Crescimento e Eficiência do Estado: Controlando o Leviatã

Para aqueles que  por um acaso não viram, recomendo a leitura da publicação especial da The Economist, de 19 março de 2011, sobre “The Future of the State”. A revista promove um debate interessante que cabe como uma luva no debate atual no Brasil.

A provocação inicial da matéria é justamente tentar descobrir até ponto o Estado pode trabalhar com critérios de eficiência que sejam mais próximos daqueles do setor privado. Como o próprio periódico fala:

This special report’s central argument is that Leviathan can be made far more efficient. The state has woefully lagged behind the private sector. Catching up is not just a case of nuts-and-bolts productivity improvements but of liberal principle: too often an institution that, at least in a democracy, was supposed to be the people’s servant has become their master.”

É claro que a evidência do texto é muito menos clara do que a tese apresentada e não porque, como defende a revista, há poderosos interesses organizados que sempre conspiram a favor do crescimento do tamanho do Estado,  mas sim porque esse crescimento do Estado reponde, em parte, à demanda da população por maiores transferências e proteção social.

Para a minha surpresa, a tese da revista não é uma defesa da diminuição do Estado, até porque nenhum governo está abraçando esta agenda. Mesmo no caso do Reino Unido, a proposta de cortes do governo Cameron é para reduzir o gasto público para o seu nível de 2008 e não uma redução substancial no tamanho do Estado. A tese principal da revista é na minha leitura aumentar a eficiência do estado, o que não significa, necessariamente, redução do tamanho do estado e, logo, redução de carga tributária.

A matéria está interessante e não vou tirar o prazer da leitura de vocês, colocando aqui minhas impressões pessoais. Clique aqui para ler a matéria completa.

3 pensamentos sobre “Crescimento e Eficiência do Estado: Controlando o Leviatã

  1. Trinta e oito páginas de excelente artigo, muito embora não apreciei tudo porquanto não sou versado em economia. Mas uma coisa me pareceu óbvia: estamos muito, muito longe mesmo no Brasil de um Estado enxuto como Ms. Ma indica. Uma das coisas mais estranhas para mim é essa de um orçamento da União engessado.

  2. Não acredito que um Estado grande, mesmo que eficiente sob quaisquer critérios, seja bom para os cidadãos, simplesmente porque sua atuação vai muito além das questões econômicas. Atinge, sobretudo, o lado político, já que um Estado grande significa maior ingerência de um ente coletivo no campo das liberdades individuais. Um Estado grande, super-eficiente, pode ser o mais tirânico de todos. Na verdade, o brasileiro só consegue dar “um jeitinho” em sua vida justamente por causa da ineficiência do Estado. Sugiro ler o livro de Bertrand de Jouvenel, “Sobre o Poder”, com edição em português lançada este ano no Brasil.

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