Manifesto impressionante de economistas americanos

Quem acompanha o debate econômico nos Estados Unidos sabe que por lá o debate é muito mais acirrado do que aqui e, em alguns casos, os debatedores não se furtam de citar nominalmente seus oponentes. Lá a briga envolve professores dos melhores departamentos de economia, muitos dos quais já agraciados com o Nobel ou com a John Bates Clark Medal – prêmio dado a economista que se destacaram na contribuição à teoria econômica com menos de 40 anos de idade.

Apesar do debate acirrado na academia americana, causou-me surpresa um manifesto assinado por vários professores de economia com passagens por governos democratas e republicanos sobre o perigo do crescimento do déficit público americano no longo-prazo.

Esses economistas pedem para que as diferenças partidárias sejam postas de lado e que se comece a debater uma proposta de ajuste de longo prazo para o problema fiscal da economia americana que, fatalmente, passará por crescimento da carga tributária e cortes de alguns programas sociais.

Vale a pena conferir esse manifesto “Unsustainable budget threatens U.S.” assinado por Martin N. Baily, Martin S. Feldstein, R. Glenn Hubbard, Edward P. Lazear, N. Gregory Mankiw, Christina D. Romer, Harvey S. Rosen, Charles L. Schultze , Laura D. Tyson, e Murray L. Weidenbaum.

Será que algo semelhante seria possivel de ocorrer no Brasil? por exemplo, um manifesto de ex-secretários de Política Econômica e do Tesouro Nacional contra o uso da contabilidade fiscal criativa que tanto marcou a atuação recente do Tesouro Nacional?

8 pensamentos sobre “Manifesto impressionante de economistas americanos

  1. O problema vai alem da contabilidade criativa, embora este aspecto represente a faceta mais “inovadora” da pratica recorrente do bloco de poder iniciado em 2003 no sentido do aumento continuo de politicas supostamente “publicas” e o consequente aumento continuo das despesas publicas. O Brasil esta’ construindo uma bomba-relogio fiscal, que deveria ser objeto de um debate entre os economustas, similar as preocupacoes dos economistas americanos.

    • Tens toda razão Paulo.

      Às vezes, fico impressionado como pessoas qualificadas que passaram pelo setor público em cargos como Ministro da Fazenda, Secretário do Tesouro Nacional, Secretário de Política Econômica, etc. simplesmente se retiram do debate.

      Infelizmente, o debate no Brasil ainda é pequeno e a academia brasileira participa muito pouco desse debate.

      • O governo atual descobriu que a melhor maneira de se criar uma legião de quase-subordinados é financiar com dinheiro público as obras, as grandes empresas, etc. Dessa maneira, todos ficam com receio de criticar demais o governo, pois, afinal, quem vai querer se indispor com o maior cliente? É isso o que me preocupa.
        Assim que o Lula saiu de cena, começou uma rasgação de seda para a nova presidente do país. Chega a ser vergonhoso. É difícil saber a real situação do Brasil, uma vez o aparelhamento dos órgãos públicos pelo partido que está no poder é tão grande que as estatísticas oficiais já não servem mais para nada.

  2. Será que algo semelhante seria possivel de ocorrer no Brasil?

    Não. Aliás, citar nominalmente as pessoas responsáveis pelas atrocidades sendo cometidas deveria ser mais usual.

    Por exemplo, dizem que o Nelson Barbosa é o principal formulador das políticas do MF. Qual a participação dele nessa contabilidade criativa? Gostaria de ouvir explicações sobre isso.

    Hoje no Valor temos o Oreiro escrevendo sobre como a inflação só pode ser resultado do conflito distributivo. É o fim da picada um jornal com a circulação do Valor dar espaço pra esse tipo de ideia.

  3. Como leigo, sinto no ar dois problemas que me angustiam:
    O déficit fiscal do governo federal, o qual, camuflando as contas esconde a verdade.
    Em segundo lugar a relação dolar/ real que está levando ao sucateamento da nossa industria e estamos perdendo a nossa competitividade. É mais fácil importarmos da China e vendermos no Brasil, do que produzir aqui.
    Isto nos custará muito caro em um futuro proximo.

  4. Os que ficam no setor público evitam dar declarações públicas temendo retaliações do partido que está no governo, os que vão para a inicaitiva privada, viram, na maioria das vezes, consultores, gestores de bancos e de fundos de investimento e evitam dar declarações que possam afetar o seu negócio. O que falta é uma “academia brasileira” independente.

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  6. Vai demorar muito! Antes, infelizmente, o país vai ter que passar por uma grave crise para que a turma que hoje está no poder baixe a bola e a oposição finalmente cumpra seu papel. Enquanto isso não ocorrer, as campanhas eleitorais vão girar em torno do “quem oferece mais programas sociais”. As contas públicas que se explodam (nas mãos de outro governante, claro)

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