O que é ser progressista?

Hoje, fazendo uma rápida leitura dos jornais na semana causou-me surpresa matéria com a economista Maria da Conceição Tavares na edição de terça-feira (14/09/2010) no Valor Econômico. A economista defendeu o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) das críticas que vem recebendo por subsidiar empréstimos a grandes grupos com dinheiro do Tesouro. Segundo a economista: “…o banco age assim para que as empresas se tornem competitivas na etapa atual de internacionalização do capital. Senão, a gente acaba”.

É interessante que muitos economistas de esquerda no Brasil acreditam que a única forma de o Brasil ter algum progresso econômico é por meio da construção de um grupo de grandes empresas multinacionais com recursos públicos. Não há o que fazer, o modelo capitalista globalizado exigiria uma concentração da propriedade e, assim, a formação de grandes grupos nacionais é a única rota ao desenvolvimento. Como e se a sociedade vai se beneficiar dessa estratégica não deve ser questionada, pois a “lógica do capital” requer, necessariamente, a formação de grandes empresas.

Será que nossos economistas progressistas são realmente progressistas? Que tal lembrarmos uma provocação do falecido economista Roberto Campos nos debates da constituinte:

Reitero meu protesto contra a auto-apropriação por alguns de nossos membros da expressão “progressista” quando, a rigor, eu acredito que eles são retrógrados caracterizados por duas características claras. Primeiro, desatualização histórica; segundo, desinformação econômica.”  Roberto Campos, 8a reunião ordinária da comissão da ordem econômica, Assembléia Constituinte, 02 de junho de 1987.

Será que acreditar na inevitabilidade de promover grandes empresas, sem analisar de que forma a sociedade se beneficia dessa estratégica é ser progressista?