Primeiras Dúvidas em Relação à Política Econômica

Apesar dos analistas econômicos, no Brasil, serem críticos dos rumos atuais da política econômica, não havia até o momento lido nada que questionasse o bom momento pelo qual passa o Brasil. A exceção é o FMI. Em janeiro deste ano, o FMI liberou um relatório com comentários sobre a economia global, no qual afirmava que o equilíbrio fiscal em países como Brasil, China e Índia estão mais fracos do que o previsto e ressaltava a deterioração nas contas fiscais brasileiras  que seria “particularmente pronunciada”:

The deterioration in Brazil’s fiscal accounts is particularly pronounced, and the government is now expected to miss its fiscal target (a primary balance of about 3 percent of GDP) by a wide margin” (ver pp. 4 Fiscal Monitor Updated).

Esse relatório do FMI foi o primeiro a ir contra as avaliações francamente positivas dos analistas no exterior. No entanto, tanto aqui no Brasil  quanto lá fora começam a surgir dúvidas sobre a política econômica do governo Dilma.

No relatório de hoje (04 de abril) para seus clientes, o banco de investimento Credit Suisse mostra que houve uma novo aumento na mediana das expectativas de inflação do mercado. A inflação esperada para 2011 passou de 6,00% para 6,02% e, para 2012, a mediana das expectativas de inflação passou de 4,91% para 5,00%. Apesar disso, na média, o mercado espera um aumento menor da taxa de juros; que terminaria este ano em 12,25%  (meio ponto de aumento percentual até o final do ano) e passaria para 11,25% no final de 2012.

O Credit Suisse, embora concorde com um aperto monetário para este ano abaixo do que era esperado, aposta em uma taxa de juros no final de 2012 muito maior: 14%. A razão é que um política monetária mais soft este ano contaminaria a inflação de 2012 e, assim, seria necessário um novo ciclo de aumento de juros.

Essa visão pessimista do Credit Suisse vai ao encontro do mais novo relatório da EURASIA sobre o Brasil, uma consultoria política americana que presta serviços para bancos de investimentos e investidores institucionais. No seu mais novo relatório (“BRAZIL: Rousseff’s approval ratings likely to gradually fall this year, adding pressure for more spending in 2012”), a EURASIA tem uma interpretação diferente da imprensa brasileira quanto aos recentes índices de aprovação do governo da presidente Dilma, que mostram uma aprovação de 47% entre aqueles que consideram o seu governo excelente ou bom. Na visão da consultoria,  esse índice de aprovação representa, na verdade, uma forte queda em relação à taxa de aprovação do governo Lula; o que significa que a opinião pública está separando o governo da nova presidente da figura do presidente Lula.

A consultoria sugere que o cenário para a nova presidente pode piorar por três motivos: (1) redução do crescimento econômico (muito gente já estima que o crescimento este ano fique abaixo de 4%); (2) aumento da inflação, que vai corroer o poder de compra do trabalhador de mais baixa renda; e (3) o cenário fiscal pior de 2012, que já começa com um gasto extra de quase R$ 25 bilhões em virtude a regra atual de reajuste do salario mínimo e novas demandas fiscais que ficarão cada vez maiores em um governo com índices de popularidade caindo.

A equipe econômica tem uma tarefa difícil pela frente para convencer o mercado que sua política é consistente. No momento, o mercado começou a olhar apreensivo para 2012. Essas análises não são consensuais, mas o “gato subiu no telhado”.

4 pensamentos sobre “Primeiras Dúvidas em Relação à Política Econômica

  1. O estado fornece serviços adequados na Europa? Já sei! Vamos criar leis, regulamentações, impostos! Isso vai transformar o Brasil na Europa! Os EUA estão ricos? Deve ser porque eles têm programas de crédito farto a juros baixos! Nas últimas décadas, isso certamente transformou a economia dos EUA em algo maravilhoso, como todos estamos vendo! Os tigres asiáticos melhoraram? Ah, já sei, deve ser por causa dos bancos de desenvolvimentos, então, vamos criar um BNDES e dar bilhões para esse banco! Afinal, para que as empresas invistam em tecnologia, basta ao governo ser parceiro dessas empresas, dar dinheiro a elas! Todos sabemos que isso estimula a produtividade, porque, afinal, quem precisa de concorrência? Isso é coisa da extrema-direita neoliberal, o melhor é estimular os grandes conglomerados!

    O mais hilário é ler analistas “jeniais” dizendo que a crise é resultado da falta de regulamentação. Como se os governos não estivessem logrando a população gerando ciclos artificiais de crescimento, inflando alegremente bolhas e gerando dívidas públicas absurdamente altas, manipulando os dados quando eles não são convenientes, eternizando distorções com as maravilhosas injeções de dinheiro (que premiam a incompetência e o dinheiro mal gasto), deixando para as gerações posteriores a conta para pagar. Deve ser porque o livre mercado é muito mau, mas o governo é muito bom porque, afinal, o livre mercado é composto por pessoas gananciosas, mas o governo é composto por uma categoria de seres humanos nem pouco gananciosos (uma nova espécie! Homo sapiens-nongananciosus!)

  2. O que mais cansa é pagar tanto imposto e não receber nada em troca. Pra que um Estado tão grande e pesado, se não for apenas para servir à corrupção? Vivemos por muitos anos por conta da propaganda oficial, que nos dava conta da maravilha de país em que vivemos. Tudo artificial. Depois de gastarem tanto para eleger mais um figura do partido do governo, temos agora que acertar as contas. Estamos presenciando a total incompetência do governo no trato com o câmbio e com a infração, e, pior, temos uma oposição sem ideias e sem noção para onde ir. Um vexame só!

  3. Mansueto,

    Está acompanhando as discussões sobre o plano Ryan nos EUA?

    É quase tão ruim quanto os planos que propõem aqui no Brasil. E olha a diferença no tom dos comentários…

  4. A sujeira debaixo dos tapetes uma hora vem a tona, sempre em dois momentos, a primeira sempre para quem tem esclarecimento e estudo e a segundo para o resto da população, que quando acorda pergunta porquê estou endividado. Hilario foi ouvir do povo simples na rua: parece que as COISAS estão subindo de preço, aqui a futura (coisa ) deste enganado oficial é somente o seu inexistente patrimonio.

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