vinculada ao resultado operacional e não ao lucro contábil do banco. Acrescento que a politica de PR é a mesma do tecnico de arquivo ao diretor presidente.

        forte abraço.

        F

    • outro ponto que esqueci. Como as operações com títulos públicos podem ser deficitárias para o BNDES? vou dar uma olhada no balanço mas agradeceria se você souber a resposta.

      • Fiz uma soma simples entre “Resultado com títulos públicos federais” e “Despesas com operações de repasses e instrumento híbrido de
        capital e dívida” : 5,8 + (12,2) = (6,4)

        Entendo isso como prejuizo global nas operações com titulos, ja que apropria seu custo operacional.

        Somando as 4 linhas “Resultado:”, o resultado final ainda é negativo.

    • Na verdade F.

      embora qualquer ganho eventual que o BNDES tenha ao carregar títulos públicos volte para o Tesouro Nacional, faz diferença se isso volta para o Tesouro na forma de dividendo ou se a operação fica neutra porque o BNDES fica remunerando ao Tesouro SLEIC até os recursos transferidos sejam efetivamente emprestados para o setor privado. No caso de voltar via dividendo, vai aumentar o primário no acima da linha.

      No segundo caso, dos recursos do ativo em títulos públicos serem corrigidos à mesma taxa do passivo (divida junto ao tesouro) enquanto os recursos não forem repassados para o setor privado, a operação é neutra no acima da linha e no abaixo da linha (variação da DLSP).

      Isso acontecia com o BASA e BNB nos empréstimos do FNO e FNE. Até 2001, as aplicações desses bancos com títulos públicos aumentavam a sua receita para uma divida que era corrigida a uma taxa inferior. Depois de 2001, enquanto o banco não emprestar efetivamente os recursos dos Fundos Constitucionais (FC), ele tem que corrigir os repasses dos FC pela taxa extramercado.

      Esse “problema”é algo simples de ser corrigido. Basta que se adote para os repasses do Tesouro para o BNDES a mesma regar que hoje fale para os Fundos Constitucionais e seus bancos operadores.

    • Mas isso não faz sentido. Não há como um banco, qualquer banco, ter prejuízo de R$ 12 bilhões com uma carteira de títulos públicos.

      O que acho é o resultado de R$ 5,9 bi vem dos juros e a despesas de R$ 12 bi vem de desinvestimento (venda de títulos).

      Não há como o BNDES ter tido um prejuízo com um ativo que rende SELIC e um passivo corrigido por TJLP.

  3. Caro Mansueto, não entendo se o seu artigo foi publicado para abrir para discussão suas dúvidas e solucioná-las ou para expôr uma posição que já foi comprovada e detalhadamente analisada. Pq suas afirmações estão enfáticas. Dava a sensação que já estavam devidamente comprovados.

    Gosto muito da exposição dos seus artigos mas vejo que, às vezes, pode te faltar precisão analítica. Fico inseguro em repassar suas análises.

    Grande abraço

    • Bom,

      Eu fiz uma analise baseada em dados de balanço e publiquei no meu blog pessoal. Continuo sem entender, como o BNDES pode ter tido um prejuízo com títulos públicos que rendem SELIC e que a divida junto ao Tesouro é corrigida pro TJLP? não faz o mínimo sentido e tenho convicção disso. Segundo, não faz o mínimo sentido o banco aumentar o pagamento de dividendos nos últimos três anos no mesmo momento em que o Tesouro aumenta a divida e os repasses ao banco. Se o banco precisa de novos recursos, o pagamento de dividendos não deveria ter aumentado. Terceiro, não faz sentido o BNDES ser utilizado pelo Tesouro para comprar dividendos que o Tesouro tem a receber de outras estatais. Quarto, os empréstimos do Tesouro para o BNDES têm um custo fiscal nunca explicitado pelo BNDES e pelo Tesouro e os funcionários do BNDES que uma vez tentaram calcular esse custo receberam um puxão de orelha da direção. Quinto, o BNDES não deveria ter participado da capitalização da Petrobrás com recursos repassados pelo Tesouro. O banco foi utilizado nesta operação para transformar uma divida primária em receita primária. Tudo isso tenho convicção.

      O que não tinha convicção era a relação do lucro com a distribuição para seus funcionários. Mas os próprios funcionários do BNDES me explicaram a razão: aumento em 50% no número de funcionários e explosão dos cargos de confiança. pergunta: onde encontro isso no balanço do banco? procurei e não encontrei. Mas tens todo o direito de achar que falta precisão analítica nas minhas analises e, claro, não precisa repassar a ninguém.

    • Boa pergunta Daniel. Procurei na pagina da associação dos funcionários como alguém sugeriu e não encontrei. Quem souber mande o link.

    • Valeu Rafael. O arquivo mostra que o PLR tem relação com (1) despesas administrativas por ativo total médio (2) retorno sobre o patrimônio líquido; (3) inadimplência – créditos inadimplentes sobre crédito total.

      Ao que parece, e posso estar errado, os repasses do Tesouro afetam (1) e (2). Os repasses do Tesouro aumentam o ativo e o lucro influencia os retorno sobre o Patrimônio Líquido.

      Assim, o PLR do banco parecer ser uma medida ruim de prêmio ao esforço individual, funcionaria muito mais como um benefício (não é necessariamente ruim) para a instituição.

      No senado a regra é pior. O que sobra do orçamento é dividido por todo mundo e os funcionários acabam recebendo um 14o salário.

      • Mansueto,

        todo seu artigo se baseia em dois argumentos centrais: a) que as operaçòes com o Tesouro ampliaram o lucro do BNDES; b) que os funcionários do banco se beneficiaram desta contabilidade criativa, apropriando-se indevidamente do lucro inflado.
        Pelas respostas recebidas percebe-se que o primeiro argumento é controverso, necessitando de maiores esclarecimentos. Já o segundo tornou-se desprovido de sentido já que qualquer que seja o lucro os funcionários recebem uma parcela fixa dos salários definida pelo DEST. Assim, insistir na apropiação me parece pueril, incompatível com um pesquisador da sua categoria.
        Enfim…
        Abç

      • É isso mesmo. O argumento do que os funcionários do banco são beneficiados pelo crescimento do lucro eu já voltei atrás a partir de esclarecimentos dados pelos próprios funcionários do banco que explicaram que a DEST define o PLR, que o banco não vinha pagando o teto de 3 salários, e que houve um aumento no numero de funcionários e cargos de comissão. Já corrigi a nota técnica e reconheci o erro. Assim, não estou mais insistindo neste ponto.

        No caso dos títulos públicos é que continuo com a mesma dúvida. Por que não se adota para os repasses do Tesouro para o BNDES a mesma regra que vale para os repasses dos Fundos Constitucionais para os bancos operadores (BNB e BASA)? É um dúvida simples que ainda não consegui esclarecer. E não acho que o BNDES esteja cometendo erro algum. acho que isso é uma falha da legislação e do Tesouro Nacional.

        No caso de transparência, acho que de todos os bancos públicos o BNDES é o mais transparente e o único que publica dados de empréstimos por empresas individuais o que facilita em muito as analises e o debate de política industrial. enfim, obrigado pelo comentário e concordo com você. A dúvida que fica é sobre o argumento (a) que é controverso.

      • “Os repasses do Tesouro afetam (1) e (2). Os repasses do Tesouro aumentam o ativo e o lucro influencia os retorno sobre o Patrimônio Líquido.”
        Como dizer que a operação não afetou o PLR e beneficiou os funcionários? De fato, não afetou diretamente, mas influenciou positivamente algumas variáveis importantes na determinação do PLR.

  4. Ótimo Rafael.
    De maneira geral a discussão levantada pelo Mansueto foi muito profícua. Esclareceu várias questões que até alguns funcionários do BNDES desconheciam.
    No entanto, ao que tudo indica, a hipótese secundária (mas que se tornou o tema principal) da nota se mantém:
    Os funcionários do BNDES, mesmo isentos de responsabilidade, foram em alguma medida beneficiados pela transação BNDES- Tesouro. Dessa maneira, houve sim apropriação privada indevida de recursos públicos.
    Surpreende que em vez de se mostrarem contra o que vem sendo feito, os funcionários, que julgam estar servindo a sociedade brasileira, preferem compactuar com a trama. Seria uma grande lição e um duro golpe político, caso os funcionários do BNDES se unissem, em apoio à sociedade, contra o que vem sendo feito.
    Abs

  5. Daniel,

    te desafio a provar que os funcionários do BNDES foram beneficiados. Se você ler todos os esclarecimentos de como funciona nossa PLR, você chegará a uma conclusão completamente diferente. Agora se não quer nem tentar ler, ai não posso fazer mais nada.

    • Que tal um contra exemplo aqui: se o BNDES tivesse lucrado 2 bilhões ao invés de quase 10 bilhões, qual seria, exatamente, a PLR de cada um?

      NINGUÉM do Banco receberia menos? É isso Msilva?

      Quem tem de ser claro e transparente é o BNDES, seus dirigente e funcionários aqui estamos levantando perguntas…

      Você sabe a resposta e pode demonstrá-la analiticamente?

      Ficaria grato.

      • Leo,

        o LUCRO não é considerado na avaliação dos resultados dos funcionários do BNDES porque não é parte preponderante de suas atividades, já que, por se tratar de um banco cujo objetivo é o desenvolvimento do Brasil, sua taxa de juros é muito baixa, não visa o lucro da mesma forma que bancos privados. (Aliás, as baixas taxas do BNDES são muitas vezes exatamente alvo de críticas do mercado bancário privado por “concorrência desleal”).
        De forma geral, apesar da baixíssima inadimplência nas operações do BNDES, o lucro do banco se concentra principalmente nas operações de venda de ações de posse do BNDES (muitas dessas ações recebidas como parte do pagamento de empresas que buscaram empréstimos no BNDES e se valorizaram em consequência da correta aplicação destes recursos na produção ou na expansão da empresa).
        No ano de 2008, que foi citado como referência comparativa algumas vezes pelo articulista, o BNDES apresentou um lucro muito abaixo do usual, que pode ser explicado (e consta das notas explicativas do balanço anual de 2008), pela decisão da diretoria de não realizar venda de ações já que estas haviam se desvalorizado e, assim, isto geraria uma perda de seu valor potencial.

      • Mas concordo com você. A gratificação de um banco de desenvolvimento, a meu ver, não dever estar atrelada ao lucro pois esse não é razão principal das operações do banco que deve financiar, preferencialmente, projetos de maior retorno social. Quando comparei com 2008 foi porque a partir dessa data começam as transferências do Tesouro para o BNDES e, simultaneamente, aumenta o lucro e o pagamento de dividendos. Como você e outros já explicaram, o crescimento do PLR não está relacionado ao lucro e sim a outros fatores.

        No mais, concordo também com você quando fala que a maior parte do lucro do banco vem das operações de venda de ações. Não discordo disso. E não acho que o banco fica procurando ganhar dinheiro no mercado financeiro. A minha única ressalva é se, por uma falha de legislação, o carregamento de títulos públicos esteja gerando um ganho do diferencial de juros para o Banco que ajuda a cumprir a meta fiscal no acima da linha. Lembre-se que depois que o governo obrigou o BNDES a participar da capitalização da Petrobrás (o que não era necessário já que o Congresso havia autorizado a cessão onerosa) e comprar dividendos da Eletrobrás para gerar uma receita primária esses jogos induzidos pelo Tesouro levantam suspeitas naturais.

        Abs,

      • Msilva: ‘a partir de 2009 o indicador número 2 foi substituido pelo indicador “Total de desembolsos”’

        Agora sim, ficou ainda mais evidente o benefício. Vale dizer, quem foi o gênio que criou uma estrutura de incentivos dessa?

      • Daniel,

        não ter o lucro como principal objetivo (conforme o mandamento primeiro de uma empresa privada), não significa não evitar o prejuízo, tanto é que mesmo descontados os resultados com renda variável, o BNDES é lucrativo, mesmo trabalhando com uma taxa de spread de 0,9 a 2% /ANO em média.
        Se os funcionários fossem remunerados em função direta do lucro do banco, aí sim poderiam haver distorções e, mesmo, pressões internas para a elevação da taxa de juros cobrada, o que seria considerado conflito de interesses.
        Da mesma forma, a taxa de inadimplência é baixíssima o que confirma o trabalho correto dos funcionários do BNDES.

      • E em que isso refuta a afirmação de que o PLR dos funcionários foi afetado positivamente, de forma indireta, pela operação com o Tesouro? Não entendi.

  6. “que o BNDES lucra com o diferencial de juros com os títulos que fica em carteira até que os títulos sejam emprestados e que esse lucro termina aumentando, artificialmente, o pagamento de dividendos ao Tesouro Nacional. Alguem discorda disso? por que?”

    Não concordo e nem discordo, pois não entendo de contabilidade pública o suficiente.

    Mas do ponto de vista do resultado fiscal, não haveria sentido em fazer isso, pois o Tesouro só recebe aquilo que já dispendeu antes (a não ser que for para maquiar as contas ocasionalmente, mas não pode ser utilizado de modo sistemático).

    Será que isso não serve apenas pra dar a impressão de que fornecer crédito subsidiado é um ótimo negócio? O cara que vê apenas o resultado final acha que o BNDES está bombando…

  7. Daniel,

    a sua afirmação pode ser refutada no sentido em que o que está se discutindo é como uma operação financeira artificialmente infla o lucro do BNDES e, consequentemente, aumenta a PLR dos seus funcionários, também artificialmente. Esta é a lógica da sua afirmação. Só que está lógica carece de conhecimento de como a PLR dos funcionários do BNDES é calculada. Entretanto, não sei como explicar mais para que você consiga entender.

    Agora, se você estiver se referindo ao aumento de desembolsos de recursos pelo BNDES que ocorreu em consequencia da capitalização pelo Tesouro, nada mais justo que isto aumente o valor global da PLR, pois quanto mais liberações, mais operações, significa mais trabalho para a instituição, certo? Mais trabalho, mais remuneração, certo? (Lembre-se que o BNDES não é banco comercial que tem uma grande carteira com operações de análises praticamente automáticas.) Você mesmo só quis responder uma simples pergunta a base de remuneração! E também já ficou claro que boa parte do aumento não se originou de aumento da PLR individual. Se tens dúvida, leia os comentários anteriores onde isto está explicado também.

  8. Toda essa discussão torna claro os corporativismos existentes em nosso país. Via de regra, os comentários de funcionários do BNDES aqui tentam “justificar” o montante recebido. Não tem problema se por causa das “jogadas contábeis” que geram esses benefícios temos juros mais altos, ou se a inflação aumenta em nosso país, todos eles resultantes do fato que o governo gasta demais. Basta que “a gente” receba o nosso. Faço minhas as palavras do Daniel: seria importante para o país que defendêssemos o CORRETO, ao invés de compactuarmos com o INCORRETO apenas por isso nos gera benefícios!!!! Talvez isso diferencie os latinos de outros povos, como os japoneses ou alemães. E talvez isso também explique um pouco as nossas diferenças de desenvolvimento, instituições etc.

  9. Mais um desinformado… Pareto, voce já leu todos os comentários? Voce já viu que individualmente este processo de capitalização não trouxe aumento da PLR? Na verdade, pensando como voce diz que pensamos, esta operação com o Tesouro só prejudica a PLR futura, já que as metas são definidas como média móvel de três anos anterioes. Quando os valores dos desembolsos cairem, possivelmente não alcançaremos as metas. Outra pergunta: Voce sabe qual é o papel LEGAL do BNDES? Acho que não. O papel do BNDES é de servir como o instrumento financeiro da política de desenvolvimento do seu CONTROLADOR, ou seja, GOVERNO FEDERAL. Não é nosso papel questionar e sim executar como instituição financeira. Se o Governo acredita que temos que emprestar mais, temos que nos preparar para isto.

    Agora, voces estão confundindo completamente as coisas. E, infelizmente, a discussão começou quando tentaram fazer um link de coisa que não têm qualquer ligação, chegando ao absurdo de alguém nos chamar de corporativista, como se estivéssemos sendo beneficiados.

  10. Caro Mansueto

    Sua desconfiança é muito mais que uma intuição, ou uma simples impressão.

    Por que o governo federal e o BNDES escondem dos cidadãos pagadores de impostos o que de fato fazem com o nosso dinheiro?

    Como você já mostrou em artigos anteriores, os custos fiscais implícitos nas transferências do Tesouro para o BNDES não são divulgados.

    Complemento ao seu comentário de 18/04/2011 às 19:03

    Luciano Coutinho, em entrevista de 17 de julho de 2010 ao ESP.

    P. O senhor diz que o custo fiscal dos empréstimos do Tesouro é transparente. Mas de quanto é essa conta?

    R. Essa conta é imprecisa, porque é preciso projetar o custo de captação do Tesouro no longo prazo, a trajetória futura da Selic, da inflação, da TJLP (taxa de juros de longo prazo do BNDES), além do crescimento da economia. É preciso avaliar ainda algo que tem sido ignorado: sem o BNDES, o custo de capital para o setor privado subiria. Os investimentos seriam menores, reduzindo emprego, renda, produção e arrecadação. Há um ganho fiscal relevante com o crescimento do investimento. Ao avaliar benefício versus custo, A IMPRESSÃO que temos é que o resultado fiscal líquido da atuação do BNDES é positivo. ESTAMOS FAZENDO ESSAS CONTAS E VAMOS APRESENTAR EM BREVE.

    P. Outro efeito dos empréstimos do BNDES é o aumento da dívida bruta. O senhor está preocupado com isso?

    R. […] As operações do BNDES não apoiam aumento de gastos correntes, mas expansão do investimento. É o tipo de endividamento saudável. A dívida bruta já está caindo. EXISTE UM COMPROMISSO DA FAZENDA E DO TESOURO DE MANTER UM SUPERÁVIT ROBUSTO EM 2010. NÃO EXISTE RISCO DE DESCONTROLE FISCAL NO BRASIL. ESTÃO FAZENDO TEMPESTADE SEM SUBSTÂNCIA.

    http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,nao-ha-risco-de-descontrole-fiscal-no-brasil,27877,0.htm

    Então, até o momento (21/04/2011), estamos assim:

    São passados 278 dias desde que em entrevista ao ESP o presidente do BNDES prometeu “apresentar em breve” as contas do custo dos repasses do Tesouro, e até agora nada.

    Será que os funcionários do BNDES não sabem fazer essas contas, ou que não a fazem porque concordam com a “impressão positiva” do presidente do BNDES? Não creio. Faz mais sentido a hipótese de que a publicação desses números está proibida pela diretoria do Banco. Gostaria de saber o que a AFBNDES tem a dizer a respeito.

    Lamentável é que os que te acusam de “impressionista” nada tenham a dizer a respeito da impressão positiva do presidente do BNDES. Como se diz, quem cala, consente.

  11. Caro Paulo Araújo,

    Economistas do BNDES já fizeram um esforço para calcular os gastos do Tesouro com o repasse para este banco. Mas me parece que de maneira independente da direção.

    O gráfico que resume a situação está na página 19 do documento do link abaixo:

    http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/revista/rev3301.pdf

    Mas note que a realidade se mostrou, até agora, para o contribuite, PIOR do que as estimativas destes economistas (eles estimavam a Selic hoje menor do que 10%, aliás, eles estimavam a Selic menor do que 11% até 2039 (!) e TJLP maior do que os 6% de hoje). Claramente eles superestimaram o prêmio de risco sobre as taxas forward, devido provavelmente ao nosso histórico de prêmios altos no passado.

    Ou seja, eles já previam gastos com esse repasse da ordem de estratosféricos R$ 36,6 bi, em valor presente, o que se mostrou muito otimista. Note que eles calcularam APENAS PARA OS R$ 100 BI INICIAIS.

    Já viu o tamanho do prejuízo né?

  12. Obrigado pelo link, Rafael. Não tenho formação em economia, o que dificultará o entendimento do texto. Mas vou encarar porque conto com ajuda de amigos versados no “economês”.

    Abs.

Os comentários estão desativados.