Brasil, Índia e China.

Estou ausente na atualização deste blog porque estou em Manchester no Reino Unido. Junto com mais outros três pesquisadores da Índia, China e Reino Unido estamos tentando elaborar  uma proposta de pesquisa sobre “The Rise of Emerging Powers – Brasil, Índia and China”.

Foto: Mansueto Almeida

Na semana passada, nos isolamos do mundo em um casa de campo em Snowdonia,  Wales (ver foto ao lado), para elaborar uma primeira versão da proposta. Bom, tudo parecia correr bem até que nosso colega indiano lembrou que: “os bancos públicos na Índia são ativos na concessão de crédito pessoal, mas não em crédito para empresas nos moldes do que faz o BNDES no Brasil”. Segundo ele, as grandes empresas na Índia buscam crédito privado e no mercado de capital externo como principal meio de financiamento para sua expansão e operações de F&A.

Meu colega chinês mostrou-se surpreso com a forte atuação do BNDES na promoção de grandes empresas, algo que os bancos estatais da China fazem de forma intensiva. Ele pensou que, em uma democracia, seria mais difícil seguir o modelo chinês de transformar campeãs nacionais em multinacionais. Falei que não, alguns criticavam, mas tanto a “elite” quantos os economistas “progressistas” no Brasil achavam normal.

Por fim, meu colega chinês começou a explicar a migração das empresas mais intensivas em mão-de-obra das áreas costeiras para o interior do país atraídas por uma violenta guerra fiscal entre as províncias e a perspectiva de pagar salários mais baixos. Novamente, processo semelhante iniciado no Brasil nos anos 90 com as guerras fiscais entre os estados.

Sim,  somos uma democracia o que nos torna completamente diferente da China. Por outro lado, o modelo de crescimento chinês com forte atuação do estado na promoção de empresas e forte intervenção no mercado cambial causa uma certa inveja em muitos economistas brasileiros e de outros países que acreditam em um “consenso de Beijing” ao invés do “consenso de Washington”. Recomendo a leitura do debate promovido em agosto sobre o tema pela revista “The Economist” (clique aqui).