O Partido Novo: faz sentido?

Algum amigo empresário já havia me falado com entusiasmo dessa iniciativa de um grupo de empresários de criar um novo partido político, o Partido Novo, que teria como foco a melhoria da gestão pública e a defesa que cargos públicos sejam ocupados por pessoas com qualificações técnicas e comprometidas a seguir metas (ver matéria de hoje no valor econômico). Esse novo partido condena a politica como carreira profissional e tem como foco a melhoria da eficiência do setor público, trazendo para a gestão pública os princípios de eficiência comuns do setor privado.

A ideia parece ser muito boa, mas acho difícil que tenha sucesso por pelo menos quatro motivos.

Primeiro, eles partem de uma concepção ingênua que gestão pública é semelhante à gestão privada de uma empresa. Há uma grande literatura que mostra que isso não é verdade, mas essa ideia tem sido repetida ano após ano depois que  David Osborne e Ted Gaebler escreveram o livro “Reinventing Government” no início dos anos 90. No setor privado, o indicador de sucesso é o lucro. A gestão da empresa é voltada para esse objetivo e os executivos da empresa se preocupam apenas com isso. O setor público não funciona dessa forma, já que o gestor público tem que atender a múltiplos objetivos e nem sempre tem o poder de definir o “core bussiness” da sua pasta, já que essas atribuições foram definidas por Lei pelo Congresso Nacional para atender demandas de grupos de pressão da sociedade. Além do mais, o gestor público tem que gastar grande parte do seu tempo, literalmente, “vendendo a imagem de sucesso” para que possa continuar com o apoio politico para se manter no cargo e fazer o que for possível dentro das limitações normais do setor público. (ver sobre isso o magnifico livro de James Q. Wilson, Bureaucracy: What Government Agencies Do And Why They Do It, 1989.)

Segundo, a suposta ineficiência do setor público na oferta de alguns serviços representa, na verdade, uma forma eficaz de servidores controlarem o acesso à serviços públicos cujos recursos não são suficientes para atender a demanda (ver sobre isso o livro Street Level Bureaucracy de Michael Lipsky,1983). Um bom exemplo disso são os serviços de saúde. Como se sabe, no Brasil, os serviços de saúde são universais. No entanto, dado os recursos limitados, as filas para marcar consultas e a fila de espera para internação e cirurgia na rede pública é uma forma de controlar a demanda de um serviço no qual os recursos são limitados. Se duplicássemos o orçamento do SUS e acabássemos com as filas, a demanda por serviços de saúde aumentaria e muitos que hoje utilizam o sistema privado passariam a utilizar o sistema público. Nem o melhor gestor privado do mundo conseguiria a proeza de acabar com as filas e reduzir os gastos. Há sim muita ineficiência a ser combatida, mas as filas pode ser mais um sintoma de racionar a oferta do que simples ineficiência.

Terceiro, empresários e profissionais liberais já têm mecanismos de participação política. As associações empresarias como IEDI, CNI, FIESP, etc. e associações setoriais (ABDIB, ABIQUIM, etc.) têm canais de acesso ao governo e também a políticos importantes que têm poder de definir agenda de votação no Congresso Nacional. Empresários têm uma agenda politica e demandam do governo politicas para o crescimento dos setores que representam, mesmo que essa politicas prejudiquem outros setores. Esse é o jogo político normal no Brasil e no resto do mundo, sendo que essa relação entre governo e elites empesarias pode ser positiva ou negativa. Quando o governo conversa com apenas uma única ou poucas associações, há um risco grande de conluio. Quando essa relação é aberta e traz para mesa grupos de pressão diferentes, inclusive aqueles que representam trabalhadores, essa relação tende a ser menos “rent-seeking” e mais pro desenvolvimento. O professor de ciência política do MIT, Ben Ross Schneider, tem um livro interessante sobre isso (Business Politics and the State in Twentieth-Century Latin America, 2004).

Por fim, o Partido Novo não quer ter nos seus quadros “pessoas viciadas no processo político”. Isso significa que esse partido já nascerá pequeno. Politica é uma atividade profissional e se o deputado ou senador não pertence a um partido com força política no Congresso Nacional, ele pouco poderá contribuir para a aprovação de novas leis. O presidente de uma comissão no Senado Federal, por exemplo, tem um grande poder para colocar em votação um projeto de lei em um momento que seus opositores não estão na sessão e o mesmo vale para o Presidente do Senado Federal. A presidência das comissões são determinadas pelo tamanho das bancadas e, assim, partidos muito pequenos acabam se aliando a outros maiores para conseguir alguma força política no Congresso. Adicionalmente, a distribuição de projetos de lei para um senador ou deputado ser o relator está longe de ser aleatório. Há um grande jogo de negociações e pressões por trás disso. Em resumo, políticos não profissionais correm o risco de cair no ostracismo como tem sido a praxe com excelentes técnicos bem intencionados que chegam ao Congresso Nacional.

Se esses empresários e profissionais liberais do Partido Novo querem contribuir para melhorar a gestão do estado, utilizem o seu poder financeiro para denunciar coisa erradas, usem o canal politico que dispõem para convencer deputados e senadores a adotarem uma agenda de reformas pró desenvolvimento, ajudem o governo a identificar boas práticas que possam ser replicadas.

Um partido politico sem políticos por um grupo que se considera independente é uma grande utopia. Não há uma solução técnica ótima para os grandes debates da sociedade. Não existe reforma política ótima, não existe reforma tributária ótima, nem tão pouco tamanho do estado ótimo. As soluções técnicas para os problemas do Brasil são soluções políticas. Se o Partido Novo não entender isso, ele pouco poderá contribuir para a melhoria da gestão pública como pretende.

50 pensamentos sobre “O Partido Novo: faz sentido?

  1. Mansueto,

    Estivesse você dando aula, me leventaria no final e aplaudiria. Sempre no ponto, bem informado e com posições claras.

    Obrigado por manter este blog e dividir seu conhecimento conosco!

  2. Lúcido, coerente porém frustrante. Com base na análise não há como sair do sistema atual, viveremos ad aeternum sob o tacão dos oportunistas.
    Uma maneira de minimizar o dano causado pelos atuais partidos políticos talvez sejam a extinção do voto obrigatório, a obrigatoriedade de seleções através de concursos para concorrer às eleições, o fim da reeleição aos cargos legislativos e executivos e, last but not least, que o título de eleitor faça jus à denominação TÌTULO e não seja concedido à analfabetos e cidadãos sem capacidade intelectual para merecê-los.
    Não há como desenvolver um país sem contar com a elite.

  3. Tb me parece utópico termos um partido político com plataforma focada apenas na eficiência da gestão pública. ( Me faz lembrar Dona Weslyan Roriz que, quando questionada sobre qualquer tema político relevante, dizia que teria assessoria de equipe técnica altamente competente para tratar da questão. )

    Bom lembrar que a preocupação com o tema já deveria estar difundida em nossa cultura e partidos políticos, como estabelece a própria Constituição, e não ser uma característica restrita a um único grupo.

    Talvez, a inciativa seja bastante valiosa por resgatar o debate e trazer novas idéias e motivações para este tema essencial para o progresso de qualquer sociedade.

    • Blairo Maggi entrou na política com a mesma visão empreendedora, empreeender para si mesmo.
      O “partido novo”, PROPÕE algo diferente.
      Talvez resida aí o principal problema do “partido novo”.

  4. ? ” Partido Novo, que teria como foco a melhoria da gestão pública e a defesa que cargos públicos sejam ocupados por pessoas com qualificações técnicas e comprometidas a ..”

    É coisa de alienado (se não for de mal intencionado). É confundir causa, com efeito. É frustrante ver gente que se considera instruído ver com essas soluções em pleno sec XXI, ao invés de focar no sistema político: Aperfeiçoamento do sistema, Voto Distrital, controlar sindicatos e organizações (a começar por esta que se pretende criar) que se incrustam no sistema e impedem que ela consiga operar.
    ESTADO MÍNIMO. APENAS PARA AQUELES SERVIÇOS QUE A SOCIEDADE PRIVADAMENTE TENHA DIFICULDADE DE EFETIVAR.
    Vamos por ahi … ahi tem solução.
    É TÃO DIFÍCIL USAR A LÓGICA E A EXPERIENCIA PASSADA PARA SEGUIR ESSE CAMINHO?

  5. MANSUETO
    Você está formalmente certo, mas você já conversou pessoalmente com Sarney, Maluff, Lula, Lobão, etc… ? Sem excluir nossos bravos líderes da oposição?Você realmente acha que existe uma possibilidade de líderes empresariais conseguirem convencê-los de fazer qualquer coisa contra seus interesses pessoais? E meus filhos dizem que eu sou ingênuo.

    • Caro Ronaldo,

      o que acho é que apenas com a sociedade se organizando e cobrando dos políticos vamos conseguir melhorar as coisas. Político morre de medo de perder votos. Eles respondem a incentivos como todo mundo.

      Assim, acho que mais do que criar um partido político sem políticos, precisamos ajudar para que todos conheçam melhor o que os políticos fazem e possam pressioná-los.

      No momento em que a elite empresarial cortar o financiamento para político corrupto, o estado das coisas pode começar a melhorar. Aos poucos as coisas mudam.

      • entao a visao de muitos q nem eu e partido novo…..sei q acabar com a corrupção é uma tarefa quase impossivel…mas em relaçao a aliados politicos no congresso onde vence quem tem maior liderança nao era pra ser do jeito q é …já q todos q tao lá eram pra ter a chance de cada um ter o direito igual…

  6. Eu sabia que existe essa proposta, lí a meta deles, mas realmente é utópica. Seu artigo foi esclarecedor e me fez refletir sobre a falta de ações dos homens esclarecidos e cultos da sociedade. Um exemplo? O filósofo Olavo de Carvalho é um grande analista política e liberal, mas não seria muito mais interessante e pertinente que ele organizasse no Brasil um partido de direita para concorrer e fazer política da boa? De preferência uma política de oposição.

  7. não sei exatamente qual a plataforma desse pessoal, e concordo que a gestão do estado não é análoga a gestão empresarial, agora, um novo partido político com idéias que hoje não são incorporadas por nenhum dos existentes, eu considero salutar.

    ser formado por pessoas com poder econômico aumenta significativamente a chance de sucesso, e é sem dúvida mais saudável tentarem convencer a população da utilidade de suas propostas, do que fazerem lobby – velado e não republicano – junto aos partidos hoje existentes.

    aliás, o surgimento de uma nova classe de políticos, ainda que não consiga atingir proporções significativas, pode atrair mais gente com novas idéias e ideais e, quem sabe, colaborar para o reequilíbrio do espectro político nacional.

    ;^/

    • Suas considerações finais foram exelentes, afinal considerariam o direito feminino algo utópico há algum tempo nem tão distante assim. Vale à pena investir em novas ideias, mesmo que elas não representem um retorno a curto prazo. Precisa-se reformar essa democracia ainda emergente no Brasil, para tomar rumos realmente promissores, a partir de 2021 por exemplo o brasil perderá influência econômica saindo da 5ª posição esperada no pib e voltará a 7ª se o ritmo de crescimento continuar da forma que está ou não se apresentar algo novo principalmente quanto à educação em massa que necessariamente precisa de uma nova política. É necessário também considerar que o efeito borboleta é muito comum na política, talvez se houvesse um partido em que há democracia antes mesmo das eleições, nós poderiámos acabar com a vitrine de políticos, com essa política antidesenvolvimento.

  8. Fantástica a explicação que quebra o paradigma de que basta dar o ‘caráter privado’ às ações do setor público para que as coisas melhorem. Mas não parece meio contraditório quando o senhor diz que as soluções são políticas e ao mesmo tempo indica que não há uma reforma política ótima, que ‘derrote’ os entraves do processo político vigente (ex: a distribuição de projetos de lei para um senador ou deputado ser o relator está longe de ser aleatório. Há um grande jogo de negociações e pressões por trás disso)?

    O senhor está mais pendente para o lado daqueles que se renderam ao pessimismo e partem para uma ação individualizada e de “auto-salvamento”, ou manifesta a crença na efetivação de uma construção coletiva (a sociedade se organizando e cobrando dos políticos vamos conseguir melhorar as coisas)?

    Parabéns pelo blog!

    • A sociedade se organizando e cobrando, pelo visto, não significa uma coletivização da sociedade. Isso não deu certo e muito provável, não daria certo. Outros partidos surgiram com uma proposta de uma nova forma de fazer política e falharam também. Acabaram por entrar na mistificação. A conclusão do post de que “Um partido politico sem políticos por um grupo que se considera independente é uma grande utopia”, acerta na veia.

  9. Pelo que li, quem está metendo dinheiro na empreitada é Eik Batista.
    Aquele que pagou R$ 500.000,00 por um terno do Lula, e tem uma MacLaren Mercedes como decoração da sala de sua casa.
    Quem quiser, que acredite que isso tem algo de novo…

    • O dinheiro foi revertido para caridade e o ato foi o mais puro possivel, acredite.
      Indiferente do que você pensa ou do que eu penso, Eike pode fazer isso, e o dinheiro ajudou muita gente necessitada.
      Diferente dos políticos sujos que existem por ai querendo cada vez mais aumentar seus bens e cofres, o Eike tirou de seus bens e cofres e doou para a sociedade, isso é mais um exemplo de que mesmo se você é do setor publico ou privado e tem como ajudar e fazer algo de bom para a sociedade entao faça, criticas existirão ate para os mais puros seres.

      • Não há problema algum com o fato de um empresário doar parcela do seu dinheiro para um partido. Concordo com você André. Também já disse aqui e repito. Não tenho absolutamente nada contra o Partido Novo e espero que esse partido tenha sucesso na mobilização da sociedade. As criticas que fiz foram no sentido construtivo e a partir do que havia lido na imprensa e da experiência que tenho em tratar com políticos. Converso com muitos políticos de vários partidos e sempre tento ajudá-los da forma que posso — com esclarecimentos de alguns pontos e temas que abordo neste blog.

        Mansueto Almeida

  10. Caro Mansueto,
    Li com atenção suas colocações e os comentários de todos os leitores, mas, tenho uma forma diferente de pensar.
    Lula, quando criou o PT é porque havia percebido que no congresso nacional a classe trabalhadora não tinha representantes, isso foi em 1978; quando em 1988, Mário Covas, Montoro, Serra e FHC saíram do PMDB para fundarem o PSDB, é porque divergiam dos rumos de ideologia daquele partido (leia-se Sarney, Quércia e cia.)
    Mas, atualmente em pleno século XXI, não penso ser tão utopia assim, diga-se de passagem o que falariam para Luis Inácio 30 anos atrás se ele dissesse que gostaria de ser presidente da República?
    O mundo mudou e para se mudar processos é preciso fazer parte dele.
    O Partido Novo não têm por ideologia representar a classe empresarial, pelo contrário, têm por ideal melhorar o serviço público através de técnicas bem-sucedidas no mundo privado.
    Vamos ponto a ponto:
    1- A concepção do partido não é ingênua, pois, mesmo que os sistemas privados e público se divergem em alguns aspectos, se convergem em muitos. A empresa têm por objetivo dar lucro (fazer dinheiro) o público também, mesmo que o lucro seja diferente, mas, a forma para ambos é a mesma, na empresa não se gasta mais do que se arrecada, é de onde surge seu lucro, no ambiente público também, se os governos não gastarem além do seu orçamento, ou seja, se não se endividarem, e obtiverem lucro em suas gestões, haverá mais dinheiro para ser investido nas áreas necessárias.
    2 – Suposta ineficiência? Você por acaso já usou o SUS? Moro no estado do Piauí, se um habitante de Luzilândia que fica há 240 km da capital, necessitar de ser fazer uma cirurgia simples de qualquer coisa precisa vir para Teresina, detalhe, seu prontuário médico fica no hospital de origem, onde o médico da capital, não sabe qual medicação seu colega receitou ao mesmo a não ser que o paciente lhe diga, em um sistema eficiente, ele nem precisaria vir para a capital, mas, não vivemos em um mundo perfeito, então, mesmo que precise vir, em pleno séc XXI, como os hospitais públicos não possuem sistema integrado, imagine se você possui conta em um banco e cada agência que você que não seja sua central, seja necessário você levar todos os seus documentos e dizer seu histórico porque eles não têm acesso à sua conta porque não foi onde você a abriu, e quanto as filas, os próprios bancos, que não conseguem dar jeito para elas, são inevitáveis, o que pode-se fazer é dar um pouco mais de conforto e dignidade, isso tenho certeza os bancos procuram fazer e é possível em um hospital público.
    Além do mais, é justo que pessoas paguem serviços duas vezes?
    Pagamos pelos serviços de educação, saúde, segurança, etc. Mas, porque nós da classe média, precisamos ter plano de saúde, pagar escolas particulares e condomínios para nos protegermos?
    O Estado não pode ser paternalista, mas, têm a obrigação de prover serviços de qualidade, para todas as classes.
    E, isso só é possível com técnicas de gestão de qualidade.
    3- Os empresários já possuem organismos para atuarem na política…
    Concordo, mas, ficam amarrados porque não têm poder de decisão, ressalto que o NOVO não representa a classe empresarial, o objetivo é ter pessoas capacitadas para funções capacitadas.
    Como pode a Câmara ter de 4 em 4 anos fazer cursos específicos para os novos deputados, porque os mesmos são eleitos e não sabem como a mesma funciona?
    Se para passar em um concurso público eu preciso saber o regimento interno do órgão da qual estou me candidatando, como pode ocorrer a questão acima?
    Além do mais, a visão empresarial possui um dinamismo maior que a pública, ela trabalha com planejamento, com redução de custos, com serviços de qualidade para sua população.
    O Chile fez um planejamento com metas de educação, saúde, reforma tributária, para ser o que é hoje, a Coréia do Sul o mesmo, o Japão idem, todos utilizaram de técnicas utilizadas na gestão privada e obtiveram sucesso.
    Por que no Brasil seria diferente?
    É tudo uma questão de quebra de paradigma.
    “Gênio, é aquele que consegue realizar os seus sonhos” (Leonardo Davinci)
    E o meu sonho, está apenas começando…
    Excelente blog, a propósito, parabéns.
    Forte abraço

  11. Caro Cezar,

    Acho que não discordamos tanto assim e vou pegar os seus próprios argumentos. No caso do PT o partido cresceu justamente porque se tornou um partido profissional e o seu criador um politico profissional que foi o único candidato a presidente da República do partido desde sua criação até 2006. Pelo que lí na imprensa sobre Partido Novo, eles não querem que um mesmo politico se candidate várias vezes porque eles “não querem políticos profissionais”. Assim, em nada a proposta de criação do Partido Novo se assemelha aos exemplos do PT ou dos outros partidos como o PSDB que você citou e que foi criado por uma dissidência do PMDB e, portanto, por políticos profissionais.

    A utopia não é criar novos partidos políticos para representar segmentos da sociedade que hoje não se vêem representados pelos os partidos que ai estão. A utopia é tentar participar do processo politico sem querer ter “políticos profissionais”. Hoje, políticos tidos como presidenciáveis como Aécio Neves, Eduardo Campos e José Serra são políticos profissionais. E acredito que a eleição de um outsider como foi o caso do Collor, em 1989, não é mais possível com as eleições para governador, deputados, senadores e presidente da República ocorrendo simultaneamente.

    Na questão da eficiência, qualquer instituição pública ou privada deve busca a eficiência, mas continuo com o meu ponto original que há grandes restrições impostas por lei ao serviço público. Por exemplo, do ponto de vista da eficiência, seria melhor que todos os professores continuamente mal avaliados perdessem o emprego. O mesmo vale para os demais funcionários públicos. Mas a sociedade brasileira, na Constituição de 1988, resolveu por meio do seu Art. 41 dá estabilidade aos funcionários públicos após três anos de exercício efetivo do cargo. Assim, o gestor público tem que trabalhar com o que tem, funcionários bons e ruins.

    No caso da economia do setor público, a poupança que se faz ou se deixa de fazer está relacionada com o interesse político de atender à demanda da sociedade (ou de alguns grupos mais organizados) e isso explica, por exemplo, a nossa elevada carga tributária. A carga tributária no Brasil aumentou porque a sociedade brasileira desde a Constituição Federal criou uma série de programas que precisou de mais receita. Foi uma decisão política. É claro que há má gestão em algumas áreas e que há desperdícios. Mas com as regras atuais de aposentadoria e pensão que vigoram no Brasil, acho difícil se resolver o problema da previdência com “choque de gestão” como chegou a propor alguns consultores privados. Neste caso, será necessário reformas na lei.

    Concordo totalmente com a sua afirmação “O Estado não pode ser paternalista, mas, têm a obrigação de prover serviços de qualidade, para todas as classes.” Sim, mas isso tem um custo e, por isso, temos uma carga tributária tão elevada. Como o Brasil ainda é um país desigual e ainda não é rico, a classe média acaba sim arcando com parcela maior do custo desses serviços que não utiliza.

    O SUS é altamente ineficiente e concordo com isso. O que não concordo é achar que um choque de gestão no SUS vai reduzir os custos do sistema. Um SUS mais eficiente pode aumentar a demanda por serviços como expliquei e isso é bom). O meu ponto é que a agenda de eficiência não significa, necessariamente, redução de custos como os empresários parecem cegamente acreditar.

    Não sou contra também ao estabelecimento de metas. Ao contrário, sou a favor e acho que em várias áreas o Brasil está avançando. Agora porque não estabelecemos uma meta para ter uma inflação de 2% ao ano a partir de 2012? Por que não estabelecemos uma meta para estar entre os dez países de melhor sistema educacional do mundo em dez anos? Por que não estabelecemos como meta a universalização da educação pré-escolar já a partir de 2012? Isso tem mais a ver com decisão política e alocação de recursos e não apenas com gestão.

    Os países de maior carga tributária do mundo são países com maior rede de assistência social e de serviços públicos. Isso está relacionado a decisões políticas e não a gestão. Acho difícil acreditar que a gestão do setor público nos Estados Unidos seja melhor que o da Alemanha ou Finlândia. Mas nos EUA a carga tributária é muito menor devido a decisões políticas daquela sociedade que fizeram opção por uma rede menor de assistência social. É decisão soberana do eleitor e não do que seja certo ou errado. Colocasse um economista para ser “resolver” a situação, ele sem dúvida transformaria a Alemanha e Finlândia em um país mais próximo do que é os EUA.

    Assim, não tenho nada contra choques de gestão, trazer mecanismos de controle de gestão do setor privado para o setor público, etc. Mas no setor público as coisas são diferentes porque políticos e governos respondem a demandas diversas e as prioridades são estabelecidas no jogo político do dia a dia.

    Se o Partido Novo quiser contribuir para melhorar o Brasil, ele terá que literalmente participar da politica, mostrar quais são as suas propostas e mesmo desenvolver mecanismos para mediar os conflitos que surgirão na bases do próprio partido. A utopia é querer formar um partido político de “pessoas que são preocupadas apenas com gestão ou eficiência” ou que não tenha nas suas bases políticos profissionais. Isso é utópico.

    • Mansueto,

      Você diz que, em função da estabilidade do servidor público, o gestor tem que trabalhar com o que tem, seja ruim ou bom. Não é bem assim: o dispositivo constitucional que instituiu a estabilidade sofreu uma emenda na época do governo FHC pela qual determinou-se que a estabilidade deve existir sob avaliação de desempenho do servidor. Logo, se tivermos avaliações de desempenho EFICAZES, teremos toda condição de melhorar o serviço público.

  12. O contraponto feito por Mansueto Almeida sobre o sentido que possa fazer o Partido Novo é muito bem vindo e recebido como um incentivo. Na verdade, uma iniciativa que não fizesse sentido algum dificilmente estimularia o articulista a reflexões tão intensas e eruditas. Os quatro motivos analisados, pelos quais se chegaria à conclusão de que o Partido Novo é uma utopia e por isso não vai dar certo, são na verdade quatro desafios para serem enfrentados por quem queira exatamente fazer algo novo.

    O primeiro ponto, a respeito da suposta ingenuidade em pretender que o Estado tenha uma preocupação semelhante à das empresas privadas quanto à eficiência de gestão, exige que se distinga entre o que é semelhante e o que não é. Eficiência em matéria de administração é a maneira de se planejar e obter o melhor resultado possível, ao menor custo e no menor tempo. Isso tanto vale para a administração pública quanto para a iniciativa privada. O Partido Novo não supõe que a gestão publica e a gestão privada sejam semelhantes em tudo. São substancialmente diferentes sob vários aspectos relevantes. Os objetivos predominantemente sociais da administração pública são fundamentalmente diferentes dos objetivos de lucro da iniciativa privada. Mas, ambas podem e devem ser organizadas segundo os seus padrões próprios de eficiência. O que não se pode é aceitar que pela natureza da gestão publica ela deva necessariamente se pautar pelo improviso, por interesses subalternos, pelo desperdício, pela falta de objetividade, pela inversão de prioridades e pelo desprezo do fator tempo.

    A segunda abordagem fala sobre a ineficiência do serviço público como forma planejada de desestimular a demanda. Pode ser uma verdade, e as fontes citadas pelo articulista atestam isso. É muito triste que seja assim. Mas, não precisa ser uma verdade definitiva. Pode ser mudada. É imoral racionar a procura do serviço público pelo maltrato a quem dele necessita. Não dá para aceitar que o Estado faça mal feito simplesmente porque se fizer bem feito vai enfrentar maior demanda pelos serviços que deve prestar. Quando se propõe um Partido Novo, é justamente para enfrentar situações como essa, para quebrar paradigmas arcaicos, que exigem uma forma nova de encarar os deveres e possibilidades do Estado e sua gestão.

    A terceira razão de descrença no projeto do Partido Novo é fruto de um equívoco. Como citado no site do NOVO, menos de 7% dos fundadores são empresários. Na verdade a grande maioria é formada por profissionais liberais. Um partido efetivamente voltado para o bem comum, e não para projetos pessoais, não pode ser desta ou daquela classe social, desta ou daquela etnia, crença ou região. O Partido Novo só estará consolidado quando tiver em seus quadros de pensamento e militância representantes de todos os segmentos que formam a variada sociedade brasileira e representantes de todas as regiões do país.

    O quarto ponto trazido à discussão pelo articulista é a questão da profissionalismo político. O tema coloca em confronto dois valores respeitáveis. Um, é o valor da experiência. Outro e o valor da renovação. No equacionamento desses dois valores, ambos importantes, o que o Partido Novo entende necessário é que se evitem os vícios das estruturas que deixam de satisfazer aos fins para os quais foram concebidas e criadas, para satisfazer às oligarquias que as ocupam. A política, o interesse sadio pela polis, não é efêmero, não é episódico, nem está reduzido a um ou dois mandatos. A participação política deve ser uma constante na vida de todo cidadão. Mas, hoje é pacífico que um prefeito, governador ou presidente não se pode eleger mais de duas vezes seguidas para o mesmo cargo, embora não esteja obrigado a abandonar a vida política após o segundo mandato. Da mesma forma, prega o Partido Novo, o legislador não se deve perpetuar em nenhuma casa legislativa. As acuradas ponderações do articulista sobre os jogos democráticos, e os não tão democráticos, que se praticam nas casas legislativas, seja na formação e condução das comissões, seja no encaminhamento dos projetos de lei, teriam melhores possibilidades de atender ao interesse público se fossem conduzidas sem a preocupação de perpetuar carreiras. É em nome da reeleição e no interesse da permanência no cargo que se fazem muitas das articulações e votações pouco republicanas.

    Por último, concordamos , que um partido político independente dos vícios da política que, de modo geral e com honrosas exceções, se pratica no Brasil é uma utopia. Mas, a utopia é que move os homens de boa fé em direção ao horizonte. Utopia não é fantasia. É a realidade possível, em que se acredita. Quem acredita caminha em direção ao horizonte.

    Sugerimos ao articulista, se houver interesse, uma consulta ao nosso site (www.novo.org.br) onde certamente as informações serão mais esclarecedoras do que apenas a leitura do artigo na imprensa. Desde já tambem registramos o convite ao articulista, que tendo gostado das ideias, se junte ao NOVO, para elaboração de propostas especificas que possam ser discutidas no momento adequado.

  13. Prezado Mansueto,

    Como cidadão brasileiro, engenheiro, empreendedor e micro-empresário, e um dos fundadores do Partido Novo, gostaria de fazer alguns comentários sobre o seu post.

    O Novo tem dois focos principais. O que geralmente ganha destaque é a melhoria da gestão pública. Mas o segundo foco é tão ou mais importante: a participação do cidadão comum na política. Propomos diversos mecanismos de incentivo e apoio, e de limitação à “profissionalização”, para minimizar o risco de criarmos uma casta de políticos de carreira cujos objetivos são pessoais e divorciados das necessidades e anseios da população que os elegeu (qualquer semelhança é mera coincidência).

    Isso não significa que tenhamos uma concepção ingênua das dificuldades, ou que não entendamos as diferenças, grandes e muitas, entre gestão privada e pública. Um funcionário de empresa privada tem enorme liberdade para ser criativo e empreendedor, pois pode fazer tudo aquilo que a lei não proíbe. Um funcionário público, ao contrário, só pode fazer o que a lei determina. A legislação que regula várias de suas atividades é tão complexa e arcana (exemplo: a lei 8.666 que regula licitações) que muitas vezes é melhor não fazer nada para não correr riscos (já que os órgãos de controle têm atuação incerta e política). As etapas de planejamento, empenho, liquidação e pagamento das despesas de um projeto público são, frequentemente, mais trabalhosas que o próprio projeto. E como estimular e incentivar, por exemplo, um policial militar que ganha menos de mil reais por mês ? Como lidar com desempenho ruim ou atos ilícitos, quando a Constituição dá estabilidade ao funcionário, e o processo de desligamento é demorado, complicado e oneroso ? A lista é enorme, e a conhecemos.

    Permita-me discordar do seu segundo ponto, quando você cita Lipsky para dizer que “a suposta ineficiência do setor público na oferta de alguns serviços representa, na verdade, uma forma eficaz de servidores controlarem o acesso à serviços públicos cujos recursos não são suficientes para atender a demanda “. Faço três observações. A primeira é que esse raciocínio, levado ao extremo, passa a ser a justificativa para qualquer falha do governo em prover os serviços básicos demandados pela população (e garantidos pela Constituição). Falta policial na rua ? É preciso ficar na fila 3 dias para matricular seu filho na escola pública ? São apenas formas de controlar a demanda. A segunda observação é que uma das funções mais importantes da gestão pública é justamente administrar a escassez – e que tipo de administração é essa que permite filas no SUS por falta de médicos, mas compra 42 poltronas de R$ 2.600 para os burocratas do STJ ? (Conforme processo STJ 8528/2007, apresentado pela ONG Contas Abertas).

    Minha terceira observação é que, examinando Lipsky, vi que o foco do seu trabalho é o papel do funcionalismo operacional (“street level bureaucracy”). Ele diz que a política pública não pode ser compreendida apenas examinando as leis e políticas criadas nos altos gabinetes – ela na verdade é criada no encontro diário entre o servidor público, que opera com recursos limitados, e o cidadão em busca de serviços. No Brasil esse servidor (com honrosas exceções) é mal remunerado, mal treinado e sem recursos. Por isso nossa terrível experiência como cidadãos toda vez que precisamos de um serviço público. As filas no SUS não são uma “forma eficaz” de controle de demanda: são a única resposta – desesperada e cruel – que o servidor público pode dar quando não consegue atender aos cidadãos.

    Você diz que nosso plano de não ter em nossos quadros pessoas viciadas no processo político nos condena a nascer pequenos, e que “política é uma atividade profissional”. Nascer pequeno é o que acontece com a maioria das organizações, especialmente quando propõem novas idéias. Não faltam exemplos de organizações que nasceram minúsculas e se tornaram enormes pela força das idéias. Não temos a ambição do gigantismo, caro Mansueto. Nosso desejo é expressar uma visão da cidadania que é tão válida e legítima quanto qualquer outra: a de que os cidadãos brasileiros precisam ter uma participação mais direta na condução da sua história e no destino que é dado ao enorme volume de recursos arrecadado pelo Estado.

    Nossa proposta não é um “partido sem políticos”, nem uma “solução técnica” para os grandes debates da sociedade. Nascemos sem políticos profissionais porque somos cidadãos comuns que querem participar politicamente, sem a tutela ou o “profissionalismo” negativo que caracteriza a política atual, insular e voltada para si mesma.

    Acreditamos em uma menor carga tributária, acreditamos em leis melhores, acreditamos em uma justiça rápida e eficiente, acreditamos em um código penal que preserve os direitos de todos e que efetivamente proteja a sociedade, acreditamos em igualdade de oportunidades. Nada disso vai ser feito pelos políticos “profissionais” cuja preocupação principal é a próxima eleição, e que passam a maior parte do seu tempo no jogo político de gabinetes. Nosso melhor argumento é, sempre, o jornal do dia.

    Nossa proposta não é, nem poderia ser, gerir a administração pública exatamente como se fosse uma empresa. O que propomos é eleger gestores públicos qualificados, que tenham acesso a técnicas e métodos já comprovados no mundo empresarial, e que vejam essa eleição como uma chance de servir ao país, e não de se adiantar interesses próprios. Essa sim, talvez seja uma concepção ingênua – mas nesse caso, temos orgulho dela.

    Saudações e parabéns pelo blog,

    Roberto Motta

    • Caro Roberto,

      muito obrigado pelas explicações e em momento algum quis passar a impressão que o Partido Novo será ineficaz para contribuir com as mudanças que todos almejamos para o Brasil.

      A sua nota e a nota do diretório nacional do Novo esclarecem vários dos pontos que não ficava claro na matéria do Valor Econômico, que caracterizava o partido com uma iniciativa empresarial mais focado em trazer para o setor público a gestão privada.

      Concordo com vários dos pontos levantados na sua nota e, assim, espero que vocês consigam promover um maior debate sobre o desenvolvimento do Brasil e propor políticas alternativas.

      A proposito, meu exemplo do SUS foi para mostrar que choque de gestão não leva necessariamente a redução de custos. precisamos sim buscar a maior eficiência e eficácia na oferta de serviços públicos, mesmo que isso aumente a demanda por serviços públicos. O foco deve ser não a redução de custos per se, mas eficácia e eficiência. Filas nem sempre são o retrato de ineficiência, mas uma forma de racionar a demanda frente a falta de recursos. No caso da saúde, sem dúvida uma forma desumana de controlar a oferta.

      Mais uma vez parabéns pela iniciativa e tome minhas críticas não como negativas, mas muito mais como um alerta.

  14. Caros,
    Uma iniciativa como esta tem um lado muito importante: precisamos entender que a política TEM que ser exercida. Acho maravilhoso ver o Caetano Veloso discutindo política no caderno da cultura do Globo, achei excelente ver um Guilherme Leal se expondo na política. O asco da política é muito ruim. Se 35% do PIB passa por alí, nossos filhos merecem um esforço nosso para acompanhar.
    Grato

  15. Pingback: Esclarecimento do Diretório Nacional do Partido Novo « Blog do Mansueto Almeida

  16. Caro Mansueto,

    Seus pontos me pareceram corretos, mas reveja por favor o exemplo da saúde pública. O mesmo vale para outros serviços essenciais.

    Há sim fundamento em reservar certos níveis de atendimento, conforto, tecnologia, exclusividade e celeridade para o setor privado, de modo a não sobrecarregar o Estado. Até aí tudo bem.

    Mas infelizmente acontece de não estarmos no Quebec nem na Dinamarca.
    Essa discussão e esse tipo de argumento serão pertinentes um dia, assim espero, mas ainda não se aplicam de modo algum ao Estado brasileiro, em que há simplesmente um tratamento desumano, indigno e de péssima, realmente péssima, qualidade. Não há desculpa para a calamidade que passa silenciosa encoberta pela propaganda oficial e pela pobreza da cultura política no país, de modo que, quem necessita desses serviços não se dá conta de quanto está sendo lesado, quem não necessita vive feliz na bolha dos serviços privados e continua arcando com essa espécie de dupla tributação invisível.

    Resguardado o mérito do estudo citado, não há como fugir da realidade. Por mais que “os recursos sejam limitados”, basta comparar o orçamento com o que se vê dentro de qualquer hospital (escola, creche, metrô) público para constatar, mesmo à primeira vista, uma discrepância grotesca… O dinheiro sumiu, e está, sim, nas mãos dos políticos profissionais e seus subordinados, gostemos ou não.

    Percebo em mais de uma ocasião esse desejo de “elevar o nível do debate político” e fugir de alguns chavões retóricos da indignação de boteco, porém, para fazê-lo sem cair no vazio, seria preciso ter um mínimo de respaldo na realidade. Em Estocolmo ou em Seul, sim, isso é possível e natural. Entre nós seria algo ainda forçado.

    Não se trata de complexo de vira-lata, mas simplesmente da contradição evidente entre economia, tributação e desenvolvimento humano. Fica parecendo que há dois países. Não há. A equação não se resolve sem a inclusão da variável corrupção, inclusive (ao meu ver), certa corrupção cultural e institucionalizada. Nossa discussão é, ainda, infelizmente de outro nível. Só para dar um exemplo, o nível de mortes violentas considerado não-endêmico pela OMS é de 10 por 100.000 habitantes. Todas as capitais e todas as unidades federativas estão acima desse índice. Há cidades em que, para determinada faixa etária, o índice passa de 150, mais de 10 vezes acima do nível endêmico (fonte: Mapa da Violência 2011). Isso, creio, não se explicaria como um eficaz remanejamento de demanda, a ser complementada pela segurança privada. É uma calamidade.

    Enfim, temos ainda muita lama para revolver, uma situação política que, conquanto saia nas primeiras páginas dos jornais, não seria digna sequer das portas dos banheiros.

    A propósito, tampouco vejo razão na criação do Partido Novo.

  17. Para quem cita os exemplos do Canadá e da Dinamarca: estes não são países ricos por causa do welfare state. O welfare state existe por lá porque são países que ficaram ricos e puderam implementá-lo. Porém, essa é uma política que não se sustenta. Uma hora esses países vão precisar se livrar de alguns fardos que o governo carrega. Não é a visão de um liberal malvado. É a realidade simples e fria.

  18. Mansueto, acredito que está faltando um detalhe importante nessa discussão do Partido Novo. Enquanto questionam os “choques de gestão”, “políticos profissionais”, “utopias” e outros num compreensível desfile de teorias, pergunto: E quem vai melhorar os mecanismos de escolha? Como produzir eleitores melhores? Afinal, como o Senhor disse, não basta a criação de novos partidos, sem a criação de uma nova mentalidade continuaremos enxugando gelo.

  19. Concordo com a dificuldade de resolver o problema da gestão publica porem devo ressaltar que não é tao impossível como parece. A solução está exatamente na gestão, que deve ser regida com honestidade e competência. Com Honestidade e Competência é possível sim um partido politico executar um projeto de correção do sistema atual e resolver muitos destes problemas inadmissíveis.

    A questão é se essa figuras do “partido novo” estão interessadas no coletivo ou no individual…

    se o interesse é coletivo estou dentro porque somente a ideia de um novo partido me da um pouquinho de faísca esperança no Brasil!

  20. Mansueto,
    Li o seu comentário sobre a criação do Partido Novo e diversos outros aqui postados.
    Concordo que inicialmente parece uma proposta sonhadora, utópica, ingênua porém o ser humano precisa de sonhos para mudar.
    E o que mais precisamos para o status quo político nacional é de mudanças.
    Não dá para ficar como está hoje, com tendência a piorar.
    Se comparamos a lida política do passado com a atual percebemos claramente uma degradação contínua do comportamento dos políticos e da visão em atender a sociedade que é o fim da gestão pública.
    Acho bem vinda uma proposta nova.

    • Caro Jano,

      não tenho dúvidas que qualquer organização da sociedade é positiva. Mas acredito que mudanças no processo político decorrem de um maior acompanhamento da população da atuação dos políticos e de uma população minimamente consciente dos problemas do país. Mudanças institucionais vem de um conjunto de fatores, sendo possível que haja espaço para o surgimento de um partido no Brasil que ajude a mudar o status quo atual. Não sou contra a formação de novos partidos, mas o que havia chamado atenção é às vezes achar que “há soluções técnicas ótimas” vs. soluções políticas e a idéia de que um novo partido não seria formado por políticos profissionais. Não vejo problema algum que tenhamos políticos profissionais o que todos nós queremos evitar é o a utilização da política como meio de enriquecimento.

  21. Mansueto, você não acha que qualquer alterativa para melhorar os problemas pólíticos no Brasil não é válida? Pelo menos o Partido Novo quer contribuir para o crescimento de um brasil melhor para todos.

    • Ao contrário, qualquer tentativa é válida. O que chamei atenção foi o que me pareceu uma tentativa talvez limitada de criar um partido e excelência formado por técnicos e sem políticos profissionais. Qual o problema de termos políticos profissionais? não vejo nenhum. O que não queremos é que os políticos e partidos utilizem a político para o seu ganho pessoal. Assim, qualquer iniciativa que venha melhorar o funcionamento do sistema político no Brasil é bem vindo.

  22. Parabéns pela postagem e concordo com o colocado, e em nome da democracia apoio o surgimento de um novo partido, mas não creio que isto irá funcionar na pratica sem uma reforma política que estabeleça a igualdade entre os partidos. Ainda que se crie o partido e saiam candidatos através dele, é praticamente nulo alguém ser eleito usufruindo 5 segundos no horário de propaganda eleitoral nunca assistido, onde somente criando um “impacto” como o bordão MEU NOME É ENÉAS para conseguir visibilidade como foi o PRONA. E, se alguém “nanico” é eleito fica a mercê das grandes legendas e tendo que votar em conjunto para sobreviver, ou seja, ainda que se entre por um novo partido uma vez eleito a regra do jogo conduz ao político ou legenda se associar a outros. Mais do que de novos partidos, candidatos com ou sem carreira política, profissionais técnicos capacitados e tudo o mais, temos que ensinar o cidadão a valorizar seu voto e entender que se quer algo novo ele mesmo pode fazer isto, votando em um novo candidato, se filiando a um partido que lhe atraia a filosofia de idéias ou mesmo se candidatando. Os políticos não entraram pela porta de trás, estão lá por haverem sido eleitos através de cidadãos que votaram e re-votaram neles. Em minha opinião um novo partido é mexer no telhado o alicerce o eleitor este sim precisa urgentemente de um novo posicionamento em face de sua responsabilidade política e como não vem a ser interesse do estado cabe a cada um dos que tem maior capacitação instruir aos demais. Vem a ser costumeiro no meio político se dizer, que o eleitor vota naquele que paga a ultima coxinha, basta ver os mais votados para constatar este fato, enquanto o povo brasileiro der mais atenção a reality show (inclusive com empenho e ação popularmente participativa), fica impossível fazer qualquer coisa de positivo para alterar este cenário hoje macabro que temos. Favoreceria se o voto não fosse obrigatório, pois, apenas os mais conscientes participariam do processo político eleitoral mais isto sim é utópico em se tratando do Brasil, pois sem voto direto, como os pseudo- artistas, atletas de final de carreira e coronéis do sertão seriam eleito-reeleitos?

  23. Meu povo e minha pova (rss),
    Após ler os comentários tive a ligeira impressão de que tudo isso (diversos pontos de vistas e um único objetivo) se originou pelo simples fato do articulista ter se baseado em suas próprias crenças somadas ao que a midia (muitas vezes covarde) apresenta (geralmente só a parte que vende noticias – interesse próprio) .
    As criticas do articulista logo foram esclarecidas diretamente pelo próprio Partido Novo. Ambos com bons argumentos.
    Com o cenário que temos aqui no blog, vemos claramente algo que acontece diariamente com a maioria do povo brasileiro, as pessoas se baseiam em comentários e em criticas de vontade própria para expor seus pensamentos, sentimentos, vontade (entenda como quiser) sobre assuntos públicos (e pessoais – fofoca) e se esquecem de ir direto na fonte para perguntar, esclarecer certos pontos e ai então concluir algo para ser comentado.
    Caro articulista e leitores, pelo amor do nosso bom e amando Deus, não me entenda mal, de forma alguma estou desmerecendo o que foi exposto ate aqui, pelo contrário, quero expor uma outra percepção sobre como vemos as coisas (a partir do meu ponto de vista é claro).
    É evidentemente notado em todos os comentários que todos nós, pessoas de bem, queremos resultados positivos e queremos sim um Brasil melhor, mais digno para todos. Se no final das contas é isso que todos querem porque ficarmos discutindo sobre coisas superficiais como “puts, mais um partido” ou “agora sim, um partido que vai mudar tudo”?
    Já passou pelo senso comum de vocês que é bom sim termos mais um partido? Vejo isso como uma concorrência, afinal de contas quanto mais candidatos (seja ele do partido que for – Partido da Lua PL, sei la) mais propostas teremos e teoricamente quem for mas convincente e tiver a melhor proposta(nem sempre é assim, infelizmente) vai ser eleito.
    Veja, não vou ser bobo de dizer que para alcançar o Brasil que merecemos será facil ou que aceito as coisas que estão acontecendo hoje na nossa política. Para que coisas boas aconteçam certas mudanças vão sim ter que ser feitas. Precisamos de algo novo, precisamos mudar a base.
    Hoje falta um marketing politico forte, que oriente os eleitores, que os orientem para votarem conscientemente e não por troca de “gracejos”.
    Precisamos sim de mudanças e principalmente envolver a sociedade na política para que paradigmas sejam quebrados e bons resultados sejam alcançados.
    Sou a favor do voto facultativo (afinal, somos ou não somos um pais democrático?), acredito que dessa forma será necessário que orgãos competentes invistam em campanhas para atrair os eleitores, acredito que as propostas dos partidos serão mais bem pensadas afim de atrair mais eleitores.

    Concluo:
    – O povo precisa participar mais
    – Os partidos precisam deixar mais claro quais são suas intenções, dizer coisas do tipo “não querem políticos profissionais” gera um pouco de dúvida e conflito né?
    – Nossas opniões devem ser geradas a partir do que acreditamos e principalmente o mais próximo da realidade da informação gerada pelo proprietário da informação.
    – Se acreditarmos e lutarmos, deixando de lado velhos conceitos e costumes, juntos conseguiremos viver no tão sonhado Brasil, o pais de primeiro mundo.

    • Caro rapaz de opinião,
      Após ler seu comentário, e refletir rapidamente a respeito, chego a conclusão de que você está indo pelo caminho certo. Acredito que você tenha exposto sua opinião de forma clara, o que deve ser feito sempre, pois, existem muitas pessoas que, assim como eu, não entendem nada de política e nem procuram saber. A única coisa que sabem é o que elas vêem todos os dias pelo Brasil afora, o que devemos concordar, gera total indignação. Acho que as pessoas já estão cansadas de tantas promessas falsas, e em função disso acabam desacreditando que seja possível um partido que venha para realmente mudar algo. Porém como você disse, os partidos com interesse em fazer a diferença devem mudar a forma de abordar os eleitores, de forma a fazê-los entender seus objetivos e, quando conseguirem isso, levarem esse propósito até o final, pois o que vemos é que, muitos políticos a princípio até tem idéias e intenções boas,
      mas dificilmente, depois que estão lá dentro fazem acontecer.
      Então é isso, continue buscando levar a informação mais clara possível as pessoas e boa sorte.

      • Obrigado Francielli. Na semana passada dei uma palestra sobre a questão fiscal na FIESP e alguns dos presentes ficaram irritados comigo porque queriam que eu dissesse o que o governo deveria fazer. Eu propositadamente não quis ser normativo nesta palestra porque queria mostrar o problema e bater na tecla que o debate fiscal, que envolve decisões de gasto público e logo o tamanho da carga tributária, é um debate político e o problema é que hoje no Brasil os políticos não estão sendo claros nas suas propostas. O mesmo ocorre na Europa mas o problema de lá não é com agente.

        Aqui no Brasil precisamos forçar formadores de opinião, articulistas (me incluo neste grupo) e políticos a serem claros no que estão falando e propondo para que a sociedade possa tomar decisões que são difíceis. E acho que estamos perdendo chances de discutir o Brasil em um ambiente que ainda é favorável ao nosso crescimento.

        Mansueto Almeida

  24. Sou um cidadão brasileiro cansado e de saco bem cheio, impaciente com tantas notícias, vendo que meu trabalho serve apenas para que alguns políticos e empresários espertalhões encham seus bolsos. Minha impaciência me torna a cada dia mais cego e ignorante em apoiar qualquer mudança política, desde que bem vendida. Então suplico, façamos algo já, antes que minha burrice tome conta e eu morra apenas mais um ignorante que não fez nada por esse país de M……..

  25. Vou mais além, já devia ser lei, apenas mais uma reeleição. Ora no meu estado o Ceará, os políticos são sempre os mesmos e tudo vai de mal a pior. Hoje só se fala em copa, você deve saber que está correndo por debaixo da ponte rios de dinheiro. Não vão deixar um legado, mas um regado ou um levado de desperdício. Pra que? Deixaram atrasar tudo de propósito para as obras ficarem com valores astronômicos. Por tanto, acredito no partido Novo e quero ajudá-lo a ser um diferencial para aqueles que acreditam que o político para fazer não precisar se eternizar no poder. Aqui no meu Ceará temos vários exemplos de politicagem e politiqueiros que só visam o seu bem estar. E tenho certeza que o povo brasileiro vai entender a mensagem do partido Novo, pois nós precisamos de uma mudança radical nessa cultura ultrapassada em que até os partidos ditos de esquerda (que não existe mais) em nosso país, quando estão no poder passam a ser mais direita do que a própria direita. Prezado amigo Mansueto, não sou do partido Novo, mas fiquei bastante interessado pois vai de encontro com os meus pensamentos. Pena que o povão não tenha acesso a essa tribuna virtual. Um abraço do amigo Luciano Coelho.

  26. Não sei qual ideário macro-econômico o Partido Novo defende. Tenho uma leve impressão que o lastro ideológico que norteará a ação desse novo partido será a tese do Estado Mínimo. Se for, lamento dizer, tô fora! Será mais um braço auxiliar, um apêndice da direita nacional (PSDB, DEM e PPS). Esse ideário, o do Estado Mínimo, quebrou a economia americana, européia e japonesa, na grande crise econômica de 2008. Delegou-se total liberdade aos “criativos empreendedores do capitalismo financista” que não produzem um prego e movimenta trilhões de dólares diariamente, desestabilizando não só a economia, mas os próprios Estados nacionais. Delegaram total poder aos dândis do Mercado e eles levaram o mundo à bancarrota! Repito, se a ideologia do Partido Novo for essa xaropada de Estado Mínimo e liberdade total aos Mercados, tô fora! E é melhor que nem seja criado!

    • V está certo Bilac O PARTIDO NOVO NÃO É PARA PETISTAS. Disso o país não mais precisa: de petralhas como Você, estamos cheio, mesmo que sejam melancias.

  27. Na minha opinião sua visão é equivocada.

    Seu primeiro ponto não faz sentido. Pois pensar que Gestão Pública e Privada são diferentes não é correto. A maioria das pessoas acredita que numa empresa só existe busca por lucro. Essa noção ocorre por ignorância. Assim como no setor público, no setor privado as pessoas reagem a incentivos. E nos dois casos existem conflitos de interesse. Um Gerente Comercial de uma empresa privada não dá a mínima pro lucro. Ele quer vender o maior volume pois seu incentivo (suas metas) são definidas com base nisso, e não no lucro. Quem está querendo maiores lucros são os donos (acionistas). Ignorar isso é um erro. Finalizando esse primeiro ponto, acredito que no setor Público exista conflito de interesses também, portanto, os incentivos (as metas) devem ser formatadas visando um objetivo diferente de lucro, como todos pensam. Assim como todos pensam que no setor Privado só se busca lucro, eu acredito que no setor Público só se buscam votos.

    Seu segundo ponto é ainda mais sem sentido. Não existe isso de gestor resolver as coisas. No caso exemplificado, existe fila por não haver uma oferta que atenda à demanda. No caso do programa “Mais Médicos”, por exemplo. Não acredito que trazer médicos de fora seja solução, mas quando vejo a categoria atacando esses cubanos, só enxergo a força corporativista da categoria dos médicos. Esse corporativismo tem um poder tão grande que não se formam médicos suficientes, nem existe uma livre circulação entre os feudos criados. Ninguém diz isso, mas a verdade é que os médicos, naturalmente, preferem um mercado carente dos serviços que eles vendem. Obviamente por poderem ganhar com isso. Pra resolver isso, os órgãos responsáveis pela análise de escolas de medicina, por exemplo, não poderiam sofrer influência da categoria dos médicos. Isso por causa do conflito de interesses.

    Finalizando com seu terceiro ponto, acredito que essas associações pouco podem fazer pra melhorar. Quando forem fortes, vão contribuir pra ajudar a categoria que defendem e piorar a situação do resto da população. Quando forem fracas, não poderão faze nada pra ninguém. Assim, a iniciativa de serem contra carreirismo político é muito boa. Político só tem um incentivo, que é ser eleito. O resto (boa intenção, ideologia etc..) é discurso.

    Por isso tudo, sou a favor de alterar as regras do jogo pra que os incentivos possam ser melhor alinhados com os interesses gerais, e não de grupos privilegiados. A extinção da segunda reeleição é uma boa medida. Temos que prezar pelo ambiente de bons incentivos, e não acreditar que existem “salvadores da pátria”.

    • Qual a empresa privada que sobrevive sem gerar lucro? os trabalhadores de uma empresa podem seguir qualquer incentivo, mas o conselho de administração da empresa vai trocar ou manter o CEO de acordo com o o resultado para os acionistas que depende do lucro. Ou seja, empresa privada alguma em um mercado competitivo sobrevive sem lucro. As maiores empresas do mundo são maiores porque são bondosas? coisa nenhuma. Olhe o exemplo do Wal Mart que tem uma péssima política salarial, olhe o exemplo da Microsoft que teve que investir muito em pesquisa e ainda tentar controlar o mercado e olhe o exemplo da Apple e de várias outras. No setor público, se quer um maior controle que tira em muito a eficiência e isso torna o setor público, por definição, mas ineficiente do que uma empresa privada. Isso é fato e de corre de controles impostos pela sociedade.

      O meu segundo ponto está explicado longamente na literatura – não é o que eu acho. Em vários serviços universais a deficiência da oferta limita a demanda. Se o SUS fosse mais eficiente você acha que eu ficaria pagando por mês R$ 2.000,00 de seguro saude para minha familia ao inves de não pagar nada e usar os serviços do SUS? Saude pública no Brasil é universal, integral e gratuita, apesar disso, gasto privado com saúde no Brasil é superior ao gasto público porque as pessoas não confiam no sistema. Se melhorasse e fosse 100% eficiente, o gasto aumentaria porque a demanda aumentaria pelos serviços da rede pública. A melhora de eficiência só levaria a uma queda certa do custo se pudéssemos restringir o acesso ao sistema.

      Quem são bons políticos para você? não só no Brasil mas no resto do mundo desde o século XX? os bons políticos foram políticos. Churchill não era um grande empresário. JFK não foi um grande empresário. Franklin D. Roosevelt não foi um grande empresário. Essas pessoas eram políticos que atuavam no meio político. Eu conheço muito empresário rico e tenho medo das ideias ingênuas de muito deles. Assim, não é o fato de propor que não existam políticos carreiristas que vai melhorar o sistema.

      OK, quais são as boas regras do jogo? eu também sou a favor de alterar várias coisas mas não criamos consenso para isso e por isso que temos tantos remendos. E nos EUA o funcionamento do sistema político é ainda pior. Qual a boa regra do jogo? devemos seguir o que faz os EUA, Alemanha, ou Japão? ou Suécia, Finlândia ou Inglaterra? o que devemos fazer?

  28. Resposta à essa frase infeliz!

    “Esse ideário, o do Estado Mínimo, quebrou a economia americana, européia e japonesa, na grande crise econômica de 2008. ”

    É natural que pessoas pouco informadas acreditem nesse tipo de discurso. Mas o que desencadeou a crise de 2008 foi justamente um ambiente ruim de incentivos. Os crédito podres no setor imobiliário foram incentivados por uma política antiga do governo que incentivava a compra da primeira casa própria. O crédito foi então despejado na economia, e, naturalmente, resultou num período de crescimento exacerbado, formando assim uma bolha. O setor bancário só se aproveitou desse incentivo com respaldo público. Portanto, creditar a crise de 2008 ao setor privado é uma visão torta e errada dos fatos.

    Mas é claro que não podemos esperar que o cidadão seja informado disso, já que os veículos de comunicação são influenciados pelos partidos que estão no poder. É esse o resultado da forna mais perversa de governo, o Capitalismo de Estado, pautado no Oligopólio. Portanto, a resposta pra quase todos os problemas, é CONCORRÊNCIA. E é isso que o partido novo prega! Por isso tem o meu apoio!

    • Acho excelente ter um partido como o Partido Novo no Brasil. Apenas não entendo exatamente ainda quais são suas propostas e nem quem são seus representante que participarão das eleições.

      No caso do debate sobre estado mínimo vs estado grande, esse é um debate sem resultado. Alemanha que está entre os maiores exportadores do mundo não poderia ser caracterizado como estado mínimo, tem elevada tributação mas é a economia mais eficiente da Europa.

      No caso dos EUA, o problema da crise não é o tamanho do Estado. Mas muito mais um problema regulatório e o excesso de captura do sistema político pelo mercado financeiro. Mas não sei como um partido diferente lá ou aqui resolveria o problema – os incentivos ruins vem de pressão de grupos organizados que atuam no sistema político.

      Como mudar isso? mostrando esses erros para a sociedade e propondo mudanças dentro de um contexto democrático. Me mande as propostas detalhadas de um plano de governo do Partido Novo que vou ler com prazer e comentar. Reduzir gasto público? todos nós somos a favor mas como exatamente? quais itens da despesa? quais programas serão descontinuados? Uma boa proposta é acabar com TODOS os subsídios via BNDES para empresas privadas.

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