Desindustrialização e o Pato Donald

Esse é o título do excelente artigo do Renato Frageli e Pedro Cavalcanti publicado hoje no Valor Econômico sobre a necessidade de olharmos mais para o setor de serviços no Brasil (clique aqui para ver o artigo). O grande problema tanto do Brasil quanto da América Latina é a baixa produtividade do setor de serviços.

Quem tiver interesse no assunto sugiro o livro: Serra, Carmen P. Ed. (2010). The Age of Productivy: Transforming Economies from the Bottom Up. IADB, Washington, DC. Baseado na análise da produtividade do trabalho, o livro mostra que perdemos o bonde da história mais pelo baixo crescimento da produtividade no setor de serviços do que pelo comportamento da produtividade no setor industrial (apesar da grande heterogeneidade da indústria no Brasil). Gosto muito do gráfico abaixo do capítulo 3 (pp.49) do livro que deixa a mensagem muito clara.

Como podem ver, a produtividade do trabalho na indústria volta a crescer na América Latina no período 1990-2005, mas o mesmo não acontece no setor de serviços, que depois de forte crescimento negativo no período 1975-90, fica com crescimento próximo de zero no período 199o-2005.

Renato Fragelli e Pedro Cavalcanti estão corretos, precisamos entender melhor o setor de serviços.

6 pensamentos sobre “Desindustrialização e o Pato Donald

  1. Caro Mansueto Almeida

    Em primeiro lugar, queria cumprimentá-lo pelo blog. Não sendo a minha matéria, muitas vezes o debate entre economistas me parece um tanto obscuro e muito cifrado em linguagem que não domino. No entanto, blogs como o seu são verdadeiras iluminações para quem, por ignorância das relações econômicas e dos conceitos, experimenta a desagradável sensação de estar perdido em meio ao que aparece somente como a pior das trevas.

    O link para o artigo citado no post não está abrindo e apresenta mensagem de erro: “404 — File not found.”

    Abraços.

    • Paulo,

      Obrigado por me alertar sobre o link para o artigo. Já resolvi o problema. Fico feliz que gostes do blog e, sim, tens toda razão na linguagem obscura dos economistas. Isso é um problema e não ajuda em nada o debate que sempre pode ser colocado de forma mais simples. Além do mais, economistas não deves fazer escolhas, devem apenas mostrar os prós e contras das alternativas.

  2. Não é surpresa que o setor de serviços no Brasil tenham baixo crescimento e produtividade. É o setor que mais depende de mão-de-obra e sabemos que educação nesse país é visto pelos políticos como contraproducente. Afinal, se educarem a população correm um grande risco de não se reelegerem …

  3. É interessante como existe uma turma de economistas que não aceitam o câmbio flutuante, e forçam qq teoria que justifique um controle cambial.

    • Há um grupo grande de economistas que deseja uma taxa de câmbio fixa. O que eles nuncam explicam é de que forma um país como o Brasil poderia conseguir tal feito. A China consegue porque tem uma poupança de cerca de 50% do PIB. Esse não é o caso do Brasil. Além disso, uma taxa de câmbio mais desvalorizada (=Real mais desvalorizado) significa salário real menor, que não é compatível com a plataforma de um governo de centro-esquerda.

  4. Mansueto.
    Bom mais um espaço livre para discutir idéias. Com relação ao setor serviços o que vivemos hoje é um forte impacto do custo Brasil e isso tem reduzido a capacidade desse setor em competir internacionamente…um dos modos de exportar serviços é quando esse é realizado no Brasil como é o caso dos serviços de propaganda e publicidade onde o país carece de toda e qualquer sorte de políticas e/ou marcos regulatórios adequados. para ficar apenas nesse exemplo.

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