Arminio Fraga sobre BNDES

23/08/2010

Nesta segunda-feira, o jornal Valor Econômico traz matéria interessante com o economista e ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga (clique aqui). É interessante como concordamos com muitas coisas, como, por exemplo:

1) “….Para Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, de imediato o banco deveria “racionar” os empréstimos subsidiados, evitando concedê-los para grandes empresas – “para que emprestar para a Petrobras?”

Questiono o mesmo no meu artigo de julho no valor econômico – clique aqui.

2) “.. Por mais dinheiro que o governo coloque no banco – foram R$ 208 bilhões desde 2008, e muito provavelmente o Tesouro ainda tenha que fazer algum reforço no Orçamento para 2011 – não haverá crédito suficiente para a enorme demanda do país por investimentos.”

No Brasil, muitos têm a impressão que o governo tem o poder de criar poupança por emissão de dívida.  Meu artigo no Valor Econômico de abril deste ano com o meu colega Alexandre Manoel questiona essa “sabedoria” (clique aqui). Essa preocupação do Armínio é legítima.

3) “Armínio diz que o país carece mesmo de um estudo mais acurado sobre o “benefício social” dos financiamentos subsidiados do BNDES, instituição que está completando quase 60 anos. “Acho que a pergunta correta é se isso contribuiu para o desenvolvimento do país, que significa tanto o crescimento econômico quanto seus aspectos distributivos, na medida em que um país desigual como o nosso só vai se desenvolver quando a desigualdade for menor.”

Esse é novamente um dos pontos chaves da discussão atual sobre o papel do BNDES e da nossa política industrial. O benefício social deve estar acima do benefício privado para justificar o apoio a grupos privados por meio de política industrial. E nós temos experiências exitosas de política industrial que os ganhos sociais foram superiores aos privados. Exemplo? Que tal o caso da EMBRAPA que inovava e das EMATER dos anos 70 e 80 que levavam a inovação da EMBRAPA aos pequenos, médios e grandes produtores no setor agrícola. Isso é política “industrial” de sucesso na agricultura.