Secretário do Tesouro não descarta fazer novo aporte ao BNDES

Hoje em matéria no jornal Valor Econômico o secretário do Tesouro Nacional afirma:

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá receber novos recursos da União em 2010 e em 2011, se isso for absolutamente necessário. “Hoje, não há necessidade de novos aportes para 2010 e 2011. Mas se tivermos que fazer, qual será o problema? Isso é bom para nós. Nos dá lucro”, afirmou o secretário do Tesouro, Arno Augustin, em entrevista ao Valor, admitindo que se a instituição financeira precisar de mais recursos, essa necessidade será reavaliada pelo Ministério da Fazenda.

Isso significa que “o gato subiu no telhado”. Antes, o Ministro da Fazenda e mesmo o presidente do BNDES chegaram a afirmar que o BNDES não iria mais precisar de novos aportes do Tesouro e que os emprésimos já haviam chegado no limite. Vejam a resposta do Ministro da Fazenda a um pergunta dos jornalistas em entrevista ao Valor Econômico no dia 20 de julho de 2010:

Valor: Haverá novo aporte do Tesouro no BNDES?

Mantega: Não há novo aporte pensado para o BNDES. O BNDES tem nível de recursos próprios entre R$ 60 bilhões e R$ 65 bilhões por ano. O BNDES também terá que aprender a captar no mercado. Pode colocar debênture, pode captar no mercado internacional e também terá que andar com as próprias pernas. Mas não vamos descuidar da infraestrutura. Então, o BNDES ficará mais focado na infraestrutura e o setor privado poderá entrar, por exemplo, no financiamento industrial de longo prazo, de exportações, construção civil, produtos manufaturados.”

Bom, o governo não tem poupança suficiente para retomar os investimentos públicos necessários sem comprometer o primário ou  sem aumento de a carga tributária. Assim, novamente, e enquanto for necessário, a ciranda Tesouro Nacional-BNDES vai continuar. É questão de principio. Para a equipe econômica atual o investimento cria sua própria poupança e a falta do crédito é para eles o grande gargalo ao crescimento sustentável no Brasil.