Nova Carta do IBRE sobre a tese da desindustrialização

O IBRE-FGV publicou hoje sua nova carta de conjuntura, uma espécia de editorial da revista conjuntura econômica no qual o conjunto de economistas da FGV discutem algum tema em debate no Brasil. Considero um dos melhores editoriais de economia produzido todos os meses no Brasil.

A carta deste mês (clique aqui) traz o oportuno debate sobre a desindustrialização. A análise evita conclusões simplistas de que “a economia brasileira vem passando por um processo de desindustrialização” , pois, historicamente, o Brasil tinha uma participação da indústria no PIB acima daquela que prevalecia para a média de países semelhantes ao Brasil. Assim, a queda da indústria no PIB representaria uma correção para à  média e, até 2008, não haveria suporte para a tese da desindustrialização.

Segundo, a carta não descarta que possa haver uma queda futura ainda maior na participação da indústria no PIB e mesmo uma primarização ainda maior da pauta exportadora. Esse é um debate em aberto e a revista pede mais estudos sobre o assunto.

Excelente análise e, ao contrário dos pessimistas de plantão, a indústria não está desaparecendo.

2 pensamentos sobre “Nova Carta do IBRE sobre a tese da desindustrialização

  1. Olá Mansueto,

    do ponto de vista estatístico talvez os índices da industria estejam dentro do esperado, porém na prática o que tenho percebido é que a industria está composta por montadoras que utilizam tecnologia de fora e industrias de áreas de pouca tecnologia, como manuseio de chapas de aço, outra área em expansão é a exploração de commodities. Na última edição da feira da mecânica a proporção estava mais ou menos assim: 50% Industria chinesa, 25% industria estrangeira (excetuando a China) e os outros 25% industria Nacional (das quais 70 a 80% representavam industria de paineis (dobras de chapas). A diferença entre os produtos que o chineses vendiam e o que o brasil estava vendendo era simplesmente “abismal”, isso sem falar no preço, que a comparação é ridícula.
    Eu trabalho com desenvolvimento tecnologico na área esportiva em uma micro empresa. Hoje por incrível que possa parecer está mais difícil desenvolver produtos do que em 2003 ou 2004, pois na época era muito comum visitarmos feiras industrias e eletrônicas e conseguirmos fornecedores para diferentes produtos. Eram pequenas empresas que apresentavam diferentes soluções dentro de um preço e em condições muito favoráveis. Hoje esses fornecedores simplesmente desapareceram. Isso para a pequena industria é mortal.
    Eu não entendo nada de economia, minha visão é leiga e simplista, mas sinto na pele a falta de uma industria que possa facilitar a minha vida.

    • Caro Alex,

      desculpe por levar tanto tempo para responder o seu comentário e entendo o seu ponto e acho sim que, em parte, você tem razão. A questão toda acho que é o seguinte. Olhando para os dados agregados, acho que não há desindustrialização, pois o emprego industrial está crescendo, investimento na indústria crescendo, etc. Mas para alguns setores da indústria há sim um forte processo de invasão de produtos importados que pode estar afetando segmentos como o seu. E no seu caso, parece que o fato de não mais existir fornecedores domésticos afeta o seu potencial de inovação. correto? não teria como importar parte desses insumos?

      Vou ver se depois faço um posto sobre isso. Participei de uma reunião na FIESP no dia 14 de fevereiro (última segunda-feira) e o diretor da ABIMAQ, Mario Bernardini, apresentou um trabalho que corrobora o seu argumento. Vamos depois continuar esse debate que é sim complicado, pois os dados macro nos levam a uma conclusão e os dados micro identificam problemas como este que você se refere.

Os comentários estão desativados.