Trem Bala e Crescimento Sustentável?

O Diretor do BNDES, Mauricio Lemos, escreveu hoje no Valor Econômico artigo defendendo a construção do Trem Bala. Segundo ele, o projeto se justifica por quatro critérios: (1) competitividade desse serviço de transporte em qualidade e preço em relação a outras alternativas; (2) balanço ambiental do projeto; (3) custo fiscal do projeto; (4) custo de oportunidade em relação a outros investimentos.

Bom, deixo para o leitor a tarefa de avaliar os argumentos do diretor do BNDES (clique aqui), mas faço apenas três rápidas observações. Primeiro, talvez uma ou duas exceções, projetos de Trem Bala são investimentos caríssimos cujos subsídios públicos sempre foram maiores que os projetados. De qualquer forma, se é para subsidiar transporte, eu prefiro que esse subsidio vá para a melhoria do transporte público nas cidades e para os trabalhadores mais pobres. Transporte público no Brasil tem péssima qualidade, além se ser caro para a nossa classe trabalhadora.

Segundo, “balanço ambiental” do projeto? Bom, poderíamos melhorar nosso balanço ambiental se investíssemos mais em transporte público e o governo adotasse limites mais rígidos de emissão de CO2 para os carros e diminuíssemos a quantidade de enxofre na gasolina e diesel – No Brasil, o diesel tem 500 partes de enxofre por milhão nas grandes cidades e 2.000 no interior do país. Na Europa se exige 10 partes por milhão. Se tirássemos também parte do transporte de bens e serviços das rodovias e colocássemos para o transporte ferroviário normal também seria de grande ajuda para o “balanço ambiental”. Ou seja, com uma regulação mais rígida podemos reduzir a poluição no Brasil sem a necessidade de Trem Bala para isso.

Por fim, em relação ao custo fiscal, novamente, o diretor do BNDES acredita que todo dinheiro que vai para o BNDES (do Tesouro Nacional) traz um benefício maior que o custo e, portanto, o único limite ao crescimento do Brasil é a nossa própria ignorância de não duplicar, triplicar e por que não quadruplicar o tamanho do BNDES. Vejam esse trecho do artigo:

Sobre a eventual equalização do Tesouro, há controvérsias se o financiamento do BNDES – tendo como custo básico a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), referência para o financiamento de todos os setores industriais, comerciais e de serviços, incluídas as concessões, inclusive as rodoviárias estaduais, implicaria custo fiscal. Estudos recentes do Tesouro Nacional e do BNDES indicam um custo fiscal zero ou, até mesmo, um superávit fiscal, quando se contabilizam todos os retornos diretos e indiretos produzidos e induzidos a partir dos financiamentos do Banco ao custo de TJLP”. (Mauricio Lemos, Diretor do BNDES).

Novamente, a tese de que dívida cria crescimento sustentável, com uma novidade, o aumento da divida para fortalecer o BNDES ocasiona um aumento do superávit primário. Uau!!!!

9 pensamentos sobre “Trem Bala e Crescimento Sustentável?

    • Não conheço nem um desses estudos, mas adoraria ler algum deles e mudar de opnião se a evidência me convencer. Estou até diposto a propor o seguinte: vamos selecionar os mehores professores de economia no Brasil, de acordo com algums dos rankings que existem, e vamos pedir a eles que se manifestem sobre essa tese do custo zero.

  1. Mansueto
    Bom dia.

    Tem um “professor” que já escreveu alguma coisa neste sentido, mas que infelizmente não parece ter sido bem assimilada pelos “tais”…

    “There is no such thing as a free lunch.”

    Brados
    Martins

  2. Essa repetência deve ter origem no famigerado sistema de aprovação automática dos alunos.

    Brincadeiras a partes, o assunto é sério. Isto é, afirmar que o diferencial de taxas (spread) entre captação e empréstimos (direcionado ao trem bala e estádios, i.e.) irá gerar um superávit no “frigir dos ovos”! Santa imaginação!!!!

    E mais, faço uma ligação com o post s/ o artigo do Frageli e Cavalcanti. Enquanto isso, a educação é papo furado no Brasil, pois sua intertemporalidade não coaduna com os objetivos eleitoreiros.

    Pobre país.

    Excelente blog.

    Brados
    Martins

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