Entrevista com o Economista Delfim Netto

Gostei muito dessa entrevista (clique aqui) do economista Delfim Netto no Valor Econômico de hoje. Há vários pontos que concordo com ele, por exemplo, que as circunstâncias externas para o crescimento do Brasil de 2003 a 2008 foram excepcionais, a necessidade de se retomar a agenda de reformas, o que ele chama de “viagra aposentadoria”, fortalecimento das agencias reguladoras, etc.

Causou-me surpresa ver o ex-ministro Delfim Netto  responder as seguintes perguntas:

Valor: E qual o papel adequado ao BNDES?

Delfim: O BNDES é fundamental e seu papel seria financiar os investimentos em infraestrutura com taxa de retorno social maior do que a privada. Tem subsídios? Tem, sim senhor. E está aqui no orçamento da União. Pronto. Pode-se questionar, porém, a qualidade dos investimentos feitos.

Valor: Por exemplo?

Delfim: A cartelização do setor pecuário vai dar muita dor de cabeça. A ideia de que dois ou três grandes grupos frigoríficos podem comprimir 4 mil pecuaristas vai terminar muito mal. Temos experiência disso. Esse é um sistema que tem dentro de si um ciclo. Quando você aperta o pecuarista, a impressão é que não há reação nenhuma. Você acorda três anos depois e vê que não há mais boi para abater. Eles comeram as vaquinhas.

Delfim faz aqui uma crítica ao BNDES que é muito parecida com a aquela que faço e muitos outros economistas. Não sou contra subsídios para projetos de elevado retorno social e acho bom termos no Brasil um banco como o BNDES. O meu problema, como abordo no meu artigo de segunda-feira (04/10/2010) no Valor Econômico, é quanto à falta de transparência desses subsídios. No mais, concordo com ele também sobre a cartelização do setor pecuário. Não é claro para mim os benefícios para os pecuaristas de formamos com  apoio do setor públicos três grandes frigoríficos.

O gráfico abaixo da Revista Exame do outubro de 2009 mostra a trajetória de crescimento do grupo JBS/Friboi. Como se pode ver, todo o crescimento é concentrado em basicamente três anos. É claro que Darwin não esperaria décadas para mostrar seu mecanismo de “evolução natural”  no Brasil. Esse crescimento foi política de governo via BNDES.

2 pensamentos sobre “Entrevista com o Economista Delfim Netto

  1. Caro Mansu, a questao da concentracao patrocinada com dinheiro publico, nao se limita ao caso do Jbs. Esta mesma politica esta sendo usada no caso da industria de laticinios. Eh do ve o caso da Bom Gosto. Em 3 anos ja eh a terceira maior empresa do ramo no Brasil, totalmente financiada com dinheiro subsidiado. A pergunta a ser feita eh quem de fato ganha com tudo isto!

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