Os Estados Unidos não são o Brasil

Há hoje nos EUA um grande debate sobre a necessidade de um novo pacote de estímulo fiscal. A taxa de desemprego nos EUA continua acima de 9% e há o risco que continue crescendo devido ao baixo crescimento do PIB. Os EUA passam por uma clássica crise de demanda no qual o produto potencial está muito acima da demanda agregada, ocasionando dispensa de trabalhadores, redução de renda, etc.

Como quebrar esse circulo vicioso? Bom, com política monetária e fiscal expansionista. No entanto, a taxa de juros nos EUA já está próxima de zero e, assim, há pouco espaço para uma política monetária expansionista (mais redução da taxa de juros). Segundo, há sempre espaço para o aumento de gastos, mas o déficit público nos EUA cresceu muito e o país tem um problema estrutural com o sistema de seguridade social e de saúde que, mesmo antes da crise, já apontava para o crescimento do déficit público. Ou seja, os EUA precisam utilizar uma política fiscal expansionista para sair da crise, mas ao fazer isso sinalizam para uma piora na trajetória futura da divida/PIB. Esse é o debate.

Economistas como Paul Krugman (Princeton)  e Laura Tyson (Berkeley) argumentam que há como conciliar uma política fiscal de expansionista de curto-prazo com melhora fiscal no longo-prazo – ver a entrevista de Paul Krugman no último domingo ao jornal Estado de São Paulo e o artigo de Laura Tayson no The New York Times no final de agosto que traduzi para o leitor deste blog. O artigo de Laura Tyson defende, inclusive, a criação de um BNDES nos EUA voltado para o financiamento de projetos de infraestrutura.

É preciso fazer três esclarecimentos em relação ao debate nos EUA versus o momento atual no Brasil. Primeiro, a economia brasileira está crescendo muito bem e, portanto, não há crise de demanda no Brasil ao contrário dos EUA. O nosso debate é muito mais sobre como aumentar a taxa de crescimento de longo-prazo. Segundo, ao contrário dos EUA, a nossa política fiscal foi e continua expansionista. Essa política ao invés de contribuir para o crescimento, levou a um aumento da inflação e da taxa de juros SELIC este ano para 10,75%. Nos EUA, há hoje o risco de deflação. Terceiro, ninguém é contra um papel ativo do BNDES no financiamento da infraestrutura. O que se discute é quais investimentos são prioritários e a fonte de recursos. Os EUA não são o Brasil.

3 pensamentos sobre “Os Estados Unidos não são o Brasil

    • Tenho medo que alguns comecem a trazer para o Brasil opniões do Krugman e de outros que são específicas para os EUA. A propósito, Krugman está vindo para o Brasil e será interessante ver o que ele vai falar.

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