Uma homenagem merecida: Marcos Lisboa

Foto: Ana Araújo

Vou fazer uma apresentação desnecessária. Estive com ele não mais do que três vezes, mas temos um amigo em comum e sou amigo de vários dos seus ex-orientandos na EPGE-FGV. Esse economista e professor a que me refiro se chama Marcos Lisboa, que foi, merecidamente, agraciado com o prêmio de “Economista do Ano”, concedido pela Ordem dos Economistas do Brasil na última segunda-feira dia 23 de agosto em São Paulo. Um prêmio para lá de atrasado.

Pena que o governo e academia perderam alguém do porte dele para o mercado financeiro, pois hoje faz falta alguém com a visão do Marcos Lisboa na Esplanada dos Ministérios e seu jeito até meio tímido de convencer seus interlocutores e sua natural habilidade, pelo que sei, de evitar conflitos.

Hoje recebi o texto/discurso que Marcos Lisboa pronunciou por ocasião de sua premiação como o melhor economista do ano em São Paulo e confesso que achei o texto fabuloso por pelo menos quatro motivos. Primeiro, traduz em poucas páginas e de forma simples a evolução das teorias de crescimento, mostrando o papel crescente que passou a ter as instituições no processo de crescimento econômico.

Segundo, mostra que o Brasil de hoje é resultado de uma série de reformas institucionais que adotamos desde o final dos anos 80 (abertura comercial, sistema de câmbio flutuante, lei de responsabilidade fiscal, etc.) e de outras mais recentes (crédito consignado, nova lei de falências, etc.) que melhoraram o ambiente de negócios e trouxeram maior segurança jurídica aos contratos. Ele sutilmente escreve nas entrelinhas contra-argumentos para enfatizar suas teses como, por exemplo, quando questiona a tese da falta de concorrência no mercado financeiro. Se a tese fosse válida, como explicar a queda brutal da taxa de juros do crédito pessoal decorrente do instrumento do crédito consignado?

Terceiro, alerta que precisamos de um maior rigor na avaliação de politicas públicas, tanto do ponto de vista de análise custo-benefício como também na comparação dos resultados alcançados em relação às metas esperadas. Chega a propor a criação de uma agência de avaliação independente, o que pode ser uma boa idéia.

Quarto, alerta que no Brasil temos sim um elevado custo de transação tanto para o investimento público quanto para o privado. No caso do público, há um sério problema de indefinição de responsabilidades e de prazos na concessão de licenças ambientais. No caso do privado, nossa estrutura tributária traz distorções que prejudicam o investimento.

Em um discurso/texto de 18 páginas Marcos Lisboa conseguiu fazer uma reflexão mais profunda sobre o crescimento do Brasil do que os debates superficiais que estão caracterizando essa campanha eleitoral e os programas de governo. Independentemente de concordar ou não com suas idéias, o texto/discurso é uma leitura quase obrigatória para quem pensa o Brasil (clique aqui para ler o texto de Marcos Lisboa).

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